ENCONTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO

17 DE DEZEMBRO

domingo, 4 de dezembro de 2016

Liturgia Comentada do 3º Domingo do Advento, 11 de Dezembro 2016

Ano A – Cor: Roxo ou Rosa

Primeira Leitura

É o próprio Deus que vem para vos salvar

Leitura do Livro do Profeta Isaías 35,1-6a.10

1 Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e floresça como um lírio. 2 Germine e exulte de alegria e louvores. Foi-lhe dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Saron; seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus. 3 Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. 4 Dizei às pessoas deprimidas: "Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para vos salvar". 5 Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. 6a O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos. 10 Os que o Senhor salvou, voltarão para casa. Eles virão a Sião cantando louvores, com infinita alegria brilhando em seus rostos: cheios de gozo e contentamento, não mais conhecerão a dor e o pranto". Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

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Comentário

Deus dá vida ao seu povo

O contraste entre este capítulo e o anterior é evidente: enquanto as potências dominadoras são arrasadas, ao povo de Deus se reservam libertação, alegria e vida em abundância. A esperança é a característica dos que crêem, mesmo na provação, no sofrimento, no próprio pecado e na tentativa, tantas vezes falha, de melhorar, de deixar o próprio egoísmo e a própria sensualidade. O motivo profundo dessa esperança é um só: Sim, o nosso Deus vem nos salvar. Mas o Deus que quer “mudar” nossa vida não nos salvará sem nossa colaboração, por limitada que seja e cheia de defeitos. Por isso nos diz, a nós que esperamos a sua vinda: Fortalecei as mãos cansadas, arregaçai as mangas, é chegado o momento! Os efeitos da chegada de Deus ao coração dos homens são significados pela transformação de tantos motivos de sofrimento e de lágrimas em motivos de alegria. Isso é obra conjunta de Deus e do homem. Os múltiplos paraísos que o homem tenta reconstruir, triunfando da guerra, da fome, das escravidões do trabalho, são outras tantas etapas que conduzem o cristão ao paraíso querido por Deus.

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Salmo Responsorial - Sl 145(146),7.8-9a.9bc-10 (R. cf. Is 35,4)

R. Vinde, Senhor, para salvar o vosso povo!

Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

7 O Senhor é fiel para sempre, Faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos. (R)

8 O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído, o Senhor ama aquele que é justo. 9a É o Senhor quem protege o estrangeiro. (R)

9b Ele ampara a viúva e o órfão, 9c mas confunde os caminhos dos maus. 10 O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará para sempre e por todos os séculos! (R)

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Comentário

Deus é fiel aos oprimidos

Hino de louvor, proclamando a fidelidade de Deus, que fundamenta a confiança do povo

Este salmo mostra uma pessoa que convida a comunidade a louvar, confessando a sua fé. O único a merecer confiança absoluta é o Deus vivo, que se aliou com o povo. O motivo central do louvor é a fidelidade ao Deus vivo que age na história, fazendo justiça aos oprimidos e libertando os necessitados. Sua ação, porém, implica também a destruição da injustiça. É assim que se constitui o reino de Deus. Jesus fez disso o seu projeto.

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Segunda Leitura

Fortalecei vossos corações porque a vinda do Senhor está próxima

Leitura da Carta de São Tiago 5,7-10

Irmãos, 7 ficai firmes até a vinda do Senhor. Vede o agricultor: ele espera o precioso fruto da terra e fica firme até cair a chuva do outono ou da primavera. 8 Também vós, ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a vinda do Senhor está próxima. 9 Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para que não sejais julgados. Eis que o juiz está às portas. 10 Irmãos, tomai por modelo de sofrimento e firmeza os profetas, que falaram em nome do Senhor. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

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Comentário

Perseverança e paciência cristã

A fé cristã está permeada de esperança de grandes transformações. Muitas vezes, depois de uma ação prolongada e constante, o cristão pode sentir-se desanimado, ao ver que essas transformações não acontecem como se esperava. Tiago traz o exemplo do agricultor: o grão, depois de plantado, não dá sinal de vida. Mas o agricultor sabe que surgirá a planta e depois os frutos. A atitude cristã deve ser a mesma: perseverante e cheia de confiança, na certeza de que tais transformações, passo a passo, se realizarão, manifestando a vinda do Senhor.

