MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Liturgia comentada do 25º Domingo do Tempo Comum 18 de Setembro 2016

Ano C: Verde

Primeira Leitura

Contra aqueles que dominam os pobres com dinheiro

Leitura da Profecia de Amós: 8,4-7 

4 Ouvi isto, vós que maltratais os humildes e causais a prostração dos pobres da terra; 5 vós que andais dizendo: "Quando passará a lua nova, para vendermos bem a mercadoria? E o sábado, para darmos pronta saída ao trigo, para diminuir medidas, aumentar pesos, e adulterar balanças, 6 dominar os pobres com dinheiro e os humildes com um par de sandálias, e para pôr à venda o refugo do trigo?” 7 Por causa sa soberba de Jacó, jurou o Senhor: "Nunca mais esquecerei o que eles fizeram".  Palavra do Senhor! - Graças à Deus!

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Comentário

Deus não castigará o povo, mas, pedirá contas aos exploradores

Agora os comerciantes são duramente criticados: também eles se enriquecem graças à fraude e à exploração sistemática contra os pobres. Esses ricaços frequentam o santuário e não faltam a festas religiosas; porém, mesmo quando estão rezando, ficam a maquinar o que poderão fazer para ter mais lucro. O fim é eminente: a festa transformará em luto e a alegria em gemido. Pior que isso, porém, é que Deus recusará falar a essa gente que não quis ouvi-lo. Desse modo, ficarão privados de conhecer o projeto de Deus e, por isso, nem sequer terão possibilidade de conversão. Deus, que protege os pobres e oprimidos, ameaça retirar-se de uma sociedade que provoca sua cólera maltratando-os e oprimindo-os. 
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Salmo Responsorial - Sl 112(113),1-2.4-6.7-8   (R. cf. 1a.7b)

R. Louvai o Senhor, que eleva os pobres!

Ou: Aleluia, Aleluia, Aleluia.

1 Louvai, louvai, ó servos do Senhor, louvai, louvai o nome do Senhor! 2 Bendito seja o nome do Senhor, agora e por toda a eternidade!   (R)

4 O Senhor está acima das nações, sua glória vai além dos altos céus. 5 Quem pode comparar-se ao nosso Deus, ao Senhor, que no alto céu tem o seu trono 6 e se inclina para olhar o céu e a terra? (R)

7 Levanta da poeira o indigente e do lixo ele retira o pobrezinho, 8 para faze-lo assentar-se com os nobres, assentar-se com nobres do seu povo.   (R)
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Comentário

O grande mistério de Deus

Hino de louvor à misteriosa grandeza de Deus

O louvor se dirige ao Nome de Deus, revelado no momento da libertação da escravidão do Egito. Esse Deus será reconhecido para sempre como o Libertador. Deus é o grande soberano da história e do universo. Ninguém e nada se compara a ele. O mistério central é que este Deus se eleva e se abaixa: o Absoluto transcendente torna-se misteriosamente presente, para se relacionar com as criaturas. Deus se torna presente para fazer justiça: libertar os pobres e os fracos, dando-lhes a maior dignidade. Na sua justiça, ele recupera os que são marginalizados pelo egoísmo de outros. Aqui, o exemplo de libertação é a recuperação da dignidade da mulher: no mundo semita, a mulher devia estar sempre em pé para servir aos homens, e a esterilidade era considerada maldição.

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Segunda Leitura

Recomendo que se façam orações a Deus por todos os homens. Deus quer que todos sejam salvos

Leitura da Primeira Carta de São Paulo a Timóteo 2,1-8

Caríssimo, 1 antes de tudo, recomendo que se façam preces e orações, súplicas e ações de graças, por todos os homens; 2 pelos que governam e por todos que ocupam altos cargos, a fim de que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda a piedade e dignidade. 3 Isto é bom e agradável a Deus, nosso Salvador; 4 ele quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. 5 Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, 6 que se entregou em resgate por todos. Este é o testemunho dado no tempo estabelecido por Deus, 7 e para este testemunho eu fui designado pregador e apóstolo, e - falo a verdade, não minto - mestre das nações pagãs na fé e na verdade. 8 Quero, portanto, que em todo o lugar os homens façam a oração, erguendo mãos santas, sem ira e sem discussões. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário

