ENCONTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO

17 DE DEZEMBRO

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Liturgia comentada do 28º Domingo do Tempo Comum 09 de Outubro 2016

Ano C - Verde

Primeira Leitura

Naamã voltou para junto do homem de Deus, e fez sua profissão de fé

Leitura do Segundo Livro dos Reis                  5,14-17

Naqueles dias, 14 Naamá, o sírio, desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, conforme o homem de Deus tinha mandado, e sua carne tornou-se semelhante à de uma criancinha, e ele ficou purificado. 15 Em seguida, voltou com toda a sua comitiva para junto do homem de Deus. Ao chegar, apresentou-se diante dele e disse: "Agora estou convencido de que não há outro Deus em toda a terra, senão o que há em Israel! Por favor, aceita um presente de mim, teu servo". 16 Eliseu respondeu: "Pela vida do Senhor, a quem sirvo, nada aceitarei". E, por mais que Naamã insistisse, ficou firme na recusa.
17 Naamã disse então: "Seja como queres. Mas permite que teu servo leve daqui a terra que dois jumentos podem carregar. Pois teu servo já não oferecerá holocausto ou sacrifício a outros deuses, mas somente ao Senhor". Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

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Comentário

Deus dá a vida gratuitamente

Só Deus pode curar, e ele está ligado a um povo, a uma terra e a um projeto. A terra de Israel é sagrada, porque é a terra que Deus deu ao seu povo, para este realizar aí o projeto de vida. O profeta realiza sinais que mostram a presença desse Deus no meio do seu povo, o qual sofre as consequências de um sistema que causa mais opressão do que libertação. Uma das moças, escrava no estrangeiro, é capaz de ver esse Deus ultrapassando as fronteiras para curar e dar vida, enquanto o próprio rei de Israel desconhece o fato. Ao ser curado, o estrangeiro aprende que a vida é dom de Deus, e não objeto de troca. Por isso, reconhece que Deus é único, verdadeiro e misericordioso.

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Salmo Responsorial     -     Sl 97(98),1.2-3ab.3cd-4       (R. 2b)

R. O Senhor fez conhecer a salvação e às nações revelou sua justiça.

1 Cantai ao Senhor Deus um canto novo, porque ele fez prodígios! Sua mão e o seu braço forte e santo alcançaram-lhe a vitória. (R)

2 O Senhor fez conhecer a salvação, e às nações, sua justiça; 3a recordou o seu amor sempre fiel 3b pela casa de Israel. (R)

3c Os confins do universo contemplaram 3d a salvação do nosso Deus. 4 Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira, alegrai-vos e exultai! (R)

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Comentário

A vitória de Deus é justa

Hino à realeza de Deus, celebrando sua vitória

A vitória de Deus se revela no seu projeto, feito para todas as nações. Trata-se de uma vitória justa, porque salva os pobres e oprimidos. O louvor é uma forma de revelar a realeza de Deus para o mundo inteiro. Essa revelação é fonte de alegria e esperança, porque em cada intervenção histórica Deus funda a justiça e o direito, implantando o seu Reino.

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Segunda Leitura

Se com Cristo ficamos firmes, com ele reinaremos

Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo        2,8-13

Caríssimo, 8 lembra-te de Jesus Cristo, da descendência de Davi, ressuscitado dentre os mortos, segundo o meu evangelho. 9 Por ele eu estou sofrendo até às algemas, como se eu fosse um malfeitor; mas a palavra de Deus não está algemada. 10 Por isso suporto qualquer coisa pelos eleitos, para que eles também alcancem a salvação, que está em Cristo Jesus, com a glória eterna. 11 Merece fé esta palavra: se com ele morremos, com ele viveremos. 12 Se com ele ficamos firmes, com ele reinaremos. Se nós o negamos, também ele nos negará. 13 Se lhe somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar-se a si mesmo. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

