MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Liturgia Comentada da Missa do 2º Domingo do Tempo Comum, 15 de Janeiro 2017

Ano A - Cor: Verde

Primeira Leitura


Farei de ti a luz das nações, para que sejas minha salvação

Leitura do Livro do Profeta Isaías 49,3.5-6
3 O Senhor me disse: “Tu és o meu servo, Israel, em quem serei glorificado”. 5 E agora diz-me o Senhor – ele que me preparou desde o nascimento para ser seu servo – que eu recupere Jacó para ele e faça Israel unir-se a ele; aos olhos do Senhor esta é a minha glória. 6 Disse ele: “Não basta seres meu servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”.
Palavra do Senhor! Graças à Deus!
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Comentário
Vocação e missão do servo de Deus


Este texto é o segundo cântico do servo de Deus. Aqui se descrevem as características da missão profética: desde o início (ventre), o Servo recebe a missão (o nome) de anunciar a palavra de Deus para reunir e restaurar seu povo disperso. Essa restauração implica reunir e organizar o povo, liderando-o no movimento da libertação: isso implica a reorganização político-social e a justa distribuição de terras (vv. 8-9ª). Mas a missão do Servo ultrapassa as fronteiras de uma nação, pois fará com que o povo da aliança se torne luz para os outros povos. Esse texto da primeira leitura da liturgia de hoje trata da missão universal do Servo de Deus. Em primeiro lugar, no v. 3, o Servo é o povo de Israel personificado em um indivíduo. Mas no v. 5 ele recebe a missão de fazer Israel voltar a seu Deus e à Terra Prometida. Nesse caso, o texto se refere a outra pessoa, geralmente identificada como o Messias. Segue-se o v. 6, que afirma que não basta reconduzir Israel a Deus e à terra da promessa: o Servo tem de ser luz para as nações. Ele deverá cumprir o desígnio divino e a vocação de Israel, fazendo que os reis (os povos) adorem o Deus uno. Os cristãos creem que o povo de Israel foi conduzido, por meio de uma série de acontecimentos históricos, até a consumação da redenção na pessoa de Jesus Cristo. Jesus realizou a missão do Servo, pois com Jesus a redenção foi estendida até os extremos da terra, ou seja, a todos os povos.
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Salmo Responsorial   -   Sl 39(40)2.4ab.7.8a.8b-9.10           (R. 8a.9a)
R. Eu disse: Eis que venho, Senhor, com prazer fazer a vossa vontade!
2 Esperando, esperei no Senhor, e inclinando-se, ouviu meu clamor. 4a Canto novo ele pôs em meus lábios, 4b um poema em louvor ao Senhor. (R)
7 Sacrifício e oblação não quisestes, mas abristes, Senhor, meus ouvidos; não pedistes ofertas nem vítimas, holocaustos por nossos pecados. (R)
8a E então eu vos disse: “Eis que venho!” 8b Sobre mim está escrito no livro: 9 “Com prazer faço a vossa vontade, guardo em meu coração vossa lei!” (R)
10 Boas novas de vossa justiça anunciei numa grande assembléia; vós sabeis: não fechei os meus lábios! (R)
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Comentário

Anunciar a justiça de Deus
Oração de agradecimento, incluindo a súplica numa situação que acarreta perigo de vida

Libertando o salmista de um perigo de morte, a ação de Deus torna-se motivo de confiança para a comunidade que participa do agradecimento. Por ocasião do agradecimento, costumava-se oferecer um sacrifício. Deus, porém, não quer sacrifício, e sim que o homem realize a vontade dele. Para isso, é preciso assimilar o projeto de Deus. (lei). Não basta assimilar. É preciso também anunciar a justiça de Deus, através da palavra e ação. O salmista pertence à comunidade dos pobres, cuja única defesa consiste em se organizar ao redor de Deus e de seu projeto.
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Segunda Leitura

A vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus!
Início da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios         1,1-3

1 Paulo, chamado a ser apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, e o irmão Sóstenes, 2 à Igreja de Deus que está em Corinto: aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos junto com todos que, em qualquer lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso. 3 Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Nele fostes enriquecidos em tudo

