MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

domingo, 26 de março de 2017

Liturgia comentada: 02 de Abril 2017

Ano A - Cor: Roxo
5o. Domingo da Quaresma
Primeira Leitura
Porei em vós o meu espírito para que vivais
Leitura da Profecia de Ezequiel                      37,12-14

12 Assim fala o Senhor Deus: Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel; 13 e quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair delas, sabereis que eu sou o Senhor. 14 Porei em vós o meu espírito, para que vivais e vos colocarei em vossa terra. Então sabereis que eu, o Senhor, digo e faço - oráculo do Senhor". Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Ressurreição de um povo

Este texto é um dos trechos mais conhecidos de Ezequiel. A palavra profética, tal como a palavra criadora (Gn 1), convoca o espírito para libertar e restaurar a vida do povo de Deus, que tinha sido dominado, destruído e exilado. À primeira vista, tudo parece morto e sem esperança. Essa morte, porém, só acontece de fato quando o povo se deixa alienar, conformando-se com uma visão fatalista, que o torna passivo diante de sua própria história. Contudo, tomando consciência de sua dignidade, o povo começa a se reunir e a se organizar. Ergue-se, então, como grande exército e se põe a lutar para construir nova sociedade e nova história.
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Salmo Responsorial   -   Sl 129(130),1-2.3-4ab.5-6.7-8          (R. 7)
R. No Senhor, toda graça e redenção!
1 Das profundezas eu clamo a vós, Senhor, 2 escutai a minha voz! Vossos ouvidos estejam bem atentos ao clamor da minha prece! (R)
3 Se levardes em conta nossas faltas, quem haverá de subsistir? 4a Mas em vós se encontra o perdão, 4b eu vos temo e em vós espero. (R)
5 No Senhor ponho a minha esperança, espero em sua palavra. 6Mas em vós se encontra o perdão, eu vos temo e em vós espero.   (R)
7 Espere Israel pelo Senhor, mais que o vigia pela aurora! Pois no Senhor se encontra toda graça e copiosa redenção. 8 Ele vem libertar a Israel de toda a sua culpa. (R)
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Comentário
O perdão que liberta
Oração de súplica durante doença grave

