MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Liturgia Comentada do 8º Domingo do Tempo Comum - 26 de Fevereiro 2017

Ano A - Cor: Verde
Primeira Leitura
Eu não te esquecerei
Leitura do Livro do Isaías 49,14-15
14 Disse Sião: 'O Senhor abandonou-me, o Senhor esqueceu-se de mim!' 15 Acaso pode as mulheres esquecer-se do filho pequeno, a ponto de não ter pena do fruto de seu ventre? Se ela se esquecer, eu, porém, não me esquecerei de ti".
Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Preservei-te para seres elo de aliança entre os povos

O profeta já antevê a repatriação dos exilados: eles chegam de todas as partes a Jerusalém, antes destruída e abandonada; os muros são reconstruídos e o povo que volta é como vestido novo para a cidade; o país é repovoado e as outras nações que oprimiam Israel se submetem, porque Deus ama seu povo e o vinga dos inimigos que agora se devoram mutuamente. Há um tempo particular; no qual Deus decide intervir. Esta intervenção, apesar das aparências, não estará na ordem da providência "normal", pela qual Deus "dá o sustento a todos os que lhe pedem" e enche de bênçãos todo ser vivo. Israel distingue-se dos outros povos, não porque receba mais do que eles os bens da terra. A terra de Israel não deixa nunca de ser uma terra "prometida". Israel faz experiência exatamente de ser o guarda dessa promessa. Muitas vezes, as profecias alongam-se em descrever os bens que serão dados a Israel, mas estes bens são como o sal que o pastor promete à ovelha, para trazê-la consigo por montes e vales rumo ao pasto. Este jogo de sempre prometer sal e de tê-lo sempre em mãos pode parecer em certos momentos uma zombaria, mas ai das ovelhas se o jogo cessasse! Ai delas se o pastor se desinteressasse pelo rebanho! Isto não acontecerá. O Senhor não se esquece. O Senhor está perto. Deus tira Israel de sua tranquilidade para depois caminhar à sua frente. Ao segui-lo. Israel vê o próprio caminho e torna-se livre.
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Salmo Responsorial   -   Sl 61(62),2-3.6-7.8-9ab     (R 2a.3a)
R. Só em Deus a minha alma tem repouso, só ele é meu rochedo e salvação.
2 Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! 3 Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza, onde encontro segurança! (R)
6 Só em Deus a minha alma tem repouso, porque dele é que me vem a salvação! 7 Só ele é meu rochedo e salvação, a fortaleza, onde encontro segurança! (R)
A minha glória e salvação estão em Deus; o meu refúgio e rocha firme é o Senhor! 9a Povo todo, esperai sempre no Senhor, e abri diante dele o coração.     (R)
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Comentário
Deus é poder e amor
Oração individual de confiança
Repetido com pequenas diferenças nos versículos 6-7, o refrão traz a profissão de confiança: só Deus pode merecer confiança absoluta, ele que apóia, protege e salva. Lição para a comunidade: são falsas as seguranças oferecidas por uma sociedade fundada na opressão, no roubo e na posição social. É Deus quem zela pela boa fama do justo. O homem pode confiar em Deus, porque este é poder e amor. Poder sem amor não inspira confiança. Amor sem poder não é eficaz para realizar a justiça dentro de uma sociedade cheia de conflitos.
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Segunda Leitura
O Senhor manifestará os projetos dos corações
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios   4,1-5
Irmãos: 1 Que todo o mundo nos considere como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. 2 A este respeito, o que se exige dos administradores é que sejam fiéis. 3 Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por algum tribunal humano. Nem eu me julgo a mim mesmo. 4 É verdade que minha consciência não me acusa de nada. Mas não é por isso que eu posso ser considerado justo. 5 Quem me julga é o Senhor. Portanto, não queirais julgar antes do tempo. Aguardai que o Senhor venha. Ele iluminará o que estiver escondido nas trevas e manifestará os projetos dos corações. Então, cada um receberá de Deus o louvor que tiver merecido.
Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
O Senhor manifestará os projetos dos corações
Os agentes de pastoral são servidores de Cristo e trabalham para que o projeto de Deus seja conhecido e vivido. O que deles se espera é que sejam fiéis. Quem poderá julgá-los? O julgamento humano, se baseia em códigos e opiniões socialmente estabelecidos, é sempre parcial e injusto, pois se apóia em aparências e reflete os conflitos de interesse dos grupos sociais. Só Deus pode fazer verdadeira justiça, pois só ele conhece a totalidade e profundidade do homem, para além das aparências e interesses. Os pregadores são tão-somente "depositários" do evangelho, "administradores" que não têm o direito de alterar a boa nova. Não são "donos" do anúncio, como não o é a comunidade que, entretanto, a seu modo, é responsável por ele, a saber; pela transmissão do anúncio que é Cristo Jesus. Cristo, antes da morte, ora para que haja na comunidade uma exigente comunhão, como ele está em comunhão com o Pai. Tem esta extrema intuição: a credibilidade da comunidade vem da comunhão que une a todos num só corpo. Se os cristãos procuram estar visivelmente em comunhão, é para serem verdadeiros diante dos homens, para oferecerem a todos um lugar de comunhão em que até o não-crente se sinta à vontade, sem imposições de classe. A palavra brota deste foco de comunhão.
