MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

domingo, 29 de janeiro de 2017

Liturgia Comentada do 5º Domingo do Tempo Comum - 05 de Fevereiro 2017

Ano A - Cor: Verde


Primeira Leitura
A tua luz brilhará como a aurora
Leitura do Livro do Profeta de Isaías 58,7-10


Assim fala o Senhor, 7 Não é repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos? Quando encontrares um nu, cobre-o, e não desprezes a tua carne. 8 Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa; à frente caminhará tua justiça e a glória do Senhor te seguirá. 9Então invocarás o Senhor e ele te atenderá, pedirás socorro, e ele dirá: 'Eis-me aqui',"Se destruíres teus instrumentos de opressão, e deixares os hábitos autoritários e a linguagem maldosa; 10 se acolheres de coração aberto o indigente e prestares todo socorro ao necessitado, nascerá nas trevas a tua luz e tua vida obscura será como o meio-dia.   Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário

Acaso é este o jejum que aprecio?
Jejum, penitência e oração são totalmente destituídos de valor e de sentido se não forem vivificados pela caridade e acompanhados das obras de justiça. Assim, o jejum verdadeiramente agradável a Deus consiste em libertar-se do egoísmo e prestar alívio e ajuda ao próximo. A Igreja, abolindo quase inteiramente o preceito do jejum exterior; entendeu empenhar-se com maior força em favor dos pobres e humildes. Durante a Quaresma, o premente convite à prática da caridade está em estreita relação com o convite ao jejum. A Quaresma ajuda-nos a descobrir as necessidades do próximo e lembra-nos que podemos encontrar a maneira de ir-lhe ao encontro, renunciando a algo de pessoal. O jejum cumprido por amor de Deus e dos homens é sinal do desejo de conversão; neste sentido, conserva ainda hoje o seu valor. Procurar a Deus é praticar o direito e a justiça: essa procura pode ser mascarada por atos que parecem mostrar disponibilidade em realizar o projeto de Deus; e qualquer prática de piedade pode esconder um não-compromisso com a vontade de Deus. Ao contrário, a sinceridade se revela através da solidariedade com os oprimidos e da participação efetiva num processo de libertação. Só assim estaremos procurando a Deus, receberemos dele uma resposta benévola e seremos co-agentes deste seu projeto: a construção de uma sociedade fundada no direito e na justiça.
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Salmo Responsorial - Sl 111(112),4-5.6-7.8a.9  (R. 4a.3b)
R. Uma luz brilha nas trevas para o justo, permanece para sempre o bem que fez.
Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.
4 Ele é correto, generoso e compassivo, como luz brilha nas trevas para os justos. 5 Feliz o homem caridoso e prestativo, que resolve seus negócios com justiça. (R)
6 Porque jamais vacilará o homem reto, sua lembrança permanece eternamente! 7 Ele não teme receber notícias más: confiando em Deus, seu coração está seguro. (R)
8a Seu coração está tranquilo e nada teme. 9 Ele reparte com os pobres os seus bens, permanece para sempre o bem que fez, e crescerão a sua glória e seu poder. (R)
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Comentário
Retrato do homem justo
Meditação sapiencial, caracterizando o ser e o comportamento do justo
Este salmo nos mostra que toda a existência do justo tem como ponto de partida o temor de Deus. Esse temor se manifesta nas relações sociais fraternas e justas. O versículo 6 apresenta a idéia mais antiga a respeito da ressurreição: a lembrança permanente da vida do justo, cujo testemunho permanece sempre vivo na memória do povo. O justo está permanentemente voltado para a partilha da vida com os outros.
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Segunda Leitura
Anunciei entre vós o mistério de Cristo crucificado
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios    2,1-5
