MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

terça-feira, 4 de abril de 2017

Liturgia comentada do Domingo de Ramos da Paixão do Senhor


Domingo de Ramos da Paixão do Senhor
Primeira Leitura
Não desviei meu rosto das bofetadas e cusparadas. Sei que não serei humilhado
Leitura do Livro do Profeta Isaías    50,4-7
Ano A - Dia 09/04/2017 - Cor: Vermelho

4 O Senhor Deus deu-me língua adestrada, para que eu saiba dizer palavras de conforto à pessoa abatida; ele me desperta cada manhã e me excita o ouvido, para prestar atenção como um discípulo. 5 O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. 6Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. 7 Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado. Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
O Messias agüenta firme a flagelação e a humilhação

A missão do servo é, aqui, apresentada como encorajamento aos fracos e abatidos. Para isso, não resiste ao que Deus lhe pede e não recua diante das dificuldades e ataques adversários. Quem o acusará se o seu advogado é o próprio Deus? Os adversários serão apanhados na mesma armadilha que lhe tinham preparado. Tal foi a atitude de Jesus, e é a característica fundamental de seus seguidores. O Servo de Deus não é um portador de sabedoria humana, nem confia nos recursos da dialética. Assemelha-se aos pobres analfabetos, que não sabem usar a arma da palavra. Sua língua é a de discípulo (versículo 4): narra só as coisas que Deus lhe confiou. Sua força está toda aqui, daqui lhe vem a capacidade de suportar as bofetadas com um rosto de pedra. Que o servo Jesus fosse, não apenas um portador da palavra, mas em verdade a Palavra de Deus, não muda os termos da profecia, antes a leva ao extremo. Sua paixão foi a conseqüência de sua fidelidade à missão de profeta: falou, por isso foi crucificado. Não pode ser outra a missão da Igreja. Deve ela falar a palavra de salvação, que é palavra recebida do alto. Como para São Paulo, seu falar não se exprime "em discurso de humana sabedoria, mas em demonstração de espírito e virtude" (1 Cor 2,4). Por isto, permanece sempre "em religiosa escuta da palavra de Deus", para ser sua fiel dispensadora.
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Salmo Responsorial   -  Sl 21(22),8-9.17-18a.19-20.23-24  (R. 2a)
R. Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?
8 Riem de mim todos aqueles que me vêm, torcem os lábios e sacodem a cabeça: 9 "Ao Senhor se confiou, ele o liberte e agora o salve, se é verdade que ele o ama!"   (R)

17 Cães numerosos me rodeiam furiosos, e por um bando de malvados fui cercado. Transpassaram minhas mãos e os meus pés 18a e eu posso contar todos os meus ossos.   (R)

19 Eles repartem entre si as minhas vestes e sorteiam entre si a minha túnica. 20 Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, ó minha força, vinde logo em meu socorro!  (R)

23 Anunciarei o vosso nome a meus irmãos e no meio da assembléia hei de louvar-vos! 24 Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores, glorificai-o, descendentes de Jacó, e respeitai-o, toda a raça de Israel!
  (R)
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Comentário
Deus ouve o clamor do pobre
Súplica de um inocente perseguido
A experiência mais profunda do sofrimento é sentir-se abandonado pelo próprio Deus. A lembrança dos benefícios concedidos aos antepassados fundamenta a súplica e procura mover Deus a agir. Segundo Mateus Jesus recitou o versículo 2 na cruz (cf. Mt 27,46) Ao sofrimento e abandono soma-se a marginalização. E Deus, não vai socorrer o marginalizado? Será que ele vai abandonar aqueles que lhe pertencem? Os inimigos são descritos como animais ferozes. As imagens dos versículos 15 e 16 mostram o enfraquecimento e a conseqüente proximidade da morte, já esperada como certa pelos perseguidores. Em meio a esse estado deplorável, temos a súplica urgente dos versículos 20-22. Do extremo sofrimento, o perseguido passa à confiança total. Ele já foi salvo ou confia que o será. Por isso, convida a comunidade a participar do seu louvor e agradecimento, reconhecendo que Deus jamais abandona o pobre que clama. Desse testemunho nasce a esperança de todos os pobres, construtores de uma nova história, alicerçada na justiça.
