MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

domingo, 13 de novembro de 2016

Liturgia Comentada da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, 20 de Novembro 2016

Ano C - Cor: Branco

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

Primeira Leitura

Eles ungiram Davi como rei Israel
Leitura do Segundo Livro de Samuel 5,1-3
Naqueles dias, 1 todas as tribos de Israel vieram encontrar-se com Davi em Hebron e disseram-lhe: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne. 2 Tempo atrás, quando Saul era nosso rei, eras tu que dirigias os negócios de Israel. E o Senhor te disse: ‘Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o seu chefe’”. 3 Vieram, pois, todos os anciãos de Israel até o rei em Hebron. O rei Davi fez com eles uma aliança em Hebron, na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel.   Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Nasce uma nação

Davi colhe finalmente o fruto maduro de todos os seus esforços: a unificação das tribos sob sua chefia. E isso realizou-se conforme ele desejava: não através da imposição, mas através do consentimento e pedido do povo. Termina aqui o Sistema das Tribos, e Israel começa a ser uma nação com regime monárquico. O pacto é uma espécie de contrato entre o rei e os representantes (anciãos) das tribos, regulando uma troca de deveres e direitos. Parte importante nesta transação é o compromisso mutuo: o povo se compromete a pagar o tributo; e o rei se compromete a defender o povo dos inimigos externos e a organizar a vida da sociedade de acordo com a justiça e o direito.
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Salmo Responsorial    -    Sl 121(122),1-2.4-5    (R. cf. 1)
R. Quanta alegria e felicidade: vamos à casa do Senhor!
Que alegria, quando ouvi que me disseram: “Vamos à casa do Senhor!” 2 E agora nossos pés já se detêm, Jerusalém, em tuas portas. (R)
4 Para lá sobem as tribos de Israel, as tribos do Senhor. Para louvar, segundo a lei de Israel, o nome do Senhor. 5 A sede da justiça lá está e o trono de Davi. (R)
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Comentário
A paz que vem da justiça
Hino a Jerusalém, canto pelos peregrinos que se dirigem à cidade para as festas
Este salmo nos mostra a alegria de caminhar para Jerusalém se fundamenta na própria vocação da humanidade: reunir-se para partilhar a liberdade e a vida. Mostra também que a cidade consistente é a que abriga o povo todo, reunindo em torno do projeto de Deus, que assegura a justiça para todos. A paz para a cidade é para todo o povo. Ela só é possível a partir do exercício da justiça.
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Segunda Leitura
Recebeu-nos no meio de seu Filho amado
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses      1,12-20
Irmãos, 12 Com alegria dai graças ao Pai, que vos tornou capazes de participar da luz, que é a herança dos santos. 13 Ele nos libertou do poder das trevas e nos recebeu no reino de seu Filho amado, 14por quem temos a redenção, o perdão dos pecados. 15 Cristo Jesus é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, 16pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 17 Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. 18 Ele é a cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, 19 porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude 20 e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.
Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
Cristo é o único mediador
Paulo pede o que é mais necessário para a situação em que os colossenses estão vivendo. A vontade de Deus se manifestou na vida e ação de Jesus Cristo, e o conhecimento dessa vontade é a sabedoria que leva os cristãos a viver com discernimento crítico diante das situações. Esse discernimento capacita-os, fortalecendo-os para resistir ativamente ao que é possível enfrentar e, passivamente, ao que é inevitável suportar. A introdução ao hino mostra como o pecado interferiu na criação, fazendo com que a obra de Cristo se tornasse redentora mediante uma nova criação. Paulo almeja à comunidade de Colossas uma só graça: conhecer plenamente a vontade de Deus, não por efêmera curiosidade intelectual, mas para pô-la em prática. A fé sem as “boas obras” (versículo 10) é, de fato, para o Apóstolo algo absurdo e contrário a Deus. O conhecimento, porém, é obra do Espírito. Consiste em “conhecer o Cristo no poder de sua ressurreição”. Tem ele o poder de transfigurar o que é obscuro e incompleto. E esse conhecimento é para o amor. A comunidade cristã procura em todas as coisas o que a faz caminhar com Deus. Descobrir antes de tudo um encontro com Deus... contemplá-lo também na face do irmão e restituir um rosto humano ao homem desfigurado. Sim, o conhecimento é para o amor. Sem amor, de que vale o conhecimento? Para animar os colossenses a permanecerem firmes na fé, Paulo cita um hino cristão, provavelmente usado na cerimônia batismal, que canta a grandeza de Cristo. Paulo se serve desse hino para criticar qualquer doutrina que apresente como necessárias outras mediações salvíficas, além da de Cristo. Cristo é o único mediador entre Deus e a criação, e só ele, mediante a cruz, é capaz de reconciliar Deus com as criaturas submetidas ao pecado. Paulo celebra no Ressuscitado a festa do universo. Cristo não só é o chefe de todos os que se aventuram com ele no caminho da libertação, mas é também o Senhor da criação, vindo para acender um fogo na terra. Este senhorio de Cristo não é alienante para o homem, porque Cristo é Senhor de uma criação coordenada e realizada pelo homem. Cada comunidade cristã que vive de Cristo ressuscitado torna-se criadora. Perseverando com o Ressuscitado, passo a passo, em luta ardente pelo homem e pela justiça, participa na caminhada do homem e da humanidade rumo àquele que foi “gerado antes de toda criatura”.
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Aclamação ao Evangelho              Mc 11,9.10           
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. É bendito aquele que vem vindo, que vem vindo, em nome do Senhor; e o Reino que vem, seja bendito, ao que vem e a seu Reino, o louvor!   (R)
