MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

domingo, 16 de abril de 2017

Liturgia Comentada do 2º Domingo da Páscoa - Divina Misericórdia

Ano A - Dia 23/04/2017 - Cor: Branco
2o. Domingo da Páscoa - Divina Misericórdia
Primeira Leitura
Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum
Leitura dos Atos dos Apóstolos                              2,42-47
Os que haviam se convertido 42 eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. 43 E todos estavam cheios de temor por causa dos numerosos prodígios e sinais que os apóstolos realizavam. 44 Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum; 45 vendiam suas propriedades e seus bens e repartiam o dinheiro entre todos, conforme a necessidade de cada um. 46 Diariamente, todos frequentavam o templo, partiam o pão pelas casas e, unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração. 47 Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas.   Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Primeiro retrato da comunidade

Lucas apresenta o primeiro retrato da comunidade cristã. Ela nasce do anúncio fundamental que provoca a conversão; cresce graças à catequese evangélica (ensinamento dos apóstolos) e se espalha através do testemunho. Internamente, a comunidade se mantém pela união com Deus (oração no Templo) e pela participação na Páscoa de Jesus (fração do pão = Eucaristia). Na vida prática, a conversão se exprime por um novo modelo de relações: a fraternidade substitui a opressão do poder, e a partilha dos bens supera a exploração do comércio. A única autoridade é a de Deus, e se exprime através de prodígios e sinais que acompanham o testemunho dos apóstolos (temor). Para Lucas, a vida dessa comunidade mostra o ideal da Igreja e o projeto de nova sociedade.
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Salmo Responsorial   -   Sl 117(118),2-4.13-15.22-24    (R. 1)
R. Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; "eterna é a sua misericórdia!"
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.
2 A casa de Israel agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!" 3 A casa de Aarão agora o diga: "Eterna é a sua misericórdia!" 4 Os que temem o Senhor agora o digam: "Eterna é a sua misericórdia!"  (R)
13 Empurraram-se, tentando derrubar-me, mas veio o Senhor em meu socorro. 14 O Senhor é minha força e o meu canto, e tornou-se para mim o Salvador. 15 "Clamores de alegria e de vitória ressoem pelas tendas dos fiéis".  (R)

22 "A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular". 23 Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: Que maravilhas ele fez a nossos olhos! 24 Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!   (R)
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Comentário
Agradeçam a Deus!
Oração coletiva de agradecimento, estruturando uma celebração litúrgica
Este salmo nos mostra que dividida em grupos, a comunidade recebe a pessoa que vai agradecer e entoa o refrão, exaltando o amor de Deus. A pessoa começa a contar a experiência de ter sido atendida por Deus, e tira para todos a lição de confiança, que desmascara as falsas seguranças. Chegando à porta do santuário, pede para entrar, e é recebida pelos sacerdotes. O coro canta a vitória realizada por Deus. A seguir forma-se a procissão até o altar, e cantam-se refrões, num diálogo alternado entre a pessoa que agradece e a comunidade.
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Segunda Leitura
Pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo para uma esperança viva
Leitura da Primeira Carta de São Pedro              1,3-9
3 Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Em sua grande misericórdia, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, ele nos fez nascer de novo, para uma esperança viva, 4para uma herança incorruptível, que não se mancha nem murcha, e que é reservada para vós nos céus. 5 Graças à fé, e pelo poder de Deus, vós fostes guardados para a salvação que deve manifestar-se nos últimos tempos. 6 Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. 7 Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira - mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo - e alcançará louvor, honra e glória no dia da manifestação de Jesus Cristo. 8 Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, 9 pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação.   Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa
O novo nascimento pelo batismo é participação na vida de Jesus ressuscitado. Trata-se de nascimento para outra vida e outra história, dando aos cristãos esperança incomparavelmente superior a qualquer outro ideal humano. Assim como Deus havia concedido a herança da terra ao povo da antiga aliança, também o povo da nova aliança recebe como herança a própria vida de Deus (cf. 2Pd 1,4). O cristão vive impulsionado para a vida plena que está sempre em vias de se manifestar. A fé é compromisso permanente com Cristo, até a morte. Cristo chegou a glória da ressurreição e da vida através de perseguições e sofrimentos. O cristão segue o mesmo caminho: mediante o testemunho de vida em meio às provas, pouco a pouco nele se manifesta o próprio Cristo que comunica a alegria da ressurreição. “A Igreja, que realiza na esperança sua peregrinação rumo à meta da pátria celeste”, sabe que a vinda do Messias não se verificou na forma como o esperavam os judeus, como juiz da sanções e vingador do povo eleito. O mundo novo ela espera, renascimento originado do povo eleito. O mundo novo que ela espera, renascimento originado da ressurreição de Cristo dentre os mortos, está no termo de uma lenta maturação da Palavra de amor nos corações. Cristo manifestou em si esse crescimento, que lhe mereceu triunfar sobre a morte. Tal crescimento, que se verifica em todos os cristãos, expostos agora à mesma prova, garante-lhes a herança a glória e à humanidade sua total regeneração.
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Aclamação ao Evangelho                   Jo 20,29
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que creram sem ter visto!   (R)
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Evangelho
Oito dias depois, Jesus entrou