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Aclamação ao Evangelho Hb 4,12
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. A palavra do Senhor é viva e eficaz: ela julga os pensamentos e as intenções do coração.    (R)
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Evangelho
Não vos preocupeis com o dia de amanhã
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 6,24-34
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 24 "Ninguém pode servir a dois senhores, pois, ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro. 25 Por isso eu vos digo: não vos preocupeis com a vossa vida, com o que havereis de comer ou beber; nem com o vosso corpo, com o que havereis de vestir. Afinal, a vida não vale mais do que o alimento, e o corpo, mais do que a roupa? 26 Olhai os pássaros dos céus: eles não semeiam, não colhem, nem ajuntam em armazéns. No entanto, vosso Pai que está nos céus os alimenta. Vós não valeis mais do que os pássaros? 27 Quem de vós pode prolongar a duração da própria vida, só pelo fato de se preocupar com isso? 28 E por que ficais preocupados com a roupa? Olhai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham nem fiam. 29 Porém eu vos digo: nem o rei Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. 30 Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é queimada no forno, não fará ele muito mais por vós, gente de pouca fé? 31 Portanto, não vos preocupeis, dizendo: 'O que vamos comer? O que vamos beber? Como vamos nos vestir?' 32 Os pagãos é que procuram essas coisas. Vosso Pai, que está nos céus, sabe que precisais de tudo isso. 33 Pelo contrário, buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo. 34 Portanto, não vos preocupeis com o dia de manhã, pois o dia de amanhã terá suas preocupações! Para cada dia, bastam seus próprios problemas".
Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
O Reino de Deus e a sua justiça
A aquisição de bens necessários para viver se torna ansiedade contínua e pesada, se não for precedida pela busca da justiça do Reino, isto é, a promoção de relações de partilha e fraternidade. O necessário para a vida virá junto com essa justiça, como fruto natural de árvore boa. Jesus exortou os seus discípulos a "buscarem, antes de qualquer coisa, o Reino de Deus e a sua justiça". Esta admoestação pode ser tomada como uma espécie de resumo dos ensinamentos do Mestre. Nela está sintetizado o essencial de sua doutrina. Busca o Reino de Deus quem centra a sua vida em Deus e em sua vontade, não deixando de fora nenhum âmbito de sua existência, por mais simples que seja. Deus não quer ter concorrentes, e não os tem. A idolatria não encontra lugar no coração do discípulo, uma vez que está solidamente ancorado em Deus. A justiça do Reino decorre desta busca sincera, sendo sua expressão. Ela se torna patente no modo de proceder do discípulo cuja vida está centrada em Deus. Neste sentido, justiça torna-se sinônimo de amor misericordioso, solidariedade fraterna, perdão reconciliador, igualdade respeitosa, empenho por construir a paz. Justiça do Reino é ação visando expandir o senhorio de Deus na vida de cada pessoa e da sociedade. É luta em prol de um mundo mais conformado com o querer divino. É rejeição de tudo quanto impede o Reino acontecer. Enfim, é recusa a toda forma de idolatria e injustiça. A busca do Reino de Deus e de sua justiça polariza de tal modo as preocupações do discípulo, a ponto de nada mais lhe parecer importante. Independentemente de suas preocupações, ele terá, por acréscimo, tudo quanto necessita. Com uma clareza meridiana, Jesus faz a contraposição entre o projeto de Deus e o projeto de enriquecimento pessoal. O destinatário do nosso serviço é o destinatário do nosso amor. Quem serve a Deus ama a Deus. Quem serve ao dinheiro ama o dinheiro. Servir a Deus é servir à causa da vida, em comunhão de amor com os irmãos, particularmente os mais necessitados. Servir ao dinheiro é consumir-se em preocupações sobre como aumentar suas riquezas e mantê-las. Quem serve ao dinheiro está consolidando a estrutura socioeconômica que favorece o enriquecimento de minorias, às custas da exploração das maiorias empobrecidas, os trabalhadores, que produzem os bens, e os consumidores. A bem-aventurança da pobreza conduz à paz, no abandono nas mãos de Deus. Alcança-se, assim, a liberdade e a disponibilidade para servir aos irmãos, em comunhão com Deus na eternidade.
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Oração
Pai, centra toda minha vida na busca do teu Reino e na justiça que dele vem, de forma que nenhuma outra preocupação possa ser importante para mim.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Confiança em Deus
O ensinamento do evangelho tem dois aspectos: por um lado, acentua a impossibilidade de se servir a dois senhores (os dois caminhos), e por outro, realça a atitude do cristão diante das preocupações e trabalhos da vida. Por um lado, o reino de Deus não admite divisões: por outro, a opção de tudo o mais. É um convite a arrancar-nos ao culto do dinheiro, que é uma idolatria, e a ter confiança em Deus, cuja ativa solicitude para com seus filhos nos é descrita. Esta mesma solicitude é expressa pelo profeta Isaías, na 1ª leitura, com uma linguagem de ternura comovente e ilimitada.