Este salmo nos mostra que uma das coisas inexplicáveis na condição humana é a doença. Os israelitas pensavam que ela era conseqüência do pecado. E que, somente o perdão podia trazer a cura. Eles diziam também que a noite é a hora da súplica: a resposta de Deus vem pela manhã. A prece da condição particular de um indivíduo, passa-se para a condição do povo: é Deus quem vai resgatar o povo de todo o seu pecado. Mas, Jesus Cristo veio para nos libertar de todos os pecados, desde que nós nos convertamos, e, nos mostrou que Ele é o único caminho que nos leva ao Pai e a salvação eterna.
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Segunda Leitura
O Espírito daquele que ressuscitou Jesus entre os mortos mora em vós
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos             8,8-11
Irmãos: 8 Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. 9 Vós não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o Espírito de Deus mora em vós. Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo. 10 Se, porém, Cristo está em vós, embora vosso corpo esteja ferido de morte por causa do pecado, vosso espírito está cheio de vida, graças à justiça. 11 E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos mora em vós, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais por meio do seu Espírito que mora em vós.    Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Espírito que dá a vida
A libertação do homem foi realizada por Cristo não como ato vindo de fora, mas como obra que se realiza a partir de dentro. Cristo se encarnou, trazendo o Espírito de Deus para dentro da própria condição humana, que é dominada pelo egoísmo. Desse modo, o homem pode seguir a Cristo que passou da morte para a ressurreição, passando do egoísmo para a doação de si aos outros. A entrada do Espírito de Deus no homem, mediante Cristo, determina uma renovação pela qual o homem sente, pensa e age conforme a vontade de Deus. Em lugar da lei dos instintos egoístas, surge a "lei do Espírito que dá a vida". Trata-se de um novo dinamismo interior que, com a própria força de Deus, liberta o homem da tirania "lei do pecado e da morte". Em lugar do pecado ou egoísmo, que determina o ser e a ação do homem, existe agora o Espírito ou Amor; em lugar da morte, existe a vida. A unidade entre querer o bem e realizá-lo é recomposta. A situação desesperadora do homem é superada. Com isso, as relações sociais podem ser refeitas e a estrutura social injusta e opressora pode ser superada.
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Aclamação ao Evangelho                Jo 11,25a.26
R. Glória a vós, ó Cristo, verbo de Deus!
V. Eu sou a ressurreição, eu sou a vida. Quem crê em mim não morrerá eternamente.    (R)
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Evangelho
Eu sou a ressurreição e a vida
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 11,1-45
Naquele tempo, 1 havia um doente, Lázaro, que era de Betânia, no povoado de Maria e de Marta, sua irmã. 2 Maria era aquela que ungira o Senhor com perfume e enxugava os pés dele com seus cabelos. O irmão dela, Lázaro, é que estava doente. 3 As irmãs mandaram então dizer a Jesus: "Senhor, aquele que amas está doente". 4 Ouvindo isto, Jesus disse: "Esta doença não leva à morte, ela serve para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela". 5 Jesus era muito amigo de Marta, de sua irmã Maria e de Lázaro. 6 Quando ouviu que este estava doente, Jesus ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava. 7 Então, disse aos discípulos: "Vamos de novo à Judéia". 8 Os discípulos disseram-lhe: Mestre, ainda há pouco os judeus queriam apedrejar-te, e agora vais outra vez para lá?" 9 Jesus respondeu: "O dia não tem doze horas? Se alguém caminha de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo. 10 Mas se alguém caminha de noite, tropeça, porque lhe falta a luz. 11 Depois acrescentou: "O nosso amigo Lázaro dorme. Mas eu vou acordá-lo". 12 Os discípulos disseram: "Senhor, se ele dorme, vai ficar bom". 13 Jesus falava da morte de Lázaro, mas os discípulos pensaram que falasse do sono mesmo. 14Então Jesus disse abertamente: "Lázaro está morto. 15 Mas por causa de vós, alegro-me por não ter estado lá, para que creiais. Mas vamos para junto dele". 16 Então Tomé, cujo nome significa Gêmeo, disse aos companheiros: "Vamos nós também para morrermos com ele". 17 Quando Jesus chegou, encontrou Lázaro sepultado havia quatro dias. 18 Betânia ficava a uns três quilômetros de Jerusalém. 19 Muitos judeus tinham vindo à casa de Marta e Maria para consolá-las por causa do irmão. 20 Quando Marta soube que Jesus tinha chegado, foi ao encontro dele. Maria ficou sentada em casa. 21 Então Marta disse a Jesus: “Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido. 22 Mas, mesmo assim, eu sei que o que pedires a Deus, ele to concederá”. 23 Respondeu-lhe Jesus: “Teu irmão ressuscitará”. 24 Disse Marta: “Eu sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”. 25 Então Jesus disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá. 26 E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais. Crês isto? 27 Respondeu ela: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Messias, o Filho de Deus, que devia vir ao mundo”. 28 Depois de ter dito isto, ela foi chamar a sua irmã, Maria, dizendo baixinho: "O Mestre está aí e te chama". 29 Quando Maria ouviu isso, levantou-se depressa e foi ao encontro de Jesus. 30 Jesus estava ainda fora do povoado, no mesmo lugar onde Marta se tinha encontrado com ele. 31 Os judeus que estavam em casa consolando-a, quando a viram levantar-se depressa e sair, foram atrás dela, pensando que fosse ao túmulo para ali chorar. 32 Indo para o lugar onde estava Jesus, quando o viu, caiu de joelhos diante dele e disse-lhe: "Senhor, se tivesses estado aqui, o meu irmão não teria morrido". 33 Quando Jesus a viu chorar, e também os que estavam com ela, estremeceu interiormente, ficou profundamente comovido, 34 e perguntou: "Onde o pusestes?" Responderam: "Vem ver, Senhor". 35 E Jesus chorou. 36 Então os judeus disseram: "Vede como ele o amava!" 37 Alguns deles, porém, diziam: "Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?" 38 De novo, Jesus ficou interiormente comovido. Chegou ao túmulo. Era uma caverna fechada com uma pedra. 39 Disse Jesus: "Tirai a pedra!" Marta, a irmã do morto, interveio: "Senhor, já cheira mal. Está morto há quatro dias". 40 Jesus lhe respondeu: "Não te disse que, se creres, verás a glória de Deus?" 41 Tiraram então a pedra. Jesus levantou os olhos para o alto e disse: "Pai, eu te dou graças porque me ouviste. 42 Eu sei que sempre me escutas. Mas digo isto por causa do povo que me rodeia, para que creia que tu me enviaste". 43Tendo dito isso, exclamou com voz forte: "Lázaro, vem para fora!"44 O morto saiu, mãos e pés atados com os lençóis mortuários e o rosto coberto com um pano. Então Jesus lhes disse: "Desatai-o e deixai-o caminhar!" 45 Então, muitos dos judeus que tinham ido à casa de Maria, vendo o que Jesus fizera creram nele. Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