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Aclamação ao Evangelho Is 61,1 (Lc 4,18)

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.

V. O Espírito do Senhor sobre mim fez a sua unção, enviou-me aos empobrecidos a fazer feliz proclamação! (R)

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Evangelho

És tu aquele que há de vir ou devemos esperar um outro?

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 11,2-11

Naquele tempo, 2 João estava na prisão. Quando ouviu falar das obras de Cristo, enviou-lhe alguns discípulos, para lhe perguntarem: 3 "És tu, aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro?" 4 Jesus respondeu-lhes: "Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: 5 os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. 6 Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!" 7 Os discípulos de João partiram, e Jesus começou a falar às multidões, sobre João: "O que fostes ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento? 8 O que fostes ver? Um homem vestido com roupas finas? Mas os que vestem roupas finas estão nos palácios dos reis. 9 Então, o que fostes ver? Um profeta? Sim, eu vos afirmo, e alguém que é mais do que profeta. 10 É dele que está escrito: 'Eis que envio o meu mensageiro à tua frente; ele vai preparar o teu caminho diante de ti'. 11 Em verdade vos digo, de todos os homens que já nasceram, nenhum é maior do que João Batista. No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele".Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

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Comentário

As obras do Messias

Será que Jesus é verdadeiramente o Messias esperado? A resposta não é dada em palavras, porque o messianismo não é simples idéia ou teoria. É uma atividade concreta que realiza ou que se espera da era messiânica: a libertação dos pobres e oprimidos. Nenhum homem do Antigo Testamento é maior do que João Batista. Entretanto, João pertence ao Antigo Testamento, onde as profecias são anunciadas, e não ao Novo Testamento, onde elas já se realizaram. O v. 12 é de difícil interpretação. Provavelmente, o evangelista quer mostrar que o Reino é vítima de violência, porque a velha estrutura injusta resiste para não ser destruída e reage violentamente. Essa violência dos que se opõem à vontade de Deus será experimentada pelo próprio Jesus em sua missão. Nas regiões periféricas da Judéia, João Batista, com seu batismo e anúncio da conversão à justiça, atraíra a si multidões tanto da Judéia como de suas vizinhanças. Tido como ameaça ao poder, tanto dos chefes religiosos do Templo de Jerusalém como dos prepostos do império romano, foi preso por Herodes. Como os antigos profetas, João sofre maus tratos. Agora, na prisão, ouvindo falar das obras de Jesus, que se fizera seu discípulo, questiona-se sobre a identidade dele. Seria Jesus o tradicional messias nacionalista, no estilo davídico, que, com poder, recuperaria a nação judaica colocando-a acima dos demais povos? Aos discípulos enviados por João, Jesus responde com os sinais dados por uma antiga profecia de Isaías. Com a menção aos cegos, paralíticos, leprosos e surdos, que são curados, e aos mortos que ressuscitam, Jesus ressalta que sua missão é resgatar a vida sobre a terra, libertando e restaurando a dignidade dos excluídos e oprimidos. Além dos sinais da vida que é recuperada, apresenta o sinal maior do anúncio da Boa-Nova libertadora. A resposta de Jesus visa abrir os olhos dos discípulos para entenderem sua missão de amor e libertação. A exaltação de João Batista, feita por Jesus, revela que João era realmente um grande profeta, dando um autêntico testemunho que atraiu a si o povo. João não é um oportunista (caniço ao vento), nem um acomodado ao sistema (roupas finas), mas um profeta que anuncia a justiça e denuncia os opressores prepotentes. Contudo, o menor no Reino dos Céus é maior do que João Batista. Esta afirmação não significa uma competição, mas sim a novidade do Reino em relação à antiga religião. Com Jesus passam a vigorar a alegria de viver, a liberdade, a comunicação, a partilha, o amor fraterno sem discriminações, construindo a felicidade e a paz, em comunhão com Deus.

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Oração

Pai, dá-me discernimento para reconhecer a condição messiânica de teu Filho Jesus, enviado para devolver a esperança ao coração da humanidade abatida pelo sofrimento.

