MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Liturgia comentada do 26º Domingo do Tempo Comum 25 de Setembro 2016

Ano C  - Cor: Verde

 Primeira Leitura

Agora o bando dos gozadores será desfeito

Leitura da Profecia de Amós                        6,1a.4-7 

Assim diz o Senhor todo-poderoso: 1a Ai dos que vivem despreocupadamente em Sião, os que se sentem seguros nas alturas de Samaria! 4 Os que dormem em camas de marfim, deitam-se em almofadas, comendo cordeiros do rebanho e novilhos do seu gado; 5 os que cantam ao som das harpas, ou, como Davi, dedilham instrumentos musicais; 6 os que bebem vinho em taças, e se perfumam com os mais finos unguentos e não se preocupam com a ruína de José. 7 Por isso, eles irão agora para o desterro, na primeira fila, e o bando dos gozadores será desfeito. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

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Comentário


O privilégio vai acabar

A classe dominante de Israel se mantém numa vida de privilégios, às custas da exploração do povo (da ruína de José). Todavia, o profeta assegura que isso tudo terá um fim, pois o dia fatal se aproxima.

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Salmo Responsorial - Sl 145(146),7.8-9a.9bc-10   (R. 1)

R. Bendize, minha alma, e louva ao Senhor!

Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

7 O Senhor é fiel para sempre, Faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos. (R)

8 O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído, o Senhor ama aquele que é justo. 9a É o Senhor quem protege o estrangeiro. (R)

9b Ele ampara a viúva e o órfão, 9c mas confunde os caminhos dos maus. 10 O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará para sempre e por todos os séculos! (R)

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Comentário

Deus é fiel aos oprimidos

Hino de louvor, proclamando a fidelidade de Deus, que fundamenta a confiança do povo

Este salmo mostra uma pessoa que convida a comunidade a louvar, confessando a sua fé. O único a merecer confiança absoluta é o Deus vivo, que se aliou com o povo. O motivo central do louvor é a fidelidade ao Deus vivo que age na história, fazendo justiça aos oprimidos e libertando os necessitados. Sua ação, porém, implica também a destruição da injustiça. É assim que se constitui o reino de Deus. Jesus fez disso o seu projeto.

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Segunda Leitura

Guarda o teu mandato até a manifestação gloriosa do Senhor

Leitura da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo       6,11-16

11 Tu que és um homem de Deus, foge das coisas perversas, procura a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. 12 Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e pela qual fizeste tua nobre profissão de fé diante de muitas testemunhas. 13 diante de Deus, que dá a vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu o bom testemunho da verdade perante Pôncio Pilatos, eu te ordeno: 14 guarda o teu mandato íntegro e sem mancha até à manifestação gloriosa de nosso Senhor Jesus Cristo. 15 Esta manifestação será feita no tempo oportuno pelo bendito e único soberano, o rei dos reis e Senhor dos senhores, 16 o único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém. 
Palavra do Senhor! - Graças a Deus!

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Comentário

Guarda o teu mandato íntegro e sem mancha

O verdadeiro doutor é aquele que foge da ambição e vive com sobriedade. Seu compromisso primeiro é com a verdade, a qual se manifesta no ministério de Cristo, relembrado nos vv. 15-16. Eis o retrato do discípulo ideal. Com vida santa e sem mácula, deve Timóteo conservar intacta e sem compromissos a doutrina e o Espírito do Senhor; até o dia de sua manifestação. Paulo quer radicar profundamente no coração de Timóteo a grande exigência de toda a sua vida: conservar pura e intacta a fé cristã, em face das filosofias e ataques heréticos, até à volta de Jesus Cristo. Para o cristão, a primeira e mais importante tarefa é a guarda da fé, amando Cristo em seu corpo, que é a Igreja. Jamais Cristo sem a Igreja! Hoje, alguns amam a Cristo isoladamente, sem a Igreja. Muitas vezes, em sua consciência, um universalismo político já substituiu a Igreja. Guardar a fé quer dizer conservar a todo custo a comunhão: a credibilidade dos cristãos passa através da comunhão que os une num só corpo.

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Aclamação ao Evangelho                      2Cor 8,9

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.

