ENCONTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO

17 DE DEZEMBRO

sábado, 24 de dezembro de 2016

Liturgia comentada, 31 de Dezembro de 2016

 Ano A – Cor: Branco - Sábado

7o. Dia na Oitava do Natal do Senhor

São Silvestre I, papa

Primeira Leitura

Vós já recebestes a unção do Santo, e todos tendes conhecimento
Leitura da Primeira Carta de São João 2,18-21
18 Filhinhos, esta é a última hora. Ouvistes dizer que o anticristo virá. Com efeito, muitos anticristos já apareceram. Por isso, sabemos que chegou a última hora. 19 Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos, pois se fossem realmente dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas era necessário ficar claro que nem todos são dos nossos. 20 Vós já recebestes a unção do santo, e todos tendes conhecimento. 21 Se eu vos escrevi, não é porque ignorais a verdade, mas porque a conheceis, e porque nenhuma mentira provém da verdade.  Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Permaneça dentro de vós aquilo que ouvistes desde o princípio


A revelação cristã mostra que a salvação é o dom da vida que o Pai concede aos homens através de Jesus. Anticristos são aqueles que rejeitam Jesus como Cristo, isto é, como Messias e Salvador; desse modo, rejeitam também o Pai e, portanto, a própria vida. Cristãos verdadeiros são aqueles que aceitam Jesus como Salvador, e assim recebem a vida que vem do Pai. Jesus tinha anunciado que nos fins dos tempos (período que vai da ressurreição de Jesus até o final da história) apareceriam anticristos, que procurariam desviar os fiéis (cf. Mc 13,22). Os cristãos, porém, não devem temer, porque receberam a unção do Espírito que mantém sempre viva neles a memória de Jesus e ensina os cristãos a encarnar Jesus Cristo em qualquer tempo e lugar (cf. Jo 14,14-17). A comunidade cristã, portanto, é carismática:seus membros receberam o Espírito que lhes ensina tudo sobre Jesus, e por isso eles não precisam depender de mediadores externos. O apóstolo adverte os discípulos contra os falsos doutores, por ele comparados aos “anticristos". Jesus admoestara a que fugíssemos dos "falsos profetas" (Mt 24,23-24), opostos à mensagem de Cristo, que a Igreja encontraria através dos séculos. O aspecto mais doloroso é que muitos de tais adversários saem das fileiras dos crentes (versículo 19); algum era talvez sacerdote, religioso, teólogo, e tornou-se estranho ou abertamente inimigo. A pertença à Igreja é um mistério que nenhum laço externo pode garantir, mas só a fidelidade a Deus na humildade e constante procura da verdade. Quem recusa a Igreja, recusa a Cristo, vive nas trevas e na mentira. O cristão, consagrado pela unção recebida do Santo" (versículo 20) no batismo e na crisma, deixa-se, porém, guiar suavemente pelo "Espírito de verdade", que vive e age nele por meio de Jesus Cristo.
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Salmo Responsorial    -    Sl 95(96),1-2.11-12.13      (R. 11a)

R. O céu se rejubile e exulte a terra!
Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! 2 Cantai e bendizei seu santo nome! Dia após dia anunciai sua salvação.   (R)

11 O céu se rejubile e exulte a terra, aplauda o mar com o que vive em suas águas; 12 os campos com seus frutos rejubilem e exultem as florestas e as matas.  (R)

13 Na presença do Senhor, pois ele vem, porque vem para julgar a terra inteira. Governará o mundo todo com justiça, e os povos julgará com lealdade.   (R)
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Comentário

Deus vem para governar a terra
Hino à realeza de Deus, que vem para estabelecer o seu Reino de justiça

Este salmo é um louvor a Deus, proclamando a sua vitória sobre os ídolos das nações. A função do povo de Deus é testemunhar na história, através do louvor e da ação, o Deus vivo que derrota os ídolos. A proclamação central deste louvor é a realeza de Deus, soberano do universo e da história. Toda a comunidade é convidada a participar do louvor com que o povo aclama seu Deus. Sua realeza se estabelece na história à medida que a justiça triunfa sobre a injustiça. Em cada luta pela justiça, é o próprio Deus quem está vindo para reinar. Coloquemos nossa vida nas mãos de Deus, mas, sempre fazendo a nossa parte e vivendo de acordo com a vontade Dele, com certeza nos cobrirá de graças e bênçãos.
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Aclamação ao Evangelho                        Jo 1,14a.12a

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. A Palavra se fez carne, entre nós ela habitou; e todos que a acolheram, de Deus filhos se tornaram.     (R)
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Evangelho

