MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

sábado, 13 de maio de 2017

Liturgia comentada do 6º Domingo da Páscoa

Ano A - Dia 21/05/2017 - Cor: Branco
6o. Domingo da Páscoa
Primeira Leitura
Impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo
Leitura dos Atos dos Apóstolos                     8,5-8.14-17
Naqueles dias, 5 Filipe desceu a uma cidade da Samaria e anunciou-lhes o Cristo. 6 As multidões seguiam com atenção as coisas que Filipe dizia. E todos unânimes o escutavam, pois viam os milagres que ele fazia. 7 De muitos possessos saíam os espíritos maus, dando grandes gritos. Numerosos paralíticos e aleijados também foram curados. 8 Era grande a alegria naquela cidade. 14 Os apóstolos, que estavam em Jerusalém, souberam que a Samaria acolhera a Palavra de Deus, e enviaram lá Pedro e João. 15 Chegando ali, oraram pelos habitantes da Samaria, para que recebessem o Espírito Santo. 16 Porque o Espírito ainda não viera sobre nenhum deles; apenas tinham recebido o batismo em nome do Senhor Jesus. 17 Pedro e João impuseram-lhes as mãos, e eles receberam o Espírito Santo. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Alegria pela Boa Notícia

O autor apresenta Filipe como exemplo da evangelização que se propaga a partir de Jerusalém. A missão cristã é mostrada nos mesmos moldes previstos pelo Evangelho: anúncio do caminho de Jesus Cristo e ação que desaliena os homens (expulsão dos demônios), possibilitando que eles se tornem responsáveis pela própria caminhada (cura da paralisia). O resultado é a alegria trazida pela Boa Notícia. Simão é alguém que busca pestígio a todo custo, recorrendo à venda de ilusões que fascinam e alienam o povo. Enquanto outros buscam o batismo para selar a conversão, Simão está interessado em milagres e em comercializar o dom de Deus. Reprovando-o, Pedro lembra a cena de Jesus expulsando os comerciantes do Templo (cf. Lc 19,45ss). O texto é verdadeira condenação de qualquer comércio do sagrado. O que Deus dá gratuitamente, deve ser distribuído gratuitamente. A missão de Pedro e João na Samaria é reconhecer a nova comunidade como parte integrante da Igreja. A imposição das mãos com o dom do Espírito Santo mostra que as comunidades cristãs nascem sob o impulso do Espírito Santo.
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Salmo Responsorial        -        65(66),1-3a.4-5.6-7a.16 e 20    (R. 1-2a)
R. Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, cantai salmos a seu nome glorioso!
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.
1 Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, 2 cantai salmos a seu nome glorioso, dai a Deus a mais sublime louvação! 3a Dizei a Deus: “Como são grandes vossas obras! (R)
4 Toda a terra vos adore com respeito e proclame o louvor de vosso nome!” 5 Vinde ver todas as obras do Senhor: seus prodígios estupendos entre os homens! (R)
6 O mar ele mudou em terra firme, e passaram pelo rio a pé enxuto. Exultemos de alegria no Senhor! 7a Ele domina para sempre com poder! (R)
16 Todos vós que a Deus temeis, vinde escutar: vou contar-vos todo bem que ele me fez! 20 Bendito seja o Senhor Deus que me escutou, não rejeitou minha oração e meu clamor, nem afastou longe de mim o seu amor! (R)
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Comentário
Vejam as obras de Deus!
Oração coletiva de agradecimento
Este salmo é um convite para agradecer a Deus, dirigido a todos os povos. O motivo é o seguinte: Deus se aliou a um povo, tornando-o testemunha da sua justiça. Foi um longo e difícil tempo de aprendizado, com muitas provocações, até que o povo entendesse que sem justiça não existe liberdade nem vida. Outra pessoa dá o seu testemunho. E assim a comunidade aprende a partilhar e a reconhecer que Deus é a fonte da libertação e da vida.
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Segunda Leitura
Sofreu a morte na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito
Leitura da Primeira Carta de São Pedro                    3,15-18
Caríssimos: 15 Santificai em vossos corações o Senhor Jesus Cristo, e estai sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pedir. 16 Fazei-o, porém, com mansidão e respeito e com boa consciência. Então, se em alguma coisa fordes difamados, ficarão com vergonha aqueles que ultrajam o vosso bom procedimento em Cristo. 17 Pois será melhor sofrer praticando o bem, se esta for a vontade de Deus, do que praticando o mal. 18 Com efeito, também Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados, o justo, pelos injustos, a fim de nos conduzir a Deus. Sofreu a morte, na sua existência humana, mas recebeu nova vida pelo Espírito. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Quem lhes fará mal?
Os sofrimentos, de que fala a carta, não são aqueles provindos de alguma doença ou de uma perseguição programada pelo Estado. São os sofrimentos originados da situação em que se encontram os destinatários: imigrantes sem direitos e, além disso, cristãos com projeto de vida diverso do ambiente em que vivem. Cor certeza eles já eram vistos como subversivos e conspiradores. (cf. Is 8,12, onde Pedro se inspira). Por outro lado, tais sofrimentos não devem ser suportados pelo sofrimento em si, mas com finalidade bem precisa; "por causa da justiça". Esse sofrimento é uma bem-aventurança ("felizes de vocês"), pois é consequência do testemunho cristão (v. 15).
