MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Liturgia Comentada do 20ª Domingo do tempo comum (14 de Agosto 2016)

Ano C  Verde

Primeira Leitura
Geraste, em todo o país, um homem de controvérsia
Leitura do Livro do Profeta Jeremias           38,4-6.8-10

Naqueles dias, 4 disseram os príncipes ao rei: "Pedimos que seja morto este homem; ele anda com habilitade lançando o desânimo entre os combatentes que restaram na cidade e sobre todo o povo, dizendo semelhantes palavras; este homem, portanto, não se propõe o bem-estar do povo, mas sim a desgraça". 5 Disse o rei Sedecias: "Ele está em vossas mãos; o rei nada vos poderá negar".
6 Agarraram então Jeremias e lançaram-no na cisterna de Melquias, filho do rei, que havia no pátio da guarda, fazendo-o descer por meio de cordas. Na cisterna não havia água, somente lama; e assim ia-se Jeremias afundando na lama. 8 Ebed-Melec saiu da casa do rei e veio ter com ele, e falou-lhe: 9 "Ó rei, meu Senhor, muito mal procederam esses homens em tudo o que fizeram contra o profeta Jeremias, lançando-o na cisterna para aí morrer de fome; não há mais pão na cidade". 10 O rei deu, então, esta ordem ao etíope Ebed-Melec: "Leva contigo trinta homens e tira da cisterna o profeta Jeremias, antes que morra". Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
O profeta não de cala
O profeta não se cala, apesar de todas as tentativas de isolálo. Preso entre os soldados, ele começa a desencorajá-los da luta e continua anunciando a certeza de que Jerusalém cairá em poder da Babilônia.
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Salmo Responsorial    -   Sl 39(40),2.3.4.18 (R. 14b)
R. Socorrei-me, ó Senhor, vinde logo em meu auxílio!
2 Esperando, esperei no Senhor, e inclinando-se, ouviu meu clamor. (R)
3 Retirou-me da cova da morte e de um charco de lodo e de lama. Colocou os meus pés sobre a rocha, devolveu a firmeza a meus passos (R)
4 Canto novo ele pôs em meus lábios, um poema em louvor ao Senhor.Muitos vejam, respeitem, adorem e esperem em Deus, confiantes (R)
18 Eu sou pobre, infeliz, desvalido, porém, guarda o Senhor minha vida, e por mim se desdobra em carinho. Vós me sois salvação e auxílio: vinde logo, Senhor, não tardeis! (R)
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Comentário
O que posso esperar?
Súplica do justo desanimado diante das dificuldades e brevidade da vida.
O justo procura agüentar calado até onde pode. A razão principal é que o injusto, ao ouvi-lo reclamando, certamente dirá: “Não lhe disse que é bobagem ser justo?” Por fim, vem o desafio: “Que sentido tem uma vida tão curta? O homem é máscara vazia, e passageiro como a sombra! Faz tudo por nada, e não tira nenhum proveito”. Este salmo mostra também o ato de confiança total, que inclui um desafio ao próprio Deus: o justo se comprometeu de corpo e alma com o projeto de Deus. Agora, é Deus quem deve responder pela honra e sentido da vida do justo. Mas, Deus é misericordioso e fiel, jamais abandonará qualquer filho teu, que tenha depositado toda a sua confiança nele e em seu projeto.
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Segunda Leitura
Empenhemo-nos com perseverança no combate que nos é proposto
Leitura da Carta aos Hebreus 12,1-4
Irmãos, 1 rodeados como estamos por tamanha multidão de testemunhas, deixemos de lado o que nos pesa e o pecado que nos envolve. Empenhemo-nos com perseverança no combate que nos é proposto, 2 com os olhos fixos em Jesus, que em nós começa e completa a obra da fé. Em vista da alegria que lhe foi proposta, suportou a cruz, não se importando com a infâmia, e assentou-se à direita do trono de Deus. 3 Pensai pois naquele que enfrentou uma tal oposição por parte dos pecadores, para que não vos deixeis abater pelo desânimo. 4 Vós ainda não resististes até ao sangue na vossa luta contra o pecado. Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
Empenhemo-nos com perseverança
Após o exemplo de fé dos antigos, apresenta-se agora um modelo muito maior para nos estimular à perseverança: o próprio Jesus. Ele sofreu até à morte de cruz e, no entanto, agora está junto de Deus, glorificado pela ressurreição. Empenhemo-nos com perseverança. Jesus é o aperfeiçoador da fé, porque nele se torna realidade aquilo que cremos e esperamos. Ele conclui a peregrinação de retorno de seu povo para Deus e recebeu a glória (v.2). Não sozinho, porém, mas como cabeça e guia (autor), exemplo perfeito da obediência a Deus e na glorificação. Junto com ele estão os mártires e santos de todos os tempos: testemunhas de Cristo diante do mundo, demonstraram, com sua vida e morte a solidez da realidade sagrada em que acreditavam; testemunhas agora de nosso combate (cf 1Cor 4,9: “Fomos dados em espetáculo ao mundo, aos anjos e aos homens”), como antigos campeões já premiados pela vitória, encorajamo-nos com o exemplo deles. A oração eucarística recorda “aqueles que em todos os tempos vos foram agradáveis”, “nossos intercessores junto de vós”. Em comunhão conosco, ainda peregrinos, constituem parte da grande assembléia dos que foram salvos e que anunciam as maravilhas do Senhor.
