domingo, 20 de maio de 2018

Refletido a Liturgia: Solenidade da Santíssima Trindade - 27 de Maio 2018

Ano B - Dia 27/05/2018 - Cor: Branco
Solenidade da Santíssima Trindade
Primeira Leitura
O Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra, e não há outro além dele
Leitura do Livro do Deuteronômio       4,32-34.39-40

Moisés falou ao povo, dizendo: 32 “Interroga os tempos antigos que te precederam, desde o dia em que Deus criou o homem sobre a terra, e investiga de um extremo ao outro dos céus, se houve jamais um acontecimento tão grande, ou se ouvir algo semelhante. 33 Existe, porventura, algum povo que tenha ouvido a voz de Deus falando-lhe do meio do fogo, como tu ouviste, e tenha permanecido vivo? 34 Ou terá jamais algum Deus vindo escolher para si um povo entre as nações, por meio de provações, de sinais e prodígios, por meio de combates, com mão forte e braço estendido, e por meio de grandes terrores, como tudo o que por ti o Senhor vosso Deus fez no Egito, diante de teus próprios olhos? 39 Reconhece, pois, hoje, e grava-o em teu coração, que o Senhor é o Deus lá em cima no céu e cá embaixo na terra, e que não há outro além dele. 40 Guarda suas leis e seus mandamentos que hoje te prescrevo, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, e vivas longos dias sobre a terra que o Senhor teu Deus te vai dar para sempre”.   Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

Comentário

O Senhor é o nosso Deus
A grande maravilha é o Senhor, o único Deus vivo que age na história. Sua ação nasce da fidelidade à Aliança, liberta o povo, lhe revela seu caminho e lhe dá a terra. Não existe outro Deus que faça isso: todos os outros são falsos absolutos.

Salmo Responsorial    -    Sl 32(33),4-5.6.9.18-19.20.22        (R. 12b)
R. Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança.
4 Reta é a palavra do Senhor, e tudo o que ele faz merece fé. 5 Deus ama o direito e a justiça, transborda em toda a terra a sua graça.   (R)

6 A palavra do Senhor criou os céus, e o sopro de seus lábios, as estrelas. 9 Ele falou e toda a terra foi criada, ele ordenou e as coisas todas existiram.   (R)
18 Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, 19 para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria.   (R)

20 No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! 22 Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!
    (R)

Comentário
O projeto de Deus se realizará
Hino de louvor ao Deus que cria o universo e intervém na história, conduzindo o seu povo para a vida
O motivo fundamental do louvor é a palavra e ação de Deus, que realizam a verdade, a justiça e o amor. A palavra de Deus é eficaz, criando e organizando o universo. O exército de Deus são as estrelas no céu. O projeto de Deus é liberdade e vida para todos. Projeto que se realizará, derrotando os projetos de escravidão e morte, feitos pelas nações. É tolice querer enganar ou manipular Deus.Ele discerne profundamente cada um e sabe através de quem vai realizar seu projeto. A realização do projeto de Deus não depende do poderio militar, mas da presença do próprio Deus, que age dentro da luta pela liberdade e vida. Quando o povo coloca sua esperança em Deus. Esse lhe responde com todo o seu amor.

Segunda Leitura
Recebestes um espírito de filhos, no qual todos nós clamamos: Abá, ó Pai!
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos      8,14-17
Irmãos, 14 Todos aqueles que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus. 15 De fato, vós não recebestes um espírito de escravos, para recairdes no medo, mas recebestes um espírito de filhos adotivos, no qual todos nós clamamos: Abá, ó Pai!
16 O próprio Espírito se une ao nosso espírito para nos atestar que somos filhos de Deus. 17 E, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo; se realmente sofremos com ele, é para sermos também glorificados com ele.  Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

