MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Liturgia comentada do 33º Domingo Comum

Ano C – Cor: Verde

Primeira Leitura

Nascerá para vós o sol da justiça

Leitura do Livro de Malaquias                         3,19-20a

19 Eis que virá o dia, abrasador como fornalha, em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los, diz o Senhor dos exércitos, tal que não lhes deixará raiz nem ramo. 20a Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas". Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
Eis que virá o dia, abrasador como fornalha

Este texto nos mostra que Deus fará justiça. O importante é que os justos permanecem fiéis, porque é através deles que Deus vencerá a injustiça. Só vale a pena viver por aquilo que permanece. Que permanecerá de hoje, deste nosso momento? Chega o tempo das situações claras, em que não se poderá acreditar em ninguém. Cada coisa será chamada por seu nome, acima das aparências. É o tempo da verdade, o tempo de Deus, portanto, o “dia do Senhor”, em que “voltaremos a distinguir um justo de um ímpio”. Mostrar-se-á finalmente com clareza a contextura de nossa sociedade, no bem e no mal. É a leitura justa da crônica do dia. Como uma radiografia, que mostra o essencial, o que ficará. Podemos antecipá-la, pelo menos em parte lendo os acontecimentos à luz do “sol de justiça”, Deus. Só ele – e o que está nele – permanece.
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Salmo Responsorial  -  Sl 97(98),5-6.7-8.9a-9bc     (R. cf. 9)
R. O Senhor virá julgar a terra inteira; com justiça julgará.
5 Cantai salmos ao Senhor ao som da harpa e da citara suave! 6Aclamai, com os clarins e as trombetas, ao Senhor, o nosso rei!  (R)

7 Aplauda o mar com todo ser que nele vive, o mundo inteiro e toda gente! 8 As montanhas e os rios batam palmas e exultem de alegria.   (R)