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Aclamação ao Evangelho                                 1Ts 2,13
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Minhas ovelhas escutam minha voz, minha voz estão elas a escutar; eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar.    (R)
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Evangelho
Não vim trazer a paz, mas a divisão
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas     12,49-53
Naquele tempo disse Jesus aos seus discípulos: 49 "Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso! 50 Devo receber um batismo, e como estou ansioso até que isto se cumpra! 51 Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão. 52 Pois, daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; 53 ficarão divididos: o pai contra o filho e o filho contra o pai; a mãe contra a filha e a filha contra a mãe; a sogra contra a nora e a nora contra a sogra". Palavra da Salvação! Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
Fogo e divisão
A missão de Jesus desde o batismo até a cruz, é anunciar e tornar presente o Reino, entrando em choque com as concepções dominantes da sociedade. Por isso, é preciso tomar uma decisão diante de Jesus, e isso provoca divisões até mesmo no relacionamento familiar. As afirmações de Jesus devem ser entendidas no contexto do linguajar da época e no âmbito de seu serviço ao Reino de Deus. Caso contrário, arriscamo-nos a tirar conclusões precipitadas, que não correspondem à sua intenção: levar os discípulos a se engajarem, de forma mais decidida, no projeto proposto por ele. Na tradição bíblico-profética, o "fogo" era sinal do julgamento definitivo de Deus. É um elemento purificador, que consome as impurezas. Vir trazer fogo à Terra significa, pois, que a presença de Jesus tem a força de purificar o mundo da impureza do egoísmo e do pecado, permitindo que a graça e a salvação brilhem em todo seu esplendor. O batismo tem a ver com a morte de Jesus. Ela se torna uma espécie de banho purificador donde nasce um povo novo, sem maldade. Ser batizado, portanto, torna-se um imperativo tanto na vida de Jesus quanto na dos discípulos. Ele é imprescindível para quem pretende viver a vida nova do Reino. A divisão imposta por Jesus significa a eliminação da ilusória convivência do bem com mal, da justiça com a injustiça. Os falsos profetas são promotores desta falsa conciliação, que impede as pessoas de se decidirem, resolutamente, pelo Reino. Ninguém pode servir a dois senhores. Transformar a falsa conciliação em tensão purificadora é tarefa de quem foi enviado a este mundo para reconduzir a humanidade à amizade plena com Deus. Neste texto de Lucas, com algumas sentenças se encerra uma sequência de instruções aos discípulos. Jesus veio trazer à terra o fogo do Espírito. É o fogo do amor que gera a vida e anula as forças da morte. Em continuidade ao ministério de Jesus, as comunidades contam com a luz e a força do Espírito Santo. Cabe a estas comunidades propagar este fogo ao mundo. Tendo lançado o fogo do amor, Jesus terá o seu batismo, recebido de João, levado à plenitude pela aceitação da morte a que está condenado pelas autoridades judaicas. Ele sabe que o seu mergulho na morte será seguido da sua ressurreição e da manifestação do Espírito nas comunidades que se multiplicarão e darão continuidade à sua missão. A paz de Jesus não é como a paz dos poderosos deste mundo, paz sob o medo e sob a opressão. A paz de Jesus é fruto do compromisso com a verdade e com a justiça, na regeneração da vida. Assumir este compromisso provoca divisões em relação àqueles que, mesmo dentro da família, preferem continuar sob o domínio da ideologia dos poderosos, com sua falsa paz, e com seus ideais de inserção no mercado global, de sucesso pessoal e enriquecimento.
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Oração
Pai, que o batismo de Jesus, por sua morte de cruz, purifique-me de todo pecado e de toda maldade, como um fogo ardente, abrindo o meu coração totalmente para ti.

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