MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Liturgia comentada do domingo 07 de Agosto 2016

Ano C - Dia 07/08/2016 - Cor: Verde
19o. Domingo do Tempo Comum
Primeira Leitura
Aquilo com que puniste nossos adversários, serviu também para glorificar-nos
Leitura do Livro da Sabedoria                            18,6-9

6 A noite da libertação fora predita a nossos pais, para que, sabendo a que juramento tinham dado crédito, se conservassem intrépidos. 7 Ela foi esperada por teu povo, como salvação para os justos e como perdição para os inimigos. 8 Com efeito, aquilo com que puniste nossos adversários, serviu também para glorificar-nos, chamando-nos a ti. 9 Os piedosos filhos dos bons ofereceram sacrifícios secretamente e, de comum acordo, fizeram este pacto divino: que os santos participariam solidariamente dos mesmos bens e dos mesmos perigos. Isto, enquanto entoavam antecipadamente os cânticos de seus pais.  Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Libertação e julgamento

Este texto nos mostra uma variação bastante livre sobre a praga dos primogênitos, a Páscoa (Ex 12) e a travessia do mar Vermelho (Ex 14). É o ápice da ação de Deus, libertando o seu povo para a vida e julgando o opressor, com as mesmas armas que este havia usado contra o povo. Segundo Ex 12,42, Deus passou a noite em vigília para libertar Israel e por isso Israel lhe dedica a vigília pascal. Na primeira leitura de hoje, ouvimos a meditação do livro da Sabedoria sobre essa memória do povo. Sb 10,19 descreve a atuação da divina Sabedoria na história de Israel. Na “noite” (Sb 18,6) do êxodo, Deus castigou o Egito, fazendo morrer seus primogênitos; foi o juízo de Deus, para salvar Israel (Sb 18,14-19; cf. Ex 12,12.29). O texto lembra que os “pais” (os antigos israelitas) preparavam-se para essa noite (Ex 11,4-6), a noite da vigilância (Ex 12,42), celebrando Javé no escondido (Sb 18,9). Tal vigilância e fidelidade são tarefa para todas as gerações, até a libertação final.
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Salmo Responsorial  -  32(33),1 e 12.18-19.20 e 22   (R. 12b)
R. Feliz o povo que o Senhor escolheu por sua herança!
1 Ó justos, alegrai-vos no Senhor! Aos retos fica bem glorificá-lo. 12 Feliz o povo cujo Deus é o Senhor e a nação que escolheu por herança!   (R)

18 Mas o Senhor pousa o olhar sobre os que o temem, e que confiam esperando em seu amor, 19 para da morte libertar as suas vidas e alimentá-los quando é tempo de penúria.  (R)

20 No Senhor nós esperamos confiantes, porque ele é nosso auxílio e proteção! 22 Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!   (R)
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Comentário
O projeto de Deus se realizará
Hino de louvor ao Deus que cria o universo e intervém na história, conduzindo o seu povo para a vida
O motivo fundamental do louvor é a palavra e ação de Deus, que realizam a verdade, a justiça e o amor. A palavra de Deus é eficaz, criando e organizando o universo. O exército de Deus são as estrelas no céu. O projeto de Deus é liberdade e vida para todos. Projeto que se realizará, derrotando os projetos de escravidão e morte, feitos pelas nações. É tolice querer enganar ou manipular Deus.Ele discerne profundamente cada um e sabe através de quem vai realizar seu projeto. A realização do projeto de Deus não depende do poderio militar, mas da presença do próprio Deus, que age dentro da luta pela liberdade e vida. Quando o povo coloca sua esperança em Deus. Esse lhe responde com todo o seu amor.
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Segunda Leitura
Esperava a cidade que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor
Leitura da Carta de São Paulo aos Hebreus            11,1-2.8-19
Irmãos, 1 a fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca de realidades que não se vêem. 2 Foi a fé que valeu aos antepassados um bom testemunho. 8 Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu, sem saber para onde ia. 9 Foi pela fé que ele residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jacó, os co-herdeiros da mesma promessa. 10 Pois esperava a cidade alicerçada que tem Deus mesmo por arquiteto e construtor. 11 Foi pela fé também que Sara, embora estéril e já de idade avançada, se tornou capaz de ter filhos, porque considerou fidedigno o autor da promessa. 12 É por isso também que de um só homem, já marcado pela morte, nasceu a multidão "comparável às estrelas do céu e inumerável como a areia das praias do mar". 13 Todos estes morreram na fé. Não receberam a realização da promessa, mas a puderam ver e saudar de longe e se declararam estrangeiros e migrantes nesta terra. 14 Os que falam assim demonstram que estão buscando uma pátria, 15 e se lembrassem daquela que deixaram, até teriam tempo de voltar para lá. 16 Mas agora, eles desejam uma pátria melhor, isto é, a pátria celeste. Por isto, Deus não se envergonha deles, ao ser chamado o seu Deus. Pois preparou mesmo uma cidade para eles. 17 Foi pela fé que Abraão, posto à prova, ofereceu Isaac; ele, o depositário da promessa, sacrificava o seu filho único, 18 do qual havia sido dito: "É em Isaac que uma descendência levará o teu nome". 19 Ele estava convencido de que Deus tem poder até de ressuscitar os mortos, e assim recuperou o filho, o que é também um símbolo. Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
Fé e perseverança
A fé é o dinamismo que impulsiona o homem a fazer história. Possuindo a firme convicção da realidade de um mundo futuro melhor, o homem jamais se conforma com as estruturas pessoais e sociais existentes; nunca as torna por definitivas e absolutas. Essa inconformidade o leva a romper as cadeias da falsa segurança no já-pronto, para ser agente de novas formas de sociedade, e o impele a fazer de sua vida um processo sempre inacabado em busca da maturidade plena. A fé cristã afunda suas raízes no povo do Antigo Testamento. Escrevendo a cristãos temerosos diante das perseguições, o autor mostra que eles são os herdeiros da história do povo eleito. Lendo-a, os cristãos poderão descobrir modelos de fé viva, que levou o povo de Deus a construir a história em direção a Cristo.
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Aclamação ao Evangelho                 Mt 24,42a.44       
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. É preciso vigiar e ficar de prontidão; em que dia o Senhor há de vir, não sabeis não!     (R)
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Evangelho
Vós também, ficai preparados!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas    12,32-48