Irmãos, quando fui à vossa cidade anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri a uma linguagem elevada ou ao prestígio da sabedoria humana. 2 Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. 3 Aliás, eu estive junto de vós, com fraqueza e receio, e muito tremor. 4Também a minha palavra e a minha pregação não tinham nada dos discursos persuasivos da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, 5 para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus e não na sabedoria dos homens. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Eu vos anuncio Jesus Cristo, e este, crucificado
Paulo não se serviu de artifícios humanos para anunciar o Evangelho aos coríntios. Pelo contrário, foi através da sua fraqueza que ele anunciou o cerne do projeto de Deus: Jesus crucificado. Se os coríntios chegaram à fé foi pelo Espírito que agiu neles através de Paulo. Os cristãos que aprofundaram a fé possuem a verdadeira sabedoria, que consiste no seguinte: Deus salva o mundo por meio de Jesus Cristo. Esta compreensão da fé é obra do Espírito; o homem que só confia em sua própria capacidade não consegue atingir essa compreensão. Paulo relembra à comunidade de Corinto sua pregação: o anúncio de Cristo “crucificado”. Seu evangelho foi um “testemunho de Deus” (v.1), porque nele Paulo deixou que Deus mesmo falasse e contasse seu amor por nós em Cristo. Quando cai do rosto a máscara da sabedoria puramente formal, quando se extinguem os refletores da ideologia ou do êxito, e as coisas aparecem em sua simples e profunda realidade, emerge então o “poder” do Espírito (v.4). Nesse instante o Apóstolo irradia uma força: em sua pessoa fazem os outros a experiência do amor de Deus. Ele pode percorrer seu caminho no mundo com uma esperança jovem, criada pelo “poder” do Espírito, e na medida que permanece unido à fonte e dela bebe, pode também dirigir-se aos outros, aos acomodados.
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Aclamação ao Evangelho                    Jo 8,12
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Pois eu sou a Luz do mundo, quem nos diz é o Senhor; e vai ter a Luz da Vida, quem se faz meu seguidor. (R)
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Evangelho
Vós sois a luz do mundo
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,13-16
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 13 “Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos? Ele não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens. 14 Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída Sobre um monte. 15 Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa. 16 Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus".   Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
Sal e Luz
Os discípulos de Jesus devem estar conscientes de que se acham unidos com todos aqueles que anseiam por um mundo novo. Eles não podem se subtrair a essa missão, mas precisam dar testemunho através de suas obras. Não se comprometer com isso é deixar de ser discípulo do Reino. Através do testemunho visível dos discípulos é que os homens podem descobrir a presença e ação do Deus invisível. As parábolas do sal e da luz confrontam os discípulos do Reino com sua responsabilidade perante a realidade humana, apelando para a força transformadora de sua presença no mundo. Na medida em que se revelam servidores, manifestam a profundidade de sua adesão ao projeto de Deus. A vocação de servidor concretiza-se na ajuda às pessoas a fim de que elas enfrentem as insinuações do maligno que quer corrompê-las pela maldade e pelo egoísmo. Se, diante da corrupção do mundo, o discípulo permanece impassivo, recusando-se a agir, será como o sal insosso. Logo, tornar-se-á imprestável, e deverá ser jogado fora. A cozinheira não terá por que conservá-lo. Algo semelhante passa-se com o Pai em relação ao discípulo omisso diante da realidade a ser transformada. Por outro lado, o discípulo mostra-se servidor, quando irradia a luz de Cristo para que seus semelhantes trilhem o caminho da verdade, do amor e da justiça. Sem esta luz, correriam o risco de descambar para a mentira, o egoísmo e a injustiça, com uma conseqüente condenação. No entanto, ele deverá buscar a posição adequada para que seu testemunho de vida abranja o maior número possível de pessoas. Sua luz deve