MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Liturgia Comentada do 7º Domingo do Tempo Comum - 19 de Fevereiro 2017

Ano A - Cor: Verde
Primeira Leitura
Amarás o teu próximo como a ti mesmo!

Leitura do Livro do Levítico 19,1-2.17-18
1 O Senhor falou a Moisés, dizendo: 2 "Fala a toda a comunidade dos filhos de Israel, e dize-lhes: Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo. 17 Não tenhas no coração ódio contra teu irmão. Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele. 18 Não procures vingança, nem guardes rancor aos teus compatriotas. Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor".
Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
Julga teu próximo conforme a justiça

O Deus que fez Aliança com o povo exige, nessa união, que o povo seja santo, assim como ele próprio é santo. Tal santidade se caracteriza pela prática da justiça libertadora, para produzir um relacionamento comunitário que concretize o projeto de Deus. A norma fundamental é o amor ao próximo, incluindo o imigrante. As outras normas repetem e comentam os princípios básicos da nova sociedade, já expostos no Decálogo: não ter outros deuses, não manipular Deus, honrar pai e mãe, guardar o descanso semanal, não roubar, não levantar falso testemunho. Note-se, ainda, a insistência em defender o pobre e o fraco. Podemos notar que este capítulo é um verdadeiro tratado de espiritualidade, que ensina o povo a trilhar o caminho da santidade. Deus é santo. Está para além do mundo e da história, separado do mundo, incompreensível com o mundo, incompreensível ao mundo. Interessa-se, porém, pelos homens, pelas relações dos homens entre si, suas relações comunitárias. E por ser santo, comunica-se ao homem por amor, por ele se interessa para arrancá-lo de sua incapacidade, libertá-lo da escravidão de si mesmo e das coisas, levá-lo à sua "santidade". A lei que Deus dá aos homens não é imposição caprichosa, é o dom de um Deus que quer os homens semelhantes a ele, participantes de sua santidade. Pelo fato de os cristãos haverem sido "santificados" pelo batismo não se há de crer que não possa mais haver algum conflito entre eles, nem nos deve escandalizar a verificação da presença de contestações e de males na Igreja. O fato de serem crentes, membros da mesma Igreja, não suprime as contradições humanas, não elimina os contrastes, não resolve as contestações. A Igreja, contudo, ajuda a viver as contradições no amo'; reúne à mesma mesa pessoas divididas pelas idéias, ensina a recorrer à penitência quando não se é capaz de controlar os próprios sentimentos.
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Salmo Responsorial    -    Sl 102(103),1-2.3-4.8 e 10.12-13     (R. 1a.8b)
R. Bendize, ó minh'alma, ao Senhor, pois ele é bondoso e compassivo!
1 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e todo o meu ser, seu santo nome! 2 Bendize, ó minha alma, ao Senhor, não te esqueças de nenhum de seus favores! (R)
3 Pois ele te perdoa toda culpa, e cura toda a tua enfermidade; 4 da sepultura ele salva a tua vida e te cerca de carinho e compaixão.(R)
8 O Senhor é indulgente, é favorável, é paciente, é bondoso e compassivo. 10 Não nos trata como exigem nossas faltas, nem nos pune em proporção às nossas culpas.  (R)
12 quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes.13 Como um pai se compadece de seus filhos, o Senhor tem compaixão dos que o temem. (R)
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Comentário
Deus é amor
Hino de louvor, celebrando o amor de Deus
A experiência fundamental do amor de Deus vem através do perdão, que liberta do mal e refaz a vida. O amor de Deus, porém, se expressa através da justiça que defende os que não têm defesa, realizando uma história nova, a partir deles. Nos mostram a dimensão infinita desse amor, que se compara ao de um pai para com seus filhos. Voltado para o homem, esse amor de Deus se realiza na compaixão, que é sofrer junto com os que participam da condição humana. A essa fragilidade da condição humana contrapõem-se o amor e a justiça de Deus para com seus aliados, que se comprometem com o seu projeto. Os versículo 19-22 é uma convocação geral dos seres celestes, para que louvem a Deus por causa do seu amor pelos homens.
