ENCONTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO

17 DE DEZEMBRO

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Liturgia comentada da Sexta Feira da Paixão do Senhor

Ano A - Dia 14/04/2017 - Cor: Vermelho
Sexta Feira da Paixão do Senhor
Primeira Leitura
Ele foi ferido por causa de nossos pecados
Leitura do Livro do Profeta Isaías                    52,13-53,12
13 Ei-lo, o meu servo será bem sucedido; sua ascensão será ao mais alto grau. 14 Assim como muitos ficaram pasmados ao vê-lo tão desfigurado ele estava que não parecia ser um homem ou ter aspecto humano, 15 do mesmo modo ele espalhará sua fama entre os povos. Diante dele os reis se manterão em silêncio, vendo algo que nunca lhes foi narrado e conhecendo coisas que jamais ouviram. 53,1 Quem de nós deu crédito ao que ouvimos? E a quem foi dado reconhecer a força do Senhor? 2 Diante do Senhor ele cresceu como renovo de planta ou como raiz em terra seca. Não tinha beleza nem atrativo para o olharmos, não tinha aparência que nos agradasse. 3 Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele. 4 A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado! 5 Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura. 6 Todos nós vagávamos como ovelhas desgarradas, cada qual seguindo seu caminho; e o Senhor fez recair sobre ele o pecado de todos nós. 7 Foi maltratado, e submeteu-se, não abriu a boca; como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca. 8 Foi atormentado pela angústia e foi condenado. Quem se preocuparia com sua história de origem? Ele foi eliminado do mundo dos vivos; e por causa do pecado do meu povo foi golpeado até morrer. 9 Deram-lhe sepultura entre ímpios, um túmulo entre os ricos, porque ele não praticou o mal, nem se encontrou falsidade em suas palavras. 10 O Senhor quis macerá-lo com sofrimentos. Oferecendo sua vida em expiação, ele terá descendência duradoura, e fará cumprir com êxito a vontade do Senhor. 11 Por esta vida de sofrimento, alcançará luz e uma ciência perfeita. Meu servo, o justo, fará justos inúmeros homens, carregando sobre si suas culpas. 12 Por isso, compartilharei com ele multidões e ele repartirá suas riquezas com os valentes seguidores, pois entregou o corpo à morte, sendo contado como um malfeitor; ele, na verdade, resgatava o pecado de todos e intercedia em favor dos pecadores. Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
A Paixão do Servo de Deus

Este texto descreve a paixão do Servo: ele é justo e inocente, mas sofre as conseqüências de uma estrutura da sociedade onde vive, e por isso morre esmagado sob o peso dos erros de todos. Contudo, é através do seu aparente fracasso que o projeto de Deus vai triunfar: o Servo é glorificado e traz a salvação para todos. Ao narrar a paixão de Jesus, os Evangelhos praticamente retomam este quarto cântico em todos os detalhes:na sua vida e morte, Jesus se identificou completamente com o povo pobre que, em todos os tempos e lugares, é vítima da injustiça e exploração, da opressão e esquecimento.
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Salmo Responsorial   -   Sl 30(31),2.6.12-13.15-16.17.25     (R. Lc 23,46)
R. Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito.
2 Senhor, eu ponho em vós minha esperança; que eu não fique envergonhado eternamente! 6 Em vossas mãos, Senhor, entrego meu espírito, porque me salvareis, Deus fiel!   (R)

12 Tornei-me o opróbrio do inimigo, o desprezo e zombaria dos vizinhos, e objeto de pavor para os amigos; fogem de mim os que me vêem pela rua. 13 Os corações me esqueceram como um morto, e tornei-me como um vaso espedaçado.  (R)

15 A vós, porém, ó meu Senhor, eu me confio, e afirmo que só vós sois o meu Deus! 16 Eu entrego em vossas mãos o meu destino; libertai-me do inimigo e do opressor!   (R)

