MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

domingo, 15 de janeiro de 2017

Liturgia Comentada do 3º Domingo do Tempo Comum, 22 de Janeiro



Ano A - Cor: Verde

Primeira Leitura

Na Galiléia, o povo viu brilhar uma grande luz

Leitura do Livro do Profeta Isaías 8,23b-9,3


23b No tempo passado o Senhor humilhou a terra de Zabulon e a terra de Neftali; mas recentemente cobriu de glória o caminho do mar, do além-Jordão e da Galiléia das nações. 9,1 O povo, que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu. 2 Fizeste crescer a alegria, e aumentaste a felicidade; todos se regozijam em tua presença como alegres ceifeiros na colheita, ou como exaltados guerreiros ao dividirem os despojos. 3 Pois o jugo que oprimia o povo, – a carga sobre os ombros, o orgulho dos fiscais – tu os abateste como na jornada de Madiã. 
Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário

Uma luz nas trevas


Em 732 a.C., o rei da Assíria toma os territórios da Galiléia e adjacências, incluindo Zabulon e Naftali. O povo do Reino do Sul teme o avanço assírio, mas o profeta mostra que Deus libertará os oprimidos e trará a paz. O que leva Isaías a essa luminosa esperança é o nascimento do Emanuel (cf. 7,14), que é Ezequias, o filho herdeiro de Acaz. O profeta prevê um chefe sábio, fiel a Deus, duradouro e pacífico; ele perpetuará a dinastia de Davi, estendendo o reinado deste até às regiões agora denominadas pela Assíria e organizando uma sociedade fundada no direito e na justiça. Mateus, reinterpretando este oráculo, o aplica à pessoa e ação de Jesus (MT 4,13-16). A Galileia era sempre a primeira região a sofrer os estragos provocados pelos impérios estrangeiros que guerreavam contra a terra de Israel. Isso porque era uma rota mais acessível que o deserto ou o mar Mediterrâneo. Além de ser a primeira região a sofrer o ataque dos inimigos, a Galileia é a região por onde o povo de Israel foi deportado para o estrangeiro. Por isso, as expectativas messiânicas concentravam a atenção na Galileia como cenário da primeira manifestação da luz messiânica, já que seria a primeira região a receber a libertação, como antes tinha sido a primeira a experimentar a escravidão. O “caminho do mar” ficava na região da Galileia. Era uma estrada entre a terra de Neftali (ao norte) e a terra de Zabulon (ao sul). Os judeus acreditavam que nessa estrada se manifestaria o Messias, trazendo de volta para a Terra Prometida os judeus dispersos pelo mundo. Essa região sombria, testemunha de tantos sofrimentos, converter-se-ia em cenário de alegria. Porque o cetro (o poder) dos inimigos seria totalmente destruído pelo Messias. A vitória messiânica é apresentada em analogia com o “dia de Madiã”, quando Gedeão venceu o inimigo de modo excepcional (Jz 7,16-25).
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Salmo Responsorial - Sl 26(27),1.4.13-14             (R. 1a.1c)

R. O Senhor é minha luz e salvação. O Senhor é a proteção da minha vida.

1 O Senhor é minha luz e salvação; de quem eu terei medo? O Senhor é a proteção da minha vida; perante quem eu tremerei? (R)
4 Ao Senhor eu peço apenas uma coisa, e é só isto que eu desejo: habitar no santuário do Senhor por toda a minha vida; saborear a suavidade do Senhor e contemplá-lo no seu tempo. (R)
13 Sei que a bondade do Senhor eu hei de ver na terra dos viventes. 14 Espera no Senhor e tem coragem, espera no Senhor. (R)
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Comentário

De quem terei medo?
Oração de confiança. Injustamente acusado, o salmista recorre ao tribunal do Templo, em busca de justiça

Este salmo nos mostra que a confiança em Deus e no seu projeto faz o pobre e o oprimido criarem força e coragem para enfrentar as mais difíceis situações. O Templo é o mesmo tempo a casa de Deus e a casa do seu povo. É o espaço sagrado que assegura justiça e paz. Espaço que hoje se encontra nas comunidades comprometidas com o projeto de Deus. Antes do julgamento pela manhã, o salmista experimenta a noite do terror. Sua sorte depende unicamente de Deus, pois todos o abandonaram. Apesar de tudo, ele mantém firme sua esperança, confirmada pela palavra do sacerdote.
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Segunda Leitura
Sede todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios         1,10-13.17

10 Irmãos, eu vos exorto, pelo nome do Senhor nosso, Jesus Cristo, a que sejais todos concordes uns com os outros e não admitais divisões entre vós. Pelo contrário, sede bem unidos e concordes no pensar e no falar. 11 Com efeito, pessoas da família de Cloé informaram-me a vosso respeito, meus irmãos, que está havendo contendas entre vós. 12 Digo isto, porque cada um de vós afirma: “Eu sou de Paulo”; ou: “Eu sou de Apolo”; ou: “Eu sou de Cefas”; ou: “Eu sou de Cristo”! 13 Será que Cristo está dividido? Acaso Paulo é que foi crucificado por amor de vós? Ou é no nome de Paulo que fostes batizados? 17 De fato, Cristo não me enviou para batizar, mas para pregar a boa nova da salvação, sem me valer dos recursos da oratória, para não privar a cruz de Cristo da sua força própria. 
Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário

Cristo está dividido?