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Comentário

A palavra de Deus não está algemada

Timóteo é convidado a viver como testemunha da ressurreição. A seguir, é recordado um hino batismal (vv. 11-13): neste se afirma o compromisso com uma prática que seja coerente com a fé recebida. Verdade digna de ser lembrada, diz Paulo: numa base está a ressurreição de Jesus, a palavra mas nova, a força mais renovadora que entrou no mundo. É um fato que nos interessa pessoalmente: Cristo ressuscitou para nos salvador. Nossos infalíveis sofrimentos e provações foram enxertados em sua morte para sê-lo em sua ressurreição. A vida cristã prende-se a três tempos: a morte já realizada no batismo, os sofrimentos atuais, o reino futuro; sentido dos verbos gregos. O que os liga é nossa “esperança”, que é certeza de espera ativa. Viver como cristãos é reviver a existência pascal de Cristo: o presente une e domina o passado e o futuro, e daí dirá energias para a plena realização. Fora os vãos temores, fora as vãs questões que desgastam a fé e a esperança.

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Aclamação ao Evangelho                  1Ts 5,18

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.

V. Em tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus para convosco, em Cristo Jesus.     (R)

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Evangelho

Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro



Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas       17,11-19

11 Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galiléia. 12 Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam a distância, 13 e gritaram: "Jesus, mestre, tem compaixão de nós!" 14 Ao vê-los, Jesus disse: "Ide apresentar-vos aos sacerdotes". Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15 Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16 atirou-se aos pés de Jesus, com o rosto por terra, e lhe agradeceu. E este era um samaritano. 17 Então Jesus lhe perguntou: 18 "Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?" 19 E disse-lhe: "Levanta-te e vai! Tua fé te salvou". Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

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Comentário

O louvor de Deus

O ponto alto da narrativa é a fé do samaritano. É fé madura: nasce da esperança, cresce na obediência à palavra de Jesus e se manifesta na gratidão. Com isso, ele não só recebe a cura, mas é salvo. Sua vida chega a plenitude, ao reconhecer que em Jesus o amor de Deus leva os homens a viver na alegria da gratidão. A vida que Deus dá em Jesus Cristo é gratuita, é graça. O samaritano distinguiu-se de seus companheiros, todos curados por Jesus, por sua capacidade de reconhecer a ação misericordiosa de Deus em sua vida. Liberto da lepra, só ele se sentiu motivado a proclamar os louvores de Deus, numa atitude de gratidão e reconhecimento. Seu gesto valeu-lhe a salvação, publicamente afirmada por Jesus: "A tua fé te salvou!" Os outros nove, todos judeus, detiveram-se no nível da cura material. O samaritano, pelo contrário, foi além. E recebeu muito mais que os outros. Sua iniciativa assemelhou-o aos pobres e excluídos, sempre prontos a agradecer pelo mínimo serviço que se lhes presta. A ingratidão é própria dos ricos e prepotentes. Pensando ter todo mundo à sua disposição e obrigado a prestar-lhe serviço, sentem-se desmotivados a mostrar-se agradecidos. Os servos têm a obrigação de servi-lo sem reclamar. Comportam-se, assim, até mesmo com Deus. Julgam desnecessário demonstrar-lhe gratidão. A parábola evangélica contrapõe um grupo de judeus a um samaritano, identificado como pagão e estrangeiro. Os que se omitiram de louvar e agradecer a Deus, perdendo a chance de mostrar sua fé, foram os que, por origem e formação religiosa, estavam mais perto de Jesus. O "estrangeiro" e "distante", excluído e menosprezado, foi mais sensível. É esta a situação dos cristãos, em relação aos pagãos, recém-convertidos à fé? Jesus realça que a salvação acontece a partir da fé acompanhada de gratidão. A gratidão implica em ações de graças, pelas quais comunicamos e partilhamos com os outros, os bens recebidos por nós.

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Oração

Pai, que o meu coração, repleto de fé, reconheça Jesus como a mediação de todas as graças e favores que recebo de ti.

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APROFUNDANDO NA PALAVRA

A fé se torna ação de graças

O anúncio do reino de Deus é anúncio de salvação, proclamado não só com a palavra, mas também com ações.

Os milagres confirmam o triunfo do Espírito sobre satanás, e é por isso que Jesus, investido do Espírito, entra em luta com satanás no deserto. O Cristo é o homem forte, que, lutando arduamente, tira ao espírito do mal aquilo que ele usurpou. Jesus inaugura o reino messiânico destruindo a obra do adversário.