Comentário
Cristo oferece a possibilidade de sermos filhos, não escravos
Cristo, que nasceu sujeito à lei, libertou os fiéis da lei e também da escravidão. Ele oferece a possibilidade de sermos filhos, não escravos. E o próprio Deus confirma nossa posição como seus filhos enviando o espírito de seu Filho, que possibilita ao fiel falar intimamente com Deus Pai, "Abbá". Contrapondo-se ao egoísmo, a ação do Espírito cria um novo tipo de relacionamento dos homens entre si e com Deus: a relação de família. Agora podemos chamar Deus de Pai, pois somos seus filhos. E isso é a base para as relações sociais recompostas: o clima de família se alastra, porque todos são irmãos. A herança prometida por Deus aos "que são guiados pelo Espírito" consiste em participar do Reino. Mas isso implica a seriedade de um testemunho, como o de Jesus Cristo. Multiplicam-se as iniciativas para valorizar a dignidade humana. A poucos decênios da declaração sobre os direitos do homem, pode-se já fazer um importante balanço de iniciativas, protestos, denúncias, afirmações. É um novo tipo de humanismo, que quer ser mais consciente dos gravíssimos problemas que enfrenta. O indivíduo malicioso não mais crê nas exaltações ingênuas que incensavam o Homem (com maiúscula), deixando na penumbra as contínuas violações dos direitos das pessoas concretas. Ora, todo esse movimento humanista, conquanto positivo, é um pálido reflexo da iniciativa divina que introduz o homem na família da Trindade. A dignidade humana (e as faltas contra ela) adquire peso a um nível infinitamente mais elevado. Não se trata de projeto, mas de realidade de imaginável grandiosidade. Só de joelhos diante de Deus, definido pela Bíblia como o Amor; pode-se entender alguma coisa.

Aclamação ao Evangelho     -     cf. Ap 1,8
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Divino, ao Deus que é, que era e que vem, pelos séculos. Amém.     (R)

Evangelho
Batizai-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus     28,16-20
Naquele tempo, 16 os onze discípulos foram para a Galiléia, ao monte que Jesus lhes tinha indicado. 17 Quando viram Jesus, prostraram-se diante dele. Ainda assim alguns duvidaram. 18 Então Jesus aproximou-se e falou: "Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. 19 Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20 e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que estarei convosco todos os dias, até o fim do mundo". Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

Comentário
Jesus sobe ao céu
Doravante, Jesus é a única autoridade entre Deus e os homens. Ele dá apenas uma ordem àqueles que o seguem: fazer com que todos os povos se tornem discípulos. Todos são chamados a participar de uma nova comunidade (batismo), que se compromete a viver de acordo com o que Jesus ensinou: praticar a justiça em favor dos pobres e marginalizados. O Evangelho se encerra com a promessa já feita no início: Jesus está vivo e sempre presente no meio da comunidade, como o Emanuel, o Deus-conosco. Após a crucifixão de Jesus, no primeiro dia da semana, quando Maria Madalena e a outra Maria chegam ao túmulo, encontram um anjo que lhes anuncia que Jesus não está ali, pois ressuscitou. E completa dizendo-lhes que ele precedia os discípulos na Galiléia. A seguir o próprio Jesus vem ao encontro delas e também lhes comunica que devem anunciar aos discípulos que se dirijam para a Galiléia. Dessa maneira, os onze discípulos (também apóstolos) voltam à Galiléia e se encontram com Jesus ressuscitado, sendo por ele enviados em missão. Isso indica que, após a crucifixão, em Jerusalém, a missão iniciada por Jesus foi retomada na Galiléia por seus discípulos, os quais são enviados a todas as nações, de modo que eles próprios façam novos discípulos entre todos os povos. Não há nenhuma eleição particular, todos são chamados ao seguimento de Jesus na adesão à vontade do Pai, que é a de que todos tenham vida. Os discípulos são enviados para batizar, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Jesus assumiu o batismo de João revelando que este batismo da conversão é do agrado de Deus e que, pela prática da justiça, que promove a vida, somos inseridos na própria vida divina, na comunhão de amor entre o Pai e o Filho. A justiça que promove a vida, na misericórdia e na compaixão, é a forma concreta do amor que une os filhos de Deus. Lucas, e apenas ele, em seu evangelho e em Atos, após a despedida de Jesus, narra a subida aos céus. Em Lucas, essa despedida se dá nas proximidades de Jerusalém e não na Galiléia. Ele privilegia a comunidade de Jerusalém em seu papel centralizador nas origens da Igreja. No evangelho de João, que é posterior ao de Lucas, no mesmo dia de sua ressurreição, Jesus comunica o Espírito Santo com um sopro sobre os discípulos reunidos. É o Espírito que levará os discípulos a conhecer toda a Verdade e reconhecer a presença de Jesus nas comunidades, conforme a promessa: "Eis que estou convosco até o fim dos tempos".