A ressurreição de Lázaro
Numa comunidade marcada por relações de afeto e amor ativo, ninguém tem medo de perigo ou de se comprometer quando se trata de ajudar o irmão necessitado. O receio de enfrentar obstáculos nasce da falta de fé que não compreende a qualidade de vida que Jesus comunica. Jesus se apresenta como ressurreição e a vida, mostrando que a morte é apenas uma necessidade física. Para a fé cristã a vida não é interrompida com a morte, mas caminha para a sua plenitude. A vida plena da ressurreição já está presente naqueles que pertencem à comunidade de Jesus. A morte é o resumo e o ponto máximo de todas as fraquezas humanas. O medo da morte acovarda o homem diante da opressão, e o impede de testemunhar. O medo fortalece o poder dos opressores. Libertando o homem desse medo, Jesus torna-o radicalmente livre e capaz de dar até o fim o testemunho da própria fé. O evangelista João nos apresenta a ressurreição como sendo a vida comunicada por Jesus, em seu amor, a todo aquele que, crendo nele, faz a vontade do Pai. "Eu sou a ressurreição e a vida... todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais..." A narrativa envolve Jesus, Lázaro, Maria e Marta. É a representação da comunidade unida a Jesus. Aquele que crê em Jesus e acolhe seu amor, não está morto mas é resgatado para a vida. As categorias escatológicas do morrer e ressuscitar deixam de ser uma realidade do último dia. Passam a ser uma realidade atual. Jesus é, na história, a ressurreição e a vida. Este texto contém elementos da primitiva catequese batismal. Pelo ato de fé, no batismo, morremos com Cristo para viver como ressuscitados em Cristo. Na perspectiva do batismo de João, assumido por Jesus, pela conversão, na prática da justiça, da fraternidade e do amor, já vivemos como ressuscitados. A vida comunicada por Jesus aos homens e mulheres que fazem a vontade do Pai é a participação na vida divina e eterna, vencendo a morte.
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Oração
Pai, dá-me a graça de compreender a ressurreição de Jesus como vitória da vida e como sinal de que a morte não tem a última palavra sobre o destino daqueles que crêem.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Jesus é a ressurreição e a vida
A narrativa da ressurreição de Lázaro corresponde ao último dos sete sinais de libertação realizados por Jesus no Evangelho de João. Os relatos dos sete sinais procuram levar os cristãos a refletir sobre o sentido profundo dos fatos da vida humana: a falta de vinho numa festa de casamento (2,1-12), a doença do filho de um funcionário real (4,46-54), o paralítico à beira da piscina de Betesda (5,1-18), a fome do povo (6,1-15), o barco dos discípulos ameaçado pelas águas do mar (6,16-21), o cego de nascença (9,1-41) e, finalmente, a morte de Lázaro. Todos eles visam apresentar Jesus como o Messias que veio para resgatar a vida plena para os seres humanos. Em cada sinal, percebe-se um propósito pedagógico: a representação de um caminho novo apontado por Jesus para derrubar todas as barreiras que impedem a pessoa de realizar-se plenamente.
Jesus é o “Bom Pastor” que dá a vida por suas ovelhas (cf. 10,11). Ele é o verdadeiro caminho para a vida com dignidade e liberdade, vencendo as causas de todos os males. Vence a própria morte: é a vida definitiva. Somente os que creem em Jesus, com convicção, compreendem e acolhem essa verdade. Portanto, a finalidade principal dos sinais é levar os discípulos à fé autêntica. Ao informar que Lázaro havia morrido e, por isso, iria ao seu encontro, Jesus diz aos discípulos: “É para que vocês creiam” (11,15). Também lemos no final do evangelho: “Jesus fez ainda muitos outros sinais, que não se acham escritos neste livro. Esses, porém, foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham a vida em seu nome” (20,30-31).
As personagens que aparecem no relato – Marta, Maria e os judeus – refletem diferentes concepções a respeito de Jesus. Primeiramente, podemos observar o comportamento de Marta. Sabendo que Jesus chegara a Betânia, “saiu ao seu encontro” e a ele se dirigiu, chamando-o pelos títulos cristológicos de “Senhor” e “Filho de Deus”. Diante da promessa da ressurreição, declara-lhe convictamente sua fé: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo”. E vai anunciar à sua irmã Maria, que, por sua vez, imediatamente segue ao encontro de Jesus, mas não consegue declarar a fé nele como fez Marta. Está ainda angustiada e paralisada diante da realidade da morte. Já os judeus apenas seguem Maria, sem ter consciência de ir ao encontro de Jesus e muito menos fazer-lhe alguma confissão de fé.
São três modos de comportar-se diante de Jesus. O comportamento de Marta é o retrato das pessoas de fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, Salvador da humanidade. Para os que acreditam nele, a ressurreição é uma realidade não apenas para o futuro, mas para o presente. Toda atitude em favor da vida é sinal de ressurreição e gesto de glorificação a Deus, criador e libertador.
Os autores do evangelho fazem questão de mostrar o rosto humano de Jesus. Ele participa da dor das pessoas que sofrem, comove-se e chora. Sua comoção, porém, pode ser traduzida como impaciência com a falta de fé tanto de Maria como dos judeus. E, para além das lamentações, Jesus reza ao Pai para que, diante desse sinal definitivo da ressurreição, “eles acreditem” nele como enviado de Deus.
Lázaro (cujo nome significa “Deus ajuda”) está enterrado há quatro dias. O “quarto dia” refere-se ao tempo depois da morte de Jesus; é o tempo das comunidades que creem em Jesus morto e ressuscitado. Portanto, é o tempo da graça por excelência, que deve ser vivido de forma totalmente nova. Lázaro e as comunidades cristãs são chamados a sair dos túmulos do medo, da acomodação, do egoísmo e da tristeza; são chamados a “desatar-se” das amarras dos sistemas que oprimem e matam. As pessoas de fé autêntica, seguidoras de Jesus, são verdadeiramente livres. O “quarto dia” é o tempo da ressurreição, dom de Deus.
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Via (Deus Único)

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