MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Liturgia comentada do 4º Domingo do Advento, 18 de Dezembro 2016

Ano - Cor: Roxo

Primeira Leitura

Eis que uma virgem conceberá

Leitura do Livro do Profeta Isaías               7,10-14

Naqueles dias, 10 o Senhor falou com Acaz, dizendo: 11 "Pede ao Senhor teu Deus que te faça ver um sinal, quer provenha da profundeza da terra, quer venha das alturas do céu". 12 Mas Acaz respondeu: "Não pedirei nem tentarei o Senhor". 13 Disse o profeta: "Ouvi então, vós, casa de Davi; será que achais pouco incomodar os homens e passais a incomodar até o meu Deus? 14Pois bem, o próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel". Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

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Comentário
Eis que eu venho, ó Deus, para fazer a tua vontade

O sinal prometido a Acaz é o seu próprio filho, do qual a rainha (a jovem) está grávida. Esse menino que está para nascer é o sinal de que Deus permanece no meio do seu povo (Emanuel = Deus conosco). Mt 1,23 vê na jovem a figura da Virgem Maria, e no Filho, a pessoa de Jesus. "A vontade do Pai jamais foi a morte do seu Filho. Tal atitude seria própria de um Deus sanguinário, que só se aplacaria com o sangue de um ente querido. Nem se trata da obediência à lei, porque esta já caducou. Na realidade, o desígnio de Deus foi tornar seu próprio Filho participante da condição humana, com todo aquele amor necessário para que tal condição fosse transfigurada. Ora, a existência humana supõe a morte, e o Pai não a excluiu da sorte de seu Filho, a fim de que sua fidelidade à condição de homem só tivesse como limite sua fidelidade ao amor do Pai. Com algumas variantes introduzidas no salmo ("um corpo me preparastes', diz Jesus, "ao entrar no mundo" com a encarnação), o autor insere nas relações trinitárias e preexistentes à encarnação a intenção sacrifical de Cristo... que a cruz fez apenas selar". Em Jesus não há dissociação entre rito e vida; sua morte é sacrifício espiritual, porque é dom total de si na liberdade e no amor.
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Salmo Responsorial  -  Sl 23(24),1-2.3-4ab.5-6    (R.7c.10b)
R. O rei da glória é o Senhor onipotente; abri as portas para que ele possa entrar!  (R)
1 Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; 2 porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável. (R)
3 “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” 4a Quem tem mãos puras e inocente coração, 4b quem não dirige sua mente para o crime. (R)
5 Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e Salvador”. 6 “É assim a geração dos que o procuram, e do Deus de Israel buscam a face”. (R)
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Comentário
O Rei da glória
Procissão que termina com diálogo litúrgico na porta de Jerusalém, para celebrar a conquista da cidade (cf. 2Sm 5,6-10). A presença de Deus é simbolizada pela Arca da Aliança
Talvez um cântico durante a procissão. Pergunta e resposta sobre as condições para entrar na cidade de Deus. O mundo e tudo o que nele contém foi criado por Deus, inclusive nós, fomos criados a sua imagem e semelhança. Mas, para participarmos destas maravilhas criadas por Ele, temos que seguir o seu projeto de vida para todos nós, vivermos em comunidade, ajudando aos mais necessitados e oprimidos. Só assim seremos dignos do teu Reino. Se assim agirmos, com certeza, Ele nos cobrirá de graças e bênçãos.
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Segunda Leitura
Jesus Cristo, descendente de Davi, Filho de Deus
Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos               1,1-7
1 Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por vocação, escolhido para o evangelho de Deus, que pelos profetas havia prometido, nas escrituras, 3 e que diz respeito a seu Filho, descendente de Davi segundo a carne, autenticado como Filho de Deus com poder, pelo Espírito de santidade 4 que o ressuscitou dos mortos, Jesus Cristo, nosso Senhor. 5 É por Ele que recebemos a graça da vocação para o apostolado, a fim de podermos trazer à obediência da fé todos os povos pagãos, para a glória de seu nome. 6 Entre esses povos estais também vós, chamados a ser discípulos de Jesus Cristo. 7 A vós todos que morais em Roma, amados de Deus e santos por vocação, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de nosso Senhor, Jesus Cristo.  Palavra do Senhor!- Graças à Deus!
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Comentário
Por Jesus Cristo recebemos a graça da vocação para o apostolado
Paulo ainda não conhece os cristãos de Roma. Por isso, apresenta-se com todos os seus títulos: servo, apóstolo e escolhido. Sua missão é anunciar o Evangelho, isto é, a Boa Notícia que Deus revela ao mundo, enviando Jesus Cristo para libertar os homens e instaurar o seu Reino. O centro desse Evangelho é, portanto, a pessoa de Jesus na sua vida terrena, morte e ressurreição, que o constituem Senhor do mundo e da história. A originalidade da missão de Paulo é conduzir os pagãos à obediência da fé, ou seja, a uma submissão livre, que os faz viver de acordo com a vontade de Deus, manifestada em Jesus Cristo.  Impossível separar a pessoa da missão de Paulo. A consciência da missão alimenta sua poderosa e incessante inventividade. Cada um de nós é um projeto de Deus em desenvolvimento. Deus continua a criar-nos na densa trama de nossas ações e do agir dos outros. Para nossa vida há um projeto que Deus abrange num só olhar, mas que ocuparia muitos arquivos nossos. É uma promessa que supera toda a nossa esperança e está muito acima de nossos horizontes. Eis toda a espiritualidade cristã: entrar ativamente nesse projeto de Deus.
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Aclamação ao Evangelho                 Mt 1,23
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Chamar-se-á Emanuel que significa: Deus conosco.     (R)
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Evangelho
Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José, filho de Davi
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus       1,18-24