Oração
Pai, que a certeza da presença de teu Filho Jesus seja estímulo para o cumprimento da missão que recebi: a de proclamar o Reino a todos os povos.

APROFUNDANDO NA PALAVRA
Deus é comunidade de amor
Quando o homem olha para dentro de si, a fim de analisar sua experiência religiosa, tem a sensação de um abismo sem fundo, uma profundeza infinita. A essa profundeza inatingível de nosso ser refere-se a palavra "Deus". Deus significa isto: a profundeza última da nossa vida, a fonte do nosso ser, a meta de todos os nossos esforços. Esse fundo íntimo do nosso ser manifesta-se na abertura do nosso "eu para um 'tu", e na seriedade dessa inclinação. Vemos assim impressa em nosso ser a realidade profunda e grandiosa do Deus cristão, a Trindade. Isto é, o mistério de um Deus que é comunidade e comunhão de vida. Um Deus que é Pai, Filho, Espírito Santo.
A comunhão com Deus, fim do homem
O próprio Deus vem ao homem, manifesta-se a ele como "Senhor", mas cheio de bondade e misericórdia, rico em graça e fidelidade. Na exuberância de seu amor pelo mundo, manifestado no dom de seu Filho único para salvá-lo, o Deus do amor e da paz derrama sobre os homens sua graça em Cristo, e os chama à comunhão com ele no Espírito Santo.

A Comunidade Trinitária é verdadeiramente o valor último e supremo, o único verdadeiro fim último do homem, uma vez que Deus, e somente Deus, é a plenitude de toda perfeição.

A Comunidade Trinitária é verdadeiramente mistério, realidade que supera absolutamente toda compreensão humana. Deus jamais deixará de causar a admiração do homem, e nunca homem algum penetrará na terra de Deus se não estiver disposto a se desarraigar, como Abraão (Gn 12,1), das fronteiras de suas limitações e da estreiteza de suas seguranças. A oração não deve reduzir Deus aos limites do homem; mas deve dilatar o homem aos horizontes de Deus. O silêncio, que o Pai parece opor em muitos casos aos pedidos humanos, nasce da autenticidade de sua paternidade, de sua firmeza em não condescender com a mesquinhez dos planos humanos, para poder substitui-los por planos bem maiores, nascidos do seu amor.