V. Jesus Cristo, sendo rico, se fez pobre, por amor; para que sua pobreza nos, assim, enriquecesse.    (R)

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Evangelho

Tu recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, os males. Agora ele encontra, aqui, consolo e tu és atormentado


Programação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 16,19-31

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 19 "Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. 20 Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. 21 Ele queria matar a fome com as sobras que caiam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. 22 Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. 23 Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. 24 Então gritou: 'Pai Abraão, tem piedade de mim! Manda Lázaro molhar a ponta do dedo para me refrescar a língua, porque sofro muito nestas chamas'. 25 Mas Abraão respondeu: 'Filho, lembra-te de que recebeste teus bens durante a vida e Lázaro, por sua vez, os males. Agora, porém, ele encontra aqui consolo e tu és atormentado. 26 E, além disso, há grande abismo entre nós: por mais que alguém desejasse, não poderia passar daqui para junto de vós, e nem os daí poderiam atravessar até nós'. 27 O rico insistiu: 'Pai, eu te suplico, manda Lázaro à casa de, meu pai, 28 porque eu tenho cinco irmãos. Manda preveni-los, para que não venham também eles para este lugar de tormento'. 29 Mas Abraão respondeu: 'Eles têm Moisés e os profetas, que os escutem!' 30 O rico insistiu: 'Não, Pai Abraão, mas se um dos mortos for até eles, certamente vão se converter'. 31 Mas Abraão lhe disse: 'Se não escutam a Moisés, nem aos Profetas, eles não acreditarão, mesmo que alguém ressuscite dos mortos'".  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!

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Comentário

O rico e Lázaro

A parábola é uma crítica à sociedade classista, onde o rico vive na abundância e no luxo, enquanto o pobre morre na miséria. O problema é o isolamento e afastamento em que o rico vive, mantendo um abismo de separação que o pobre não consegue transpor. Para quebrar esse isolamento, o rico precisa se converter. Nada o levará a essa conversão, se ele não for capaz de abrir o coração para a palavra de Deus, o que o leva a voltar-se para o pobre. Assim, mais do que explicação da vida no além, a parábola é exigência de profunda transformação social, para criar uma sociedade onde haja partilha de bens entre todos. É também um alerta premente contra o perigo da riqueza e as conseqüências desastrosas para quem não sabe se servir dela como meio para obter a salvação eterna. A riqueza pode levar à condenação. O rico simboliza aquela pessoa cuja vida limita-se à busca de prazeres: da comida, da bebida, do vestir-se bem, do locupletar-se com bens materiais. Por isso, não demonstra a mínima preocupação com Deus, nem muito menos com seus semelhantes, de modo especial, os pobres e marginalizados. Interessa-lhes, apenas, quem lhes pode proporcionar prazer, e seus companheiros de orgias. Nada, porém, que possa significar amor e ruptura dos esquemas egoístas. A riqueza estreitava os horizontes do rico da parábola, impedindo-o de ver para além de seu pequeno mundo. O sofrimento do pobre Lázaro, à sua porta, era-lhe desconhecido. Sua fome contrastava com a opulência dos banquetes que o rico oferecia. Seu corpo coberto de feridas, dando-lhe um aspecto asqueroso, chocava-se com a bela aparência dos convivas do rico, bem vestidos e adornados. O desfecho da parábola parece lógico: a insensibilidade do rico farreador valeu-lhe a condenação eterna de sofrimentos, pois deixara escapar a única chance de construir sua felicidade eterna, fazendo-se solidário com o sofrimento do próximo. Esta parábola, exclusiva de Lucas, é extremamente expressiva da injustiça que vigora em nossas estruturas socioeconômicas. Com as figuras do rico, do pobre e de Abraão, a parábola, com simplicidade, revela o equívoco e a crueldade do acúmulo das riquezas. Nos é apresentada, por um lado, a imagem do homem rico, anônimo, com roupas finas e elegantes, banqueteando-se, indiferente. Por outro lado, temos a imagem do pobre Lázaro, cheio de feridas, sentado no chão, com fome, imaginando comer algumas migalhas da mesa do rico. Estas duas imagens vemos diariamente, na televisão e nas ruas. Na cena do juízo final, na glória de Deus, com a presença de Abraão, ficam caracterizadas as duas opções: o acúmulo das riquezas leva ao sofrimento, enquanto no despoja-mento e na pobreza se encontra a paz de Deus. É a morte dos valores do mundo da ambição, e a prevalência dos valores do Reino de Deus.