chegar a todos os seres humanos, sem distinção, de modo a fazê-los encontrar o caminho para Deus. Mateus apresenta o discurso da promulgação do Reino dos Céus, o "Sermão da Montanha". Ele reúne, de modo didático, ditos e sentenças originários de Jesus, que circulavam entre as primeiras comunidades. Vários desses ditos e sentenças são encontrados de modo disperso nos outros dois evangelhos sinóticos. Após a proclamação das bem-aventuranças, seguem-se as duas predicações em metáfora: "Vós sois o sal da terra", "Vós sois a luz do mundo". O sal e a luz são duas realidades muito presentes na vida cotidiana, em todas as culturas e em todos os tempos. Ao sal associa-se a propriedade de preservar os alimentos da corrupção, dando-lhes durabilidade. É também próprio do sal realçar o sabor dos alimentos, tornando mais prazeroso o seu consumo. A luz nos revela a natureza das coisas materiais e permite que nos orientemos em nossos movimentos. No âmbito das realidades espirituais, a luz simboliza a verdade. Os discípulos são chamados a ser o sal da terra, para testemunhar os valores eternos e tornar a vida prazerosa de ser vivida. São a luz do mundo, para revelar o caminho que leva a Jesus, que é a porta para a vida eterna. Os mestres tornaram-se como uma lâmpada que permaneceu debaixo de uma caixa. A luz é também a glória de Deus. No evangelho de João, Jesus declara-se a luz do mundo. Os discípulos, portadores desta luz, têm a missão de transmiti-la ao mundo para que se perceba, em todos os tempos e todos os lugares, a presença amorosa e vivificante de Jesus.
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Oração
Pai, tenho diante de mim o mundo todo a ser evangelizado. Transforma cada circunstância e cada momento da minha vida em chance para dar testemunho do teu Reino.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Homens, luz do mundo
O trecho evangélico está no contexto das bem-aventuranças. Os que são proclamados bem-aventurados, não o são só para si mesmos, mas também perante o mundo; para a realidade terrestre são luz e sal. "Vós sois a luz do mundo": Jesus disse estas palavras em primeiro lugar para os que creem, os discípulos que são os pobres, os mansos, os que têm fome e sede de justiça... São luz não porque pertencem à Igreja, ou porque tenham uma doutrina de salvação a comunicar, nem porque são homens de oração e fiéis ao culto; mas, em primeiro lugar, porque são pobres, mansos, puros de coração...
Vejam vossas boas obras
A primeira leitura o acentua. Ao povo hebreu, preocupado com a prática exterior e irrepreensível do culto, atarefado em reconstruir o templo destruído, Deus lembra que, mais do que o esplendor do culto, o que lhe agrada é que hospedem os desabrigados, dividam o pão com o faminto... "Então a tua luz romperá como a aurora". Não basta rezar e jejuar. A oração e o jejum devem ser acompanhados da ação, "para fazer brilhar a luz nas trevas A abstinência do alimento vale pouco se não for para nutrir o faminto”. Como pode o discípulo, concretamente, tornar-se "sal da terra e luz do mundo", está dito também claramente no evangelho quando conclui: "Vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus". Não são as palavras que dão testemunho da vinda do reino de Deus, mas a prática da vida, o comprometer-se em tarefas construtivas. O discípulo deve misturar-se, penetrar profundamente no mundo para dar-lhe o sabor novo, o fermento de salvação trazido por Cristo.
No rito do batismo, o sacerdote entrega ao pai do batizando uma vela acesa no círio pascal. Cristo ressuscitado é a "luz". O batizado é o "iluminado" que se insere na morte-ressurreição de Cristo. Viver a luz é o compromisso que o espera: o Espírito o "move", o "arrasta". As "obras da luz" são obra do Espírito através da fragilidade do homem. Não há lugar para presunção, vanglória, soberba.
Onde está hoje a luz que salva?
O evangelho fala de sal insípido, que "para nada serve senão para ser lançado fora e pisado pelos homens". Fala-se de luz escondida "sob o alqueire". É um convite a "provar" a qualidade do nosso sal de cristãos de hoje, e a ver com que obstáculos ocultamos a luz do evangelho. A firmeza de Isaias não nos permite gracejar ou complicar com sutilezas a palavra de Deus.