Os milagres entram, pois, na perspectiva da inauguração do reino messiânico. Por seu conteúdo, o milagre é antecipação do reino escatológico, que só será revelado definitivamente quando o último inimigo, a morte, for vencido. Os milagres, com algumas exceções e por razões que é fácil compreender, são vivificações; por isso, profetizam a vivificação definitiva; a vida eterna. Por meio do milagre, o poder vivificador de Deus irrompe no tempo. Insere-se num mundo que declina para a morte. O milagre é uma ruptura na orientação normal das coisas,e essa ruptura no atinge como sinal de transcendência. No intervalo do tempo, os milagres são penhor da realidade futura. Realçam concretamente a eficácia invisível da Palavra de Salvação" (Duquoc).

Manifestam a gratuidade essencial; dizem claramente que a salvação não é uma conquista humana, mas um dom de Deus; visam a suscitar a fé na pessoa de Jesus e fazer brotar ação de graças.

A ação de graças não é simples reconhecimento humano...

A mensagem das leituras deste domingo não é, portanto, simples ensina­mento sobre o dever moral do reconhecimento humano.

Naaman, o sírio, passa da cura à fé: não reconhece mais outro Deus senão o Deus de Israel (1ª leitura).

O leproso do evangelho volta, "louvando a Deus em alta voz". O milagre lhe abriu os olhos para o sentido da missão e da pessoa de Jesus. Dá graças a Deus, não tanto por ter sido satisfeito seu desejo de cura, mas porque compreende que Deus está em Jesus e nele atua. Reconhece que Cristo é o Salvador em quem Deus opera não só a salvação do corpo, mas a do homem todo. Isto é fé. Em Jesus, vê manifestar-se a glória de Deus (evangelho).

Por isso, Lucas conclui a narrativa com a palavra de Jesus: "Levanta-te e vai; tua fé te salvou".

Salvou-o não só da lepra, mas salvou-o no sentido cristão do termo. A salvação da lepra é apenas sinal de outra salvação.

...mas um ato de fé

A ação de graças do leproso curado nasce, pois, antes de tudo, da fé e não da utilidade; é contemplação jubilosa e gratuita do amor salvador de Deus, mais do que alegria pela saúde readquirida. Só num segundo tempo inclui o reconhecimento, mas não o simples e cortês agradecimento por um beneficio recebido.

O evangelho não nos quer dar uma lição de boas maneiras; quer dizer-nos que a ação de graças é a atitude fundamental do homem que descobriu, na fé, que sua salvação provém só da ação de Deus em Cristo.

Gratidão e eucaristia

Se gratidão humana e ação de graças divina não se identificam, é porém verdade que há continuidade entre uma e outra.

Quando as relações pessoais se baseiam unicamente na utilidade e no prazer é muito difícil abrir-se à contemplação do amor gratuito de Deus. A mentalidade utilitarista e egocêntrica desvirtua os atos religiosos. Se tivermos perdido o senso do gratuito, se só agimos movidos pela esperança de algo ou pelo direito à recompensa, muito provavelmente não poderemos ter a experiência da eucaristia.

O homem de hoje precisa descobrir o sentido do receber para abrir-se ao agradecimento. A eucaristia não é tanto uma lei a observar para ter a consciência em dia, nem apenas o alimento da comunhão fraterna. É, como diz o termo, ação de graças sem outra utilidade, sem outro fim senão ela mesma; é a alegria que brota da contemplação do Deus que é grande no amor, que nasce da descoberta de sermos salvos gratuitamente.

Os Dez Leprosos, a Gratidão do Samaritano

No Evangelho do próximo domingo, Lc 17, 11-19, o ponto alto da narrativa é a fé do samaritano. O samaritano tem uma fé madura, que nasce da esperança, cresce na obediência à Palavra de Jesus e se manifesta na gratidão. Com isso, ele não só recebe a cura, mas é salvo. Sua vida chega à plenitude, ao reconhecer que, em Jesus, o amor de Deus leva os homens a viver na alegria da gratidão. A vida que Deus dá em Jesus Cristo é gratuita, é graça.