A Comunidade Trinitária é o verdadeiro futuro do homem, só ela pode assegurar ao homem um plano de vida sem limites, porque é capaz de superar até a morte. Diz eficazmente santo Agostinho: "Deus é tão inexaurível que quando encontrado ainda falta tudo para encontrá-lo". Isso significa que o dinamismo e a criatividade humana encontram nele um horizonte sem limites; portanto, um futuro total.
Um só Deus em três pessoas
Esta revelação não vem simplesmente satisfazer nossa necessidade de conhecer a Deus; concerne diretamente ao destino do homem e da criação. De fato, a salvação, como comunhão de amor entre Deus e o homem, reflete as características dos dois interlocutores que a constituem: Deus e o homem. Ora, o homem só pode ser compreendido a partir de Deus: feito à imagem de Deus, é plasmado conforme o Cristo, que é a imagem perfeita de Deus. Portanto, as perguntas e respostas sobre Deus são de uma importância fundamental para compreender o homem. Concretamente, a vida humana, de um ponto de vista religioso, desenvolve-se e se expande proporcionalmente ao "conhecimento" do mistério de Deus (Jo 17,3). Se o homem é destinado à comunhão com Deus Pai, é claro que sua vida tem tanto mais valor quanto mais ele consegue seguir o movimento de "subida aos céus" inaugurado pela ascensão de Jesus (Jo 12,32), até sentar-se à direita do Pai para vê-lo face a face. O Pe. Faber escreveu que "todo aprofundamento da idéia sobre Deus equivale a um novo nascimento". O mistério do amor Trinitário revela algo do mistério mais profundo do homem; por sermos como somos, criaturas capazes de conhecer, amar, gerar, só podemos exprimir-nos em termos humanos, mas chegamos com a mais profunda admiração ao último porquê: como pôde ter nascido a idéia de “conhecer”, amar", "gerar"? Não nasceu. Ela é. Porque Deus é amor. O mistério de Deus não é um mistério de solidão, mas de convivência, criatividade, conhecimento, amor, de dar e receber; e por isso, somos como somos.
Buscar a Deus
Em nossa vida cotidiana, às vezes sombria, às vezes trágica ou muito complicada, em que devemos cuidar de mil coisas que nos pressionam de toda parte, a luz de Deus é o amor. Devemos voltar-nos para esta luz se não nos quisermos desviar do verdadeiro fim de nossa existência. Gostaríamos de poder dizer: "Aqui está Deus; Deus é assim...". Mas não é possível. O próprio Deus sai dos quadros e das imagens e se oculta naqueles que precisam de nós, e diz: "Aqui estou!" Esconde-se nos pequeninos da terra e diz: "Buscai-me aqui!" Quem quer viver com Deus não se encontra diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início, novo como cada novo dia.

Pesquisando na Bíblia sobre Santíssima Trindade
Israel conhece várias festas religiosas: Festa da Lua Nova, que marcava o início do mês (1Sm 20,5-26; Ez 46,1-7; Nm 28,11-14; Ne 10,33-34; Gl 4,10; Cl 2,16-20). O dia festivo semanal era o Sábado (Ex 16,4-36; 20,8-11; Is 56,1-6; 58,13-14). A Festa dos Tabernáculos era celebrada em ação de graças pela colheita das azeitonas e das uvas (Jz 9,27; 21,19-24). Era chamada também “festa da Colheita” (Ex 23,16; 34,22; Ne 8,14; Jo 7,11; cf. Lv 23,33-44 e nota; Dt 16,13-16; Lv 23,34-44); atinge em Cristo o seu significado pleno (Jo 7,37-39; 1Cor 10,4). A Festa das Semanas era celebrada após a colheita do trigo. É chamada “das semanas” porque se fazia sete semanas após a festa dos Ázimos (Nm 28,26). É conhecida também sob o nome de “festa da Colheita” (Ex 23,16) ou “festa das Primícias” da colheita do trigo (34,22). Mais tarde recebeu o nome de Pentecostes (Tb 2,1; 2Mc 12,31s; At 2,1), porque se celebrava cinqüenta dias depois da oferta do primeiro feixe de espigas de cevada (Lv 23,9-14; Dt 26,1-11). Sendo de origem agrária, Pentecostes é uma festa alegre. Nela o israelita agradecia a Deus pela colheita do trigo, oferecendo-lhe as primícias (primeiros frutos) do que foi semeado nos campos (Ex 23,16; 34,22). Na época pós-exílica começou a ser celebrada nesta festa a promulgação da Lei de Moisés (Lv 23,15-21 e nota). Na festa de Pentecostes, após a morte de Jesus, a comunidade cristã, reunida no Cenáculo, recebeu o dom do Espírito Santo (At 2,14).

Via (Deus Único)

0 comentários:

Postar um comentário