MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Liturgia comentada do 31º. Domingo do Tempo Comum: 30/10/2016

Ano C - Cor: Verde

Primeira Leitura

Senhor, de todos tens compaixão, porque amas tudo o que existe
Leitura do Livro da Sabedoria 11,22-12,2

22 Senhor, o mundo inteiro, diante de ti, é como um grão de areia na balança, uma gota de orvalho da manhã que cai sobre a terra.23 Entretanto, de todos tens compaixão, porque tudo podes. Fechas os olhos aos pecados dos homens, para que se arrependam.
 24Sim, amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa não a terias criado. 25 Da mesma forma, como poderia alguma coisa existir, se não a tivesse querido? Ou como poderia ser mantida, se por ti não fosse chamada? 26 A todos, porém, tu tratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor, amigo da vida. 12,1 O teu espírito incorruptível está em todas as coisas! 2 É por isso que corriges com carinho os que caem e os repreendes, lembrando-lhes seus pecados, para que se afastem do mal e creiam em ti, Senhor.
Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Consequências da idolatria
A vida do homem é determinada pelo culto à divindade que ele adora. Quem serve aos ídolos sofre as consequências destrutivas da idolatria. Estas, na verdade, são o castigo com que Deus chama a atenção dos idólatras. Ele é o único Senhor da vida, e quer que todos se convertam e encontrem o caminho para a vida.
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Salmo Responsorial  -  Sl 144(145),1-2.8-9.10-11.13cd-14    (R. cf. 1)

R. Bendirei eternamente vosso nome; para sempre, ó Senhor, o louvarei!

1 Ó meu Deus, quero exaltar-vos, ó meu Rei, e bendizer o vosso nome pelos séculos. 2 Todos os dias haverei de bendizer-vos, hei de louvar o vosso nome para sempre.   (R)

8 Misericórdia e piedade é o Senhor, ele é amor, é paciência, é compaixão. 9 O Senhor é muito bom para com todos, sua ternura abraça toda criatura.    (R)

10 Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam! 11 Narrem a glória e o esplendor do vosso reino! e saibam proclamar vosso poder!   (R)

13c O Senhor é amor fiel em sua palavra, 13d é santidade em toda obra que ele faz. 14 Ele sustenta todo aquele que vacila e levanta todo aquele que tombou.  (R)
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Comentário

Deus merece o louvor.
Hino de louvor ao Nome e ao amor de Deus, testemunhos da história.
O louvor ao Nome, revelado no momento da grande libertação, recorda que o Deus vivo é o libertador. O louvor é um reconhecimento das obras que Deus realiza na história. Transmitido de geração em geração, esse louvor mantém a fé que constrói a história segundo o projeto de Deus. O centro desse projeto é o amor de Deus criando liberdade e vida. O Reino de Deus é o amor partilhado entre todos os homens, para eliminar as divisões e desigualdades.
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Segunda Leitura

O nome de nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós nele
Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonisenses     1,11-2,2

Irmãos: 11 Não cessamos de rezar por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação. Que ele, por seu poder, realize todo o bem que desejais e torne ativa a vossa fé. 12 Assim o nome de nosso Senhor Jesus Cristo será glorificado em vós, e vós nele, em virtude da graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo. 2,1No que se refere à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa união com ele, nós vos pedimos, irmãos: 2 não deixeis tão facilmente transtornar a vossa cabeça, nem vos alarmeis por causa de alguma revelação, ou carta atribuída a nós, afirmando que o Dia do Senhor está próximo.
Palavra do Senhor! Graças à Deus!
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Comentário
O julgamento de Deus e a vinda do Senhor

