MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Liturgia comentada do 30º. Domingo do Tempo Comum: 23/10/2016

Ano C - Cor: Verde

Primeira Leitura

A prece do humilde atravessa as nuvens

Leitura do Livro do Eclesiástico        35,15b-17.20-22a

15b O Senhor é um juiz que não faz discriminação de pessoas. 16 Ele não é parcial em prejuízo do pobre, mas escuta, sim, as súplicas dos oprimidos; 17 jamais despreza a súplica do órfão, nem da viúva, quando desabafa suas mágoas. 20 Quem serve a Deus como ele o quer, será bem acolhido e suas súplicas subirão até as nuvens. 21 A prece do humilde atravessa as nuvens: enquanto não chegar não terá repouso; e não descansará até que o altíssimo intervenha, 22a peça justiça aos justos e execute o julgamento. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

---------------------------------------------------------------
Comentário


Deus ouve o clamor do pobre

A suprema audácia dos mantenedores de uma estrutura social injusta está em tentar corromper Deus, procurando colocá-lo do lado deles. O grito do pobre denuncia a injustiça e obriga Deus a tomar o partido dele, restabelecendo a justiça. Insistência e perseverança só existem naqueles que estão insatisfeitos com a situação presente e, por isso, não desanimam; do contrário, jamais conseguiriam alguma coisa. Deus atende àqueles que, através da oração, testemunham o desejo e a esperança de que se faça justiça.

---------------------------------------------------------------
Salmo Responsorial       -        Sl 33(34),2-3.17-18.19 e 23    (R.  7a e 23a)

R. O pobre clama a Deus e ele escuta: o Senhor liberta a vida dos seus servos.

2 Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. 3 Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem! (R)

17 Mas ele volta a sua face contra os maus, para da terra apagar sua lembrança. 18 Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta. (R)

19 Do coração atribulado ele está perto e conforta os de espírito abatido. 23 Mas o Senhor liberta a vida dos seus servos, e castigado não será quem nele espera. (R)

---------------------------------------------------------------
Comentário

Deus se alia aos pobres

Oração de agradecimento

Este salmo nos mostra que o agradecimento é feito no meio da comunidade dos pobres. O salmista é um pobre que em meio a uma situação difícil, fez a experiência da solidariedade de Deus e foi liberto. É também um convite para a comunidade dos pobres se comprometer com o projeto de Deus, de onde brotou a justiça. Esta inverte a forma da sociedade e o rumo da história. É uma grande catequese, centrada no temor de Deus. Trata-se de conhecer que Deus é Deus, e que o homem não é Deus. É preciso empenhar a própria vida na luta pela verdade e justiça, para que todos possam viver dignamente. Essa é a luta que constrói a paz. Nessa luta Deus toma o partido dos justos, ouvindo o seu clamor, libertando-os e protegendo-os. Por outro lado, Deus se posiciona contra os injustos, que são destruídos pelo próprio mal que produzem.

---------------------------------------------------------------
Segunda Leitura

Agora está reservada para mim a coroa da justiça

Leitura da Segunda Carta de São Paulo à Timóteo                4,6-8.16-18

Caríssimo, 6 quanto a mim, eu já estou para ser oferecido em sacrifício; aproxima-se o momento de minha partida. 7 Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. 8 Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos que esperam com amor a sua manifestação gloriosa. 16 Na minha primeira defesa, ninguém me assistiu; todos me abandonaram. Oxalá que não lhes seja levado em conta.17 Mas o Senhor esteve a meu lado e me deu forças, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. 18 O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu reino celeste. A ele a glória, pelos séculos dos séculos! Amém. Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

---------------------------------------------------------------
Comentário

Todos os que quiserem levar uma vida fervorosa em cristo Jesus serão perseguidos

Frente à certeza do martírio, Paulo se compara a um atleta que recebe o prêmio da vitória: ele sabe que sua vida foi inteiramente dedicada a propagar e sustentar a fé. Os últimos tempos de Paulo são tristes e solitários. Embora abandonado e traído pelos companheiros mais próximos, seu olhar continua firme no Senhor, para anunciar o Evangelho e finalmente participar plenamente do Reino. Lucas já estava com Paulo no tempo da primeira prisão (cf. Cl 4,14); talvez seja este Lucas o autor do 3º. Evangelho e do livro dos Atos dos Apóstolos, Marcos ou João Marcos foi companheiro circunstancial (cf. At 12,12) e teve uma divergência com Paulo (cf. At 15,37-39). Mas encontramos como companheiro fiel no tempo da perseguição (cf. Cl 4,10). Paulo teve que suportar muita coisa em que Timóteo foi seu co-participante; pôde este ver como Deus o “libertou” de tudo. Singular libertação , que não suprime o sofrimento, mas torna-o frutuoso para a salvação. O mesmo acontece com todos os verdadeiros cristãos, sabedores de que, enquanto caminham rumo à salvação, a ruína espera aqueles que obstinada-mente e até o fim combatem neles o Cristo. A força dos cristãos na luta pela fé é a “palavra de Deus”, autenticamente conservada na Sagradas Escrituras. Estas se resumem numa só grande e viva palavra: “Jesus Cristo, Filho e Verbo de Deus feito homem”. Nele não só sabemos quando Deus nos estima e ama, mas ainda como devemos viver para também nós sermos filhos de Deus.