O que faz a unidade da comunidade cristã é o batismo em nome de Jesus e a submissão a ele como único Senhor. Os evangelizadores e líderes são apenas instrumentos para levar a comunidade a Jesus Cristo. Absolutizando as pessoas, ela se divide, submetendo-se a outros senhores e falsificando a função dos líderes. Paulo agradece a Deus por não ter batizado nenhum coríntio. Isso não significa que desvalorize o batismo, mas apenas que recebeu outro encargo, a pregação do evangelho aos gentios (os não judeus). Encargo que ele exercia com base no conteúdo fundamental do evangelho e não na eloquência da retórica (sabedoria das palavras), tão valorizada pelos coríntios. A vida, morte e ressurreição Vida Pastoral – janeiro-fevereiro 2011 – ano 52 – n. 276 53 de Cristo constituem o núcleo básico (o conteúdo fundamental) da proclamação do evangelho, e nisso Paulo desejava que os coríntios concentrassem toda a atenção. Além do uso da retórica, os destinatários também supervalorizavam alguns missionários. Isso causava sério problema de divisões dentro da comunidade. A formação de grupos e a antipatia entre eles impediam a unidade da comunidade. Com a expressão “vós sois de Cristo”, o apóstolo condena o partidarismo dentro da Igreja. Pelo batismo, os cristãos se identificam com Cristo, não com o ministro que está a serviço da comunidade. Já que a Igreja é o corpo de Cristo, não deve estar dividida sob nenhum pretexto.
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Aclamação ao Evangelho                     Cf. Mt 4,23

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Pois do Reino a Boa Nova Jesus Cristo anunciava e as dores do seu povo, com poder, Jesus curava.   (R.)
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Evangelho

Convertei-vos porque o Reino dos Céus está próximo

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus  4,12-23

12 Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galiléia.13 Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galiléia, 14 no território de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15 “Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galiléia dos pagãos! 16 O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17 Daí em diante Jesus começou a pregar dizendo: “Convertei-vos, porque o reino dos céus está próximo”. 18 Quando Jesus andava à beira do mar da Galiléia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e seu irmão André. Estavam lançando a rede ao mar, pois eram pescadores. 19 Jesus disse a eles: “Segui-me, e eu farei de vós pescadores de homens”. 20 Eles, imediatamente, deixaram as redes e o seguiram. 21 Caminhando um pouco mais, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, Filho de Zebedeu, e seu irmão João. Estavam na barca com seu pai Zebedeu consertando as redes. Jesus os chamou. 22 Eles, imediatamente deixaram a barca e o pai, e o seguiram. 23 Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
A Esperança começa na Galiléia

Jesus começa sua atividade na Galiléia, região distante do centro econômico, político e religioso do seu país. A esperança da salvação se inicia justamente numa região da qual nada se espera. A pregação de Jesus tem a mesma radicalidade que a de João Batista: é preciso total mudança de vida, porque o Reino do Céu está próximo. O chamado dos primeiros discípulos é um convite aberto a todos os que ouvem as palavras de Jesus. Simão e André deixam a profissão; Tiago e João deixam a família... Seguir a Jesus implica deixar as seguranças que possam impedir o compromisso com uma ação transformadora. Depois de ter ido ao encontro de João para ser batizado, Jesus volta para sua terra de origem, a Galiléia, após um tempo de permanência na Judéia. Mateus escreve para comunidades de cristãos oriundos do judaísmo. Sua intenção teológica é mostrar-lhes que suas antigas esperanças tradicionais se realizam em Jesus e, para isto, recorre com freqüência a citações do Primeiro Testamento, que estariam sendo cumpridas em Jesus. Isaías, no texto citado por Mateus em seu evangelho (cf. primeira leitura), menciona a "Galiléia dos gentios". É nesta região que Jesus desenvolve seu ministério, com uma abrangência universal, dirigindo-se às multidões tanto desta Galiléia como dos territórios vizinhos gentílicos. Tendo deixado sua cidade de origem, Nazaré, Jesus vai morar em Cafarnaum, às margens do Mar da Galiléia. E começa seu ministério, com o mesmo anúncio de João Batista: "Convertei-vos, pois o Reino de Deus está próximo" (Mt 3,2). É o batismo da conversão à justiça para remover o pecado do mundo. Jesus revela que este é o caminho da comunhão com Deus, em sua vida divina e eterna. Enquanto João escolhera o deserto como espaço para o seu anúncio, Jesus orienta seu ministério para as regiões habitadas da Galileia e das regiões gentílicas vizinhas. Às margens do Mar da Galiléia, Jesus encontra aqueles que serão seus primeiros discípulos. As narrativas de vocação dos discípulos é feita pelos evangelistas de maneira sumária, em poucas linhas. Contudo, o seguimento de Jesus por seus discípulos se efetiva em um processo de conhecimento e diálogo, amadurecido durante um tempo conveniente. Os evangelistas, com seus textos, procuram resgatar a humanidade de Jesus. Contudo, anteriormente a eles, Paulo limita sua pregação ao binômio: morte na cruz e ressurreição de Jesus. A partir deste enfoque, ele desenvolve sua edificante pregação ética e moral para suas comunidades (segunda leitura).
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Oração
Pai, faze-me compreender que os pobres e os marginalizados são os destinatários privilegiados do Evangelho do Reino; para eles tua luz deve brilhar em primeiro lugar.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA

Jesus, luz do mundo

A luz é uma das necessidades primordiais do homem. Não é apenas um elemento necessário à vida, mas como que a imagem da própria vida. Isso influiu profundamente na linguagem, para a qual "ver a luz", "virá luz" significa nascer; "ver a luz do sol" é sinônimo de viver... Ao contrário, quando um homem morre, diz-se que se apagou', que "fechou os olhos à luz"... A Bíblia usa esta palavra como símbolo da salvação. O salmo responsorial põe a luz em estreita relação com a salvação. "O Senhor é minha luz e minha salvação”.

"Deus é luz e nele não há trevas" (1Jo 1,5). "Habita uma luz inacessível" (1Tm 6,16). Em Jesus, a luz de Deus vem brilhar sobre a terra: "Veio ao mundo a luz verdadeira que ilumina todo homem" (Jo 1,9). "Eu como luz vim ao mundo, para que todo o que crê em mim não permaneça nas trevas" (Jo 12,46).

Passar das trevas à luz
Arrancado às trevas do pecado e imerso na luz de Cristo, através do batismo, o cristão deve fazer as obras da luz: "Se outrora éreis treva, agora sois luz no Senhor. Comportai-vos, pois, como filhos da luz" (Ef 5,8). A passagem das trevas à luz é a conversão, a entrada no reino de Deus (evangelho). Sabemos o que quer dizer converter-se e fazer penitência. Indica mudança radical da nossa vida, uma inversão na escala dos valores que o mundo propõe e das nossas preocupações cotidianas, que não são certamente os que o evangelho propõe no sermão da montanha. O reino de Deus está presente ou desaparece, aproxima-se ou se distancia, conforme a nossa vontade de conversão. Esta, por seu lado, jamais se pode considerar completa de uma vez para sempre, mas é uma tensão cotidiana, assim como a fidelidade não é algo que se adquire no momento da promessa, mas uma realidade a viver cada minuto. Por outro lado, o cristão, mesmo depois do batismo, nunca é pura luz, é um misto de luz e trevas; por isso, sua vida é luta. Mas Cristo o reveste das armas da luz (Ef 6,11-17). Assim, o cristão está seguro de que depois de ter "participado na terra da sorte dos santos na luz" (Cl 1,12) "brilhará como o sol no tempo do Pai" (Mt 13,43) e "na sua luz verá a luz" (cf SI 35,10).

João Batista e Cristo resumem sua pregação no convite à conversão: "Convertei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (evangelho). Os judeus, que ouviam este anúncio, formulavam muitas vezes objeções: Nós somos filhos de Abraão, vivemos na segurança de um povo escolhido por Deus, temos as instituições religiosas que nos garantem a possibilidade de observar a Lei. Não temos necessidade de converter-nos (cf Mt 3,9s).
Evangelização é luz

Esta é, muitas vezes inconscientemente, a atitude de grande número de cristãos, para os quais a palavra conversão parece estranha, distante, aplicável somente a quem "vive nas trevas do erro e do pecado"... A evangelização cristã começa em Cafarnaum com o anúncio de Jesus: "Convertei-vos". Este anúncio deve ressoar continuamente também em nossas comunidades tradicionais (paróquias e dioceses). Hoje estamos redescobrindo a necessidade de uma volta a evangelização. Nossa pastoral do passado considerava-a como consumada, e se limitava quase exclusivamente à catequese. Agora percebemos que isto não é mais suficiente.
Conversão é luz

Como Cristo, também a Igreja deve, hoje como sempre, empenhar-se em libertar o homem do pecado, pois o anúncio da conversão é o fim primário que justifica sua própria existência. Nela deve manifestar-se constantemente a liberdade do Espírito no serviço recíproco, no reconhecimento e na coordenação dos dons que Deus faz a cada um dos fiéis, e assim deveria ser, diante do mundo, o sinal visível do reino de Deus na terra. Por isto, a Igreja como instituição também é continuamente interpelada e julgada pela palavra de Deus. Também ela está em estado de conversão permanente. O cristão que, "movido pelo Espírito, está atento e dócil à palavra de Deus, segue um itinerário de conversão para ele... que pode comportar, ao mesmo tempo, a alegria do encontro e a contínua exigência de ulterior busca; o arrependimento pela infidelidade e a coragem de recomeçar; a paz da descoberta e a ânsia de novos conhecimentos; a certeza da verdade e a constante necessidade de nova luz".

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Publicado no site: Deus Único

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