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Evangelho
Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas       23,35-43
Naquele tempo, 35 os chefes zombavam de Jesus dizendo: “A outros ele salvou. Salve-se a si mesmo, se, de fato, é o Cristo de Deus, o escolhido!” 36 Os soldados também caçoavam dele; aproximavam-se, ofereciam-lhe vinagre, 37 e diziam: “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!” 38 Acima dele havia um letreiro: “Este é o rei dos judeus”. 39 Um dos malfeitores crucificados o insultava, dizendo: “Tu não és o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós!” 40 Mas o outro o repreendeu, dizendo: “Nem sequer temes a Deus, tu que sofres a mesma condenação? 41 Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal”. 42 E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. 43 Jesus lhe respondeu: “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no paraíso”.   Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
Ainda hoje estarás comigo no Paraíso
Jesus é crucificado como criminoso, entre criminosos. No momento em que tudo parece perdido, Jesus se mostra portador da salvação. Ele anunciou a salvação aos pecadores, durante a sua vida; agora, na cruz, a oferece ao criminoso. Jesus não está sozinho na cruz. Acompanham-no todos aqueles que são condenados por uma sociedade que não aceita o projeto de Deus e que clamam: “Lembra-te de nós!” Lucas coloca neste texto o episódio dos dois ladrões, como que a indicar que, para Cristo, o modo de exercer sua realeza sobre todos os homens, inclusive sobre seus inimigos, é oferecendo-lhes o perdão. Lucas é muito sensível a esta idéia em toda a narrativa da paixão, mas aqui ela chega ao máximo. Com esse perdão, Cristo se apresenta como novo Adão, aquele que pode ajudar a humanidade a reintegrar o paraíso perdido pelo primeiro homem. É preciso ainda que essa humanidade nova aceite o perdão de Deus e não se volte orgulhosamente sobre si mesma. Cristo chega ao momento de sua vida em que poderá inaugurar uma nova humanidade, libertada das alienações do pecado; oferece ao bom ladrão participar dela, porque a sua vontade de perdoar é sem limites. O reino de Cristo se manifesta sobre convertidos. Jesus tem um gesto verdadeiramente régio e assegura ao malfeitor arrependido a entrada no reino do Pai. Também diante dos adversários mais encarniçados, Jesus dirá palavras de perdão: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem". Jesus exerce, pois, e manifesta sua realeza não nas afirmações de um poder despótico, mas no serviço de um perdão que busca a reconciliação. Cristo é rei porque, perdoando e morrendo para a remissão dos pecados, cria uma nova unidade entre os homens. Quebrando a corrente do ódio, oferece a possibilidade de um novo futuro.
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Oração
Pai, a prática do amor e da justiça revele tua ação no íntimo do meu coração, transformando-me em instrumento de tua misericórdia, que eleva a humanidade decaída.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Jesus Cristo, rei do universo, Cristo, Senhor da paz e da unidade
Cristo é chamado a dirigir o povo de Deus, a ser seu condutor; sua realeza é de origem divina e tem o primado sobre tudo, porque nele o Pai pôs a plenitude de todas as coisas. O evangelho de Lucas apresenta a realeza de Jesus narrando a paródia da sua investidura como Rei dos Judeus na cruz, que lembra a outra paródia que se deu no pretório de Pilatos e narrada pelos outros evangelistas. A investidura real de Jesus se desenrola em torno da cruz, trono improvisado do novo Messias. Para tornar mais evidente essa aproximação, Lucas recorda a inscrição que encabeça a cruz (v. 38), mas sem dizer que se trata de um motivo de condenação (cf Mt 27,37). Assim, a inscrição tem o lugar da palavra de investidura, como a do Pai que investe seu Filho no batismo (Lc 3,22). Além disso, Lucas introduz aqui um episódio que se refere a outro lugar (v. 36a; cf Mt 27,48) e lhe acrescenta uma frase (v. 37b) com a qual a multidão espera que Jesus se manifeste como rei; mas ele não quer que sua realeza lhe advenha da fuga à sua sorte, e sim de sua fidelidade a ela!
Cristo, rei de reconciliação
Como em todas as coisas importantes na lei mosaica, é necessário que a entronização seja reconhecida por duas testemunhas. Mas, enquanto as testemunhas da investidura real da transfiguração são dois entre as principais personagens do Antigo Testamento (Lc 9,28-36) e as testemunhas da ressurreição são também misteriosas (Lc 24,4), as duas testemunhas da entronização no Gólgota são apenas dois vulgares bandidos. Investidura ridícula daquele que só será rei assumindo até o fim o escárnio!
Lucas coloca a seguir deste trecho o episódio dos dois ladrões, como que a indicar que, para Cristo, o modo de exercer sua realeza sobre todos os homens, inclusive sobre seus inimigos, é oferecendo-lhes o perdão (vv. 34a.39-43). Lucas é muito sensível a esta idéia em toda a narrativa da paixão, mas aqui ela chega ao máximo. Com esse perdão, Cristo se apresenta como novo Adão, aquele que pode ajudar a humanidade a reintegrar o paraíso perdido pelo primeiro homem (cf Lc 3,38). É preciso ainda que essa humanidade nova aceite o perdão de Deus e não se volte orgulhosamente sobre si mesma. Cristo chega ao momento de sua vida em que poderá inaugurar uma nova humanidade, libertada das alienações do pecado; oferece ao bom ladrão participar dela, porque a sua vontade de perdoar é sem limites. O reino de Cristo se manifesta sobre convertidos.
Cristo, rei de perdão
Os termos Rei e Messias ressoam em torno da cruz em fases zombeteiras e provocantes. Nesta situação, Jesus tem um gesto verdadeiramente régio e assegura ao malfeitor arrependido a entrada no reino do Pai. Também diante dos adversários mais encarniçados, Jesus dirá palavras de perdão: "Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem". Jesus exerce, pois, e manifesta sua realeza não nas afirmações de um poder despótico, mas no serviço de um perdão que busca a reconciliação.