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Segunda Leitura
Humilhou-se a si mesmo; por isso, Deus o exaltou acima de tudo
Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses    2,6-11
6 Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7 mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontra-do com aspecto humano, 8 humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9 Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10 Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11 e toda língua proclame: "Jesus Cristo é o Senhor", para a glória de Deus Pai.  Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
Humilhou-se a si mesmo; por isso, Deus o exaltou acima de tudo
Citando um hino conhecido, Paulo mostra qual é o Evangelho da cruz, o Evangelho autêntico, e apresenta em Cristo o modelo da humildade. Embora tivesse a mesma condição de Deus, Jesus apresentou entre os homens como simples homem. E mais: abriu mão de qualquer privilégio, tornando-se apenas um homem que obedece a Deus e serve aos homens. Não bastasse isso, Jesus serviu até o fim, perdendo a honra ao morrer na cruz, como se fosse criminoso. Por isso, Deus o ressuscitou e o colocou no posto mais elevado que possa existir, como Senhor do universo e da história. Os cristãos são convidados a fazer o mesmo: abrir mão de todo e qualquer privilégio, até mesmo da boa fama, para pôr-se a serviço dos outros, até o fim.
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Aclamação ao Evangelho                   Fl 2,8-9
R. Glória e louvor a vós, ó Cristo.
V. Jesus Cristo se tornou obediente, obediente até a morte numa cruz. Pelo que o Senhor Deus o exaltou, e deu-lhe um nome muito acima de outro nome. (R)
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Evangelho
Se és Filho de Deus, desce da Cruz

Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo Mateus 26,14-27,66
O que me dareis se vos entregar Jesus?
Naquele tempo, 14 um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes 15 e disse: "O que me dareis se vos entregar Jesus?" Combinaram, então, trinta moedas de prata. 16 E daí em diante, Judas procurava uma oportunidade para entregar Jesus.
Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?
17 No primeiro dia da festa dos ázimos, os discípulos aproximaram-se de Jesus e perguntaram: "Onde queres que façamos os preparativos para comer a Páscoa?" 18 Jesus respondeu: "Ide à cidade, procurai certo homem e dizei-lhe: 'O Mestre manda dizer: o meu tempo está próximo, vou celebrar a Páscoa em tua casa, junto com meus discípulos"'. 19 Os discípulos fizeram como Jesus mandou e prepararam a Páscoa.
Um de vós vai me trair
20 Ao cair da tarde, Jesus pôs-se à mesa com os doze discípulos. 21Enquanto comiam, Jesus disse: "Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair". 22 Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: "Senhor, será que sou eu?" 23 Jesus respondeu: "Quem vai me trair é aquele que comigo põe a mão no prato. 24 O Filho do Homem vai morrer, conforme diz a Escritura a respeito dele. Contudo, ai daquele que trair o Filho do Homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido!" 25 Então Judas, o traidor, perguntou: "Mestre, serei eu?" Jesus lhe respondeu: "Tu o dizes".
Isto é o meu corpo. Isto é o meu sangue
26 Enquanto comiam, Jesus tomou um pão e, tendo pronunciado a bênção, partiu-o, distribuiu-o aos discípulos, e disse: "Tomai e comei, isto é o meu corpo". 27 Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lhes, dizendo: "Bebei dele todos. 28 Pois isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados. 29 Eu vos digo: de hoje em diante não beberei deste fruto da videira, até o dia em que, convosco, beberei o vinho novo no Reino do meu Pai". 30 Depois de terem cantado salmos, foram para o monte das Oliveiras.
Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se dispersarão
31 Então Jesus disse aos discípulos: "Esta noite, vós ficareis decepcionados por minha causa. Pois assim diz a Escritura: 'Ferirei o pastor e as ovelhas do rebanho se dispersarão'. 32 Mas, depois de ressuscitar, eu irei à vossa frente para a Galiléia". 33 Disse Pedro a Jesus: "Ainda que todos fiquem decepcionados por tua causa, eu jamais ficarei". 34 Jesus lhe declarou: "Em verdade eu te digo, que, esta noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes". 35 Pedro respondeu: "Ainda que eu tenha de morrer contigo, mesmo assim não te negarei". E todos os discípulos disseram a mesma coisa.
Começou a ficar triste e angustiado
36 Então Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse: "Sentai-vos aqui, enquanto eu vou até ali para rezar!" 37 Jesus levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, e começou a ficar triste e angustiado. 38 Então Jesus lhes disse: "Minha alma está triste até a morte. Ficai aqui e vigiai comigo!" 39 Jesus foi um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto por terra e rezou: "Meu Pai, se é possível, afaste-se de mim este cálice. Contudo, não seja feito como eu quero, mas sim como tu queres". 40 Voltando para junto dos discípulos, Jesus encontrou-os dormindo, e disse a Pedro: "Vós não fostes capazes de fazer uma hora de vigília comigo? 41 Vigiai e rezai, para não cairdes em tentação; pois o espírito está pronto, mas a carne é fraca". 42 Jesus se afastou pela segunda vez e rezou: "Meu Pai, se este cálice não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade!" 43 Ele voltou de novo e encontrou os discípulos dormindo, porque seus olhos estavam pesados de sono. 44 Deixando-os, Jesus afastou-se e rezou pela terceira vez, repetindo as mesmas palavras. 45 Então voltou para junto dos discípulos e disse: "Agora podeis dormir e descansar. Eis que chegou a hora e o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores. 46 Levantai-vos! Vamos! Aquele que me vai trair, já está chegando".
Lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam
47 Jesus ainda falava, quando veio Judas, um dos Doze, com uma grande multidão armada de espadas e paus. Vinham a mandado dos sumos sacerdotes e dos anciãos do povo. 48 O traidor tinha combinado com eles um sinal, dizendo: "Jesus é aquele que eu beijar; prendei-o!" 49 Judas, logo se aproximou de Jesus, dizendo: "Salve, Mestre!" E beijou-o. 50 Jesus lhe disse: "Amigo, a que vieste?" Então os outros avançaram, lançaram as mãos sobre Jesus e o prenderam. 51 Nesse momento, um dos que estavam com Jesus estendeu a mão, puxou a espada, e feriu o servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha. 52 Jesus, porém, lhe disse: "Guarda a espada na bainha! pois todos os que usam a espada pela espada morrerão. 53 Ou pensas que eu não poderia recorrer ao meu Pai e ele me mandaria logo mais de doze legiões de anjos? 54 Então, como se cumpririam as Escrituras, que dizem que isso deve acontecer?" 55 E, naquela hora, Jesus disse à multidão: "Vós viestes com espadas e paus para me prender, como se eu fosse um assaltante. Todos os dias, no Templo, eu me sentava para ensinar, e vós não me prendestes". 56 Porém, tudo isto aconteceu para se cumprir o que os profetas escreveram. Então todos os discípulos, abandonando Jesus, fugiram.
Vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso
57 Aqueles que prenderam Jesus levaram-no à casa do Sumo Sacerdote Caifás, onde estavam reunidos os mestres da Lei e os anciãos. 58 pedro seguiu Jesus de longe até o pátio interno da casa do Sumo Sacerdote. Entrou e sentou-se com os guardas para ver como terminaria tudo aquilo. 59 Ora, os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de condená-lo à morte. 60 E nada encontraram, embora se apresentassem muitas falsas testemunhas. Por fim, vieram duas testemunhas, 61 que afirmaram: "Este homem declarou: 'posso destruir o Templo de Deus e construí-lo de novo em três dias" 62Então o Sumo Sacerdote levantou-se e perguntou a Jesus: "Nada tens a responder ao que estes testemunham contra ti?" 63 Jesus, porém, continuava calado. E o Sumo Sacerdote lhe disse: "Eu te conjuro pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Messias, o Filho de Deus". 64 Jesus respondeu: "Tu o dizes. Além disso, eu vos digo que de agora em diante vereis o Filho do Homem sentado à direita do Todo-poderoso, vindo sobre as nuvens do céu". 65 Então o Sumo Sacerdote rasgou suas vestes e disse: "Blasfemou! Que necessidade temos ainda de testemunhas? Pois agora mesmo vós ouvistes a blasfêmia. 66 Que vos parece?" Responderam: "E réu de morte!" 67 Então cuspiram no rosto de Jesus e o esbofetearam. Outros lhe deram bordoadas, 68 dizendo: "Faze-nos uma profecia, Cristo, quem foi que te bateu?"
Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes
69 pedro estava sentado fora, no pátio. Uma criada chegou perto dele e disse: "Tu também estavas com Jesus, o Galileu!" 70 Mas ele negou diante de todos: "Não sei o que tu estás dizendo". 71 E saiu para a entrada do pátio. Então uma outra criada viu Pedro e disse aos que estavam ali: "Este também estava com Jesus, o Nazareno". 72 pedro negou outra vez, jurando: "Nem conheço esse homem!"73 Pouco depois, os que estavam ali aproximaram-se de Pedro e disseram: "É claro que tu também és um deles, pois o teu modo de falar te denuncia". 74 pedro começou a maldizer e a jurar, dizendo que não conhecia esse homem! E nesse instante o galo cantou. 75 pedro se lembrou do que Jesus tinha dito: "Antes que o galo cante, tu me negarás três vezes". E saindo dali, chorou amargamente.
Entregaram Jesus a Pilatos, o governador
27,1 De manhã cedo, todos os sumos sacerdotes e os anciãos do povo convocaram um conselho contra Jesus, para condená-lo à morte. 2 Eles o amarraram, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador.
Não é lícito colocá-las no tesouro porque é preço de sangue
3 Então Judas, o traidor, ao ver que Jesus fora condenado, ficou arrependido e foi devolver as trinta moedas de prata aos sumos sacerdotes e aos anciãos, 4 dizendo: "Pequei, entregando à morte um homem inocente". Eles responderam: "O que temos nós com isso? O problema é teu". 5 Judas jogou as moedas no santuário, saiu e foi se enforcar. 6 Recolhendo as moedas, os sumos sacerdotes disseram: "E contra a Lei colocá-las no tesouro do Templo, porque é preço de sangue". 7 Então discutiram em conselho e compraram com elas o Campo do Oleiro, para aí fazer o cemitério dos estrangeiros. 8 É por isso que aquele campo até hoje é chamado de "Campo de Sangue". 9 Assim se cumpriu o que tinha dito o profeta Jeremias: "Eles pegaram as trinta moedas de prata - preço do Precioso, preço com que os filhos de Israel o avaliaram - 10 e as deram em troca do Campo do Oleiro, conforme o Senhor me ordenou!"
Tu és o rei dos judeus?