17 Mostrai serena a vossa face ao vosso servo, e salvai-me pela vossa compaixão. 25 Fortalecei os corações, tende coragem, todos vós que ao Senhor vos confiais!
   (R)
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Comentário
Em tuas mãos entrego o meu espírito
Súplica individual com elementos de ação de graças. O esforço para viver segundo a justiça faz a pessoa experimentar todo tipo de pressão, a fim de “viver como os outros”.
Não encontrando saída, o salmista apela diretamente para Deus. Numa sociedade corrompida, Deus é o único apoio que o justo encontra para continuar na luta pela justiça. É Deus que confirma a honra do justo, condenando os que colocam sua segurança em falsos absolutos. Segundo Lucas, as últimas palavras de Jesus são as do versículo 6 (Lc 23,46). Os versículos 10-14 é uma descrição dramática das pressões que o justo sofre: perseguição, abandono, zombaria, boatos, perigos de vida. Tudo isso provoca solidão e pavor. Mas o salmista tem a certeza de que Deus toma o partido do justo contra os opressores. Já os versículos 20-25 de súplica, o tom muda para agradecimento. Certamente o suplicante foi atendido. Agora, em meio à comunidade, agradece a libertação e transforma sua experiência pessoal em testemunho, que fortalece e encoraja a luta da comunidade.
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Segunda Leitura
Ele aprendeu a ser obediente e tornou-se causa de salvação para todos os que lhe obedecem
Leitura da Carta aos Hebreus                   4,14-16;5,7-9
Irmãos, 14 temos um sumo sacerdote eminente, que entrou no céu, Jesus, o Filho de Deus. Por isso, permaneçamos firmes na fé que professamos. 15 Com efeito, temos um sumo sacerdote capaz de se compadecer de nossas fraquezas, pois ele mesmo foi provado em tudo como nós, com exceção do pecado. 16 Aproximemo-nos então, com toda a confiança, do trono da graça, para conseguirmos misericórdia e alcançarmos a graça de um auxílio no momento oportuno. 5,7 Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. 8 Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus, por aquilo que ele sofreu. Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.  Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
Jesus é misericordioso com os homens
Os cristãos não devem temer a Jesus mas aproximar-se dele confiantes, certos de sua acolhida misericordiosa. A figura do sumo sacerdote se realiza plenamente em Jesus, de modo superior ao sacerdócio de Aarão e de qualquer liturgia terrena. Cristo atravessou o céu e, ressuscitado, vive para sempre aquela “justa compaixão” que testemunhou aos homens no momento da paixão. Como Filho, e do mesmo modo que o misterioso Melquisedec, Jesus se empenha para sempre, com toda a sua pessoa, na súplica e no sacrifício. A paixão é vista aqui como a mais solene prece de intercessão e o mais sublime ato de obediência. Os versículos 9-10 anunciam o tema da próxima parte: levado à perfeição, Jesus tornou-se o princípio de salvação eterna, pois recebeu de Deus o título de sumo sacerdote.
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Aclamação ao Evangelho                       Fl 2,8-9
R. Louvor e honra a vós, Senhor Jesus.
V. Jesus Cristo se tornou obediente, obediente até a morte numa cruz, pelo que o Senhor Deus o exaltou, e deu-lhe um nome muito acima de outro nome.   (R)
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Evangelho
    Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João            18,1-19,42
Prenderam Jesus e o amarraram
Naquele tempo, 1 Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. 2 Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. 3 Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas. Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: A quem procurais? 5 Responderam: A Jesus, o nazareno. Ele disse: Sou eu. Judas, o traidor, estava junto com eles. 6 Quando Jesus disse "sou eu", eles recuaram e caíram por terra. 7 De novo lhes perguntou: A quem procurais? Eles responderam: A Jesus, o nazareno. 8 Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem. 9 Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito: "Não perdi nenhum daqueles que me confiaste". 10 Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. 11 Então Jesus disse a Pedro: Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?"
Conduziram Jesus Primeiro a Anás
12 Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. 13 Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano. 14Foi Caifás que deu aos judeus o conselho: "É preferível que um só morra pelo povo". 15 Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote. 16 Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro. 17 A criada que guardava a porta disse a Pedro: Não pertences também tu aos discípulos desse homem? Ele respondeu: Não. 18 Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira e estavam se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se. 19 Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento. 20 Jesus lhe respondeu: Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. 21 Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse. 22 Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote? 23Respondeu-lhe Jesus: Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates? 24 Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o sumo sacerdote.
Não és tu também um dos discípulos dele? Pedro negou: "Não!"