---------------------------------------------------------------
Aclamação ao Evangelho              2Cor 5,19

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.

V. O Senhor reconciliou o mundo em Cristo confiando-nos sua Palavra; a Palavra da reconciliação, a Palavra que hoje, aqui, nos salva.   (R)

---------------------------------------------------------------

Evangelho

O cobrador de impostos voltou para casa justificado, o outro não

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 18,9-14

Naquele tempo, 9 Jesus contou esta parábola para alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros: 10 "Dois homens subiram ao templo para rezar: um era fariseu, o outro cobrador de impostos. 11 O fariseu, de pé, rezava assim em seu íntimo: 'Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros, nem como este cobrador de impostos. 12 Eu jejuo duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda'. 13 O cobrador de impostos, porém, ficou a distância, e nem se atrevia a levantar os olhos para o céu; mas batia no peito, dizendo: 'Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador!' 14 Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado".  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

---------------------------------------------------------------
Comentário

Dois modos de rezar

Não basta ser perseverante e insistente. É preciso reconhecer e confessar a própria pequenez, recorrendo à misericórdia de Deus. De nada adianta o homem justificar a si mesmo, pois a justificação é dom de Deus. O contraste entre a oração do fariseu e a do publicano ilustra duas posturas diante de Deus, o modo inconveniente e o modo conveniente de rezar. O fariseu encarna o modo inconveniente de se dirigir a Deus. Sua postura empertigada deixa transparecer a consciência de ser estimado por Deus e gozar de grande prestígio diante dele. Suas palavras denotam o grande conceito que tinha de si mesmo. Sabia-se ser uma pessoa acima de qualquer suspeita, muito diferente do resto da humanidade formada por ladrões, injustos e adúlteros. Deus não tinha como fazer-lhe nenhuma censura, uma vez que era fiel no cumprimento dos mandamentos, dentre os quais, o pagamento do dízimo. A oração revestida de tal soberba, de forma alguma pode ser agradável a Deus. Quem se serve dela, terá a humilhação como resposta. O publicano situa-se no pólo oposto: mantém-se distante, de cabeça baixa, temendo erguer os olhos para os céus, pois tinha consciência de ser pecador, carente da misericórdia e do perdão divinos. Sem títulos de grandeza nem provas de virtude, só lhe restava colocar-se, humildemente, nas mãos do Pai. A oração do humilde toca o coração de Deus e é atendida. Ele vem em socorro de quem sabe reconhecer-se limitado e impotente para se salvar com as próprias forças. Os destinatários da parábola de Jesus são "alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros". Pelo contexto, entre estes estão os fariseus. O tema da parábola é a oração, com a contraposição entre a oração auto-suficiente e arrogante do fariseu e a oração confiante e humilde do publicano. Contudo, esta contraposição evidenciada na parábola é representativa da própria contraposição social entre o rico, pode-roso e com boa consciência, e o pobre, espoliado e humilhado. O fariseu, um observante escrupuloso da Lei, de pé, com os braços levantados e a cabeça erguida, agradece por ser "separado", ou seja, diferente dos pecadores. É a forma tradicional da oração bíblica e judaica: o louvor e o agradecimento a Deus. Porém, trata-se de agradecer pela prosperidade e pela proteção divina, bem como pela destruição dos inimigos. Tal tipo de oração é característica da tradição do Primeiro Testamento, podendo ser encontrada, particularmente, entre os Salmos. Na parábola este esquema está representado pelo "justo" que despreza o "pecador". O publicano é alguém que, para sobreviver, trabalha como cobrador de impostos, a serviço das autoridades locais estabelecidas pela ocupação romana. Humilhado, vivendo na insegurança do dia-a-dia, não tem nada em que confiar, somente em Deus. A oração perfeita do fariseu é descartada por Jesus. Por trás da aparente devoção e piedade, ela é a afirmação da auto justificação, à revelia da vontade de Deus que deseja respeito e amor ao próximo. Nesta oração, Deus é usado como instrumento para acobertar interesses particulares e justificar sua posição privilegiada e elitista. Ele não precisa de Deus, e faz apenas sua promoção pessoal. E ainda despreza o humilde e infeliz. Entretanto, o publicano recorre a Deus com humildade: "Meu Deus, tem compaixão de mim, que sou pecador". Assim, "quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".

