MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

terça-feira, 18 de abril de 2017

Liturgia Comentada do 3º Domingo da Páscoa

Ano A - Dia 30/04/2017 - Cor: Branco
3o. Domingo da Páscoa
Primeira Leitura
Não era possível que a morte o dominasse
Leitura dos Atos dos Apóstolos                             2,14.22-33
No dia de pentecostes, 14 Pedro, de pé, junto com os onze apóstolos, levantou a voz e falou à multidão: 22 "Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré foi um homem aprovado por Deus, junto de vós, pelos milagres, prodígios e sinais que Deus realizou, por meio dele, entre vós. Tudo isto vós bem o sabeis. 23 Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz. 24 Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse. 25 Pois Davi dele diz: 'Eu via sempre o Senhor diante de mim, pois está à minha direita para eu não vacilar. 26 Alegrou-se por isso meu coração e exultou minha língua e até minha carne repousará na esperança. 27 Porque não deixarás minha alma na região dos mortos nem permitirás que teu santo experimente corrupção. 28Deste-me a conhecer os caminhos da vida e a tua presença me encherá de alegria. 29 Irmãos, seja-me permitido dizer com franqueza que o patriarca Davi morreu e foi sepultado e seu sepulcro está entre nós até hoje. 30 Mas, sendo profeta, sabia que Deus lhe jurara solenemente que um de seus descendentes ocuparia o trono. 31 É, portanto, a ressurreição de Cristo que previu e anunciou com as palavras: 'Ele não foi abandonado na região dos mortos e sua carne não conheceu a corrupção'. 32 Com efeito, Deus ressuscitou este mesmo Jesus e disto todos nós somos testemunhas". 33 E agora, exaltado pela direita de Deus, Jesus recebeu o Espírito Santo que fora prometido pelo Pai, e o derramou, como estais vendo e ouvindo". Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