Deus quer que todos os homens sejam salvos

 O autor recomenda que os cristãos incluam na sua oração todos os homens, É a oração litúrgica universal, impulsionada pela convicção de que Deus enviou seu Filho para salvar o mundo inteiro. Ser Igreja no mundo é testemunhar que o projeto de Deus está aberto para todos. Vivendo o amor com que Cristo amou, o cristão pode transformar o mundo. A oração, acompanhada de ação, torna possível a oferta da vida. O cristão que ora reconhece dia a dia que Cristo é o centro de sua vida e que fora dele não se pode viver. A oração por si mesma não leva a fazer coisas extraordinárias, porém muda o modo de ver, de situar-se e reagir às coisas, aos homens e acontecimentos. Leva a amar, a não desesperar por causa de pessoas ou situações, e olhar com olhos que não recusam ninguém. A oração significa, portanto, viver a vida com disponibilidade interior de confiança e esperança; é olhar com amor a vida e o mundo.
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Aclamação ao Evangelho                        2Cor 8,9

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.

V. Jesus Cristo, sendo rico, se fez pobre, por amor; para que sua pobreza nos, assim, enriquecesse.   (R)
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Evangelho

Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 16,1-13

Naquele tempo, 1 Jesus dizia aos discípulos: "Um homem rico tinha um administrador que foi acusado de esbanjar os seus bens. 2 Ele o chamou e lhe disse: 'Que é isto que ouço a teu respeito? Presta contas da tua administração, pois já não podes mais administrar meus bens'. 3 O administrador então começou a refletir: 'O senhor vai me tirar a administração. Que vou fazer? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha. 4 Ah! Já sei o que fazer, para que alguém me receba em sua casa quando eu for afastado da administração'. 5 Então ele chamou cada um dos que estavam devendo ao seu patrão. E perguntou ao primeiro: 'Quanto deves ao meu patrão?' 6 Ele respondeu: 'Cem barris de óleo!' O administrador disse: 'Pega a tua conta, senta-te, depressa, e escreve cinquenta!' 7 Depois ele perguntou a outro: 'E tu, quanto deves?' Ele respondeu: 'Cem medidas de trigo'. O administrador disse: 'Pega tua conta e escreve oitenta'. 8 E o senhor elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza. Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. 9 E eu vos digo: Usai o dinheiro injusto para fazer amigos, pois, quando acabar, eles vos receberão nas moradas eternas. 10 Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes, e quem é injusto nas pequenas também é injusto nas grandes. 11 Por isso, se vós não sois fiéis no uso do dinheiro injusto, quem vos confiará o verdadeiro bem? 12 E se não sois fiéis no que é dos outros, quem vos dará aquilo que é vosso? 13 Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro". Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário

O administrador desonesto

Jesus elogia o administrador, que soube tomar atitude prudente. O Reino de Deus já chegou: é preciso tomar uma atitude antes que seja tarde demais; converter-se e viver conforme a mensagem de Jesus. Os vv. 9-13 fazem diversas aplicações da parábola. O v.9 recomenda o uso da riqueza em favor dos pobres. Os vv. 10-12 mostram que é impossível ser fiel nas grandes coisas, quando somos negligentes nas pequenas. E o v. 13 urge uma decisão: escolher entre o serviço a Deus e o serviço às riquezas. Todo homem, consciente ou inconscientemente, tem na vida um valor fundamental, um absoluto que determina toda a sua forma de ser e viver. Qual é o absoluto: Deus ou as riquezas? Deus leva o homem à liberdade e à vida, através da justiça que gera a partilha e a fraternidade. As riquezas são resultados da opressão e da exploração, levando o homem à escravidão e à morte. É preciso escolher a quais dos dois queremos servir. O evangelho de hoje nos apresenta uma parábola exclusiva de Lucas. Uma das características desse evangelista é a crítica da acumulação de riquezas, incompatível com o Reino de Deus. Logo no início de seu evangelho, Lucas apresenta o cântico no qual Maria proclama que Deus "depôs poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou, cumulou de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias" (Lc 1,52-53). Na parábola de hoje o tema é o caráter e o destino das riquezas acumuladas. Na cena estão em evidência um homem rico e seu administrador. Estes são os "filhos deste mundo", espertos em seus negócios. O administrador já tinha adquirido a fama de dilapidar os bens do homem rico. Na iminência de ser despedido, ele ainda frauda o homem rico, favorecendo seus devedores, a fim de angariar amizades. O homem rico, embora lesado, identifica-se com o administrador em sua esperteza. Na aplicação da parábola, o dinheiro é caracterizado como "iníquo", e deve ser usado para fazer amigos. Os bens deste mundo, retido nas mãos de poucos, devem ser partilhados, colocando-se o amor fraterno acima das ambições individuais.
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Oração

 Espírito de determinação, afasta de mim toda tentação de acomodar-me, pouco me empenhando em vivenciar o que o Reino exige de mim.