Ainda hoje contam-se às centenas de milhões os famintos no mundo, e estão sempre aumentando, consequência de uma lógica férrea, própria de um sistema econômico desumano, que acumula riquezas cada vez maiores nas mãos dos que já estão fartos e despoja inexoravelmente os miseráveis. O embaraço ainda se torna maior quando lançamos um olhar sobre o mapa da fome, da miséria e da opressão. Os países "tradicionalmente cristãos" estão no auge da riqueza, da opulência.
Sinal ou barreira
Surge então a pergunta se também nós, cristãos, não apoiamos um sistema injusto e opressor dos fracos e dos pobres. A pobreza do Terceiro Mundo e as estatísticas do subdesenvolvimento não se explicam pela recusa da técnica, ou pela preguiça congênita e irremediável, mas pela secular exploração das matérias-primas, pela submissão forçada a uma raça, pelo comércio internacional baseado na intimidação ou na boicotagem, nas "ajudas" internacionais como modo de desfazer-se utilmente de mercadorias inúteis. Fica então uma interrogação: será que a luz de Cristo ainda ilumina este "mundo" ou, ao contrário, ilumina só um "mundo futuro", para o qual devemos caminhar como num êxodo? A comunidade cristã de hoje corre o risco de ocultar atrás de pesadas barreiras a luz de Cristo. A não consciência da solidariedade no testemunho, o desinteresse por uma expressão comunitária da nossa fé, a política de se lavar as mãos quanto aos fatos em que não estão em jogo os nossos interesses, a intervenção ingênua em defesa da "ordem constituída" impedem às nossas comunidades eclesiais de fazer ver a luz. É necessária uma continua reflexão a fim de que as estruturas não se tornem barreira ou contratestemunho da nossa Igreja. E a reflexão deve tornar-se ação, com sabedoria e eficácia, para não destruir nada de válido, para fazer brotar as sementes de bem que existem por toda parte e que esperam um bom terreno, um cultivo cuidadoso e o confiante recurso ao auxílio decisivo de Deus.
O sal e a luz
A função do sal é salgar, dar sabor e conservar os alimentos. Aí está o seu valor e as principais finalidades de sua existência. Realizando isto, ele está cumprindo os objetivos porque foi criado e porque existe na sua própria estrutura.
A luz também tem seus objetivos. Foi criada para clarear, dar condições para que as coisas e realidades sejam vistas, tirando o mundo da escuridão, oportunizando o progresso e a realização de tantos projetos de construção do bem.
As pessoas também são chamadas a ser luz e sal, tendo atitudes que ajudem o semelhante, prestando serviços de construção do bem e da vida, fazendo com que o mundo e a convivência entre as pessoas sejam mais saudáveis.
Na verdade, o mundo precisa de testemunhas do bem. As palavras podem ser bonitas, mas não convencem. O sal e a luz nem sempre aparecem. Testemunhos de prática fraterna, de partilha com os deserdados da vida e da convivência fraterna.
Deus está presente nos atos feitos com retidão, especialmente em quem é comprometido com o bem e luta por uma sociedade justa e igual. Isto é o que leva para o caminho da vida, com a força do sal e a iluminação da luz.
O importante é fazer uma opção fundamental pelo Reino de Deus, assumindo a transformação do mundo em busca de uma melhor forma de vida para todos. Temos que nos convencer de que outro mundo é possível. Assim seremos sal e luz.
Numa visão cristã, o sal é a Palavra de Deus, de onde emana o sabor de um mundo defensor da vida. A luz é Cristo vivo, que renova e fortalece nosso empenho em favor dos irmãos na vivência comunitária.
Podemos dizer que o sal e a luz é a Palavra de Deus. Ela nos educa e convoca para a prática do bem. É Deus partilhando conosco sua vida e as realidades do Reino do Pai. É chamado para a superação do comodismo e do desânimo diante das dificuldades encontradas.
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Reprodução do site: Deus Único

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