Desde o início, Paulo já salienta o aspecto da unidade, que é um dos termos fundamentais da carta: o único Senhor das igrejas é Jesus Cristo. A evangelização da comunidade de Corinto foi completa: ela recebeu a riqueza do Evangelho e da sabedoria da vida cristã. Este é outro tema importante da carta. Resta à comunidade perseverar no testemunho de Jesus Cristo até o fim. O olhar de Paulo é lúcido. Alcança a realidade essencial do cristão. Ele sabe que os fiéis da comunidade de Corinto, apesar de suas taras, estão “santificados em Cristo Jesus” e são “chamados a ser santos”. Por esta vocação à santidade, Deus os enriqueceu de tudo. Esta riqueza, fonte de “doutrina e ciência”, é essencialmente comunhão com Cristo e desce às profundezas de Deus. Estimula o cristão a fazer da própria vida uma contínua busca de comunhão com Cristo ressuscitado. Certamente, não para viver mais comodamente, e sim para radicar em si o dom da própria vida e deixar-se transfigurar aos poucos, a fim de olhar os homens e a história com o próprio olhar de Deus. A “doutrina e a ciência” não são um “sistema” de pensamento, mas uma revolução interior, um movimento subterrâneo que leva os cristãos a tornarem-se homens de comunhão.

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Aclamação ao Evangelho                      Jo 1,14a.12a

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. A Palavra se fez carne, entre nós ela acampou; todo aquele que a acolheu, de Deus filho se tornou.   (R.)
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Evangelho
Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João    1,29-34

Naquele tempo: 29 João viu Jesus aproximar-se dele e disse: "Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30 Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou à minha frente, porque existia antes de mim, 31 Também eu não o conhecia, mas se eu vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel". 32 E João deu testemunho, dizendo: "Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele. 33 Também eu não o conhecia, mas aquele que me enviou batizar com água me disse: 'Aquele sobre quem vires o Espírito descer e permanecer, este é quem batiza com o Espírito Santo'. 34 Eu vi e dou testemunho: Este é o Filho de Deus!" 
Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
O Messias reconhecido

No idioma dos judeus, a mesma palavra pode significar servo e cordeiro. Jesus é o Servo de Deus, anunciado pelos profetas, aquele que devia sacrificar-se pelos seus irmãos. Também é o verdadeiro Cordeiro, que substitui o cordeiro pascal. João Batista, chamando Jesus de Cordeiro, mostra que ele é o Messias que vem tirar a humanidade da escravidão em que se encontra e conduzi-la a uma vida na liberdade. A atividade frenética de João Batista, às margens do Jordão, não o fez perder a consciência de sua missão. No afluxo de penitentes à procura do batismo, ele se deu conta da presença do Messias Jesus. Por isso, advertiu a multidão para a presença do Cordeiro de Deus, enviado para abolir o pecado do mundo. A situação do batismo de Jesus estava carregada de evocações. Sua exclamação lembrava o cordeiro pascal. As águas do Jordão recordavam o mar Vermelho. A eliminação do pecado do mundo aproximava Jesus de Moisés, condutor do povo de Israel para a terra prometida. Tudo isso servia para alertar a multidão acerca da presença do Messias. João só reconheceu Jesus, por que movido pelo Pai, uma vez que já tinha declarado, por duas vezes, não ter um conhecimento prévio do Messias. Para não se enganar na identificação do Messias, João colocou-se numa atitude de contínuo discernimento. Teria sido desastroso um falso reconhecimento e a conseqüente atribuição do título de Cordeiro de Deus à pessoa indevida. João, ao contrário, não titubeou quando viu Jesus diante de si. Seu testemunho foi firme, pois estava certo de não ter sido induzido ao erro. Diante dele, estava, realmente, o Filho de Deus. Foi o Pai quem lhe revelara a identidade do Filho, e o movera a reconhecê-lo publicamente. O evangelista João, no início de seu evangelho, após o prólogo, introduz a pessoa de João Batista. A seguir, no texto de hoje, introduz Jesus, relatando a sua súbita chegada. Jesus, atraído pela notícia da pregação de João, com seu batismo da conversão, vem a ele para ser batizado. Assim, insere-se no grupo de discípulos de João Batista. A apresentação de Jesus por João Batista é feita por imagens do ritual sacrifical do Templo, onde os cordeiros eram oferecidos para a remissão dos pecados. O evangelho de João não narra o ato do batismo de Jesus. Contudo, relata o testemunho de João Batista de que viu o Espírito descer e permanecer sobre Jesus. A presença do Espírito significa o endosso ao anúncio de João: é a conversão para a prática da justiça que remove o pecado do mundo. Este anúncio foi assumido por Jesus. A libertação dos pecados se dá não pelos sacrifícios cultuais de animais, mas pelo amor e pela prática da justiça, para que todos tenham vida.
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Oração

Pai, tu enviaste Jesus com a missão de nos introduzir no Reino da fraternidade. Dá-me a graça de reconhecê-lo e fazer-me seguidor dele.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Jesus tira os pecados do mundo

A expressão "Cordeiro de Deus" (evangelho) lembra aos ouvintes hebreus duas imagens distintas, mas, no fundo, convergentes: a imagem do Servo de Deus que aparece "como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha muda diante dos tosquiadores" (Is 53,7), e a imagem do cordeiro do sacrifício pascal.