11 Jesus foi posto diante do governador, e este o interrogou: "Tu és o rei dos judeus?" Jesus declarou: "É como dizes", 12 e nada respondeu, quando foi acusado pelos sumos sacerdotes e anciãos.13 Então Pilatos perguntou: "Não estás ouvindo de quanta coisa eles te acusam?" 14 Mas Jesus não respondeu uma só palavra, e o governador ficou muito impressionado. 15 Na festa da Páscoa, o governador costumava soltar o prisioneiro que a multidão quisesse.16 Naquela ocasião, tinham um prisioneiro famoso, chamado Barrabás. 17 Então Pilatos perguntou à multidão reunida: "Quem vós quereis que eu solte: Barrabás, ou Jesus; a quem chamam de Cristo?" 18 pilatos bem sabia que eles haviam entregado Jesus por inveja. 19 Enquanto Pilatos estava sentado no tribunal, sua mulher mandou dizer a ele: "Não te envolvas com esse justo! porque esta noite, em sonho, sofri muito por causa dele". 20 Porém, os sumos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões para que pedissem Barrabás e que fizessem Jesus morrer. 21 O governador tornou a perguntar: "Qual dos dois quereis que eu solte?" Eles gritaram: "Barrabás". 22 pilatos perguntou: "Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?" Todos gritaram: "Seja crucificado!" 23pilatos falou: "Mas, que mal ele fez?" Eles, porém, gritaram com mais força: "Seja crucificado!" 24 pilatos viu que nada conseguia e que poderia haver uma revolta. Então mandou trazer água, lavou as mãos diante da multidão, e disse: "Eu não sou responsável pelo sangue deste homem. Este é um problema vosso!" 25 O povo todo respondeu: "Que o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos". 26 Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado.
Salve, rei dos judeus!
27 Em seguida, os soldados de Pilatos levaram Jesus ao palácio do governador, e reuniram toda a tropa em volta dele. 28 Tiraram sua roupa e o vestiram com um manto vermelho; 29 depois teceram uma coroa de espinhos, puseram a coroa em sua cabeça, e uma vara em sua mão direita. Então se ajoelharam diante de Jesus e zombaram, dizendo: "Salve, rei dos judeus!" 30 Cuspiram nele e, pegando uma vara, bateram na sua cabeça. 31 Depois de zombar dele, tiraram-lhe o manto vermelho e, de novo, o vestiram com suas próprias roupas. Daí o levaram para crucificar.
Com ele também crucificaram dois ladrões
32 Quando saíam, encontraram um homem chamado Simão, da cidade de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus. 33 E chegaram a um lugar chamado Gólgota, que quer dizer "lugar da caveira . 34 E deram vinho misturado com fel para Jesus beber. Ele provou, mas não quis beber. 35 Depois de o crucificarem, fizeram um sorteio, repartindo entre si as suas vestes. 36 E ficaram ali sentados, montando guarda. 37 Acima da cabeça de Jesus puseram o motivo da sua condenação: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus". 38Com ele também crucificaram dois ladrões, um à direita e outro à esquerda de Jesus.
Se és o Filho de Deus, desce da cruz!
39 As pessoas que passavam por ali o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: 40 "Tu que ias destruir o Templo e construí-lo de novo em três dias, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz!" 41 Do mesmo modo, os sumos sacerdotes, junto com os mestres da Lei e os anciãos, também zombavam de Jesus: 42 "A outros salvou... a si mesmo não pode salvar! É Rei de Israel... Desça agora da cruz! e acreditaremos nele. 43 Confiou em Deus; que o livre agora, se é que Deus o ama! Já que ele disse: Eu sou o Filho de Deus". 44 Do mesmo modo, também os dois ladrões que foram crucificados com Jesus, o insultavam.
Eli, Eli, lamá sabactâni?
45 Desde o meio-dia até as três horas da tarde, houve escuridão sobre toda a terra. 46 Pelas três horas da tarde, Jesus deu um forte grito: "Eli, Eli, lamá sabactâni?", que quer dizer: "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" 47 Alguns dos que ali estavam, ouvindo-o, disseram: "Ele está chamando Elias!" 48 E logo um deles, correndo, pegou uma esponja, ensopou-a em vinagre, colocou-a na ponta de uma vara, e lhe deu para beber. 49 Outros, porém, disseram: "Deixa, vamos ver se Elias vem salvá-lo!" 50 Então Jesus deu outra vez um forte grito e entregou o espírito.