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Oração

Pai, não permitas que nada neste mundo me impeça de ver o sofrimento de meu próximo e fazer-me solidário com ele.

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APROFUNDANDO NA PALAVRA

A riqueza que aliena dos bens do Reino

 Pobreza e riqueza são tão antigas como o mundo. Mas sempre constituíram problemas. As interpretações e soluções são várias. Há os que ligam pobreza e riqueza à "sorte" e ao acaso. Os que vêem na pobreza o sinal da incapacidade e da desordem moral, e na riqueza o sinal e o prêmio da inteligência e da virtude. Para outros, é precisamente o contrário: os honestos não enriquecem, porque para enriquecer é preciso ser um tanto inescrupuloso. Riqueza coincide com exploração do homem pelo homem; o rico é ladrão, pronto para tudo a fim de defender seus privilégios. ordem das coisas? 

Felizes os pobres, ai dos ricos

 Na Bíblia também encontramos dupla "leitura" da pobreza e da riqueza. Por um lado, a pobreza é escândalo, um mal a ser eliminado, um mal que é como que a cristalização do pecado, enquanto há na riqueza o sinal da bênção de Deus. O amigo de Deus é o homem dotado de todos os bens. O pobre é aquele no qual se manifesta a desordem do mundo. 

 Mas há também toda uma linha profética que termina no "ai de vós, os ricos!" de Jesus e que vê na riqueza o perigo mais grave de auto-suficiência e de afastamento de Deus e insensibilidade para com o próximo. E em contraposição ao "ai de vós, os ricos!" são "felizes os pobres": a pobreza se toma uma espécie de zona privilegiada para a experiência religiosa. O pobre é o amado de Deus; a ele é anunciado o Reino. O pobre é o primeiro destinatário da Boa-nova. A pobreza não é mais desgraça ou escândalo, mas bem-aventurança. A bem-aventurança do pobre será plenamente revelada depois da morte, com uma inversão da situação (evangelho). 

 A parábola do rico e do pobre Lázaro será considerada então como a aceitação fatalista de uma desordem constituída, na qual os ricos se tornam sempre mais ricos e os pobres mais pobres, e em que o rico oprime o pobre? Como consolação alienante para os pobres deste mundo? A religião será o ópio que entorpece e mantém inquietos os pobres? Não é evangélico esse modo de ler a parábola; é uma caricatura do evangelho. O evangelho é denúncia profética de qualquer ordem injusta, e é revelação das causas profundas da injustiça. O pobre pode ser também rico em potencial, e lutar não pela justiça, mas para tomar o lugar dos patrões. O evangelho é apelo à conversão radical para todos, pobres e ricos, conversão a ser feita imediatamente. 

...e força de transformação do mundo

 A parábola mostra como a perspectiva do futuro tem influência sobre o hoje e como a relação do homem com o homem incide na sua vida definitiva na presença de Deus. O evangelho é uma força dinâmica de transformação "contínua". A aventura do amor, inaugurada por Cristo e prosseguida depois dele, convidando o homem a consentir ativamente na lei da liberdade, causou, de fato, mudança progressiva nas relações dos homens... Não é, porém, um manifesto revolucionário nem um programa de reforma em matéria social. É algo maior e mais essencial. O evangelho não nos ensina nada sobre revolução. Tentar construir uma teologia da revolução a partir do evangelho é iludir-se e não captar o essencial. No plano dos objetivos e dos meios, os cristãos e os não-cristãos devem apelar para os recursos da razão humana, científica e moral; uns e outros devem procurar as soluções eficazes, ainda que os comportamentos concretos possam divergir. Mas os cristãos, conquistados pela aventura do amor e só na medida que aceitam vivê-la com Como Cristo e em seu seguimento, estarão mais atentos em fazer com que ela não degenere em novas opressões e novo legalismo.

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Fonte: http://www.deusunico.com/paginas/Liturgiadapalavra2016/Liturgia%20da%20Palavra%202016.htm

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