Julgamento é o ato que Deus realizou em Jesus Cristo e continua a realizar através de todos aqueles que dão o testemunho de Jesus, manifestando a justiça e a vida queridas por Deus. Esse julgamento desmascara a verdade de cada um e produz separação, fazendo que cada um sofra as consequências da escolha que dirigiu sua vida e ação: os que viveram, lutaram e sofreram pela justiça e pela vida serão declarados dignos de possuir o Reino de Deus; aqueles que resistiram a Deus e ao Evangelho, preferindo a injustiça e a morte e perseguindo Jesus e suas testemunhas, serão excluídos do Reino para sempre. Em tempos de dificuldade e perseguição há sempre boatos que perturbam e assustam a comunidade cristã, afirmando que a vinda gloriosa de Jesus (parusia) está próxima, marcando o fim do mundo. Usando a mesma linguagem dos profetas e dos autores de apocalipse, Paulo desmente esses boatos, apresentando dois motivos: ainda não chegou o tempo da apostasia, isto é, na crise geral causada pelas perseguições e tribulações que levam muitos a abandonarem a fé (cf. Mt 24,12-13); e ainda não se manifestou o homem ímpio, isto é, o grande adversário de Deus e do povo fiel; esse adversário se absolutizará a ponto de se apresentar como Deus, oprimindo o povo e perseguindo os cristãos.
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Aclamação ao Evangelho Jo 3,16

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Deus o mundo tanto amou, que seu Filho entregou! Quem no Filho crê e confia, nele encontra eterna vida!    (R)
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Evangelho

O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas     19,1-10

Naquele tempo, 1 Jesus tinha entrado em Jericó e estava atravessando a cidade. 2 Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e muito rico. 3 Zaqueu procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois era muito baixo. 4 Então ele correu à frente e subiu numa figueira para ver Jesus, que devia passar por ali. 5 Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima e disse: "Zaqueu, desce depressa! Hoje eu devo ficar na tua casa". 6 Ele desceu depressa, e recebeu Jesus com alegria. 7 Ao ver isso, todos começaram a murmurar, dizendo: "Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!" 8Zaqueu ficou de pé, e disse ao Senhor: "Senhor, eu dou a metade dos meus bens aos pobres, e se defraudei alguém, vou devolver quatro vezes mais" 9 Jesus; lhe disse: "Hoje a salvação entrou nesta casa, porque também este homem é um filho de Abraão. 10Com efeito, o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido".
Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário

As etapas da salvação
Zaqueu é o exemplo para qualquer rico que deseja alcançar a salvação. Sua conversão começa com o desejo de conhecer Jesus de perto. Continua, quando se une ao povo para se encontrar com Jesus e acolhe-lo em sua própria casa. A conversão se completa quando Zaqueu se dispõe a partilhar seus bens e devolver com juros o que roubou. O encontro de Zaqueu com Jesus mostra como a conversão acontece em etapas. De certo modo, esta revela como a salvação acontece na vida de quem se torna discípulo do Reino. O primeiro passo consiste no desejo de ver Jesus. No caso de Zaqueu, o Evangelho não esclarece os motivos deste anseio. Sabemos, apenas, ter sido tão forte que nada deteve o homem até vê-lo realizado. O segundo passo exige a superação de todos os obstáculos. Para Zaqueu, um empecilho era sua baixa estatura. O problema foi resolvido: subiu numa árvore. O terceiro passo comporta deixar-se amar por Jesus, sem restrições nem desconfiança, abrindo-lhe as portas do coração. Zaqueu desceu depressa da árvore, para receber Jesus em sua casa, com alegria. O quarto passo é uma mudança radical de vida. Radical significa deixar de lado os esquemas e mentalidades antigos, para adequar-se às exigências do Reino. Isto não se faz com palavras ou com boas intenções, mas com gestos concretos. Zaqueu dispôs-se a dar metade de seus bens aos pobres e a ressarcir, quatro vezes mais, aquilo que havia roubado. Desta forma, ele provou que, realmente, a salvação tinha entrado em sua casa.
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Oração
Pai, faze-me puro de coração, como o Zaqueu convertido, tornando-me desapegado das coisas deste mundo e capaz de dividi-las com os pobres.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
A revolução no coração do homem
A primeira leitura descreve o amor de Deus por suas criaturas. "Tens compaixão de todos, porque és todo-poderoso; e te esqueces dos pecados dos homens para que se convertam. Porque amas todos os seres, não desprezas nada do que criaste".
No evangelho Jesus atualiza as palavras proféticas da Sabedoria, comunica o amor gratuito de Deus ao pecador Zaqueu. E este se converte, abre o coração e as mãos.
O encontro com Cristo abre o coração e as mãos
O gesto exterior de dar, como todo gesto humano, é, por si, ambíguo. A oferta de um homem fechado em si mesmo, que se projeta na afirmação de si, é egoísmo camuflado. A beneficência muitas vezes pode ser um modo de ocultar a exploração, ou um meio para continuá-la. No entanto o gesto de Zaqueu, que restitui o quádruplo aos que havia defraudado e dá a metade de seus bens ''aos pobres'', nasce de ''conversão'' interior, de mudança de vida, provocada pelo encontro com Jesus.
Encontrando o Amor, descobrindo que é amado, torna-se alguém capaz de encontrar os outros. Capaz de olhá-los com olhos diferentes, não mais como objetos para seu gozo, mas como pessoas a quem amar. E isto porque, finalmente, conseguiu olhar-se a si mesmo e a sua vida com os olhos daquele para o qual havia sido injusto. Então, também o dinheiro muda de direção; o gesto de extorquir é substituído pelo de dar, livre e gratuitamente. E assim o dinheiro se transforma de objeto de posse em sinal de comunhão.
Cristo evangeliza a todos
Cristo, tornando-se hóspede de Zaqueu, esclarece essa transformação e a interpreta no sentido de graça e de libertação: "Hoje entrou a salvação nesta casa”.
Cristo é verdadeiramente o evangelizador de todos, pobres e ricos. Sua preferência é pelos pobres, os últimos: "Fui enviado a anunciar aos pobres uma alegre mensagem" (Lc 4,18).
A evangelização dos ricos exploradores inclui a denúncia corajosa de sua situação e o apelo a uma conversão efetiva. Os ricos também podem tornar-se cidadãos do reino, com a condição de procederem como Zaqueu.
Uma revolução não violenta
Hoje, porem, apresenta-se um problema grave, particularmente agudo em certas zonas: que fazer quando o rico não age como Zaqueu, não se converte, quando a falta de amor de alguns cai sobre muitos sob a forma de fome, subdesenvolvimento, opressão?
Será possível amar ao mesmo tempo a vítima e o carrasco? O amor dos pobres não impõe a eliminação violenta dos exploradores? "Ora, os que, por amor dos pobres, eliminam violentamente, estarão seguros de não agir depois por uma agressividade destrutiva? Uma vez eliminados com violência os pecadores, surgirá ”automaticamente" aquela geração de santos que saibam amar?
A experiência histórica e a razão dizem que não. O homem novo, o homem capaz de amar ainda será o resultado de uma 'conversão interior'".
Esse pecado será tanto mais verdadeiro e radical quanto mais surgir em quem pecou o desgosto por aquilo que fez, simultaneamente com a visão das graves consequências de suas más ações.
O evangelho não nos dá normas sobre "como fazer justiça". Isso não quer dizer que o cristão deva acomodar-se, aceitando as situações e a sociedade tal como é Paulo VI admoesta: "A situação presente deve ser enfrentada corajosamente, devem ser combatidas e vencidas as injustiças que ela comporta. O desenvolvimento exige transformações audazes, pro­fundamente inovadoras. Devem ser empreendidas, sem tardar, reformas urgentes. Que cada um tome generosamente sua parte
Em suma, o mandamento do amor exige uma ativa e radical transformação do mundo. Mas uma coisa é afirmar uma exigência revolucionária, outra é tomar o caminho que se exprime no recurso à violência.
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Fonte: Deus Único

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