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 32 "Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o reino. 33 Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói. 34 Porque onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. 35 Que vossos rins estejam cingidos e as lâmpadas acesas. 36 Sede como homens que estão esperando seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem, imediatamente, a porta, logo que ele chegar e bater. 37 Felizes os empregados que o senhor encontrar acordados quando chegar. Em verdade eu vos digo: Ele mesmo vai cingir-se, fazê-los sentar-se à mesa e, passando, os servirá. 38 E caso ele chegue à meia-noite ou às três da madrugada, felizes serão, se assim os encontrar! 39 Mas ficai certos: se o dono da casa soubesse a hora em que o ladrão iria chegar, não deixaria que arrombasse a sua casa. 40 Vós também ficai preparados! Porque o Filho do homem vai chegar na hora em que menos o esperardes". 41 Então Pedro disse: "Senhor, tu contas esta parábola para nós ou para todos?" 42 E o Senhor respondeu: "Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocará frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa? 43 Feliz o empregado que o patrão, ao chegar, encontrar agindo assim! 44 Em verdade eu vos digo: o senhor lhe confiará a administração de todos os seus bens. 45 porém, se aquele empregado pensar: 'Meu patrão está demorando', e começar a espancar os criados e as criadas, e a comer, a beber e a embriagar-se, 46 o senhor daquele empregado chegará num dia inesperado e numa hora imprevista, ele o partirá ao meio e o fará participar do destino dos infiéis. 47 Aquele empregado que, conhecendo a vontade do senhor, nada preparou, nem agiu conforme a sua vontade, será chicoteado muitas vezes. 48 Porém, o empregado que não conhecia essa vontade e fez coisas que merecem castigo, será chicoteado poucas vezes. A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido!  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
À espera do Senhor
Esperando continuamente a chegada imprevisível do Senhor que serve, a comunidade cristã permanece atenta, concretizando a busca do Reino através da prontidão para o serviço fraterno. A longa espera da segunda vinda do Senhor pode levar o discípulo a esmorecer e a desanimar. Quanto maior a incerteza do dia e da hora, tanto maior a tentação de debandar para o pecado, a idolatria e a impiedade. Perseverar na espera é prova de fidelidade. Jesus se serve de duas imagens para ilustrar o estado de constante vigilância do discípulo. A primeira é estar com os rins cingidos com o cinto." Alusão à veste comprida usada pelos orientais, arregaçada e amarrada na cintura, por meio de uma faixa, enquanto se trabalhava ou viajava, para não lhes impedir os movimentos. A segunda é estar com as lâmpadas acesas, sugerindo que a vinda inesperada pode dar-se a qualquer momento, inclusive à noite. Em termos concretos, a vigilância expressa-se na prática incessante da misericórdia e da justiça. O discípulo é incansável no amor. Sua opção mantém-se inalterada, mesmo desconhecendo o dia e a hora do encontro com o Senhor. Esta demora é irrelevante. Antes, quanto mais o Senhor tarda a chegar, tanto mais terá tempo para fazer o bem. A demora, neste caso, é vista pelo prisma positivo: a possibilidade de manifestar sua capacidade de amar, e não pelo prisma negativo, como se tivesse sido vítima do descaso e do abandono do Senhor. Perseverar no amor é uma autêntica bem-aventurança. Só os verdadeiros discípulos são capazes disso. Um dos principais conteúdos da pregação apostólica nas primeiras comunidades cristãs era a proximidade da parusia, ou seja, a volta iminente de Jesus para o juízo final. Nesta expectativa havia um empenho em viver autenticamente a fé, nas comunidades. Porém, com o passar do tempo, sem nada ocorrer e sem sinais próximos da parusia, o ardor das comunidades começa a esfriar. Os evangelistas empenham-se, então, em reanimá-las, mantendo acesa a chama desta expectativa. É necessário permanecer de prontidão e atentos. Os que assim estiverem, esperando o seu Senhor, são proclamados bem-aventurados. São os que estão vigilantes, empenhados em fazer a vontade do Pai, que é o serviço à vida, na justiça e no amor. Nesta parábola, é admirável como o próprio Senhor arregaçará sua veste e se porá a servir àqueles que encontrar vigilantes, como Jesus na última