No tempo de Jesus, havia rivalidades entre os habitantes da Samaria (samaritanos) e os judeus. Estes desprezavam aqueles acirradamente. Esse ressentimento era infundado e Jesus quer mostrar que pessoas de bem não são, necessariamente, apenas os judeus. Aqueles de quem não gostamos ou que desprezamos, pode, de repente, ser melhor do que nós.

Há várias parábolas em que Jesus coloca o samaritano como aquele que age melhor, que está mais perto de Deus. Somos todos irmãos e precisamos agradecer a Deus, a cada manhã, pela oportunidade de mais um dia de vida.

Jesus não quer que desprezemos as pessoas, mas que entendamos que aquele que desprezamos pode nos dar uma lição de vida muito mais bonita do que a que levamos.

Os dez leprosos viram-se "curados" da sua doença, mas só um foi "salvo": aquele que, movido pela sua fé, deu glória a Deus e agradeceu a Jesus. São Lucas põe em relevo o fato de o leproso salvo ser um estrangeiro. Como estrangeiro era também Naamã, comandante do exército dos Arameus mas ferido de lepra. Naamã ficou curado quando, obedecendo à palavra do profeta Eliseu, foi lavar-se nas águas do rio Jordão. A Palavra de Deus põe em evidência que "a salvação do Senhor é para todos os povos". O destino universal da salvação e a fidelidade a Israel, que à primeira vista podem parecer em contradição, são na realidade dois aspectos inseparáveis e recíprocos do mesmo mistério salvífico: é precisamente a intensidade e a solidez do amor de Deus pelo povo por Ele escolhido que torna este amor uma "bênção" para todos os povos (cf. Gn 12, 3). A manifestação mais alta disto mesmo está na cruz de Cristo, o máximo sinal da sua dedicação às ovelhas perdidas da Casa de Israel e, simultaneamente, da redenção da humanidade inteira.

São Paulo nos diz que, quando ele está fraco, aí é que se torna forte porque é na fraqueza que mais precisamos da graça e da força de Deus. E é então que a recebemos em toda a sua plenitude.

No cumprimento das leis e prescrições mosaicas, os leprosos que encontram Cristo param "à distância", sentem-se impuros, fora da convivência humana; quem os toca também ficará impuro. O Senhor cura-os e manifesta-lhes a sua vontade salvífica com as palavras e com dois sinais muito consistentes: estende as mãos e toca-os. Cristo não aceita somente aproximar-se aos leprosos mas estende a sua mão, recebe-os e toca-os. Cristo identifica-se com o leproso, torna-se completamente solidário com eles. Destrói a impureza e a marginalização deles, manifesta a sua plena solidariedade com eles.

A solidariedade coincide com a autêntica espiritualidade, ou seja: a ação do Espírito Santo, o amor. O Espírito Santo é o amor de Deus que se faz história na misericórdia solidária do Pai Eterno que nos envia o seu Filho redentor através da sua encarnação pascal. O Espírito Santo é a intercomunicação trinitária infinita no amor. A Terceira Pessoa da Santíssima Trindade mostra-nos a natureza divina de Deus como Amor; um amor que é a entrega total do Pai ao seu Filho e do Filho ao seu Pai que, na sua total dedicação, fazem proceder deles a pessoa Amor, a pessoa Dom, que é o Espírito Santo. Portanto, o Espírito Santo significa a infinita posse pessoal individual tanto do Pai como do Filho em si próprios, posse que o coloca em condição de se poder doar de modo absoluto. Aqui encontra-se a essência da solidariedade. Quando falamos da solidariedade humana, esta é autêntica somente quando é feita à imagem de Deus. O homem torna-se filho de Deus somente através da solidariedade, que significa receber numa doação gratuita plena tudo aquilo que é e doá-lo também sem medida a Deus e aos outros.

Somente sob esta luz se pode entender o mistério da solidariedade redentora: de fato, a maior doação que se possa pensar é a doação até à morte: "Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos" (Jo 15, 13). Desta doação, até à morte, o Pai cria a solidariedade da humanidade redimida. Consequentemente, a autêntica solidariedade é aquela a que não importa o risco da perda da vida até ao ponto de poder dar a vida pelos outros.

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Fonte: http://www.deusunico.com/paginas/Liturgiadapalavra2016/Liturgia%20da%20Palavra%202016.htm

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