18 A origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo. 19 José, seu marido, era justo e, não querendo denunciá-la, resolveu abandonar Maria, em segredo. 20 Enquanto José pensava nisso, eis que o anjo do Senhor apareceu-lhe, em sonho, e lhe disse: "José, filho de Davi, não tenhas medo de receber Maria como tua esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo. 21 Ela dará à luz um filho, e tu lhe darás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados". 22 Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta: 23 "Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco". 24 Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor havia mandado e aceitou sua esposa. Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
Anúncio a José
Jesus não é apenas filho da história dos homens. É o próprio Filho de Deus, o Deus que está conosco. Ele inicia nova história, em que os homens serão salvos (Jesus = Deus salva) de tudo o que diminui ou destrói a vida e a liberdade (os pecados). O relato mostra com toda a clareza que a maternidade de Maria não é obra de José, mas do Espírito Santo, fato que é afirmado duas vezes no breve relato. José, interpelado enfaticamente como "Filho de Davi", garante a linhagem dinástica de Jesus, que receberá esse título. Celebraram-se, segundo o costume, os esposais, não o casamento, e não há coabitação precedendo o nascimento. Aqui se diz que José era "honrado". O termo poderia significar que era "inocente" no assunto que começava a se manifestar, mas que não queria repudiá-la. "Privadamente" com o mínimo de testemunhas, sem processo ou ação pública. A visão em sonhos recorda os sonhos de outro José e os supera. O menino será realmente "filho" de Maria. Se José impõe o nome é porque age como pai legal. O nome do menino (o mesmo que Josué é parecido com Oséias) enuncia e anuncia o destino: se um rei deve "salvar" seu povo, também o descendente de Davi nasce para salvar seu povo dos pecados. Salvação teológica, não política. Mateus emprega o sonho como meio de revelação fidedigna. São José legou a Jesus a descendência de Davi. Jesus pôde, portanto, reivindicar este título messiânico prenunciado pela Eucaristia. Esta função de José é posta em particular relevo pela dupla genealogia de Jesus, que os evangelistas nos deixaram (Mt 1,1-17; Lc 3,23-38). Além disso, José, o patriarca que realiza o tema bíblico dos "sonhos" (Mt 1,20-24; 2,13-19), com os quais Deus frequentemente comunicou aos homens suas intenções. Como João Batista é o último dos profetas, porque aponta (Jo 1,29) aquele que as profecias anunciaram, José é o último patriarca bíblico, que recebeu o dom dos "sonhos" (Gn 28,10-20; 37,6-11). Essa semelhança com os antigos patriarcas manifesta-se, ainda mais claramente, no relato da fuga para o Egito, com a qual José refaz a viagem do antigo José, a fim de que se cumpra nele e em Jesus, seu filho, o novo êxodo (Mt 2,13-23; Os 11,1; Gn 37; 50,22-26).
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Oração
Pai, teu Filho encarnou-se para salvar a humanidade e reconduzi-la à comunhão contigo. Torna-me solícito para acolher o caminho da salvação aberto por ele.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
O Emanuel: Deus conosco
Através da pregação e da liturgia a Igreja continua a repetir ao homem que a verdadeira e definitiva salvação é um dom que o próprio Deus nos traz, vindo a nós,

O ponto central da liturgia deste domingo é a revelação desse segredo, desse mistério escondido durante séculos: a manifestação do plano salvífico que Deus preparou e realizou por amor dos homens Esse desígnio de salvação tem uma história e tem seus sinais reveladores.