9a Exultem na presença do Senhor, pois ele vem, vem julgar a terra inteira. 9b Julgará o universo com justiça 9c e as nações com equidade.   (R)
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Comentário
A vitória de Deus é justa
Hino à realeza de Deus, celebrando sua vitória
A vitória de Deus se revela no seu projeto, feito para todas as nações. Trata-se de uma vitória justa, porque salva os pobres e oprimidos. O louvor é uma forma de revelar a realeza de Deus para o mundo inteiro. Essa revelação é fonte de alegria e esperança, porque em cada intervenção histórica Deus funda a justiça e o direito, implantando o seu Reino.
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Segunda Leitura
Quem não quer trabalhar, também não deve comer
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonisenses       3,7-12  
Irmãos, 7 bem sabeis como deveis seguir o nosso exemplo, pois não temos vivido entre vós na ociosidade. 8 De ninguém recebemos de graça o pão que comemos. Pelo contrário, trabalhamos com esforço e cansaço, de dia e de noite, para não sermos pesados a ninguém. 9 Não que não tivéssemos o direito de fazê-lo, mas queríamos apresentar-nos como exemplo a ser imitado. 10 Com efeito, quando estávamos entre vós, demos esta regra: "Quem não quer trabalhar, também não deve comer". 11 Ora, ouvimos dizer que entre vós há alguns que vivem à toa, muito ocupados em não fazer nada. 12 Em nome do Senhor Jesus Cristo, ordenamos e exortamos a estas pessoas que, trabalhando, comam na tranquilidade o seu próprio pão. Palavra do Senhor! Graças à Deus!
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Comentário
Quem não quer trabalhar, não coma
Com seu exemplo, Paulo mostra que um pregador ou agente de pastoral em casos excepcionais pode ser liberado pela comunidade e ser sustentado por ela. Mas, insiste: em situações normais, os responsáveis devem viver do próprio trabalho, para se dedicarem gratuitamente ao serviço do Evangelho. O Apóstolo caracteriza os “beatos” da comunidade: vivem à custa dela e são peritos em perturbar os outros. As tensões normais que poderiam facilmente ser superada, se agravam por causa desses “fofoqueiros espirituais”.
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Aclamação ao Evangelho                   Lc 21,18
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Levantai vossa cabeça e olhai, pois, a vossa redenção se aproxima!    (R)
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Evangelho
É permanecendo firmes na fé que ireis ganhar a vida!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas     21,5-19
Naquele tempo, 5 algumas pessoas comentavam a respeito do templo que era enfeitado com belas pedras e com ofertas votivas. Jesus disse: 6 "Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído". 7 Mas eles perguntaram: "Mestre, quando acontecerá isto? E qual vai ser o sinal de que estas coisas estão para acontecer?" 8 Jesus respondeu: "Cuidado para não serdes enganados, porque muitos virão em meu nome, dizendo: 'Sou eu' e ainda: 'O tempo está próximo'. Não sigais essa gente! 9 Quando ouvirdes falar de guerras e revoluções, não fiqueis apavorados. E preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim". 10 E Jesus continuou: "Um povo se levantará contra outro povo, um país atacará outro país. 11Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em muitos lugares; acontecerão coisas pavorosas e grandes sinais serão vistos no céu. 12 Antes, porém, que estas coisas aconteçam, sereis presos e perseguidos; sereis entregues às sinagogas e postos na prisão; sereis levados diante de reis e governadores por causa do meu nome. 13 Esta será a ocasião em que testemunhareis a vossa fé. 14Fazei o firme propósito de não planejar com antecedência a própria defesa; 15 porque eu vos darei palavras tão acertadas, que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater. 16 Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. 17 Todos vos odiarão por causa do meu nome. 18 Mas vós não perdereis um só fio de cabelo da vossa cabeça. 19 É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!"  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
É permanecendo firmes na fé que ireis ganhar a vida!
Jesus anuncia a destruição do Templo de Jerusalém, acontecida no ano 70, e as batalhas que se verificaram entre os anos de 66 a 70. O Templo era o símbolo da relação de Deus com povo escolhido. Jesus salienta que o fim de uma instituição não significa o fim do mundo e nem o fim da relação entre Deus e os homens. A relação entre Deus e os homens continua através dos discípulos, que devem prosseguir a missão de Jesus pelo testemunho. Contudo, assim como Jesus encontrou resistência, também eles: serão perseguidos, presos, torturados, julgados e até mesmo mortos por continuarem a ação de Jesus. Mas não devem ficar preocupados com a própria defesa. O importante é a coragem de permanecer firmes até o fim.O texto deste evangelho é parte do "discurso escatológico", sobre o fim dos tempos, reproduzido pelos três evangelistas sinóticos. Este discurso introduz a narrativa da Paixão, que é uma tradição com características próprias, que circulava entre as primeiras comunidades. A fala de Jesus é motivada pela admiração que a grandiosidade do Templo causava nas pessoas. Todo poder tem como arma a ostentação de riqueza. A ostentação do Templo levava as pessoas a admirarem, se curvarem e se submeterem. Porém, toda ostentação será destruída, pedra por pedra, torre por torre. Jesus já denunciara que o Templo de Jerusalém tornara-se um antro de ladrões. A palavra de Jesus sobre a destruição do Templo, além de sua associação a um fato histórico acontecido, tem o sentido do abandono da antiga doutrina emanada do Templo para dar lugar à novidade de Jesus. Em continuidade ao anúncio da destruição do Templo, Jesus fala sobre as perseguições que os discípulos sofrerão. Estas advertências, no evangelho de Mateus, estão inseridas na fala de Jesus ao fazer o envio missionário. As provações dos discípulos de Jesus têm um alcance escatológico, isto é, anteciparão não só a destruição de Jerusalém, mas também a própria Parusia. Os discípulos serão perseguidos, tanto pelas sinagogas judaicas, como por reis e governadores gentios. O testemunho, nas perseguições e diante dos tribunais, não é resultado da eloquência, mas, sim, do abandono confiante nas mãos de Deus. É o próprio Jesus é que dá ao discípulo as palavras adequadas a serem proferidas diante dos tribunais. Lucas tinha em mente o testemunho de Estevão e outros mártires. As comunidades dos discípulos, comprometidas com a missão, ao longo da história, têm vivido sob as diversas provações impostas pelos poderosos. A perseverança nas tribulações, suportadas em nome de Jesus, é o caminho para a vida.
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Oração
Pai, teu Filho Jesus é sinal de tua presença no meio da humanidade. Que eu saiba acolhê-lo como manifestação de tua misericórdia, e só nele colocar toda a minha segurança. Dá-me uma fé profunda que me possibilite perseverar nos momentos de dificuldade, sem abrir mão da tarefa que recebi: levar adiante o projeto de Jesus.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
O Reino está entre nós, mas ainda não se completou
Nosso Deus é o Deus de amor. Não pode salvar o homem sem ele; por isso, faz aliança com seu povo; a salvação é o encontro de duas fidelidades. Mas se Deus é fiel, o povo não o é. Sob a ação dos profetas nasce a esperança e a expectativa de um homem que finalmente saberá dar a Deus uma fidelidade absoluta e incondicional: o Messias. Quando ele vier, Deus concederá ao seu povo a plenitude prometida. Uma promessa de vida tal que nada mais haverá de comum entre o mundo presente e o novo paraíso. Uma nova tenra, novos céus. Um coração novo tornará homem sensível a ação do Espírito.
Um Messias que decepciona
No discurso escatológico, Jesus explica o significado da sua intervenção messiânica, usando o vocabulário e os temas da literatura apocalíptica, linguagem difícil para nós. A intervenção histórica do Filho do homem inaugura os últimos tempos. A plenitude de vida é concedida. A obra do Messias tem o cunho do universalismo. Ele deve reunir todos os homens dos quatro pontos da terra, porque todos são chamados a ser filhos do Pai. Jerusalém é condenada porque traiu sua missão, transformando em privilégio para si o serviço a ser prestado a todos os povos; não renunciou a seu particularismo.

