MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

sábado, 27 de agosto de 2016

Liturgia Comentada do 23ª Domingo do tempo comum (04 de Setembro 2016)

Ano C– Verde

Primeira Leitura
Quem pode conhecer os desígnios do Senhor?

Leitura do Livro da Sabedoria - 9,13-18

13 Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Ou quem pode imaginar o desígnio do Senhor? 14 Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos e nossas reflexões incertas: 15 porque o corpo corruptível torna pesada a alma e, tenda de argila oprime a mente que pensa. 16 Mal podemos conhecer o que há na terra, e com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos; quem, portanto, investigará o que há nos céus?
17 Acaso alguém teria conhecido o teu desígnio, sem que lhe desse sabedoria e do alto lhe enviasses teu santo espírito? 18 Só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na terra, e os homens aprenderam o que te agrada, e pela sabedoria foram salvos. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Oração da autoridade
Encerrando a longa advertência às autoridades, o autor apresenta a oração que deve nortear todos os governantes. O primeiro pedido é o dom da sabedoria, que permite às autoridades o discernimento, para realizar a justiça que Deus quer. Esta oração mostra que a autoridade não deve usurpar o lugar de Deus. Sua função é suplicar o dom de compreender o projeto dele, a fim de poder viabilizá-lo na história.
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Salmo Responsorial    -    Sl 89(90),3-4.5-6.12-13.14 e 17     (R. 1)
R. Vós fostes, ó Senhor, um refúgio para nós;
3 Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” 4 Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou. (R)
5 Eles passam como o sono da manhã, 6 são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca. (R)
12 Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! 13 Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos! (R)
14 Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! 17 Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tomai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho. (R)
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Comentário
Deus, confirma a nossa vida!
Oração coletiva de súplica, diante da fragilidade e brevidade da vida humana
O que é a vida humana diante da eternidade de Deus? Ele ultrapassa as gerações humanas e toda a criação. Enquanto isso, o homem vive brevemente e acaba morrendo. A vida humana torna-se ainda mais curta por causa do pecado e suas conseqüências: além de breve, ela se transforma em fadiga inútil. O homem é tão frágil que não pode sequer suportar a força e o peso da ira de Deus, que é castigo pelo pecado. O que fazer? O versículo 12 mostra que, diante dessa realidade, só resta pedir que Deus nos dê um coração sábio, para vivermos bem o tempo de que dispomos. Súplica para que Deus preencha esta vida breve com alegria e júbilo, compensando os anos maus e tristes. É contemplando a obra de Deus na história que se aprende a viver, suplicando sempre que Deus abençoe e confirme aquilo que o homem realiza com tanto esforço.
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Segunda Leitura
Recebe-o, não mais como escravo mas como um irmão querido
Leitura da Carta de São Paulo a Filêmon           9b-10.12-17
Caríssimo: 9b Eu, Paulo, velho como estou e agora também prisioneiro de Cristo Jesus, 10 faço-te um pedido em favor do meu filho que fiz nascer para Cristo na prisão, Onésimo. 12 Eu o estou mandando de volta para ti. Ele é como se fosse o meu próprio coração. 13 Gostaria de tê-lo comigo, a fim de que fosse teu representante para cuidar de mim nesta prisão, que eu devo ao evangelho. 14 Mas, eu não quis fazer nada sem o teu parecer, para que a tua bondade não seja forçada, mas espontânea. 15 Se ele te foi retirado por algum tempo, talvez seja para que o tenhas de volta para sempre, 16 já não como escravo, mas, muito mais do que isso, como um irmão querido, muitíssimo querido para mim quanto mais ele o for para ti, tanto como pessoa humana quanto como irmão no Senhor. 17 Assim, se estás em comunhão de fé comigo, recebe-o como se fosse a mim mesmo. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Uma nova relação entre os homens