O profeta anuncia um sinal que só pode ser reconhecido e acolhido na pobreza e humildade da fé. Fala do nascimento miraculoso do Emanuel, filho de uma virgem, sinal concedido por Deus ao pequeno "resto" dos fiéis que, pela fé nele, apesar dos esforços dos inimigos, serão libertados. Esse será o novo povo constituído na ordem da fé e não em virtude de privilégios nacionalistas ou de casta.
Filho de Davi, Filho de Deus
A história da salvação tem seu plano de desenvolvimento concebido na mente de Deus antes do início dos tempos, prenunciado a Adão e Eva após a queda, foi iniciado com a escolha de um homem (Abraão) e de um povo (o povo eleito); quando chegou a plenitude dos tempos foi realizado pela vinda de Cristo, o filho de Davi. Dizer que Cristo é filho de Davi quer dizer reconhecer sua pertença a Israel; lembrar uma realidade marcada pela derrota, como foi a história da dinastia davídica. Dizer que é Filho de Deus significa que a história da salvação tem agora o seu "Messias" capaz de ampliar essa história, incluindo as nações. Crer, hoje, no filho de Davi, constituído Filho de Deus, significa aceitar que a história não é estranha à construção da Igreja; é ela a linguagem que Deus quis usar para comunicar-se com os homens; ele se serve dos acontecimentos do homem, mesmo quando parecem instrumentos indóceis, como Davi e seus sucessores, para a realização do seu plano. Significa ainda crer que a missão do cristão tem uma face profundamente humana, não é desencarnada; é tecida de cultura e de história, precisamente porque Deus desceu para se encontrar com o homem em sua carne, nesta tenra.
Um Deus que pede
Nesse grande plano, a liturgia de hoje recorda a profecia de Isaias: a realização dessa promessa em seus primeiros passos, que depois da obediência de José, verão o "sim" de Maria e a encarnação do Filho de Deus. Trata-se de um plano de bondade no qual a iniciativa é sempre de Deus.

- E o Filho de Deus que vem (não um homem qualquer).
- Vem de uma Virgem, sem o concurso de um homem.
- E ele que quer estar conosco: Deus

O plano de Deus se encontra com a vontade e a colaboração humana: José e Maria. Maria é a filha e a flor de toda a humanidade, o vértice de toda atitude religiosa; José é o homem "justo" (Mt 1,19), não daquela justiça legal que quer ficar do lado da lei repudiando a noiva, nem da justiça que se recusa a causar prejuízos ao próximo, mas da justiça religiosa que o impede de se aproximar dos méritos de uma ação de Deus na vida e na vocação de seu Filho.

Um anjo intervém para dizer-lhe que Deus tem necessidade dele: é verdade que a concepção é obra do Espírito Santo, mas José deve contribuir para que o menino entre na descendência de Davi.
Um Deus de homens
O sinal do Emanuel tem sua perfeita realização em Jesus Cristo, "sacramento do encontro entre Deus e o homem", cuja presença na eucaristia e nas ações litúrgicas é o novo "sinal", oferecido aos que aceitam ter plena confiança em Deus Pai. A salvação do homem não depende, exclusivamente, de uma iniciativa soberana de Deus: o homem não deve esperá-la passivamente; Deus não salva o homem sem sua cooperação. Deus respeita o homem como respeitou a liberdade de Maria e José, mas seu dom é sempre total. Em Jesus é a onipotência divina que assume os sofrimentos de um mundo que evolui e de homens pecadores; é a onipotência divina que, em Jesus, cura os enfermos e ultrapassa os limites da nossa morte. O cristão, embora encontrando na criação o mistério da dor e do mal, reconhece também o mistério da força do amor, com o qual Deus se deixou envolver tão intimamente pelas nossas situações, assumir toda a fraqueza que nos aflige, tornando-se frágil como uma criança destinada a morrer.
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Publicado originalmente no Site: Deus Único

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