ENCONTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO

17 DE DEZEMBRO

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Liturgia Comentada da Missa da Epifania do Senhor, 08 de Janeiro 2017

Ano A - Cor: Branco

Epifania do Senhor


Primeira Leitura

Apareceu sobre ti a glória do Senhor

Leitura do Livro do Profeta Isaías 60,1-6
1 Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. 3 Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. 4Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. 5 Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; 6 será uma inundação de camelos e dromedários de Madiá e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.
Palavra do Senhor! Graças a Deus!
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Comentário

A cidade universal


Este texto é um cântico que manifesta a esperança da total restauração de Jerusalém. Deus habita na cidade santa e, de todos os lados, vêm os justos dispersos, os mercadores e os povos; o Templo é reconstruído, reina a paz, e a glória do Senhor irradia-se por todo o universo.
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Salmo 71(72),1-2.7-8.10-11.12-13       (R. cf.11)

R. As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

Dai ao Rei vossos poderes, Senhor Deus, vossa justiça ao descendente da realeza! 2 Com justiça ele governe o vosso povo, com eqüidade ele julgue os vossos pobres. (R)

7 Nos seus dias a justiça florirá e grande paz, até que a lua perca o brilho! 8 De mar a mar estenderá o seu domínio, e desde o rio até os confins de toda a terra! (R)

10 Os reis de Társis e das ilhas hão de vir e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; e também os reis de Seba e de Sabá hão de trazer-lhe oferendas e tributos. 11 Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, e todas as nações hão de servi-lo. (R)

12 Libertará o indigente que suplica, e o pobre ao qual ninguém quer ajudar 13 Terá pena do indigente e do infeliz, e a vida dos humildes salvará. (R)
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Comentário

A autoridade que o povo quer
Oração pelo rei, lembrando a função da autoridade e desejando que o rei a realize

É função da autoridade realizar a justiça e implantar o direito, para que haja paz. Mas, o que é a justiça? É defender a causa dos pobres contra os opressores. Segundo a Bíblia, portanto, o exercício da autoridade deve espelhar a ação do próprio Deus, que liberta o pobre e o fraco, derrotando seus exploradores e opressores. Quando a autoridade é justa, o povo deseja que ela permaneça para sempre e estenda sempre mais a sua ação. O desejo se amplia para a esfera internacional: que também as autoridades de outras nações obedeçam a Deus, trazendo-lhe tributos e presentes. Para ela fica mais rica e poderosa? Não! Simplesmente porque ela, sendo justa, vai partilhar o poder e a riqueza, criando um reino de fraternidade, onde todos podem ter vida.
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Segunda Leitura

Agora foi-nos revelado que os pagãos são co-herdeiros das promessas
Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios          3,2-3a.5-6

Irmãos: 2 Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, 3a e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. 5 Este mistério Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: 6os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.
Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário

Paulo e o mistério de Cristo

O mistério é o centro do anúncio de Paulo, e está inseparavelmente ligado à sua vocação de missionário entre os pagãos. Esse mistério é o projeto de Deus, que se realizou em Jesus Cristo e que manifesta toda a sua grandeza na Igreja, mediante o ministério de Paulo: os pagãos são chamados a pertencer ao povo de Deus.
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Aclamação ao Evangelho                  Mt 2,2
R.Aleluia, Aleluia, Aleluia.          
V.Vimos sua estrela no oriente e viemos adorar o Senhor. (R).
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Evangelho

Vimos do Oriente adorar o rei
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2,1-12

1 Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2 perguntando: "Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo". 3 Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: "Em Belém, na Judéia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6 E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo". 7 Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8 Depois os enviou a Belém, dizendo: "Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo".Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10 Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11 Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12 Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.
Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

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Comentário

Jesus, perigo ou salvação?

Com a festa da Epifania, a Igreja celebra a manifestação de Jesus ao mundo. Jesus é o Rei Salvador prometido pelas Escrituras. Sua vinda, porém, desperta reações diferentes. Aqueles que conhecem as Escrituras, em vez de se alegrarem com a realização das promessas, ficam alarmados, vendo em Jesus uma séria ameaça para o seu próprio modo de viver. Outros, apenas guiados por um sinal, procuram Jesus e o acolhem como Rei Salvador. Não basta saber quem é o Messias; é preciso seguir os sinais da história que nos encaminham para reconhecê-lo e aceitá-lo. A cena mostra o destino de Jesus: rejeitado e morto pelas autoridades do seu próprio povo, é aceito pelos pagãos. Nas narrativas da infância de Jesus, em Mateus, Jesus recém-nascido já aparece para o mundo representado pelos magos do Oriente. No Evangelho de Lucas (2,8-20), quem vai adorar o recém-nascido são os humildes pastores. A narrativa de Mateus, com a adoração dos magos, é feita no estilo do "midraxe" judaico. É uma reconstrução literária de episódios bíblicos antigos, retratados de acordo com o tempo do narrador. Mateus narra a visita dos magos no sentido de associar o nascimento de Jesus a uma profecia de Isaías (primeira leitura), em que as várias nações pagãs trarão tesouros, ouro e incenso, ao Templo de Jerusalém. Mateus apresenta Jesus como a luz e a glória de Deus para o povo de Israel, sendo a ele que os povos se dirigem em adoração, em uma perspectiva universalista (segunda leitura). A menção da estrela que guia os magos é uma alusão à estrela de Jacó (Nm 24,17) que, depois, se transformou na estrela de Davi, com seis pontas e doze lados, associando Jesus ao messianismo davídico. Assim também se dá com o nascimento em Belém, cidade tida como a terra de origem de Davi. Todos estes acentos messiânicos Mateus os fazia para convencer sua comunidade de cristãos originários do judaísmo que em Jesus se realizavam as expectativas messiânicas. Além do mais, a narrativa abre espaço para acentuar a crueldade do rei Herodes, com o episódio da matança das crianças de Belém. Do ponto de vista histórico, Jesus manifesta-se ao mundo a partir do início de seu ministério, o que se dá com o seu batismo por João Batista. Com o anúncio da chegada do Reino dos Céus, Jesus revela Deus como Deus do amor para todos os povos, sem exclusões. O encontro com Deus se dá no desapego da riqueza e do poder, e em toda ação a favor da vida e da paz.
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Oração


