ENCONTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO

17 DE DEZEMBRO

quinta-feira, 2 de março de 2017

Refletindo a Liturgia do dia

Ano A - Dia 02/03/2017 - Cor: Roxo
Quinta Feira Depois das Cinzas
Primeira Leitura
Hoje te proponho bênção e maldição
Leitura do Livro do Deuteronômio                30,15-20
Moisés falou ao povo dizendo: 15 "Vê que eu hoje te proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. 16 Se obedecerdes aos preceitos do Senhor teu Deus, que eu hoje te ordeno, amando ao Senhor teu Deus, seguindo seus caminhos e guardando seus mandamentos, suas leis e seus decretos, viverás e te multiplicarás, e o Senhor teu Deus te abençoará na terra em que te fiz entrar, para possuí-la. 17 Se, porém, o teu coração se desviar e não quiseres escutar, e se, deixando-te levar pelo erro, adorares deuses estranhos e os servires, 18 eu vos anuncio hoje que certamente perecereis. Não vivereis muito tempo na terra onde ides entrar, depois de atravessar o Jordão, para ocupá-la. 19 Tomo hoje o céu e a terra como testemunhas contra vós, de que vos propus a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e teus descendentes, 20 amando ao Senhor teu Deus, obedecendo à sua voz e apegando-te a ele, pois ele é a tua vida e prolonga os teus dias, a fim de que habites na terra que o Senhor jurou dar a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó"  Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
Escolher entre a vida e a morte
Não são muitos os caminhos a escolher, mas apenas dois: o da vida e o da morte. Parece, pois, que não há escolha: nossa sorte necessária, inelutável, é a morte. Ela vem, mesmo que ninguém a queira. Por outro lado, também o nosso espírito, o intimo de nós mesmos, parece não ter possibilidade de escolha: opta pela bênção, a felicidade, a vida. Tratar-se-á, porém, de possibilidade real de escolha, ou de ilusão? A proposta de Deus ao homem para aceitar a aliança é propriamente a escolha entre a vida e a morte. Não nos pertence definir a vida e a felicidade, porque isto cabe a Deus; é-nos dada apenas a possibilidade de aceitar o dom de Deus. Ninguém por si próprio escolhe a morte. Mas quem recusa a obediência, quem não aceita aquele tipo de morte que consiste em renunciar à vontade de definir a própria felicidade e não entrega nas mãos de Deus a própria vida, entra, de fato, no domínio da morte. É importante, portanto, descobrir que Deus quer nossa felicidade, e aceitar-lhe a proposta. A vida e a morte, a felicidade e a desgraça dependem da opção histórica que o povo faz entre o Deus da liberdade e da vida, e os ídolos, que produzem escravidão e morte. O Deuteronômio primitivo termina com este apelo forte: “Escolha a vida... amando a Deus... porque ele é a sua vida e o prolongamento de seus dias”.
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Salmo Responsorial   -   Sl 1,1-2.3.4.6   (R. Sl 39,5a)
R. É feliz quem a Deus se confia!
1 Feliz é todo aquele que não anda conforme os conselhos dos perversos; que não entra no caminho dos malvados, nem junto aos zombadores vai sentar-se; 2 mas encontra seu prazer na lei de Deus e a medita, dia e noite, sem cessar.  (R)

3 Eis que ele é semelhante a uma árvore, que à beira da torrente está plantada; ela sempre dá seus frutos a seu tempo, e jamais as suas folhas vão murchar. Eis que tudo o que ele faz vai prosperar. (R)