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Aclamação ao Evangelho                         Jo 14,23
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Quem me ama realmente guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e a ele nós viremos.   (R)
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Evangelho
Eu rogarei ao Pai e ele vos dará outro Defensor
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João     14,15-21
Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 15 "Se me amais, guardareis os meus mandamentos, 16 e eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: 17 O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não o vê nem o conhece. Vós o conheceis, porque ele permanece junto de vós e estará dentro de vós. 18 Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós. 19 Pouco tempo ainda, e o mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis. 20 Naquele dia sabereis que eu estou no meu Pai e vós em mim e eu em vos. 21 Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele". Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
O Espírito Santo continua a obra de Jesus
Advogado é alguém que defende uma causa. Jesus envia o Espírito Santo como advogado da comunidade cristã. O Espírito é a memória de Jesus que continua sempre viva e presente na comunidade. Ele ajuda a comunidade a manter e interpretar a ação de Jesus em qualquer tempo e lugar. O Espírito também leva a comunidade a discernir os acontecimentos para continuar o processo de libertação, distinguindo o que é vida e o que é morte, e realizando novos atos de Jesus na história. No belo discurso de Jesus, na sua última ceia com os discípulos, narrado pelo evangelista João, são feitas repetidas referências às realidadesfundamentais da revelação de Jesus: o amor do Pai e de Jesus; o novo mandamento do amor; o crer em Deus e em Jesus, Caminho, Verdade e Vida; o conhecer Jesus e o Pai; permanecer em Jesus; o dom do Espírito de Amor e o dom da vida eterna na comunhão com Jesus e o Pai, no Espírito. No trecho de hoje, o destaque é o tema do amor que se exprime na observância dos mandamentos de Jesus. Muitos foram seus mandamentos: guardar a sua palavra, ter fé e praticar o que ele viveu, crer nele e ter a vida eterna, praticar a verdade, acolher seu testemunho, trabalhar pelo alimento que permanece para a vida eterna, servi-lo e seguir seu exemplo de serviço. Todos seus mandamentos convergem para o seu novo mandamento: "Amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros" (Jo 13,34.35; 15,12). Amar Jesus é amar-nos uns aos outros. Associado a este amor está o dom do Paráclito, o Espírito da Verdade. O Pai dará este Espírito, ele permanece junto de nós e está em nós. Futuro e presente se unem, no dom do Espírito. O Espírito prometido nos revela a presença de Jesus entre nós. É a presença na comunidade em que se vive o amor. Este amor é a união com Jesus e com o Pai. Quem assim ama reconhece a presença de Jesus. Na ausência visível de Jesus, é o Espírito da Verdade, o Espírito Santo, que ilumina a sua presença. Após a crucifixão de Jesus e com a compreensão de sua ressurreição, sob as luzes do Espírito, iniciou-se a prática de, após o batismo em nome de Jesus, impor-se as mãos aos batizados para que recebessem o Espírito Santo. Jesus "sofreu a morte, na existência humana, mas permaneceu na vida no Espírito". O Espírito é a garantia da permanência na vida divina, no sofrimento ou na morte física.
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Oração
Pai, concede-me o dom do teu Espírito que, como luz, dissipa as trevas e me faz caminhar seguro pelos caminhos de teu Filho Jesus.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Jesus ressuscitado, testemunhado pelos cristãos que se amam
Jesus promete o Espírito de verdade a quem observa seus mandamentos. Só quem faz o que agrada ao amigo pode dizer que está verdadeiramente em comunhão com ele. Como Cristo sempre fez o que agradava ao Pai, aceitando sem reservas o plano de salvação e executando-o com livre obediência, e assim se manifestou como o "filho bem-amado", também quem crê em Cristo entra na mesma corrente de amor, porque responde à escolha e à predileção do Pai. O Espírito de Cristo ilumina agora os que crêem para que continuem em sua vida a atitude filial de Cristo. Não no sentido de que todos os pormenores sejam codificados como mais importantes, mas no de que o amor filial escolha da maneira mais justa em todas as circunstâncias, com liberdade e fidelidade. Ainda não é cristão quem pratica os dez mandamentos, código elementar de comportamento moral e religioso, mas quem é fiel ao único mandamento do amor, até dar a vida em plena liberdade. Este amor faz passar da morte para a vida.
Os profetas do amor
Esse amor é também o melhor testemunho da novidade de vida trazida por Cristo, porque é de outra ordem: não só o respeito da liberdade dos outros, da sua dignidade de homens, mas o reconhecimento de uma fraternidade baseada na adoção filial. Esse amor "teologal" dá uma dimensão mais profunda ao esforço, comum aos não-cristãos, de promoção e libertação do homem, de construção de um mundo justo e pacífico.