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Comentário

Disto todos nós somos testemunhos

Pedro apresenta o anuncio fundamental da Igreja. Mantendo a memória do testemunho de Jesus, a Igreja relê o Antigo Testamento e percebe o mistério central da vida, morte e ressurreição de Jesus: Jesus de Nazaré realizou entre os homens a ação de Deus voltada para a justiça e a vida, e foi morto pela estrutura injusta de uma sociedade que gera a morte. Deus, porém, condena essa estrutura, pois ressuscita Jesus e o torna Senhor do universo e da história. Recebendo o Espírito que dirigiu toda a missão de Jesus, a Igreja se torna testemunha da sua ressurreição. O anúncio é ao mesmo tempo a denúncia e o julgamento de toda estrutura injusta, sempre causadora de morte. Por que o Pentecostes? Porque Cristo ressuscitou! O homem Jesus que todos viram e conheceram, sua vida miraculosa e sua morte ignominiosa, não foram tragadas pela história. A morte e ressurreição de Jesus é o acontecimento definitivo que completou os tempos. Para o homem a salvação é a proposta de Deus no Senhor ressuscitado. Não há que procurar em outra parte, nem que esperar do futuro. O Cristo ressuscitado é a salvação do homem. Na origem da Igreja está, pois, a experiência do Ressuscitado. Sem ressurreição, os discípulos teriam sido absorvidos pelas vicissitudes da vida, fechando às pessoas o parêntese do convívio com o rabi de Nazaré. Sem ressurreição, nada teriam os apóstolos para anunciar. O apóstolo define-se como testemunha da ressurreição.
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Salmo Responsorial       -      Sl 15(16),1-2a e 5.7-8.9-10.11  (R. 11ab)
R. Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto de vós felicidade sem limites!
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.
1 Guardai-me, ó Deus, porque em vós me refugio! 2a Digo ao Senhor: "Somente vós sois meu Senhor: nenhum bem eu posso achar fora de vós!" 5 Ó Senhor, sois minha herança e minha taça, meu destino está seguro em vossas mãos! (R)
7 Eu bendigo o Senhor, que me aconselha, e até de noite me adverte o coração. 8 Tenho sempre o Senhor ante meus olhos, pois se o tenho a meu lado não vacilo. (R)
9 Eis por que meu coração está em festa, minha alma rejubila de alegria, e até meu corpo no repouso está tranqüilo; 10 pois não haveis de me deixar entregue à morte, nem vosso amigo conhecer a corrupção. (R)
11 Vós me ensinais vosso caminho para a vida; junto a vós, felicidade sem limites, delícia eterna e alegria ao vosso lado! (R)
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Comentário
A herança da vida
Oração de confiança, onde se renova a entrega total a Deus, tanto do indivíduo como da comunidade
A comunidade sabe, com muito realismo, que está vivendo num meio social cheio de deuses falsos e falsos senhores, que produzem escravidão e morte. É capaz, porém, de discernir e escolher o Deus verdadeiro, cujo projeto é liberdade e vida. Deus concede a herança da vida para aqueles que se comprometem com o projeto dele. O centro da vida é a própria presença misteriosa de Deus, que se acompanha a comunidade e a instrui diretamente sobre o caminho a seguir e ação a realizar. Em aliança com Deus, a comunidade pode estar sempre alegre, porque Deus é fonte inesgotável de vida. Comprometida com o projeto dele, a comunidade pode ficar certa de que nunca será abandonada na morte.
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Segunda Leitura
Fostes resgatados pelo preciso sangue de Cristo, cordeiro sem mancha
Leitura da Primeira Carta de São Pedro            1,17-21
Caríssimos, 17 se invocais como Pai aquele que sem discriminação julga a cada um de acordo com as suas obras, vivei então respeitando a Deus durante o tempo de vossa migração neste mundo. 18 Sabeis que fostes resgatados da vida fútil herdada de vossos pais, não por meio de coisas perecíveis, como a prata ou o ouro, 19 mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha nem defeito. 20 Antes da criação do mundo, ele foi destinado para isso, e neste final dos tempos, ele apareceu, por amor de vós. 21 Por ele é que alcançastes a fé em Deus. Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Sabeis que fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo
A palavra viva de Deus é a fonte da vida nova. Esta palavra engloba tanto a revelação do Antigo Testamento que culminou em Jesus, como o anúncio do Evangelho, que sintetiza toda a revelação. O cerne do Evangelho é a revelação do amor com que o Pai se manifesta, doando totalmente a vida de Jesus em favor dos homens. Diante disso, ser santo é entregar-se totalmente à vivência do amor mútuo. Para os cristãos, o evento da morte e ressurreição de Cristo tem a mesma ressonância do evento do Sinai para Israel. Deste se origina todo o Antigo Testamento sobre o primeiro se funda todo o Novo. O cristão crê em Deus e entra, pelos sacramentos e pela fé, no podo de Deus, porque Cristo, verdadeiro cordeiro pascal, morreu e ressuscitou por ele, e esta morte e ressurreição lhe são continuamente anunciadas por uma palavra viva e eterna. Esta palavra, como semente incorruptível, regenera para a vida, de intenso amor fraterno, todos os que se curvam “à obediência da verdade”. É este o “evangelho”, palavra da “boa-nova”, fonte de nossa alegria.
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Aclamação ao Evangelho                      Cf. Lc 24,21
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Senhor Jesus revelai-nos o sentido da Escritura; fazei o nosso coração arder, quando falardes.     (R)
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Evangelho
Reconheceram-no ao partir o pão

