ENCONTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO

17 DE DEZEMBRO

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Liturgia comentada do 27º Domingo do Tempo Comum 02 de Outubro 2016

Ano - Cor: Verde

Primeira Leitura

O justo viverá por sua fé

Leitura da Profecia de Habacuc                 1,2-3; 2,2-4

2 Senhor, até quando clamarei, sem me atenderes? Até quando devo gritar a ti: "Violência!", sem me socorreres? 3 Por que me fazes ver iniquidades, quando tu mesmo vês a maldade? Destruições e prepotência estão à minha frente; reina a discussão, surge a discórdia. 2,2 Respondeu-me o Senhor, dizendo: "Escreve esta visão, estende seus dizeres sobre tábuas, para que possa ser lida com facilidade. 3 A visão refere-se a um prazo definido, mas tende para um desfecho, e não falhará; se demorar, espera, pois ela virá com certeza, e não tardará. 4 Quem não é correto, vai morrer, mas o justo viverá por sua fé". Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

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Comentário


O justo viverá por sua fé

O profeta constata o caos social: os fortes oprimem os fracos. Estes recorrem ao tribunal, mas a justiça está esquecida e o direito é distorcido. E Deus, ignora tudo isso? Até quando Deus vai esperar para agir? Agora vem a resposta definitiva de Deus sobre o problema da opressão e da injustiça: Deus agirá no tempo certo. O que importa é que o justo tome consciência e se mantenha fiel, pois é através da fidelidade do justo que Deus agirá, realizando a justiça: libertará os oprimidos e injustiçados e punirá os opressores. Se há um prazo que às vezes parece longo, é porque Deus quer agir com o homem, respeitando-lhe a liberdade. Habacuc tem uma ressonância muito moderna. Em face da opressão, da violência, o profeta discute com Deus sobre o problema do mal. Por que o ímpio oprime e Deus não intervém? A violência cresce: por que Deus tarda? A resposta de Deus, solicitada com insistência, vem por fim: Deus está do lado do justo oprimido, a maldade não ficará impune. Mas quando? Deus já está em ação na história, embora os homens ainda o não percebam; devem, pois, manter vivas a fé e a esperança. Deus, todavia, opera por meio dos homens: disto devemos estar bem conscientes. Quando erguemos lamentações sobre os males do nosso tempo, por que não nos incriminamos de cruzarmos os braços diante do mal? "Nós somos os tempos" dizia santo Agostinho. "Façamos o bem, e os tempos serão melhores". Somos as mãos de Deus para repelir a violência, para soerguer e socorrer o oprimido. Deus espera nossa colaboração nos casos que conhecemos!

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Salmo Responsorial    -    Sl 94(95),1-2.6-7.8-9         (R. 8)

R. Não fecheis o coração; ouvi vosso Deus!

1 Vinde, exultemos de alegria no Senhor, aclamemos o rochedo que nos salva! 2 Ao seu encontro caminhemos com louvores, e com cantos de alegria o celebremos! (R)

6 Vinde adoremos e prostremo-nos por terra, e ajoelhemos ante o Deus que nos criou! 7 Porque ele é o nosso Deus, nosso pastor, e nós somos o seu povo e seu rebanho, as ovelhas que conduz com sua mão. (R)

8 Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: "Não fecheis os corações como em Meriba, 9 como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras". (R)

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Comentário

Escutem o que Deus fala

Oração de louvor, com advertência em estilo profético

O motivo de louvor é o próprio Deus vivo que criou o mundo e está acima de todos os deuses das nações e seus projetos. Ele é o soberano do universo que criou o povo e se aliou a ele, dirigindo-o na história como pastor. É também uma advertência profética: Deus deu a terra ao povo. Seu usufruto, porém, depende da fidelidade ao projeto dele. Se a infidelidade dos antepassados impediu que eles entrassem na terra da liberdade e da vida, a infidelidade da geração atual poderá perdê-la. Por isso, devemos viver segundo o projeto que Deus tem para a nossa vida, pois, com certeza, Deus é sempre fiel e misericordioso com todos nós.