E a Palavra se fez carne

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João         

1,1-18


1 No princípio era a palavra, e a palavra estava com Deus; e a palavra era Deus. 2 No princípio estava ela com Deus. 3 Tudo foi feito por ela e sem ela nada se fez de tudo que foi feito. 4 Nela estava a vida, e a vida era a luz dos homens. 5 E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la. 6 Surgiu um homem enviado por Deus; seu nome era João. 7 Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, para que todos chegassem à fé por meio dele. 8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz: 9 daquele que era a luz de verdade, que, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano. 10 A palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo não quis conhecê-la. 11 Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram. 12 Mas, a todos que a receberam, deu-lhes capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, 13 pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do varão, mas de Deus mesmo. 14 E a palavra se fez carne e habitou entre nós. E nós contemplamos a sua glória, glória que recebe do Pai como filho unigênito, cheio de graça e de verdade. 15 Dele, João dá testemunho, clamando: "Este é aquele de quem eu disse: O que vem depois de mim passou à minha frente, porque ele existia antes de mim. 16 De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. 17 Pois por meio de Moisés foi dada a lei, mas a graça e a verdade nos chegaram através de Jesus Cristo. 18 A Deus, ninguém jamais viu. Mas o unigênito de Deus, que está na intimidade do Pai, ele no-lo deu a conhecer.”   Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
Nós vimos a sua glória

O Prólogo de João lembra a introdução do Gênesis (1,1-31; 2,1-4a). No começo, antes da criação, o Filho de Deus já existia em Deus, voltado para o Pai: estava em Deus, como a Expressão de Deus, eterna e invisível. O Filho é a imagem do Pai, e o Pai se vê totalmente no Filho, ambos num eterno diálogo e mútua comunicação. A Palavra é a Sabedoria de Deus vislumbrada nas maravilhas do mundo e no desenrolar da história, de modo que, em todos os tempos, os homens sempre tiveram e têm algum conhecimento dela. Jesus, Palavra de Deus, é a luz que ilumina a consciência de todo homem. Mas, para onde nos conduziria essa luz? A Bíblia toda afirma que Deus é amor e fidelidade. Levado pelo seu imenso amor e sendo fiel às suas promessas, Deus quis introduzir os homens lá onde jamais teriam pensado: partilhar a própria vida e felicidade de Deus. E para isso a Palavra se fez homem e veio à sua própria casa, neste seu mundo. A humanidade já não está condenada a caminhar cegamente, guiando-se por pequenas luzes no meio das trevas, por pequenas manifestações de Deus, mas pelo próprio Jesus. Manisfestação total de Deus. Com efeito, Jesus Cristo, que é a luz, veio para tornar filhos de Deus todos os homens. Um só é o Filho, porém, todos podem tornar-se bem mais do que filhos adotivos: nascem de Deus. Deus tinha dado uma lei por meio de Moisés. E todos os judeus achavam que essa lei era o maior presente de Deus. Na realidade, era bem mais o que Deus tinha reservado para todos. Porque Jesus, o Deus Filho, o verdadeiro e total Dom do Pai, é o único que pode falar de Deus Pai, porque comunica o amor e a fidelidade do Deus que dá a vida aos homens. Pouco a pouco, a comunidade cristã foi compreendendo a verdadeira identidade de Jesus. Até então, na história da salvação, ninguém havia se apresentado como Messias Filho de Deus. Na verdade, os reis de Israel eram considerados filhos de Deus. Entretanto, jamais alguém havia manifestado tal proximidade com Deus, no falar e no agir, como acontecia com Jesus. Ninguém havia chamado Deus de Pai, servindo-se de um termo familiar, Abba, usado pelas crianças para se referirem a seus genitores. Ninguém se apresentara com o poder de perdoar pecados, restituir a vida aos mortos e enfermos, libertar as pessoas da opressão do demônio. Ninguém, como Jesus, mostrava-se livre diante da Lei e das tradições religiosas. Na raiz da ação de Jesus, estava sua condição divina. Esta conferia-lhe a liberdade para não se submeter ao legalismo religioso da época, muitas vezes incapaz de levar as pessoas a uma real experiência de Deus; levava-o a desbaratar as forças do anti-Reino, por cuja ação os indivíduos se tornavam cativos do mal e do pecado; dava-lhe um coração misericordioso, como o de Deus, para amar os pecadores e abrir-lhes os caminhos da salvação; tornava-o sensível e solícito aos sofrimentos da humanidade. Nestas ações humanas de Jesus, resplandecia sua glória de Filho de Deus. Uma mulher deu à luz o Filho de Deus concebido em seu ventre. É a Palavra de Deus, pela qual tudo foi feito, que se fez carne e veio morar entre nós. Deus se fez humano para tornar divinos os humanos. Jesus, Filho de Maria, Filho de Deus, carne da nossa carne, divino, é a luz do mundo que a todos ilumina. Vivemos este tempo de alegria por termos Jesus entre nós, tudo renovando. Findo o ano, esperamos construir um ano novo. Os povos, solidários, clamam contra os idólatras do dinheiro e criminosos de guerra. Está em gestação o mundo novo possível, sem exclusões, na fraternidade universal, na partilha, na compaixão e na paz.
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Oração

Pai, em teu Filho Jesus tu te fazes presente no meio de nós. Que eu saiba reconhecer-te e acolher-te na fragilidade humana do Verbo encarnado. Que eu veja tua glória de Filho de Deus resplandecer em teus gestos misericordiosos em favor da humanidade.
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Publicado no site:Deus Único


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