Deus é fiel a seu plano de salvação

À base da confiança do homem está a certeza da fidelidade de Deus. Deus é a “rocha” de Israel (Dt 32,4); este nome simboliza a sua imutável fidelidade, a verdade de suas palavras, a firmeza de suas promessas, apesar das infidelidades do homem e de suas contínuas voltas à idolatria. As suas palavras não passam (Is 40,8), suas promessas serão mantidas (Tb 14,4). Deus não mente nem volta atrás (Nm 23, 19). Seu desígnio divino, desígnio de amor, se realizará infalivelmente (Sl 32,11; Is 25,1). O homem pode, portanto, confiar. Deus vela sobre o mundo (Gn 8,22), dando o sol e a chuva a todos, bons e maus (MT 5,45).

A fisionomia de Deus, na Bíblia, é a de Pai que vela sobre suas criaturas e provê às suas necessidades: “Dais a todos o alimento a seu tempo” (Sl 144, 15; 103,27), tanto aos animais como aos homens. Mas a providência de Deus se manifesta principalmente na história; não como um destino rígido que sujeita o homem à sorte, anulando a liberdade, nem com uma intervenção mágica que impede a iniciativa do homem, mas como desígnio ou plano de salvação no qual se encontram e colaboram Deus e o homem.

Se o que conta é o homem, para que Deus?

Há os que esperam tudo de Deus, chuva ou bom tempo, bom resultado nos exames ou sucesso nos negócios. Rezam para obter dele alguma coisa, e o esperam tranquilamente. É um conceito errado de confiança. Não serve a Deus, mas se servem dele.

Há também os que nada esperam de Deus. Crêem que a confiança em Deus impedimento ao progresso do homem.

Apresentamos aqui uma página que se pode definir de “anti-evangelho”, que leva a penetrar mais profundamente na riqueza de perspectivas da página evangélica:

“Crer! Para que crer? Vós, cristãos, esperais de Deus coisas que nós já conhecemos e de que vivemos sem ele. Outrora, quando tudo ia mal: e se lançavam contra Deus. Mas, mesmo blasfemando, reconheciam sua divindade... Hoje, Deus não pode mais enganar-nos, não se espera mais nada dele... Deus não é mais que uma idéia inútil...

Durante mais de 2.000 anos os homens rezaram, e no entanto tiveram que ganhar um pão insuficiente, com o suor de seu rosto. Rezaram, e encontraram muitas vezes a carestia e até a miséria. Agora, eles desviam o curso dos rios, irrigando assim imensas terras incultas; amanhã o trigo surgirá com tanta abundância que os homens não terão mais fome. A idéia de Deus é uma muralha que oculta o homem”.

Confiança plena, mas não passiva

O cristão, apoiado nas palavras de Jesus, evita a concepção ingênua e mágica dos que ciniam em Deus passivamente e no quietismo, e também a pretensão orgulhosa de ateu que risca o nome de Deus do seu horizonte. A confiança do cristão em Deus é total e sem reservas, mas não passiva e alienante. Pelo contrário, desta confiança precisamente nasce sua atividade, porque sabe que seu trabalho é continuação da obra criadora de Deus. É colaborador de Deus e, como ele, “construtor para a eternidade”. Deus como se tudo dependesse de sua intervenção.

“O cosmos, animado por Deus com dinamismo inteiro e voltado para aperfeiçoamento crescente, cujo termo só Deus conhece, foi por ele dado ao homem para que o domine e extraia delo tudo o que seu gênio e sua criatividade o inspiram. O homem se descobre colaborador de Deus, artífice do próprio destino sobre a terra, porque tudo foi posto à sua disposição”.
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Reprodução do site: Deus Único

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