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Segunda Leitura

Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor

Leitura da Segunda Carta de São Paulo a Timoteo 1,6-8.13-14

Caríssimo, 6 exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7 Pois Deus não nos deu um espírito de timidez mas de fortaleza, de amor e sobriedade. 8 Não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo evangelho, fortificado pelo poder de Deus. 13 Usa um compêndio das palavras sadias que de mim ouviste em matéria de fé e de amor em Cristo Jesus. 14 Guarda o precioso depósito, com a ajuda do Espírito Santo que habita em nós. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

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Comentário

Anunciar o Evangelho

Preso e prestes a enfrentar o martírio, Paulo procura estimular o seu companheiro Timóteo, convidando-o a reavivar o dom que este recebeu em sua “ordenação” para a missão. Esta consiste fundamentalmente em testemunhar o Evangelho, e isso pode levar a testemunha ao mesmo destino de Jesus: o sofrimento e a morte. “Envergonhar-se” é renegar o testemunho por causa da perseguição social que ele provoca. Conforme disse Jesus no Evangelho de Marcos 8,38, (Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras diante dessa geração adúltera e pecadora, também o Filho do homem se envergonhará dele, quando vier na glória do seu Pai com seus santos anjos). A vocação cristã é dom gratuito de participação no projeto de Deus; projeto de salvação feito desde a eternidade manifesto em Jesus Cristo e entregue a todos pelo anúncio do Evangelho. Sobre o “depósito da fé”, o núcleo fundamental da fé é o compromisso dos cristãos com Deus e principalmente com o seguimento de Jesus Cristo. É nesse seguimento que se manifesta totalmente o Deus vivo. Esse compromisso, porém, encarna-se em épocas e lugares diferentes; as doutrinas, por sua vez, exprimem essas diversas encarnações. A verdadeira tradição procura garantir que o núcleo fundamental da fé se concretize através dessas encarnações históricas. As encarnações são sempre relativas a determinado tempo e lugar. O conhecimento delas é grande estímulo para que também nós nos abramos aos desafios e apelos do nosso contexto, dando uma resposta baseados no núcleo fundamental da fé, conservado e transmitido pela tradição viva”. O Espírito garante o discernimento que faz compreender o núcleo fundamental da fé, isto é, o testemunho de Jesus Cristo, e como concretizá-lo em novas situações históricas.

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Aclamação ao Evangelho                         1Pd 1,25

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.

V. A Palavra do Senhor permanece para sempre; e esta é a Palavra que vos foi anunciada.    (R)

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Evangelho

Se vós tivésseis fé!

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas    17,5-10

Naquele tempo, 5 os apóstolos disseram ao Senhor: "Aumenta a nossa fé!" 6 O Senhor respondeu: "Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: 'Arranca-te daqui e planta-te no mar', e ela vos obedeceria. 7 "Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: 'Vem depressa para a mesa'? 8 Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: 'Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tu poderás comer e beber?' 9 Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? 10 Assim também vós: quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: 'Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer"'.  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

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Comentário

O cumprimento do dever

Lucas reúne aqui sentenças de Jesus sobre o escândalo, a correção fraterna, o perdão, o poder da fé e a necessidade de estar desinteressadamente a serviço de Deus. São atitudes fundamentais para a vida do discípulo de Jesus. O discípulo é constituído para o serviço do Reino. É na vocação de servidor que se realiza e encontra um sentido para sua vida. Sua alegria consiste em entregar-se, sem reservas, à missão recebida, sem nada exigir. Basta-lhe a consciência do dever cumprido. Jesus desenvolveu este tema, servindo-se de uma parábola baseada nos costumes da época. A inescrupulosa atitude do senhor, em relação a seu servo, justificava-se na sociedade de então. A falta de um contrato de trabalho, em que se estipulava o limite de horas de trabalho diário e se reconhecia as horas extras, possibilitava aos senhores explorar, ao máximo, os seus empregados. Por outro lado, o escravo era propriedade de seu dono, portanto, sem qualquer direito. Tudo quanto fizesse, por mais duro e esgotante que fosse, restava-lhe somente dizer: "Cumpri apenas meu dever!" Aplicado ao Reino, a lição funciona assim: se o escravo, serve por obrigação, submete-se a todos os caprichos de seu patrão, resigna-se ao pensar que faz o seu dever, quanto mais o discípulo do Reino, cuja opção é livre, está a serviço de um Pai misericordioso, e tem como obrigação somente praticar o amor e a justiça? Por mais que tenha feito, cabe-lhe dizer: "Sou um empregado inútil, fiz apenas o que era minha obrigação!" E se dá por satisfeito por estar a serviço do amor. Temos neste evangelho mais uma parábola exclusiva de Lucas. Sua compreensão é difícil. De início o leitor é envolvido na parábola, levado se identificar com o senhor que tem um servo. Aí coloca-se em uma posição privilegiada, característica
da sociedade elitista e opressora, onde as elites acomodadas se fazem servir pelos mais pobres. E, ainda, sendo servidas, nada têm a agradecer aos servos, humilhando-os e desprezando-os. Em seguida, o leitor é convidado a colocar-se na condição do servo. Depois de fazer tudo o que lhe foi mandado, deverá dizer: "somos simples servos; fizemos o que devíamos fazer". Duas interpretações diferentes podem ser feitas. Como uma crítica, pode ser a expressão da atitude daqueles que, como o "servo", se submete cegamente à Lei opressora e dominadora, representada pelo "senhor". Outra interpretação, própria da espiritualidade da humilhação, seria a de que o discípulo deve se submeter às ordens de Deus como um servo que obedece ao seu senhor despótico na terra. Este enfoque fragiliza a opção pelo seguimento de Jesus como uma sedução por seu amor e como uma opção de vida plena para todos.