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João    20,19-31
19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, estando fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam, Jesus entrou e pondo-se no meio deles, disse: "A paz esteja convosco". 20 Depois destas palavras, mostrou-lhes as mãos e o lado. Então os discípulos se alegraram por verem o Senhor. 21 Novamente, Jesus disse: "A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou, também eu vos envio". 22 E depois de ter dito isto, soprou sobre eles e disse: "Recebei o Espírito Santo. 23 A quem perdoardes os pecados eles lhes serão perdoados; a quem os não perdoardes, eles lhes serão retidos". 24Tomé, chamado Dídimo, que era um dos doze, não estava com eles quando Jesus veio. 25 Os outros discípulos contaram-lhe depois: "Vimos o Senhor!" Mas Tomé disse-lhes: "Se eu não vir a marca dos pregos em suas mãos, se eu não puser o dedo nas marcas dos pregos e não puser a mão no seu lado, não acreditarei". 26 Oito dias depois, encontravam-se os discípulos novamente reunidos em casa, e Tomé estava com eles. Estando fechadas as portas, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: "A paz esteja convosco". 27Depois disse a Tomé: "Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não seja incrédulo, mas fiel". 28 Tomé respondeu: "Meu Senhor e meu Deus!" 29 Jesus lhe disse: "Acreditastes, porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto!" 30 Jesus realizou muitos outros sinais diante dos discípulos, que não estão escritos neste livro. 31 Mas estes foram escritos para que acrediteis que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
Que a paz esteja com vocês!
O medo impede o anúncio e o testemunho. Jesus liberta do medo, mostrando que o amor doado até à morte é sinal de vitória e alegria. Depois, convoca seus seguidores para a missão no meio do mundo, infunde neles o Espírito da vida nova e mostra-lhes o objetivo da missão: continuar a atividade dele, provocando o julgamento. De fato, a aceitação ou recusa do amor de Deus, trazido por Jesus, é o critério de discernimento que leva o homem a tomar consciência da sentença que cada um atrai para si próprio: sentença de libertação ou de condenação. Tomé simboliza aqueles que não acreditam no testemunho da comunidade e exigem uma experiência particular para acreditar. Jesus, porém, se revela a Tomé dentro da comunidade. Todas as gerações do futuro acreditarão em Jesus vivo e ressuscitado através do testemunho da comunidade cristã. O autor conclui o relato da vida de Jesus, chamando a atenção para o conteúdo e a finalidade do seu evangelho, que contém apenas alguns dos muitos sinais realizados por Jesus. E estes aqui foram narrados para despertar o compromisso da fé que leva a experimentar a vida trazida por Jesus. Esta narrativa da aparição do ressuscitado aos discípulos reunidos está presente também no evangelho de Lucas. De modo muito sucinto ela foi inserida no apêndice do evangelho de Marcos. João destaca as portas fechadas por medo dos judeus. Assim deixa transparecer o contexto de perseguição que sofriam, o que também acontecia com as comunidades no tempo em que João escreve. A presença do ressuscitado e a comunicação da paz fortalecem a fé dos discípulos. Mostrando as chagas das mãos e do lado, o ressuscitado confirma sua identificação com Jesus de Nazaré, revelando a continuidade de sua vida no seio do Pai eterno. A partir da experiência de Tomé, Jesus proclama a bem-aventurança da fé daqueles que não viram e creram. A continuidade do ministério de Jesus é registrada no livro de Atos. Temos aí um sumário da missão, com referência explícita a Pedro. Como em Jesus, as curas e exorcismos são sinais da ação libertadora dos apóstolos. O Apocalipse apresenta o ressuscitado como o vitorioso final em um combate celestial. Com este estilo literário, procura-se animar a fé e a resistência das comunidades que sofriam perseguição da parte dos judeus e dos romanos, no fim do primeiro século. Jesus comunica aos discípulos a Paz e o Espírito. Os discípulos são enviados em missão, com o conforto do Espírito. Suas comunidades são responsáveis pela prática da misericórdia no acolhimento dos pecadores convidados à conversão. A partir da experiência de Tomé, Jesus proclama a bem-aventurança da fé. Começa o tempo dos bem-aventurados que não o viram e creram nele.
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Oração
Pai, abre todas as portas que me mantém fechado no medo e na insegurança, para que eu vá ao encontro do mundo a ser evangelizado.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Os poderes do Ressuscitado
No primeiro dia depois do sábado, Jesus ressuscitado aparece aos Apóstolos e lhes transmite seus poderes, fruto da sua vitória pascal sobre a morte e o pecado. Os seus discípulos nele reconhecem o Senhor, o Kynos, Domínus. O dia da ressurreição, dia do Senhor, assume a característica do "dia do Senhor", dia do juízo escatológico, com a reunião dos seus fiéis, a vitória sobre os inimigos e a instauração do seu Reino.
O Primeiro e o Último, o Vivente
Muito sobriamente, em confronto com as descrições proféticas (conservando apenas alguns elementos da teofania divina, como o terremoto), os relatos evangélicos mostram a nova situação do Ressuscitado, liberto das limitações espácio-temporais, mas presente no meio dos seus, reunidos em assembléia. Jesus é apresentado, na ótica de João, com os atributos sacerdotais (túnica longa) e reais (cinto de ouro), como o sentido da história (o primeiro e o último), no seu poder sobre a morte e os infernos. É verdadeiramente o Senhor, Deus como o Pai, aquele que é o vivente para sempre, aquele que comunica a vida de Deus aos seus!