25 Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe: Não és tu, também, um dos discípulos dele? Pedro negou: Não! 26 Então um dos empregados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: Será que não te vi no jardim com ele? 27 Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou.
O meu reino não é deste mundo
28 De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de manhã cedo. Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer a páscoa. 29 Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse: Que acusação apresentais contra este homem? 30 Eles responderam: Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti! 31 Pilatos disse: Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei. Os judeus lhe responderam: Nós não podemos condenar ninguém à morte. 32 Assim se realizava o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer. 33Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: Tu és o rei dos judeus? 34 Jesus respondeu: Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim? 35 Pilatos falou: Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste? 36 Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui. 37 Pilatos disse a Jesus: Então tu és rei? Jesus respondeu: Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz. 38 Pilatos disse a Jesus: O que é a verdade? Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus e disse-lhes: Eu não encontro nenhuma culpa nele. 39 Mas existe entre vós um costume, que pela páscoa eu vos solte um preso. Quereis que vos solte o rei dos judeus? 40Então, começaram a gritar de novo: Este não, mas Barrabás! Barrabás era um bandido.
Viva o rei dos judeus!
19,1 Então Pilatos mandou flagelar Jesus. 2 Os soldados teceram uma coroa de espinhos e colocaram-na na cabeça de Jesus. Vestiram-no com um manto vermelho, 3 aproximavam-se dele e diziam: Viva o rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. 4 Pilatos saiu de novo e disse aos judeus: Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum. Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes: Eis o homem! 6 Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar: Crucifica-o! Crucifica-o! Pilatos respondeu: Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum. 7 Os judeus responderam: Nós temos uma lei, e, segundo esta lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus. 8 Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com mais medo ainda. 9 Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: De onde és tu? Jesus ficou calado. 10 Então Pilatos disse: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? 11 Jesus respondeu: Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior.
Fora! Fora! Crucifica-o!
12 Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam: Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César. 13 Ouvindo estas palavras, Pilatos levou Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado "Pavimento", em hebraico "Gábata". 14 Era o dia da preparação da páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: Eis o vosso rei! 15 Eles, porém, gritavam: Fora! Fora! Crucifica-o! Pilatos disse: Hei de crucificar o vosso rei? Os sumos sacerdotes responderam: Não temos outro rei senão César. 16Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram.
Ali o crucificaram , com outros dois
17 Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado "Calvário", em hebraico "Gólgota". 18 Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio. 19 Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito: "Jesus, o nazareno, o rei dos judeus". 20 Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. 21Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: Não escrevas "o rei dos judeus", mas sim o que ele disse: "Eu sou o rei dos judeus". 22 Pilatos respondeu: O que escrevi, está escrito.
Repartiram entre si as minhas vestes
23 Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto a baixo. 24 Disseram então entre si: Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será. Assim se cumpria a escritura que diz: "Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica". Assim procederam os soldados.
Este é o teu filho. Esta é a tua mãe
25 Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. 26 Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: Mulher, este é o teu filho. 27 Depois disse ao discípulo: Esta é a tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.
Tudo está consumado
28 Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a escritura se cumprisse até o fim, disse: Tenho sede. 29Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. 30 Ele tomou o vinagre e disse: Tudo está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
Na celebração todos se ajoelham um por um instante
E logo saiu sangue e água
31 Era o dia da preparação para a páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e os tirasse da cruz. 32 Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. 33 Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; 34 mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. 35 Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. 36 Isso aconteceu para que se cumprisse a escritura, que diz: "Não quebrarão nenhum dos seus ossos". 37 E outra escritura ainda diz: "Olharão para aquele que transpassaram".
Envolveram o corpo de Jesus com aromas, em faixas de linho