O reino do Filho do homem não é o triunfo sobre os inimigos do povo, mas seu caminho de obediência até a morte de cruz. O caminho para chegar à plenitude desejada é diferente do que o povo esperava; é necessário passar pela morte para entrar na vida eterna; porque a morte, aceita por obediência, pode ser neste mundo a realidade onde se consuma e se realiza o maior amor por Deus e por todos os homens.
Uma mediação decisiva
Intervindo na história de modo diferente da expectativa do povo, Jesus de Nazaré não traz uma plenitude totalmente pronta. Não é uma intervenção mágica que desresponsabiliza o homem. É verdade que chegou a plenitude prometida, mas espera ser completada. É um dom, mas simultaneamente uma conquista. A plenitude verdadeiramente última será também o encontro de duas fidelidades.
O "tempo da Igreja"
Depois da ressurreição de Cristo, a reunião da humanidade inteira numa comunhão de amor com Deus se faz gradualmente, e o mundo entra numa fase decisiva de seu crescimento, em vista da recapitulação universal em Jesus Cristo. No centro deste dinamismo, a Igreja tem uma parte essencial, enquanto é o corpo de Cristo. E, como tal, deve seguir o caminho do Mestre: a morte para a vida. E deve continuamente superar também a tentação de identificar-se com o reino definitivo e de se fechar no particularismo.

Os muros de separação, que os povos e as áreas culturais não deixam de elevar entre si, são fundamentalmente o obstáculo mais grave à comunhão universal. A missão da Igreja é superar este obstáculo. O meio é o amor dos inimigos, que destrói as barreiras postas pelo homem.

Hoje mais do que nunca damo-nos conta da extraordinária amplitude da tarefa da Igreja. Além disso, pode-se medir a relação que liga, em sua distinção, a missão e a obra das civilizações. Um dos problemas fundamentais do nosso tempo é o encontro das culturas. É problema político, social, econômico, mas não somente isso. Sem o amor gratuito e universal, não se poderá chegar à solução.

"Toda a Igreja é missionária, em virtude da mesma caridade com que Deus enviou seu Filho para a salvação de todos os homens. E única é a sua missão, a de se fazer próxima de todos os homens e todos os povos, para se tornar sinal universal e instrumento eficaz da paz de Cristo".
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Publicado originalmente no site: Deus Único

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