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Segunda Leitura
Tudo é vosso. Mas vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 3,16-23
Irmãos: 16 Acaso não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus mora em vós? 17 Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá, pois o santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário. 18 Ninguém se iluda: Se algum de vós pensa que é sábio nas coisas deste mundo, reconheça sua insensatez, para se tornar sábio de verdade; 19 pois a sabedoria deste mundo é insensatez diante de Deus. Com efeito, está escrito: "Ele apanha os sábios em sua própria astúcia", 20 e ainda: "O Senhor conhece os pensamentos dos sábios; sabe que são vãos". 21 Portanto, que ninguém ponha a sua glória em homem algum. Com efeito, tudo vos pertence: 22 Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, tudo é vosso, 23 mas vós sois de Cristo e Cristo é de Deus.
Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Vocês são de Cristo
Temos o dever de cuidar com todo amor e carinho do nosso corpo e do nosso espírito, por que, somos o Templo do Espírito Santo, morada do nosso Pai. Devemos sempre nos confessarmos e purificarmos, para que o nosso corpo esteja apto a receber o Espírito Santo, e que Ele possa sempre habitar em nós. A sabedoria do projeto de Deus critica e põe abaixo todos os projetos da sociedade. Conhecendo e vivendo o projeto de Deus, a comunidade cristã é radicalmente livre e não deve dobrar-se diante de pessoas ou coisas, pois ela pertence unicamente a Cristo e a Deus. Paulo ensina aos cristãos de Corinto que o único fundamento de sua fé é o Cristo, e não os sábios deste mundo, sejam eles cristãos ou não, pois o que é sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. Os cristãos são de Cristo, como Cristo é de Deus. Eles não pertencem ao mundo e, por isso, não devem reger a vida segundo os valores do mundo. Pertencendo a Cristo, os cristãos são templos do Espírito de Deus, como Cristo é o templo de Deus por excelência, lugar do encontro definitivo entre a humanidade e o Criador. Os cristãos, por meio de sua inserção em Cristo pelo batismo, com uma vida dedicada a Deus e ao amor ao próximo, testemunham a presença de Deus no meio dos povos. Ser templo de Deus, pertencer a Cristo, significa ser mediação do amor e do perdão, ser lugar do encontro com Deus. E isso é loucura para o mundo, mas sabedoria de Deus.
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Aclamação ao Evangelho 1Jo 2,5
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. É perfeito o amor de Deus em quem guarda sua palavra.   (R)
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Evangelho
Amai os vossos inimigos
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,38-48
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 38 "Vós ouvistes o que foi dito: 'Olho por olho e dente por dente!' 39 Eu, porém, vos digo: Não enfrenteis quem é malvado! Pelo contrário, se alguém te dá um tapa na face direita, oferece-lhe também a esquerda! 40 Se alguém quiser abrir um processo para tomar a tua túnica, dá-lhe também o manto! 41 Se alguém te forçar a andar um quilômetro, caminha dois com ele! 42 Dá a quem te pedir e não vires as costas a quem te pede emprestado". 43 ”vós ouvistes o que foi dito: ´Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo!” 44 Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! 45 Assim, vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus, porque ele faz nascer o sol sobre maus e bons, e faz cair a chuva sobre justos e injustos. 46 Porque, se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? 47 E se saudais somente os vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? 48 Portanto, sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito!" 
Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
O Pai, modelo da perfeição
Como se pode superar a vingança ou até mesmo a “justa” punição? O Evangelho propõe atitude nova, a fim de eliminar pela raiz o círculo infernal da violência: a resistência ao inimigo não deve ser feita com as mesmas armas usadas por ele, mas através de comportamento que o desarme. Um dos desafios mais tremendos para os discípulos de Jesus consistia em "oferecer a outra face a quem lhes esbofeteasse a face direita". Receber um tapa no rosto é uma experiência altamente ofensiva em qualquer cultura. Revidar é uma reação natural. O discípulo do Reino, porém, é orientado para agir de maneira diferente: jamais responder violência com violência. As primeiras comunidades cristãs viam-se pressionadas pela violência de seus perseguidores. Quanto mais sem fundamento é a violência, tanto mais perversa e maligna ela é. A violência contra os cristãos era deste tipo. Se pagassem com a mesma moeda a violência sofrida, que moral teriam para proclamar a excelência do mandamento do amor e a urgência da reconciliação? Caso se submetessem passivamente seriam dizimados dentro de pouco tempo. Se optassem por se dispersar ou por viver na clandestinidade, não poderiam realizar a missão de arautos do Evangelho que tinham recebido. O gesto de oferecer a outra face era uma forma de resistência pacífica à fúria dos perseguidores. Significava que os discípulos de Jesus não temiam quem os perseguia; que recusavam a se rebaixar ao nível de seus adversários; que buscavam eliminar a violência no seu nascedouro; e que davam testemunho de um mundo novo onde a violência não tinha vez. Este testemunho inusitado poderia até mesmo levar os perseguidores à conversão. O Evangelho abre a perspectiva do relacionamento humano para além das fronteiras que os homens costumam construir. Amar o inimigo é entrar em relação concreta com aquele que também é amado por Deus, mas que se apresenta como problema para mim. Os conflitos também são uma tarefa do amor. Os discípulos são convidados a um comportamento que os torne filhos testemunhando a justiça do Pai. Os cobradores de impostos eram desprezados e marginalizados porque colaboravam com a dominação romana, cobrando imposto e, em geral, aproveitando para roubar. Jesus rompe os esquemas sociais que dividem os homens em bons e maus, puros e impuros. Chamando um cobrador de impostos para ser seu discípulo, e comendo com os pecadores, Jesus mostra que sua missão é reunir e salvar aqueles que a sociedade hipócrita rejeita como maus. A ordem de Jesus pode, à primeira vista, parecer exorbitante e inexeqüível. Quem será tão pretensioso a ponto de querer igualar-se, em perfeição, ao Pai? Não foi essa a tentação de Adão e Eva, no paraíso, quando ousaram querer ser como deuses, conhecedores de toda a ciência do bem e do mal? Conhecemos o resultado de tal ousadia. Urge entender, de maneira conveniente, o preceito de Jesus, para não tachá-lo de injusto. A ordem do Mestre desponta na vida do discípulo como um ideal, embora sabendo que jamais será alcançado. Com isso sentir-se-á impulsionado a progredir, sem se dar por satisfeito com as metas já alcançadas. Existe sempre a possibilidade de ir além e descobrir novas formas de manifestar o amor ao semelhante, de fazer-se servidor dos mais necessitados, de buscar construir comunhão e reconciliação entre todos os seres humanos, sem acepção de pessoas. Agindo assim, o discípulo torna-se sacramento da perfeição divina na história humana. Seu modo de proceder funcionará como um alerta para quem ainda não se deu conta de quem é o Pai e do que ele exige de nós. O discípulo deve recusar-se a modelar o seu agir pelos esquemas mundanos, calcados no egoísmo. É o Pai que, no esplendor de sua perfeição, aparece como modelo a ser imitado. O amor ao próximo e o ódio ao inimigo estão muito presentes na tradição de Israel. Como "próximo" era considerado todo aquele que integrava o "povo eleito" de Israel, que se identificava através de genealogias raciais. Os povos vizinhos eram inimigos a serem exterminados. Com a parábola do bom samaritano, no evangelho de Lucas, Jesus identifica o próximo