38 Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus - mas às escondidas, por medo dos judeus - pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o corpo de Jesus. 39 Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido de noite encontrar-se com Jesus. Levou uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. 40 Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar. 41 No lugar onde Jesus, foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. 42 Por causa da preparação da páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus.  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
A paixão de Jesus
Hoje se lêem os capítulos 18 e 19 de João, com toda a narrativa da Paixão. A celebração da Paixão remete à memória da vida de Jesus. As pessoas que conviveram com Jesus foram testemunhas de que nele havia uma fonte de amor e vida a jorrar para todos. Com sua morte, a fonte parecia-lhes extinta. Os poderosos da teocracia e do império tentaram destruir a sua credibilidade, julgando-o blasfemo e subversivo, e promoveram sua morte. Contudo, o Deus vivo a todos liberta da morte. O fim da temporalidade não é o fim da eternidade. O próprio Jesus, e seu Espírito, continuam iluminan-do as comunidades de seus discípulos. A participação na vida eterna de Deus não está na continuidade temporal, mas na permanência no amor e na existência de Deus. Com sua morte na cruz, a paixão de Jesus não é um fim, nem um meio. Não é o fim de tudo, nem o meio de alcançar a glória. É uma revelação. É a revelação da violência presente no mundo. É a plena evidência da terrível violência, pela bondade, mansidão e ternura de sua vítima, Jesus de Nazaré, o filho de Deus, "que tinha tanto amor". E, mais ainda, a evidência de como os poderosos deste mundo são os maiores agentes e responsáveis pela violência e pela morte. A paixão de Jesus é a revelação também de que o amor é mais forte do que a morte. Quem conviveu com Jesus foi testemunha de que nele havia uma fonte de vida a jorrar para todos e para a eternidade. A dor do sofrimento e a separação da morte temporal não extinguiram a certeza da contínua presença de Jesus entre nós, comunicando-nos sua luz e seu amor, em comunhão com o Pai.
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Oração
Pai, confirma minha condição de discípulo do Reino instaurado por Jesus na história humana, fazendo-me acreditar sempre mais na força da justiça e do amor.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Cristo, Verdadeiro Cordeiro Pascal
A leitura da Paixão segundo João Constitui o modo privilegiado de acesso ao mistério pascal, que neste dia revivemos, sobretudo como morte do Senhor. Jesus morre no momento em que, no templo, se imolam os cordeiros destinados à celebração da páscoa (19,31); a sua imolação é uma imolação "real", um sacrifício realizado uma vez por todas, porque a vitima espiritual" tornou inúteis as vítimas materiais. Outros pormenores completam o quadro: a Jesus não são quebradas as pernas, em conformidade com as prescrições rituais (Ex 12,46); do seu lado traspassado jorra o sangue, com o qual são misteriosamente assinalados os que pertencem ao novo povo, aqueles que Deus salva (cf Ex 12,7.13). Cristo crucificado é, pois, o "verdadeiro Cordeiro pascal": ele é a "nossa Páscoa" imolada (cf 1 Cor 5,7). "Verdadeiro, porque é a realidade daquilo que os sacrifícios antigos exprimiam: a salvação recebida e esperada, a aliança com Deus e a inserção em seu desígnio. Esta descrição não é uma novidade; os profetas, e especialmente o Segundo Isaias descrevem o Servo do Senhor no momento em que realiza sua missão de libertar o povo dos pecados e de torná-lo agradável a Deus, como um cordeiro inocente, carregado dos delitos do seu povo, e que, em silêncio, se deixa conduzir ao matadouro. E é de sua morte, aceita livremente, que provém a justificação "para todos". O dramático diálogo com Pilatos mostra Jesus silencioso, enquanto a autoridade, neste momento a serviço do pecado do mundo que cega o povo, decide sua morte e o condena. Não seria completa a compreensão do mistério de Jesus se não contemplássemos também, como o Apocalipse de João, o Cordeiro glorioso, que está diante de Deus com os sinais das suas chagas, dominador do mundo e da história (Ap 5,6ss); o Cordeiro que se imolou por amor da Igreja e para o qual a Igreja tende, cheia de amor. Na cruz se iniciaram as núpcias do Cordeiro, que terão sua realização plena na festa do céu (cf Ap 19,7-9).
Celebração Da Paixão Do Senhor
Neste dia, "em que Cristo, nossa Páscoa foi imolado" (1 Cor 5,7), toma-se clara realidade o que desde há muito havia sido prenunciado em figura e mistério; a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um único sacrifício realiza-se plenamente o que a variedade das antigas vítimas significava. Com efeito, "a obra da Redenção dos homens é perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas suas obras grandiosas no povo da Antiga Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição de entre os mortos e gloriosa Ascensão, mistério este pelo qual, morrendo, destruiu a nossa morte, e ressuscitando, restaurou a nossa vida. Foi do lado de Cristo adormecido na Cruz que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja”. Ao contemplar Cristo, seu Senhor e Esposo, a Igreja comemora o seu próprio nascimento e sua missão de estender a todos os povos os salutares efeitos da Paixão de Cristo, efeitos que hoje celebra em ação de graças.
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Via (Deus Único)

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