---------------------------------------------------------------
Oração

Pai, faze-me consciente de minha condição de pecador, livrando-me da soberba que me dá a falsa ilusão de ser superior a meu próximo e mais digno de me dirigir a ti.

---------------------------------------------------------------
APROFUNDANDO NA PALAVRA

Deus torna justo quem o buscam com fé

Todos os homens participam da mesma impotência e são solidários no mesmo estado de ruptura com Deus; não podem salvar-se por si mesmos, isto é, não podem entrar sozinhos na amizade de Deus. O primeiro ato de verdade que o homem deve fazer é reconhecer-se pecador, impotente para se salvar, e abrir-se pois, à ação de Deus.

O fariseu e o publicano: dois modos de dialogar com Deus

Vemos, na parábola, dois modos de conceber o homem e sua relação com Deus. A oração do fariseu é uma ação de graças a Deus. Mas só aparentemente. Na realidade é um pretexto para louvar-se a si mesmo e não a Deus, comprazer-se em si por não ter pecado algum e pelo mérito das boas obras; diante disso se considera justificado e "exige" de Deus a recompensa. A oração do fariseu não é oração, é seu oposto. O publicano, ao contrário, está "na verdade": consciente de sua culpa e de não ter méritos diante de Deus. Pede misericórdia. A sua é verdadeira oração.

Assim, pode-se perceber por trás das duas personagens da parábola a oposição entre dois tipos de justiça: a do homem que pensa poder realiza-­la pelo cumprimento perfeito da lei, e a que Deus concede ao pecador, que se reconhece como tal e se converte. O tema paulino da justificação mediante a fé já se encontra delineado nesta parábola.

Por que a fé em Cristo "justifica" o homem

O cristão é realmente homem justificado pela fé em Jesus Cristo, naquele que é ao mesmo tempo dom substancial do Pai e homem entre os homens, e que pôde dar a única resposta agradável a Deus. É este o motivo pelo qual a fé em Jesus salva. De fato, Jesus inaugura na sua pessoa o reino do Pai, no qual se realiza o destino do homem. De si, como de seus irmãos, Jesus exige a renúncia absoluta, que implica na fidelidade à condição de criatura: renúncia até a morte e, se necessário, até a morte de cruz. É o salvador do mundo que fala assim.

Como pode esse homem, que levou até as últimas consequências a revelação da condição humana, proclamar-se ao mesmo tempo salvador da humanidade? A esta pergunta há uma só resposta: verdadeiramente, este homem é o Filho de Deus; Deus amou tanto o mundo que, por isso, lhe deu seu Filho único; e ao mesmo tempo, ele é homem entre os homens; a sua fidelidade de criatura é, por identidade, uma fidelidade filial. A resposta ativa deste homem encontra-se perfeitamente com a iniciativa divina da salvação.

A fé, fonte de vida nova - vida de filho

A união a Cristo nos torna capazes da mesma "fidelidade filial" até a cruz. O homem é "justificado" porque a fé em Cristo lhe dá acesso ao Pai na qualidade de filho adotivo.

A salvação é dom divino; torna-se, no homem, fonte de uma atividade filial, em que se realiza, ilimitadamente, a fidelidade à nova lei do amor. Paulo, o arauto da justificação pela fé, é também a grande testemunha da vida nova que vem da fé em Cristo. Agora, velho, no cárcere, na expectativa da condenação à morte, reflete sobre sua vida (2ª leitura). Sua experiência de Cristo termina por um malogro humano: todos o abandonaram, nenhum o defendeu em juízo. Mas ele "conservou a fé", combateu por Cristo e permaneceu fiel até a meta final. Sua esperança o leva à certeza da "recompensa" que receberá de Cristo por sua vida de dedicação e amor a exemplo de Jesus.

Hoje a suficiência farisaica não é mais a observância de uma lei: toma outro nome.

Em muitos ela é a convicção de que o homem pode salvar-se como homem, apelando unicamente para os seus recursos. O homem salva o homem mediante a ciência, a política, a arte...

E por isso mais do que nunca necessário que os cristãos anunciem ao mundo Cristo como salvador. A salvação que ele traz não se opõe à salvação humana. Mas a conduz à plenitude. Com a celebração dos sacramentos, especialmente da eucaristia, os cristãos dão testemunho da necessidade da intervenção divina na vida do homem, põem-se sob a ação de Deus presente, com seu espírito, e fazem a experiência privilegiada da justificação obtida mediante a fé em Jesus Cristo. Devem, por isso, estar continuamente vigilantes para não participarem dos sacramentos com espírito farisaico.
---------------------------------------------------------------

Fonte: Deus Único

0 comentários:

Postar um comentário