com o necessitado, o excluído, o carente. O amor ao próximo ultrapassa qualquer fronteira racial ou religiosa. Com o preceito do amor aos inimigos, Jesus remove os limites da tradição do Primeiro Testamento. Com as sugestivas imagens de Deus que faz o sol e a chuva para todos, Jesus revela a dimensão universal do amor e da misericórdia de Deus. Jesus exorta a não só amar os inimigos, mas, também, a orar por eles. Com essa oração se exprime a sua sincera acolhida diante do Pai. O modelo da perfeição é o Pai celeste, que derrama seus bens e sua graça a bons e maus, justos e injustos. Jesus, com seu amor e sua misericórdia, é a revelação do Pai e convida todos a seu seguimento. Com a auto-afirmação de "povo eleito" por Deus, a religião de Israel pregava o amor entre os irmãos, filhos de Abraão, e o ódio e a destruição dos inimigos. A própria ocupação da "terra prometida", com Josué, se deu com o extermínio dos povos que ali habitavam, considerados inimigos de Deus e seus. O amor do Pai, manifestado por Jesus, tem conotação universal, sem exclusões e sem limites. Não há discriminação no dom de seu amor. Pela comum filiação divina, devemos viver a fraternidade e a co-naturalidade com o Pai. É esta atitude de amor indiscriminado que caracteriza as comunidades de discípulos e a sua ação missionária. A conversão, em seu sentido mais profundo, consiste no revestir-se de misericórdia até o mais íntimo de seu ser. O "sede perfeitos como o Pai celeste é perfeito" é a grande síntese. Ela opõe-se a multiplicidade de preceitos e observâncias santificadoras do Primeiro Testamento. A prática do amor misericordioso significa participar da perfeição do Pai celeste, em comunhão de vida com Deus e com os irmãos. A revelação do Deus Amor abre o caminho da perfeição a todos. A compreensão de que somos todos filhos do Deus Pai e Mãe e a percepção de que seu amor é sem limites levam à fraternidade universal, à solidariedade e à partilha, vivendo-se com alegria, tendo como meta a união e a Paz.
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Oração
Pai, não permitas que a violência tome conta do meu coração; antes, torna-me capaz de responder, com gestos de amor, a quem me faz o mal. Coloca-me no caminho da perfeição do Pai, que ama a humanidade, fazendo o bem a todos os seres humanos, sem distinção.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Amar até os inimigos
O mandamento do amor ao próximo não era desconhecido antes de Jesus. De fato, no Antigo Testamento nunca se havia pensado em amar a Deus nem se interessar pelo próximo (1ª leitura). Nos Provérbios encontra-se até uma passagem que ressoa quase com as mesmas palavras do mandamento de Cristo: “Se teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer; se tem sede, dá-lhe de beber...” (Pr 25,21). Mas é necessário acrescentar que a frase surge ali inteiramente isolada das demais.
Um mandamento paradoxal
Em sua formulação, em seu conteúdo e em sua forte exigência, o mandamento de Jesus é novo e revolucionário.
É novo pelo seu universalismo, por sua extensão em sentido horizontal: não conhece restrições de classe, não leva em conta exceções, limitações, raça, religião; dirige-se ao homem na unidade e na igualdade da sua natureza. É novo pela medida, pela intensidade, por sua dimensão vertical. A medida é dada pelo próprio modelo que nos é apresentado: “Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei assim amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34). A medida do nosso amor para com o próximo é, pois, o amor que Cristo tem por nós; ou melhor, o mesmo amor que o Pai tem por Cristo: porque “Como o Pai me amou, também eu vos amei” (Jo 15,9). Deus é amor (1Jo 4,16) e nisto se manifestou o seu amor: ele nos amou primeiro e enviou seu Filho para expiar nossos pecados (1Jo 4,10).
É novo pelo motivo que nos propõe: amar por amor de Deus, pelas mesmas finalidades de Deus; exclusivamente desinteressado; com amor puríssimo; sem sombra de compensação (Mt 4,46). Amar-nos como irmãos, com um amor que procura o bem daquele a quem amamos, não a nosso bem. Amar com Deus, que nos busca o bem na pessoa a quem ama, mas cria nela o bem, amando-a.