Paulo considera Onésimo como filho, porque foi graças a ele que Onésimo se converteu. O nome Onésimo significa “útil”. Pedindo que Filemon trate Onésimo como irmão, Paulo mostra que o Evangelho põe fim às diferenças entre os homens e esvazia completamente o estatuto da escravidão. Paulo assume inteira responsabilidade, propondo-se a pagar pessoalmente o dano causado pela fuga de Onésimo. Mas lembra também que Filemon foi convertido por Paulo, a quem deve, por isso, a própria vida. Desse modo, o Apóstolo mostra que há valores muito mais importantes do que qualquer dívida material.
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Aclamação ao Evangelho                           Sl 118,135
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Fazei brilhar vosso semblante ao vosso servo e ensinai-me vossas leis e mandamentos!    (R)
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Evangelho
Quem não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas       14,25-33
Naquele tempo, 25 grandes multidões acompanhavam Jesus. Voltando-se, ele lhes disse: 26 "Se alguém vem a mim, mas não se desapega de seu pai e sua mãe, sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs e até da sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meu discípulo. 28 Com efeito: qual de vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro e calcula os gastos, para ver se tem o suficiente para terminar? Caso contrário, 29 ele vai lançar o alicerce e não será capaz de acabar. E todos os que virem isso começarão a caçoar, dizendo: 30 'Este homem começou a construir e não foi capaz de acabar!' 31 Ou ainda, qual o rei que ao sair para guerrear com outro, não se senta primeiro e examina bem se com dez mil homens poderá enfrentar o outro que marcha contra ele com vinte mil? 32 Se ele vê que não pode, enquanto o outro rei ainda está longe, envia mensageiros para negociar as condições de paz. 33 Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que tem, não pode ser meu discípulo!"  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
A liberdade do discípulo
Seguir a Jesus e continuar o seu projeto (= ser discípulo) é viver um clima novo na relação com as pessoas, com as coisas materiais e consigo mesmo. Trata-se de assumir com liberdade e fidelidade a condição humana, sem superficialismo, conveniência ou romantismo. O discípulo de Jesus deve ser realista, afim de evitar ilusões e covardias vergonhosas. O discipulado requer uma liberdade tal, que permita ao discípulo entregar-se ao Reino sem restrições. É preciso desfazer-se de tudo quanto possa constituir-se em empecilho para a concretização do projeto do Reino, cujas exigências fazem sentir seu peso. O primeiro sinal de liberdade refere-se aos laços familiares de parentesco. Fazer os interesses do Reino depender deles significa inviabilizá-los. Pode acontecer choque entre estes dois níveis de apelo. Mas o Reino deve prevalecer. O segundo sinal de liberdade diz respeito à predisposição a enfrentar as consequências de ter optado pelo Reino, até mesmo a morte violenta, como aconteceu com Jesus. O discípulo é livre diante da própria vida, de modo especial, em tempo de perseguição e nas dificuldades. O terceiro sinal de liberdade refere-se à posse dos bens materiais: quem não renuncia a tudo quanto possui, não pode tornar-se discípulo de Jesus. O coração apegado aos bens materiais será incapaz de partilhá-los fraternalmente e mostrar-se solidário com os mais pobres. São exigências das quais não se pode furtar. Portanto, o discípulo deve discernir bem, antes de se decidir pelo Reino. Se não terá o desprazer de ver sua opção frustrar-se logo de saída. Jesus acolhe as multidões, que, movidas tanto pela curiosidade como pela esperança, o acompanhavam. Anuncia que o seu seguimento implica no desapego de laços familiares que fecham a família sobre si mesma, e no "carregar sua cruz", isto é, enfrentar as repressões que surgirão. Duas curtas parábolas mostram a necessidade de se estar consciente das consequências ao assumir seu seguimento, para não vacilar, depois, diante das dificuldades. A opção pelo seguimento é totalizante. É a renúncia a tudo que o mundo oferece como segurança. É a conquista da liberdade total, da libertação do medo da morte, o que transforma o discípulo em um fiel e solidário seguidor de Jesus.
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Oração