Jesus, o cordeiro libertador
Segundo a cronologia joanina, Jesus foi morto na vigília da festa dos ázimos, isto é, da Páscoa, à tarde, na mesma hora em que, conforme as prescrições da lei, se imolavam no templo os cordeiros. Depois da morte não lhe foram quebradas as pernas como aos outros condenados, e o evangelista vê neste fato a realização de uma prescrição ritual concernente ao cordeiro pascal (Jo 19,36; cf Ex 12,46). Em outras palavras, Jesus, o Cristo, o cordeiro da Nova Páscoa que, com sua morte, inaugura e ratifica a libertação do povo de Deus. A essa luz é lida a leitura, que fala da missão do Servo de Deus. A Igreja primitiva, muito cedo, verá os traços de Cristo nesse profeta descrito pelo Segundo-Isaías. Este texto é um trecho do segundo dos quatro cânticos de Isaias que falam do "Servo de Deus". O servo é uma figura simbólica que incorpora em si todo o destino de um povo, e que, mediante seu papel histórico, revela Deus como salvador e libertador. A função do Servo de Deus não diz respeito somente à volta e à libertação dos exilados hebreus da Babilônia, mas adquire uma dimensão ecumênica, universal. A própria libertação histórica de Israel se torna antecipação e penhor de uma salvação e uma libertação definitiva de dimensões cósmicas "até os extremos da terna". Reconhecendo no Servo de Deus, Jesus, "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo", a comunidade primitiva exprime a própria fé em Cristo libertador e salvador do mundo.

A salvação, hoje
O homem moderno parece realmente convencido de ser o dono do seu destino. Hoje há um novo modo de se pôr e viver o problema da salvação. Ao homem de hoje se oferece uma nova esperança terrena. A visão do homem passa de teocêntrica a geocêntrica e antropocêntrica: operou-se um radical deslocamento de interesses, uma autêntica revolução copernicana no universo espiritual do homem. Não se considera mais um peregrino que percorre apressadamente o vale de lágrimas deste mundo, todo voltado para a terra prometida da eternidade. Torna-se cada vez mais sedentário; substituiu a tenda movediça pela sólida casa de pedra. As únicas fronteiras que conhece são as terrestres e temporais. Uma esperança humana e terrena tomou o lugar da esperança teologal.

Uma nova missão e uma nova ação dão um sentido novo à sua vida: o da conquista gradual e irreversível do mundo. A fidelidade à terra e a preocupação com a construção da cidade terrena sobrepujaram as esperanças e preocupações escatológicas.

Uma nova confiança no homem é a base desta luta gigantesca. O homem não espera mais a salvação de fora, mas a constrói com suas próprias mãos.

Ambigüidade e desequilíbrio do nosso mundo
Mas talvez o homem esteja percebendo que foi apressado demais ao proclamar sua completa autonomia e ao pregar a morte de Deus, considerando-o supérfluo. A embriaguez do progresso tornou-o, por pouco tempo, cego diante dos permanentes desequilíbrios que existem no mundo e dos fenômenos novos, que, por sua própria novidade, preocupam. O mundo se apresenta ainda cheio de problemas não resolvidos. Solucionados alguns, permanecem outros cuja solução parece distante ou certamente impossível, enquanto surgem sempre novos problemas, criados pelo próprio progresso, pela ciência e pela técnica. Aliás, a ciência e a atividade técnica, embora buscando a salvação do homem, são apenas um dos modos de se dispor a ela, ou melhor, apresentam somente o aspecto mais primitivo, mais rudimentar e superficial da solução dos problemas humanos; restam outros problemas sobre os quais a técnica e a ciência positiva nada ou pouco têm a dizer.

Além disso, o homem percebeu às próprias custas, infelizmente, que o progresso técnico é fundamentalmente ambíguo, isto é, aberto tanto ao bem como ao mal, à salvação como à perdição do homem. A dura experiência de duas guerras mundiais, os campos de concentração, as terríveis devastações da primeira bomba atômica, o desequilíbrio produzido na ecologia, a poluição atmosférica, as obscuras e apocalípticas visões dos futurólogos, lhes propõem novamente o problema de uma "salvação" de dimensões mais vastas e profundas.
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Publicado no site: Deus Único

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