4 Mas bem outra é a sorte dos perversos. Ao contrário, são iguais à palha seca espalhada e dispersada pelo vento. 6 Pois Deus vigia o caminho dos eleitos, mas a estrada dos malvados leva à morte.
 (R)
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Comentário
Deus se alia aos justos
Breve introdução-convite de estilo sapiencial para ler o livro dos Salmos na perspectiva do Deus que toma posição no conflito social, aliando-se aos justos, fiéis ao seu projeto, e condenando os injustos.
Este salmo nos mostra que os justos não aderem de maneira alguma à ordem social perversa, promovida pelos injustos. Ao contrário, eles vivem continuamente meditando no projeto de Deus, a fim de colocá-lo em prática. Esse é o caminho da felicidade. A adesão do projeto de Deus faz com que os justos tenham plena vitalidade e eficácia para organizar uma nova ordem social. Enquanto isso, os injustos e a injustiça não têm consistência. Os injustos serão sempre declarados culpados diante de Deus, jamais poderão fazer parte da comunidade dos justos, e desaparecerão, porque Deus está comprometido com aqueles que realizam o seu projeto.
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Aclamação ao Evangelho  -  Mt 4,17
R. Glória a vós, Senhor Jesus, primogênito dentre os mortos!
V. Convertei-vos, nos diz o Senhor, está próximo o Reino de Deus! (R)
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Evangelho
Quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas   9,22-25
Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 22 "O Filho do homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da lei, deve ser morto e ressuscitar no terceiro dia". 23 Depois Jesus disse a todos: "Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me. 24Pois quem quiser salvar sua vida, vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, esse a salvará. 25 Com efeito, de que adianta a um homem ganhar o mundo inteiro, se se perde e se destrói a si mesmo?"   Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
A perda é salvação
A conclusão da caminhada terrena de Jesus escondia um sentido dificilmente compreensível para os discípulos. O horizonte mes-siânico no qual se moviam e com o qual interpretavam a pessoa do Mestre os impedia de compreender, em profundidade, o que o fato requeria. Para ser entendida, em sintonia com o pensar de Jesus, era preciso fazer uma violenta inversão de valores. O esquema tradicional era insuficiente para explicá-la. Na lógica de Jesus, ou seja, na lógica do Reino, a perda é penhor de salvação, ao passo que a salvação, entendida à maneira do mundo, é fator de perda. Daí ser possível esperar que, da humilhação de Jesus resulte exaltação, do abandono por parte dos amigos e conhecidos provenha a solidariedade do Pai, do sofrimento redunde a mais plena alegria, e a morte seja superada pela ressurreição. O contraste entre o projeto de Jesus e a mentalidade de seus discípulos era flagrante. Não lhes passava pela cabeça a possibilidade de existir um Messias cuja glória fosse alcançada em meio a sofrimentos e, muito menos, num contexto de morte violenta. Só a fé na ressurreição pode nos levar a dar crédito às palavras de Jesus. Com ela, o Pai deu seu aval às palavras do Filho, assegurando-lhe sua veracidade. Jesus provou ser impossível experimentar a misericórdia do Pai sem abrir mão das ambições mundanas. Só quem é capaz de renunciar-se a si mesmo como ele, experimentará a salvação. Não basta declarar e aceitar que Jesus é o Messias; é preciso rever a idéia a respeito do Messias, o qual, para construir a nova história, enfrenta os que não querem transformações. Por isso, ele vai sofrer, ser rejeitado e morto. Sua ressurreição será a sua vitória. E quem quiser acompanhar Jesus na sua ação messiânica e participar da sua vitória, terá que percorrer caminho semelhante: renunciar a si mesmo e às glórias do poder e da riqueza. Os evangelistas, cada um à sua maneira, referem-se à questão da identidade de Jesus. A interpretação dominante, entre os discípulos oriundos do judaísmo, era que Jesus seria o messias davídico esperado conforme a tradição antiga do Primeiro Testamento. Jesus rejeita ser identificado com este messias ("Cristo") restaurador do reinado de Davi. É o momento de deixar isto claro. A partir da interrogação sobre quem ele é, Jesus identifica-se como o "Filho do Homem". Esta expressão, muito freqüente no livro de Ezequiel, refere-se à comum condição humana, humilde e frágil. Enquanto "humano", Jesus é vulnerável ao sofrimento e à morte. A "necessidade" deste sofrimento não significa um determinismo, mas as implicações inevitáveis decorrentes do compromisso libertador assumido por Jesus. Os poderes constituídos necessariamente vão reagir contra a prática libertadora de Jesus e de seus discípulos e procurarão destruí-los. Porém Jesus revela que ao "humano" foi dada, por Deus, a vida eterna. Perder a vida de sucesso oferecida por este mundo e consagrar-se ao seguimento de Jesus significa a comunhão com o Pai em sua vida divina e eterna.
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Oração
Pai, dá-me a firme disposição de renunciar a todos os meus projetos pessoais, para abraçar unicamente o projeto de Jesus, mesmo devendo passar por sofrimentos.
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Via (Deus Único)

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