Espírito que guia para Jesus, conduze-me, cada dia, para aquele que dá sentido à minha vida, porque ele é o único digno de meu louvor e minha adoração.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA

Na Igreja Cristo se revela a todos os povos

Entre todas as orientações que o Concílio Vaticano II encaminhou ou pôs em relevo, uma das mais importantes e significativas é o apelo à unidade fundamental da família humana (cf, por ex., GS 24; 26; 27).

Visando ao universalismo

A humanidade tende a um universalismo até agora nunca atingido e que produzirá um novo tipo de homem, cuja cultura não será mais limitado à da sua civilização e cujos meios técnicos serão patrimônio de todos. Este dinamismo impressionante é tão característico da esperança contemporânea, que os que manifestam exclusivismo racial, nacional ou cultural são considerados ultrapassados.

Mas de que meios dispõe a humanidade para atingir este sonho? Experimentam-se muitos métodos que têm certa parte de verdade e eficácia mas que acarretam muitos problemas. Convirá recorrer à força?A experiência de grandes impérios baseados universalidade do trabalho e da técnica? Mas na violência nos põe de sobreaviso contra ela. Convém confiar na consciência princípios de direito, de cultura etc., nos quais se baseia essa consciência para realizar a unificação do mundo, serão verdadeiramente os mais profundos? Não menosprezam deliberadamente um elemento irredutível, a pessoa? E o cristão? Não terá uma palavra a dizer? Segundo a Escritura, o primeiro homem que acreditou no universalismo foi Abraão, o pai das nações. Deus lhe prometeu que estas, um dia, estariam reunidas na sua descendência, e o patriarca acreditou; foi o primeiro ato de fé feito por um homem.

Os povos caminharão à tua luz

Israel recebeu a missão de reunir todos os povos na descendência de Abraão e de realizar assim a promessa do universalismo. Israel acreditou, erroneamente, poder formar essa unidade com certo numero de práticas particulares: a lei, o sábado, a circuncisão. Só a fé de Abraão teria sido capaz de reunir todos os pagãos, e os judeus não souberam desligá-la de suas práticas legais.

O anúncio de um novo povo de Deus, de dimensões universais, prefigurado e preparado no povo eleito, realiza-se plenamente em Jesus Cristo, para quem converge e que recapitula todo o plano de Deus (Ef 1,9-10). Nele, tudo o que estava dividido encontra de novo a unidade.
Convocando os magos do Oriente, Jesus começa a reunir os povos, a dar unidade à grande família humana, que se realizará plenamente quando a fé em Jesus Cristo fizer cair as barreiras existentes entre os homens, e na unidade da fé todos se sentirão filhos de Deus, igualmente redimidos e irmãos.

Este novo povo é a Igreja, comunidade dos que crêem; ela realiza e testemunha, através dos séculos, o chamado universal de todos os homens à salvação, pela obra unificadora de Cristo. É significativa a visão final do Novo Testamento (Ap 7,4-12; 15,34; 21,24-26): uma multidão de raças, povos e línguas, que saúdam a Deus, o rei das nações, e que habitarão a nova Jerusalém, onde a família humana encontrará a unidade.

Há sempre uma estrela no céu

Todo discurso sobre a "unidade”, em qualquer campo, corre facilmente o risco de ser mal compreendido. Freqüentemente se entende por unidade uma uniformidade monótona, a anulação de todas as diferenças individuais, um total nivelamento. Inaugura-se assim um sistema de simples rótulos e simples exclusão. Quem não se adapta à medida geral é rotulado como extremista, reacionário ou herege. No entanto, a diversidade e a variedade dos caracteres das nações são a riqueza da humanidade. Também o fato de ser a Igreja una e universal não impede que possam coexistir em seu seio "diversos modos de viver a única fé. Durante muito tempo esteve a Igreja ligada ao mundo cultural ocidental e ao homem branco, a ponto de reduzir-se o cristianismo a imagens e categorias mentais tipicamente européias; mas a Igreja de Cristo não pode ser branca, negra nem amarela, como não pode ser proletária, burguesa ou capitalista; suas portas estão abertas a todos. O cristão autêntico não pode refutar aprioristicamente a novidade ou a originalidade por si mesmas, mas deve antes verificar se não são elas apenas uma nova dimensão da fé no único Cristo. Muitas experiências atuais, que às vezes escandalizam os defensores da uniformidade (não da unidade), são o sinal do vigor da vida da Igreja. Cristo nos dá o sentido de tudo: Ama a Deus com todo o teu coração; amai-vos como eu vos amei (cf Mc 12,30; Jo 13,34). Aqui encontramos o sentido e a direção: essa é a estrela que devemos seguir para atingir nosso autêntico e único centro de unidade.

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Publicado no site: Deus Único

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