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas    24,13-35
13 Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos de Jesus iam para um povoado, chamado Emaús, distante onze quilômetros de Jerusalém. 14 Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido. 15 Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles. 16 Os discípulos, porém, estavam como que cegos, e não o reconheceram. 17 Então Jesus perguntou: "O que ides conversando pelo caminho?" Eles pararam, com o rosto triste, 18 e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: "Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes últimos dias?" 19 Ele perguntou: "O que foi?" Os discípulos responderam: "O que aconteceu com Jesus, o nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e diante de todo o povo. 20 Nossos sumos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21 Nós esperávamos que ele fosse libertar Israel, mas, apesar de tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22 É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos deram um susto. Elas foram de madrugada ao túmulo 23 e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que Jesus está vivo. 24 Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém o viu". 25 Então Jesus lhes disse: "Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram! 26 Será que o Cristo não devia sofrer tudo isso para entrar na sua glória?" 27 E, começando por Moisés e passando pelos profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da escritura que falavam a respeito dele. 28 Quando chegaram perto do povoado para onde iam, Jesus fez de conta que ia mais adiante. 29 Eles, porém, insistiram com Jesus, dizendo: "Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!" Jesus entrou para ficar com eles. 30 Quando se sentou à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e lhes distribuía. 31 Nisso os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram Jesus. Jesus, porém, desapareceu da frente deles. 32 Então um disse ao outro: "Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras? 33 Naquela mesma hora, eles se levantaram e voltaram para Jerusalém onde encontraram os onze reunidos com os outros. 34 E estes confirmaram: "Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" 35 Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como tinham reconhecido Jesus ao partir o pão.      Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
Corações lentos para crer
Lucas salienta os “lugares” da presença de Jesus ressuscitado. Primeiro, ele continua a caminhar entre os homens, solidarizando-se com seus problemas e participando de suas lutas. Segundo, Jesus está presente no anúncio da Palavra das Escrituras, que mostra o sentido da sua vida e ação. Terceiro, na celebração eucarística, onde o pão repartido relembra o dom da sua vida e refontiza a partilha e a fraternidade, que estão no cerne do seu projeto. A fé na ressurreição consolidou-se no coração dos discípulos de maneira muito lenta. O choque provocado pela crucifixão do Mestre causou-lhes um impacto enorme. Embora tivesse demonstrado ser “um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo”, Jesus fora condenado à morte reservada aos malditos e marginais. Com isto, os discípulos viam esvair-se sua esperança de ver Israel libertado da opressão estrangeira, e reconquistar a condição de povo livre, segundo o querer do Pai. A decepção deu lugar à deserção. Seria inútil dar continuidade ao grupo formado pelo Mestre quando ele ainda vivia, já que, diante da cruz, tudo quanto dissera e fizera tinha perdido sua consistência. Conseqüentemente, nem merecia ser recordado. Era tempo de colocar um ponto final nessa experiência que despontara tão promissora! A superação deste desânimo deu-se após um lento processo de repensamento, à luz das Escrituras, de tudo quanto acontecera com o Senhor. Foi preciso que os discípulos vissem a cruz com uma perspectiva aberta, relacionando-a com o conjunto da vida do Mestre, relida à luz do cumprimento do desígnio de Deus. Na medida em que se deslanchava um processo de compreensão da ressurreição, eles experimentavam uma profunda mudança interior. Revigorados na fé, reconheceram ser preciso voltar à vida de comunidade e se tornar proclamadores da ressurreição. Após a narrativa da crucifixão e sepultura de Jesus e do encontro do túmulo vazio pelas mulheres, Lucas insere as narrativas das aparições do ressuscitado. As narrativas do encontro do túmulo vazio e as das aparições representavam duas compreensões sobre o destino de Jesus após sua morte, que circulavam separadamente nas novas comunidades. Lucas não se refere a aparições às mulheres que encontram o túmulo vazio, ao contrário de Mateus e João (no evangelho de Marcos as narrativas de aparições são acréscimos tardios). Em Lucas, a primeira aparição acontece no encontro com os discípulos de Emaús. Os discípulos de Jesus viviam a expectativa do messias, ou seja, de um líder político: "Nós esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel...". E a morte de Jesus era o fim. Nesta aparição aos discípulos de Emaús, encontramos um ensinamento didático-catequético, que remove aquele entendimento: após sua crucifixão, Jesus permanece vivo e é reencontrado na releitura das escrituras e na partilha do pão, como havia feito com as multidões excluídas. O núcleo da pregação dos apóstolos é a trajetória da vida de Jesus de Nazaré, sua execução por morte na cruz e sua ressurreição, de maneira que, vivo, é agora doador do Espírito Santo. A ressurreição de Jesus significa a sua presença entre nós. É a permanência de Jesus de Nazaré, que em toda sua vida comunicou tanto amor e paz divinos. É uma presença concreta, que é experimentada na partilha da vida, no amor, vivida em comunidades abertas a todos. Envolvidos pelo amor de Jesus, somos libertados da "vida fútil", herdada desta sociedade de mercado e consumo, estruturada e conservada pelos ricos e poderosos.