Essa lúcida fidelidade ao homem, esse esforço incansável e desinteressado, é para o cristão uma participação do amor criador de Deus, da páscoa do Senhor. Assim, "santifica o Senhor Deus em seu coração" e responde a quem lhe pergunta a razão da sua esperança, remetendo, para além de sua pessoa, Àquele que é a fonte do amor.
Vede como se amam
O amor dos cristãos dá testemunho do Cristo ressuscitado, de dois modos. Primeiramente, o amor dos cristãos entre si. "Vede como se amam diziam os pagãos sobre os primeiros cristãos. Hoje, os novos pagãos pós-cristãos poderão dizer o mesmo ao olhar-nos? Ou o nosso comportamento só levará a menosprezar e desconfiar do cristianismo e de sua insistência sobre o amor? Certamente, falamos demais de amor, dele fazendo quase um gênero literário; mas não o vivemos sinceramente entre nós, divididos como somos por preconceitos, sectarismos, guetos diversos. Em segundo lugar, o amor dos cristãos pelo mundo. Em cada época da história, a Igreja é chamada a dar uma contribuição específica. Nos séculos passados empenhou-se em salvaguardar e difundir a cultura, entregou-se às obras assistenciais em beneficio dos pobres e indigentes, fundou hospitais, cuidou da instrução do povo, criou os primeiros serviços sociais. Hoje tudo isso é em geral assumido pelo Estado, e a obra que a Igreja ofereceu durante séculos tende a terminar. O Estado deve preocupar-se com a difusão da cultura, com a instrução, a escola, a assistência e todo tipo de serviço social.

Liberada dessas tarefas, cabe agora à Igreja oferecer à humanidade sua contribuição original e única: o sentido e o valor construtivo do amor.
Que pede o mundo de hoje ao cristão?
A mais importante exigência a que devemos atualmente responder não está acaso em contribuir para suprimir as divisões entre os homens e lutar contra todos os ódios? Se a humanidade que não crê mais em Deus, se o homem racional e ateu está mais avançado em outros pontos, não estará talvez menos avançado neste?

O Estado assistencial poderá criar estruturas perfeitas. Mas de que servirão se os homens que as devem animar não forem movidos por um profundo amor pelo homem? Esta é a ação dos cristãos, engajados ao lado dos outros homens no esforço por criar um mundo novo, mais justo e com mais respeito pelo homem. Lembrar que o motor de todo verdadeiro progresso é o amor e só o amor. Sem amor o próprio progresso pode se voltar contra o homem e destruí-lo ou aliená-lo. Procura-se um amor que salve o homem todo: sua dignidade, sua liberdade, sua necessidade de Deus, seu destino ultra terreno. Um amor concreto, que se interesse pelos que estão perto e a quem se pode prestar algum auxílio. Um amor que vai até onde nenhum outro pode ir.
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Via (Deus Único)

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