O grupo dos apóstolos (1ª leitura) é investido deste poder de libertação das enfermidades, dos "espíritos impuros", sinal da libertação do pecado. E se, no decorrer dos séculos, este poder não se manifesta mais de modo tão extraordinário, a Igreja sabe, entretanto, que leva ao mundo a libertação do pecado com a força dos sacramentos, nos quais Cristo opera com o seu Espírito.
Sinais de salvação do Ressuscitado
A Igreja faz ressurgir uma criatura nova e a transfere do reino de Satanás ao reino do amor de Deus (batismo); além disso, confirma-a na missão (confirmação); torna-a partícipe, no memorial-profecia da sua morte e ressurreição, do mesmo dinamismo pascal (eucaristia); liberta-a ainda, no abraço do perdão, dos laços com o pecado (penitência); torna-a semelhante a si na situação do pobre e do sofredor que espera a restauração do corpo mortal (unção dos enfermos); exprime, através da continuidade do serviço à comunidade, a sua missão de serviço (ordem); apresenta no mistério das núpcias o seu amor de esposo pela Igreja (matrimônio). Os poderes do Ressuscitado pertencem à comunidade dos que crêem que devem fazer dele participar todos os homens.
O pecado, câncer que corrói
"Libertação" é um dos termos que mais polarizam e fascinam os jovens, em sua busca de um mundo desvinculado das inúmeras cadeias que ainda o oprimem.

Mas de quem nos vem esta libertação? Bastará o esforço do homem, sua luta apaixonada por maior liberdade, dignidade, justiça? E em que nível é preciso agir?

São as estruturas que moldam o homem, dizem alguns. Mudemos as estruturas e mudará o homem. Lutemos por fazer com que caiam as estruturas injustas e anacrônicas da nossa sociedade.

É certo que as estruturas têm sua importância no modelar o homem, torná-lo livre ou escravo. Mas o cristão sabe que a raiz profunda do drama deve ser procurada no mais íntimo do homem, lá onde estão em jogo suas opções fundamentais entre o egoísmo e a doação. A primeira e mais radical libertação, pela qual são condicionadas todas as outras, é a libertação do pecado, deste câncer que corrói o homem em seu íntimo, que ataca a contextura da vida social, que envenena as relações e rompe a comunhão.

Cristo ressuscitado veio garantir-nos esta libertação, raiz e base de qualquer outra libertação. Libertação do pecado significa libertação da mais radical alienação que seduz o homem. Onde não há esta libertação, vê-se que a destruição das estruturas injustas deu lugar muito frequentemente a outras estruturas que não souberam respeitar o homem.

O homem "novo" é só o homem pascal, que recebeu de Cristo, num esforço de colaboração fecunda, a sua libertação. E as comunidades dos que crêem, a Igreja, são chamadas hoje a prolongar a obra do Cristo libertador. Uma libertação que não pode permanecer simplesmente interior; se for autêntica, se difunde e engloba todos os setores, todo o homem, superando toda visão "espiritualista" que terminaria por trair a libertação, dom do Ressuscitado.
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Via (Deus Único)

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