Ele é o primogênito de toda a criatura, e como todas as coisas foram criadas nele, "foi do agrado de Deus reconciliar consigo todas as coisas, por meio dele, estabelecendo a paz no sangue da sua cruz". Cristo é rei porque, perdoando e morrendo para a remissão dos pecados, cria uma nova unidade entre os homens. Quebrando a corrente do ódio, oferece a possibilidade de um novo futuro.
Um rei que veio para servir
Reconhecendo que Jesus é rei, cremos que com ele Deus manifestou plenamente que a realização do homem só se pode dar pela obediência à sua vontade. Não há ação do homem que não esteja sob o juízo de Deus. Não pode haver lugar na historia sem relação com Deus por meio de Jesus.

A doutrina do senhorio de Cristo nos ensina ainda que a vida a que somos chamados é a mesma que viveu Jesus Cristo: vida de serviço aos irmãos. Vivendo-a, confessamos seu senhorio e nos tornamos, como ele, homens de paz e de reconciliação.

Na Igreja de Cristo, como em toda comunidade, o ministério (= serviço) da autoridade é dado não para a afirmação pessoal, mas em função da unidade e da caridade. Cristo, bom pastor, veio não para ser servido, mas para servir (Mt 20,28; Mc 10,45) e dar a vida pelas ovelhas (Jo 10,11).

Essas afirmações ajudam a evitar as ambiguidades inerentes ao conceito de realeza quando não compreendido no sentido da realeza de Cristo.
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Publicado originalmente no site: Deus Único

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