Aqui todos se ajoelham e faz-se uma pausa
51 E eis que a cortina do santuário rasgou-se de alto a baixo, em duas partes, a terra tremeu e as pedras se partiram. 52 Os túmulos se abriram e muito corpos dos santos falecidos ressuscitaram! 53Saindo dos túmulos, depois da ressurreição de Jesus, apareceram na Cidade Santa e foram vistos por muitas pessoas. 54 O oficial e os soldados que estavam com ele guardando Jesus, ao notarem o terremoto e tudo que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: "Ele era mesmo Filho de Deus!" 55 Grande número de mulheres estava ali, olhando de longe. Elas haviam acompanhado Jesus desde a Galiléia, prestando-lhe serviços. 56 Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
José colocou o corpo de Jesus em um túmulo novo
57 Ao entardecer, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que também se tornara discípulo de Jesus. 58 Ele foi procurar Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que lhe entregassem o corpo. 59 José, tomando o corpo, envolveu-o num lençol limpo, 60 e o colocou em um túmulo novo, que havia mandado escavar na rocha. Em seguida, rolou uma grande pedra para fechar a entrada do túmulo, e retirou-se. 61 Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, diante do sepulcro.
Tendes uma guarda. Ide, guardai o sepulcro como melhor vos parecer
62 No dia seguinte, como era o dia depois da preparação para o sábado, os sumos sacerdotes e os fariseus foram ter com Pilatos, 63 e disseram: "Senhor, nós nos lembramos de que quando este impostor ainda estava vivo, disse: 'Depois de três dias eu ressuscitarei!' 64 Portanto, manda guardar o sepulcro até ao terceiro dia, para não acontecer que os discípulos venham roubar o corpo e digam ao povo: 'Ele ressuscitou dos mortos!' pois essa última impostura seria pior do que a primeira". 65 pilatos respondeu: "Tendes uma guarda. Ide e guardai o sepulcro como melhor vos parecer". 66 Então eles foram reforçar a segurança do sepulcro: lacraram a pedra e montaram guarda. Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
Mt 26,17-25
A celebração da Páscoa marcava a noite em que o povo de Deus foi libertado da escravidão do Egito. Jesus vai ser morto como o novo cordeiro pascal: sua vida e morte são o início de novo modo de vida, no qual haverá mais escravidão do dinheiro e do poder.
Mt 26,26-29
A ceia pascal de Jesus com os discípulos recorda a multiplicação dos pães. Ela substitui as cerimônias do Templo e torna-se o centro vital da comunidade formada pelos que seguem a Jesus. O gesto e as palavras de Jesus não são apenas afirmação de sua presença sacramental no pão e no vinho. Manifestam também o sentido profundo de sua vida e morte, isto é: Jesus viveu e morreu como dom gratuito, como entrega de si mesmos aos outros, opondo-se a uma sociedade em que as pessoas vivem para si mesmas e para seus próprios interesses. Na ausência de Jesus, os discípulos são convidados a fazer o mesmo (“tomem”): partilhar o pão com os pobres e viver para os outros.
Mt 26,30-35
Jesus sabe que vai ser traído por um discípulo e abandonado pelos outros. Mostra assim a plena gratuidade do seu dom, sendo fiel aos discípulos até o fim: marca um novo encontro na Galiléia (cf. 16,7). Aí Jesus reunirá novamente os discípulos para continuar a sua ação.
Mt 26,36-46
O que se passa no íntimo de Jesus? Uma luta dramática, em que se confrontam a companhia e a solidão, o medo e a serenidade, a coragem de continuar o projeto até o fim e a vontade de desistir e fugir. A oração é a fonte que reanima o projeto de vida segundo a vontade do Pai; a vigilância impede que o homem se torne inconsciente diante das situações.
Mt 26,47-56
Um dos discípulos se alia ao poder repressivo das autoridades e trai Jesus com um gesto de amizade. Um dos presentes tenta defender Jesus com as mesmas armas dos opressores. Por fim, todos fogem e Jesus fica sozinho e preso. Aquele que realiza o projeto de Deus e atrai o povo é considerado pelos poderosos como bandido perigoso. Mas eles não têm coragem de prendê-lo à luz do dia.