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APROFUNDANDO NA PALAVRA

A riqueza para construir a fraternidade

 O mundo está geralmente dividido entre ricos e pobres. A contestação, a luta de classes parece baseada no princípio de que não há possibilidade de acordo senão pela eliminação de uma das partes. O anúncio do reino de Deus, do seu amor que salva, é feito num mundo dividido entre ricos e pobres. E um anúncio que, revolucionando o íntimo do homem, revoluciona também certo tipo de ordem social.

Uma falsa religião oculta a injustiça

 Há uma falsa religião que os profetas nunca cessaram de denunciar: a religião dos que julgam ter a consciência em dia sem muito esforço, cumprindo ritos e práticas exteriores de culto. Muitas vezes é uma aparência de religiosidade que serve para encobrir a exploração dos pobres.

De uma terra dividida...

 A amizade que o rico deve construir não é fruto de seu bom coração, mas exigência e dever que lhe advêm daquilo que possui. O que ele dá não deve parecer uma esmola. O pobre, na comunidade cristã, tem direitos a serem satisfeitos. O rico deve considerar-se mais um atento administrador dos bens do que um proprietário.

 "Não és acaso um ladrão, afirma são Basílio, tu que te apossas das riquezas cuja gestão recebeste?... Ao faminto pertence o pão que conservas; ao homem nu, o manto que manténs guardado; ao descalço, os sapatos que estão se estragando em tua casa; ao necessitado, o dinheiro que escondeste. Cometes assim tantas injustiças quantos são aqueles a quem poderias dar".

 E santo Ambrósio continua: "É justo, pois, que, se reivindicas como teu algo daquilo que foi dado em comum (a terra) ao gênero humano e até a todos os animais, ao menos dês uma parte aos pobres; eles participam do teu direito; não lhes negues o alimento".

 O que os Padres da Igreja pregam, referindo-se a casos particulares, agora inclui povos, nações, milhões de pessoas. Nações ou grupos multinacionais controlam toda a riqueza com uma liberdade que não se pode discutir, continuam a fazer da riqueza a fonte de divisões e se aproveitam dessas divisões para seu domínio econômico.

 Os capitais são transferidos de um país para outro onde pode haver maior incentivo para o lucro. Milhões de trabalhadores rurais não têm direito nem possibilidade de habitar em terras que, no entanto, são suas, enquanto grandes proprietários têm incultas suas terras, visando mais à exploração ou maior fonte de lucro.

...a uma terra de amizade

 Ambos os apelos só podem ser compreendidos e acolhidos pelo homem novo, renascido de Deus, que descobre o verdadeiro valor das coisas. Sem a conversão do coração, as riquezas nas mãos do homem se tomam riquezas de iniquidade, tanto no ato de possuir como no de dar. A doação feita para tranquilizar a consciência e não por amizade não é verdadeira doação.

 Toda decisão que não termina no amor está errada na raiz. Fazer amigos significa procurar, no uso dos bens, uma realização horizontal, entre irmãos, e não vertical, de alto para baixo. "O dinheiro, símbolo das coisas, é instrumento de divisão e de luta; deve tornar-se instrumento de comunhão entre as pessoas, de amizade, de igualdade, e não veículo de guerra e discriminação. Isto exige comunidade na produção, na distribuição, no consumo.

 Ora, a pobreza dos que têm bens, e não podem nem devem despojar-se deles, consiste em usá-los para criar amizade e comunicar-se com os homens. Este "fazei amigos" deve ser repensado em cada época e continuamente renovado no conteúdo" (A. Paoli).
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Fonte: http://www.deusunico.com/paginas/Liturgiadapalavra2016/Liturgia%20da%20Palavra%202016.htm





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