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APROFUNDANDO NA PALAVRA

Alegrai-vos! A libertação está próxima

Alegria da volta à pátria, alegria da saúde readquirida, alegria pela liberdade reconquistada, através da qual se é reintegrado na vida civil e religiosa do povo: eis o fruto da intervenção de Deus que salva. Anunciada pelos profetas como novo êxodo, a volta do exílio é vista como um ato de poder e do amor exclusivo de Deus pelo seu povo, embora depois, na realidade, tinha favorecido apenas a um pequeno resto de deportados, e não correspondido totalmente às suas expectativas. Mas o anúncio permanece sempre válido porque voltado para um tempo em que terá seu pleno acabamento. Cristo vem como aquele que guia, em sua volta para Deus, a humanidade perdida, desanimada e extenuada. Mas essa volta se explicitará no decorrer das gerações; a libertação exige tempo e fadiga; a alegria é antes, a de quem venceu uma das etapas, o que mantém viva sua esperança de atingir a meta final.

Expectativa paciente e operosa

Por isso, é muito atual a exortação de Tiago à paciência e à perseverança. Dirige-se a seus “irmãos” (v. 7), os pobres, pedindo-lhes a paciência à espera da vinda do Senhor.

O apóstolo Tiago exige deles a paciência. Não os incita à revolta. A paciência não é resignação; é fruto do amor, é vontade de descobrir o outro e ajudá-lo de todos os modos a libertar-se do que aliena – inclusive o dinheiro. Isso exige tempo. A paciência que Tiago pede de seus irmãos, os pobres, consiste em medir os ricos com a medida do tempo que o amor emprega para amar. Que ao menos o amor tenha tempo para amar, antes que a autodestruição dos ricos e poderosos tenha terminado sua tarefa! E a paciência de quem sabe que o reino de Deus se constrói lentamente, embora os profetas o prevejam com clareza e o anunciem próximo.

E quando, como aconteceu com João Batista, há um momento de desânimo, de obscuridade e dúvida (“és tu o que há de vier ou devemos esperar outros?”), a evocação da Palavra de Deus e dos sinais que acompanharam sua presença eficaz basta para restituir a confiança. 

O processo de libertação das escravidões e condicionamentos interiores e exteriores do homem, ameaça fazer-nos perder de vista a esperança ultima, de tal modo é urgente o dever de revolucionar as estruturas desumanizantes, de conscientizar os homens e de lhes restituir a dignidade e a autonomia de pessoas. 

Por outro lado, com muita frequência, a indolência e o egoísmo dos cristãos obscurecem e debilitam o anúncio da libertação de Jesus, cujos sinais estão, hoje, na dedicação aos pobres, aos marginalizados, às minorias; na defesa dos direitos da consciência, no partilhar realmente e até o fim a sorte dos que não têm esperança.

Não há evangelização que não leve a uma libertação. O alegre anúncio do Cristo libertador só é digno de fé se seus mensageiros sabem vivenciá-lo e ser testemunhas da alegria.

Deus, fonte de alegria

Deus quer a felicidade dos homens, seu bom êxito. Os cristãos devem saber que a boa nova da salvação é uma mensagem de alegria e libertação. Os cristãos dispõem de muitos modos para comunicar a alegria que os anima, embora estejam expostos às contradições e a serem julgados absurdos por alguns; trata-se de uma alegria extraordinariamente realista e que exprime a certeza de que, apesar das dificuldades e aparentes contradições, o futuro da humanidade está sendo construído; certeza essa baseada na vitória de Cristo.

A alegria mais profunda

As alegrias mais espontâneas no homem são as provenientes das seguranças da vida cotidiana, recebidas como bênçãos de Deus: as alegrias da vindima e da colheita, as do trabalho ou do merecido repouso, a de uma refeição fraterna, a de uma família unida, a do amor, de um nascimento; tanto as alegrias ruidosas das festas como as alegrias íntimas do coração. Mas existe uma alegria ainda mais profunda: a daqueles que se fazem pobres diante de Deus e tudo esperam dele e da fidelidade à sua lei. Nada pode, então, diminuir essa alegria, nem mesmo a provação. A alegria de Deus é força. A alegria da Igreja (do cristão) em sua condição terrestre é a alegria própria do tempo de construção.

A celebração eucaristia, em torno das duas mesas, a da Palavra e a do Pão, constitui um dos terrenos privilegiados em que se deve comunicar e experimentar, de certo modo, a verdadeira alegria.
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Publicado no site: Deus Único

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