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Oração

Pai, reconhecendo-me servo inútil, quero esforçar-me para ser justo e misericordioso. Somente assim serei agradável a ti.

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APROFUNDANDO NA PALAVRA

A força de quem tem fé

Cristianismo é fé. Esta é sua característica específica. "Nós afirmamos muito facilmente, como pressuposto, que religião e fé são a mesma coisa. Mas isso só é verdade até certo ponto...

Por exemplo, o Antigo Testamento se apresentou, em seu conjunto, não sob o conceito de fé, mas de lei.

Encama primariamente um gênero de vida, no âmbito do qual o ato de fé vai continuamente adquirindo maior importância.

Mais tarde, para a religiosidade romana não é realmente decisivo que se emita um ato de fé no sobrenatural; ele pode, decerto, faltar sem, por isso, diminuir a religião. Sendo a religião essencialmente um sistema de ritos, o elemento determinante é representado a seus olhos pela minuciosa observância das cerimônias“. (J. Ratzinger).

O justo viverá pela fé

A história da fé começa com Abraão. Sua atitude diante de Deus é de fé. Ainda que nosso pai na fé não tenha percebido distintamente o objeto de sua fé, teve, entretanto, todas as condições pessoais necessárias a fé. Respondeu prontamente sim ao chamado de Deus que derruba seus planos, disposto a dar-lhe tudo, até o filho, desprezando todo cálculo humano.

Superou as aparentes contradições para entregar-se somente à palavra de Deus, e nela viu a verdade que salva.

Durante toda a história do povo de Deus, os profetas foram os arautos da fé; convidaram a superar as seguranças e alianças humanas para se apegar com confiança à palavra dada por Deus.

Crer é dar-se a Deus. Vemo-lo na primeira leitura: Deus "parece" ausente da história. O profeta o interroga sobre o enigma da opressão e da injustiça que invadem a sociedade em que vive, tanto dentro de Israel como entre as nações pelas quais os fracos são esmagados. Deus responde que a fé é o único caminho para compreender o mistério da história.

A resposta de Deus, porém, não é fácil consolação: fala de espera ainda longa. O que importa é permanecer firmemente ancorados só em Deus; crer no seu amor apesar de todas as aparências contrárias, porque sua palavra não nos pode enganar.

A fé é adesão incondicional à pessoa de Jesus

No Novo Testamento o objeto da fé atinge a plenitude: o Filho de Deus se manifesta e seu reino é constituído. Mas a atitude pessoal continua a mesma; uma decisão da vontade que ama, move a inteligência a superar os cálculos humanos para entregar-se a Deus com toda fidelidade.

A fé não consiste, pois, tanto numa adesão intelectual a uma série de verdades abstratas, mas é a adesão incondicional a uma pessoa, a Deus, que nos propõe seu amor em Cristo morto e ressuscitado. A fé é, portanto, obediência a Deus, comunhão com ele, vitória sobre a solidão.

É dom de Deus, mas dom que espera nossa livre resposta, que quer tornar-se a alma da nossa vida cotidiana e da comunidade cristã.

Fé como libertação de todos os Ídolos

É também conhecimento novo, modo de ler a realidade com o olhar de Cristo. "A fé é virtude, atitude habitual da alma, inclinação permanente a julgar e agir segundo o pensamento de Cristo com espontaneidade e vigor".

O cristão animado pela fé, nela encontra a crítica permanente a todas as ideologias e a libertação de todos os Ídolos. "Esta é a vitória que venceu o mundo, a nossa fé" (1Jo 5,4).

O cristão vive hoje num mundo secularizado do qual Deus está ausente, que vive e se organiza sem ele. Com sua fé, tem o cristão neste mundo a tarefa de destruir as falsas seguranças propondo-lhe as questões fundamentais e oferecendo a todos sua grande esperança. A fé cristã é posta diante de um desafio: tomar-se propugnadora de problemas que nenhum laboratório, experiência ou computador eletrônico podem resolver, e que, no entanto, decidem o destino do homem e do mundo.

Portanto, é mais do que atual para os cristãos a invocação dos discípulos: "Senhor, aumentai a nossa fé".
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Fonte: http://www.deusunico.com/paginas/Liturgiadapalavra2016/Liturgia%20da%20Palavra%202016.htm

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