É novo porque Cristo o eleva ao nível do próprio amor por Deus. Se a concepção judaica podia deixar crer que o amor fraterno se põe no mesmo plano dos outros mandamentos (Lv 19,18) a visão cristã lhe dá um lugar central, único. No Novo Testamento o amor do próximo está indissoluvelmente ligado ao preceito do amor de Deus.
Temos inimigos a perdoar?
“A fé... lembra ao cristão os mandamentos de Deus e proclama o espírito das bem-aventuranças; convida a ser paciente e bondoso, a eliminar a inveja, o orgulho, a maledicência, a violência; ensina a tudo crer, tudo esperar, tudo sofrer, porque o amor nunca passará” (RdC47)
Mas insiste ainda: “Ama teu inimigo... oferece a outra face... Não pagues o mal com o mal”. Quanto cristãos fizeram da palavra de Jesus a lei da sua vida! A história da Igreja está cheia de exemplos sublimes a este respeito: J. Gualberto, que perdoa, por amor de Cristo crucificado, o assassínio de seu irmão; pais que esquecem heroicamente ofensas recebidas dos filhos; esposos que superam as ofensas e culpas; homens políticos que não conservam rancor pelas calúnias, difamações, derrotas; operários que ajudam o companheiro de trabalho que tentou arruiná-los, etc...
Não devemos também pedir perdão?
Em nome da religião e de Cristo, os cristãos se dividiram, dilacerando assim o corpo de Cristo. Viram no irmão um inimigo, se “excomungaram” reciprocamente, chamando-se hereges, queimando livros e imagens... Derramou-se sangue, explodiu ódio em guerras de religião. O orgulho, o desprezo e a falta de caridade caracterizaram as diatribes teológicas e os escritos apologéticos. Os inimigos de Deus, da Igreja, da religião foram combatidos com armas e com ódio. Travaram-se lutas, organizaram-se cruzadas.
Hoje, a Igreja superou, ou se encaminha par superar, muitas dessas limitações. Não há mais hereges, mas irmãos separados; não há mais adversários, mas interlocutores; não consideramos mais o que divide, mas antes de tudo o que une; não condenamos em bloco e a priori as grandes religiões não cristãs, mas nelas vemos autênticos valores humanos e pré-cristãos que nos permitem entrar em diálogo.
Mas a intolerância e a polêmica estão sempre de atalaia. Não estaremos acaso usando, dentro da própria Igreja, aquela agressividade e polêmica excessivas que outrora usávamos com os de fora da Igreja? Quantos cristãos engajados, uma vez faltando o alvo de fora, começaram a visar com “inimigos” aos próprios irmãos na fé, e os combatem obstinadamente, sem amor e sem perdão!
Como amar o próximo?
O alcance e a raiz do amor vivido e ensinado por Jesus é explicado dentro do Sermão da Montanha proferido por Ele e apresentado em São Mateus 5,38-48 é um amor que não pode ficar reservado ao círculo dos mais próximos, àqueles de nosso grupo ou os que nos amam, mas que deve atingir inclusive os inimigos. É um amor sem fronteiras e somente pode ser entendido como expressão do amor de Deus, que é para todos.
Os discípulos devem amar dessa forma porque é assim que Deus nos ama. Esse será o seu sinal característico.
As palavras finais SEDE PERFEITOS, ASSIM COMO VOSSO PAI CELESTE É PERFEITO, resumem de uma forma magnífica o ensinamento contido no discurso que Jesus Cristo faz usando antíteses: TENDES OUVIDO O QUE FOI DITO, EU, PORÉM, VOS DIGO.
É a motivação mais radical de nova interpretação da Lei de Moisés proposta por Jesus como norma de vida para o cristão: os discípulos devem viver com o olhar voltado para Deus, pois foram chamados a manifestar em sua vida a perfeição de Deus, cuja expressão mais perfeita é o amor incondicional a todos. A maior justiça proposta por Jesus exige de nós, cristãos, a superação do egoísmo de grupos e classes. Só é possível atingir tal objetivo se tivermos um relacionamento positivo com a pessoa do outro, por meio de atos concretos.
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Reprodução do site: Deus Único

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