Mt 26,57-68
Para as autoridades, Jesus é réu, e elas já tinham decretado a morte dele. Agora, montam um processo teatral e falso para justificar tal decreto. Jesus não se defende, porque as acusações realmente não o culpam de nada. No projeto de Deus, as coisas se invertem: este homem, condenado por uma sociedade injusta, é o Messias, o Filho de Deus, que inaugura a sociedade justo do Reino de Deus. Por isso, de réu ele passa a ser juiz ( O Filho do Homem: cf; Dn 7,13), que condena o sistema causador de sua morte. As duas forças que se chocam são inconciliáveis, e o rompimento é inevitável (rasgar as vestes).
Mt 26,69-75
Enquanto Jesus fala corajosamente diante das autoridades, Pedro não é capaz de vigiar, e cai na tentação de abandonar o seguimento de Jesus, negando-o covardemente diante de pessoas simples.
Mt 27,1-10
O quadro é sombrio. Judas se enche de remorso, e proclama a inocência de Jesus, diante da indiferença das autoridades. As trinta moedas mostram que Jesus foi traído pelo preço de um escravo.
Mt 27,11-26
Sob a dominação romana, o Sinédrio podia condenar à morte, mas não podia executar a sentença. Por isso, Jesus é entregue ao governador romano, sob a falsa acusação de ser subversivo político que pretende retomar o reino judaico contra a dominação romana. O processo diante de Pilatos é também uma grande farsa dominada pelos interesses de ambas as autoridades. Jesus ou Barrabás? Pilatos prefere Jesus, porque não o vê como perigo para a autoridade romana; além disso, desconhece o alcance do projeto de Jesus. As autoridades dos judeus sabem muito bem que Jesus é mais perigoso para a estrutura interna do país do que Barrabás (zelota). A multidão fica do lado das autoridades, porque depende delas e porque agora estão enfrentando a autoridade estrangeira. Pressionado, Pilatos defende-se seu próprio prestígio e entrega Jesus à multidão. Barrabás torna-se uma peça no jogo de interesses entre as autoridades; Jesus não participa da farsa e é condenado. Se ele fosse solto estaria negando todo o seu projeto.
A mulher de Pilatos, pagã, reconhece que Jesus é justo (v.19). Enquanto isso, o povo, enganado pelas autoridades, pede a morte de Jesus, acreditando estar fazendo o bem.
Mt 27,27-31
Revestido com todos os sinais de poder (púrpura, coroa, cetro e adoração), Jesus é motivo de zombaria. Mas, despojado desse poder, ao retornar as próprias vestes, ele se revela como o verdadeiro Rei: aquele que entrega sua vida para salvar o seu povo.
Mt 27,32-44
Jesus está completamente só. Seu corpo poderoso é reduzido à fraqueza extrema. Contudo, ele até o fim permanece consciente da sua entrega, e recusa a bebida entorpecente. A inscrição, com o motivo da sentença, inaugura na história o tempo da realeza que não oprime, mas que dá a própria vida. As caçoadas revelam a verdadeira identidade de Jesus: ele é o novo Templo e o Messias-Rei que não age em vista de seus próprios interesses.
Mt 27,45-56
Em meio ao aparente fracasso, a fé descobre todo o significado da morte de Jesus. Com ela chega o dia do julgamento e começa a era da ressurreição: todo sistema que gera a morte é desmascarado, e a vida se manifesta em plenitude. A salvação está aberta para todos aqueles que confessam que Jesus é o Filho de Deus.
Mt 27,57-66
Jesus morre, e seu corpo é encerrado num túmulo. Aparentemente, a história acabou. Todavia, as mulheres estão ai, à espera: alguma coisa vai acontecer. O próprio sistema que condenou Jesus não está tranquilo.
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Oração
Espírito de sensibilidade para com os sofredores, que nada me impeça de ajudar os que sofrem. Antes, que eu demonstre por eles um amor eficaz.
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Via (Deus Único)

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