Pai, reforça minha disposição a ser discípulo de teu Reino, afastando tudo quanto possa abalar a solidez de minha adesão a ti e a teu Filho Jesus.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Opção de fé, opção radical
"O ato de fé em Jesus se realiza e se torna concreto abrangendo a realidade do homem em todas as suas dimensões, tanto as do corpo como as sociais e históricas. A adesão à sua pessoa, que se vive na nova comunidade, tem exigências radicais e comporta rupturas e o sacrifício de certas realidades e certos valores. A renúncia que se faz a certas realidades e certos valores ou é um ato de desespero e demissão ante o sentido da existência, ou a abertura da ordem terrena à realidade de Deus que vem do alto como graça.”
Renúncia como ato de fé
A renúncia ao mundo é um gesto que só se torna possível pela graça da fé no fato de que, em Jesus, Deus se dá gratuitamente ao mundo e que essa graça não pode ser arrancada nem pelo uso do mundo e o compromisso com ele nem pela simples fuga. Aliás, só quem tem com o mundo uma relação positiva pode abandoná-lo como valor positivo" (K. Rahner).
Se no evangelho, como no trecho de hoje, Jesus multiplica os apelos à renúncia, se convida a carregar a própria cruz e segui-lo, não é para que o homem fuja do mundo, mas sim para que o assuma e seja radicalmente fiel à condição humana.
Enquanto o homem pecador procura ser feliz, tratando de evitar tudo o que faz sofrer e como que eliminar a morte, e se apoiando unicamente naquilo que a vida presente pode oferecer, o cristão é convidado pela fé a enfrentar esta vida com o máximo realismo. Através do sofrimento, e mesmo da morte, ele dá sua contribuição insubstituível ao êxito da aventura humana. Se lhe acontece ter tristezas enquanto o mundo se alegra, sua tristeza, na realidade, é fecundidade de vida. Sabe que a morte é o caminho para a vida. Mas só obterá isso seguindo Jesus sob o impulso do seu Espírito.
Quem optou por Cristo está livre de si mesmo
Impregnado de amor de Deus, está o homem entregue às tarefas deste mundo, que ele executa não superficialmente ou apoiando-se nos próprios recursos humanos.
As duas breves parábolas de Lucas são uma severa a advertência contra qualquer compromisso superficial. Antes de empreender uma constituição é necessário sentar-se e fazer os cálculos, como igualmente antes enfrentar uma guerra. A fé é algo de radical e precisamos interrogar-nos se estamos prontos para tudo. É a opção de um homem maduro, que avalia atentamente o que lhe propõe a mensagem cristã. Não é fé de conveniência nem fácil romantismo nem desejo de pertença sociológica. Uma opção "madura" de fé exige, particularmente, autonomia e dedicação, valores inseparáveis. A autonomia, pela qual alguém é ele mesmo, inclui a aceitação de si mesmo, à aceitação dos outros aos quais pertence na convivência, a aceitação do outro no amor e no matrimônio, a aceitação do sentido da existência. Além disso, a autonomia implica um plano de realização de si que leve em conta esse contexto ambiental e uma tomada de posição pessoal que se torna abertura à dedicação. Dedicação significa capacidade de estreitar laços com as pessoas ou com as coisas, desinteressadamente, respeitando o valor das pessoas e das coisas, respeitando a própria dignidade.
Educar para a autonomia e a dedicação
A educação para a fé, especialmente nos jovens, deverá levar em conta essas observações. Se não se forma uma personalidade autônoma nas relações consigo mesmo, com o próximo e com Deus através da "existência”, corre-se o risco de comprometer o crescimento. Educação para a fé é educação integral; parte da recusa da simples aprendizagem mnemônica, da cultura livresca, e procura inserir o jovem na comunidade como lugar de experiência do encontro com Deus.
Mas sendo a fé primariamente dedicação pessoal, resposta a um am que se manifesta a nós, até a educação para a dedicação humana se torna importante, porque nos faz capazes de nos dedicarmos a Deus. A família é o lugar ideal para uma educação da fé. O amor é a dedicação entre pai e mãe, a doação de todas as suas energias aos filhos possibilitam compreensão do amor de Deus por nós e estimulam a corresponder concretamente.
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Fonte: Deus Único

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