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Oração
Pai, não permitas que eu caia na tentação de viver distante de meus irmãos e irmãs de fé, pois o Senhor Ressuscitado nos quer todos reunidos em seu nome.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Jesus ressuscitado manifesta-se na Eucaristia
"Eles reconheceram o Senhor ao partir o pão". Esta observação, de caráter litúrgico, ritualiza para nós a experiência da primeira comunidade cristã, das refeições fraternas nas casas dos cristãos, lembrando o Senhor Jesus, suas palavras e seus gestos de salvação, seu sacrifício supremo. Só pode reconhecer o Senhor quem percorreu o caminho dos problemas do homem, deles participando plenamente: o fracasso, a solidão, a busca de justiça e verdade, a coerência em direção a um mundo melhor, a solidariedade. Então o Cristo, anônimo e misterioso companheiro, testemunha e interlocutor das hesitações e dúvidas, revela-se não como aquele que tem solução para todas as questões, mas como alguém que, tendo aceito entrar no plano de Deus, tornou-se o primogênito de uma nova humanidade.
Em memória de mim
Reconhecemos o Senhor por meio de um rito, que é memorial da sua morte-ressurreição. Nesse rito, os acontecimentos históricos da vida de Jesus e os da sua Igreja hoje, como os de toda a humanidade, se revelam como pertencendo ao mesmo plano de Deus; e a Igreja, que celebra a Páscoa do Senhor, confirma-se na esperança de um igual cumprimento do seu destino. "Não devia o Cristo sofrer tais coisas para entrar na sua glória?". Assim como a catequese primitiva (cf evangelho e 1ª leitura) se apoiava no testemunho da Escritura (a Lei, os Profetas, os Salmos) para interpretar o Cristo, também a nossa comunidade lê a Palavra de Deus para compreender a sua vida de hoje, para antecipar, na esperança, a sua glória com Cristo.
Por isso, "as duas partes que constituem a missa, isto é, a liturgia da Palavra e a liturgia eucarística, são tão estreitamente unidas entre si que formam um só ato de culto" (SC 56). Só quem partilha a mesma história pode partilhar o mesmo pão que é memorial, presença, profecia do Senhor ressuscitado.
Partilhar a eucaristia, partilhar o pão
A eucaristia, diz-nos o Concílio, e “ápice e fonte de toda a vida cristã”. A comunidade cristã não é um grupo reunido em torno de um interesse humanitário, um ideal filantrópico, um código moral, mas em torno de uma pessoa. Cristo ressuscitado presente na eucaristia, força unificadora da comunidade, força propulsora de seu desenvolvimento.
Como os discípulos de Emaús, desanimados e desiludidos, céticos e desconfiados, o mundo de hoje reconhece Cristo quando os cristãos sabem verdadeiramente “partir o pão".
A eucaristia não tem um sentido e um valor individualista; tem um alcance profundamente social. Como cristãos, partilhar o pão eucarístico implica um compromisso a partilhar o outro pão, um compromisso de justiça, de solidariedade, de defesa daqueles cujo pão é roubado pelas injustiças dos homens e dos sistemas sociais errados. Se faltarmos a esse compromisso, a participação do pão eucarístico não só perderá todo seu sentido revolucionário, mas se tornará um fenômeno alienante para a nossa consciência.
A participação do pão eucarístico nos obriga, por coerência, a uma distribuição mais equânime dos bens terrestres, a lutar contra toda desigualdade econômica, para que a ninguém falte o “pão cotidiano". E isso em nível de classes, de nações, de continentes. Se não soubermos repartir nosso pão com as populações e regiões de subnutridos, nossa credibilidade cristã estará comprometida e o mundo do subdesenvolvimento procurará outros caminhos para obter justiça, impelido pela "ira dos pobres".
"O meu e vosso sacrifício"
"De que serve ornar de vasos de ouro a mesa do Cristo, se ele mesmo morre de fome? Começa por alimentá-lo quando está faminto, e então poderás decorar sua mesa com o supérfluo. Dize-me: se, vendo alguém privado do sustento indispensável, o deixasses em jejum e fosses enfeitar sua mesa com vasos de ouro, achas que ele te seria agradecido? Ou não ficaria indignado? Ou ainda, se vendo-o vestido de andrajos e trêmulo de frio, o deixasses sem roupa para erigir-lhe monumentos de ouro, pretendendo assim honrá-lo, não diria ele que estarias zombando dele com a mais refinada ironia? Confessa a ti mesmo que ages assim com o Cristo, quando ele é peregrino, estrangeiro e está sem abrigo, e tu, em lugar de recebê-lo, decoras os pavimentos, as paredes e os capitéis das colunas. Suspendes candelabros com correntes de prata, e quando ele está acorrentado, não vais consolá-lo. Não digo isto para reprovar esses ornamentos, mas afirmo que é necessário fazer uma coisa sem omitir a outra; ou melhor, que se deve começar por esta, isto é, por socorrer o pobre" (S. João Crisóstomo).
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Via (Deus Único)

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