ceia, no evangelho de João (13,2-15). Hoje, as comunidades, conscientes da presença de Jesus no seu meio, movidas pelo amor e vigilantes quanto às necessidades de seus irmãos, empenham-se na construção de uma sociedade mais justa, em um mundo novo. Estas duas parábolas comparativas são estimulantes a partir da expectativa da volta do Senhor. A primeira, sobre o dono da casa e a vinda do ladrão, é dirigida aos discípulos em geral, que devem estar atentos, vigiando, isto é, zelosos em praticar a vontade de Deus. A segunda, sobre o servo que cuida da criadagem do senhor, é dirigida àqueles que têm a missão de conduzir a comunidade. É provável que ela fosse inicialmente dirigida aos fariseus, aplicando-se, em seguida, aos líderes das comunidades de discípulos de Jesus. Todos devem assumir com humildade suas responsabilidades, estando atentos às necessidades dos irmãos, sem impor ou dominar os demais.
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Oração
Pai, leva-me a tomar consciência de que muito será exigido de mim, pois muito me foi dado. Que minha vida seja compatível com minha condição de discípulo do teu Reino.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Permaneçamos vigilantes
O evangelho “atualiza” a lembrança da vigília de Israel no tema da vigilância escatológica. A comunidade cristã era uma minoria vulnerável, um “pequeno rebanho” (12,32). Porém, a ela pertence o Reino, a comunhão com Deus. Nisso entram diversas considerações. Lembrando o ensino de Jesus sobre a riqueza (Lc 12,33-34; cf. domingo passado), o evangelho ensina que o discípulo deve estar livre, procurando só o que está guardado ou depositado (a tradução diz “tesouro”) junto a Deus. Os versos seguintes, Lc 12,35-48, ensinam então a vigilância (cf. primeira leitura): perceber o momento! Os servos devem estar prontos para a volta do seu Senhor, pois essa volta será o juízo tanto sobre os que estiverem atentos quanto sobre os despreocupados. E essa vigilância consiste na fidelidade no serviço confiado a cada um (cf. Mt 24,43-51; 25,1-13; Mc 13,35).
Lucas nos faz ver nossa vida em sua dimensão verdadeira. Vivendo no ambiente mercantilista do império romano, o evangelista vê constantemente o mal causado pelas falsas ilusões de riqueza e bem-estar, além do escândalo da fome (cf. 16,19-31). Se escrevesse hoje, não precisaria mudar muito. Ensina-nos a vigilância no meio das vãs ilusões.
A leitura continua com outras sentenças e parábolas referentes à parusia. Elas explicam, de maneira prática, o que a vigilância implica. Com a imagem do administrador sensato e fiel (12,42), Lucas ensina a cuidar do bem de todos os que estão em casa. Pela pergunta introdutória de Simão Pedro (12,41), parece que isso se dirige, sobretudo aos líderes da comunidade. A vigilância não significa ficar de braços cruzados, esperando a parusia acontecer, mas assumir o bem da comunidade (cf. 1Ts 5). Lucas fala também da responsabilidade de cada um (12,47-48). Quem conhecia a vontade do Senhor e, contudo, não se preparou será castigado severamente, e o que não conhecia essa vontade se salva pela ignorância; a quem muito se deu, muito lhe será pedido; a quem pouco se deu, pouco lhe será pedido.
O importante dessa mensagem é que cada um, ao assumir no dia a dia as tarefas e, sobretudo, as pessoas que Deus lhe confiou, está preparando sua eterna e feliz presença junto a Cristo, que é, conforme Lc 13,37 e 22,27, “o Senhor que serve” (o único que serve de verdade). Cristo ama efusivamente a gente que ele confia à nossa responsabilidade. Não podemos decepcionar a esperança em nós depositada.
A visão da vigilância como responsabilidade mostra bem que a religião do evangelho não é ópio do povo, como Marx a chamou. A fé, vista na perspectiva do evangelho de hoje, implica até a conscientização política, quando, solícito pelo bem dos irmãos, se descobre que bem administrar a casa não é passar de vez em quando uma cera ou um verniz nos móveis, mas também, e sobretudo, mexer com as estruturas tomadas pelos cupins...
Tal vigilância escatológica não é uma atitude fácil. Exige que a gente enxergue mais longe que o nariz. É bem mais fácil viver despreocupado, aproveitar o momento... pois, afinal, “quem sabe quando o patrão vai voltar?” (cf. Lc 12,45).

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Fonte: Deus Único

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