ENCONTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO

17 DE DEZEMBRO

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Homilia do 19º Domingo Comum (07.08.16)

“Não tenhais medo” 

O pequeno rebanho

No caminho para Jerusalém, para cumprir o que o Pai lhe dera como missão, Jesus instruiu os discípulos. Tem em volta de si um pequeno grupo de discípulos que O segue. A eles Jesus dirige essa palavra: “Não tenhais medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32). Mesmo numa situação de fragilidade, eles são a presença do Reino no mundo. São estimulados a estarem despojados para viver o Reino. O tesouro que lhes é proposto é guardado nos céus aonde o ladrão não chega nem a traça corrói. Ali estará também o coração que é a sede de todos os afetos e esperanças (Lc 12,33-34). O pequeno rebanho também deve ser vigilante. É necessário estar sempre pronto para poder ir ao encontro do Senhor quando vier. É preciso estar pronto, pois o Senhor pode vir a qualquer momento. A vida do pequeno rebanho deve ser organizada em vista da vinda do Senhor. Os discípulos mantêm a vigilância na espera de sua vinda que está próxima. E o fazem vivendo os valores do Reino. Não esperam desocupados. Paulo chama a atenção dizendo: “Quem não quer trabalhar, também não deve comer” (2Ts3,4). É uma vigilância ativa. O Senhor virá como um ladrão. “Vós também, ficai preparados! Porque o Filho do Homem vai chegar na hora em que menos O esperardes” (Lc 12,40). O discípulo é alertado a assumir sua condição e corresponder ao muito que lhe foi dado. Essa correspondência não se trata somente de encargos, mas da responsabilidade para com o Reino. Este é o muito que nos foi dado. É preciso corresponder.

Páscoa e vigilância

O livro da Sabedoria traz um belo texto sobre a Páscoa que celebra a espera e a vitória. Refletindo sobre a vigilância, lembramos que ela foi celebrada durante a noite numa situação difícil. Era o momento em que os primogênitos dos egípcios eram mortos e os filhos dos santos, isto é, o povo, preservados. “A noite da libertação fora predita… ela foi esperada como salvação para os justos e perdição para os inimigos” (Sb 18,6-7). A celebração da Páscoa na saída do Egito tem a característica de espera da libertação e vitória sobre o inimigo opressor. Ensina-nos que ela liberta e é destruição do mal que afeta os filhos de Deus que é o pecado, isto é, a recusa do Reino. A Páscoa celebrada através do ritual do batismo é purificação do mal, infusão da Vida Divina e introdução na comunidade dos justos. É sempre a vinda do Senhor.

Fé como espera.

Os pais de nossa fé esperaram, confiaram e viram os prodígios de Deus. Jesus disse que “Abraão viu o meu dia e se alegrou” (Jo 8,56). A carta aos Hebreus faz uma bela reflexão sobre sua fé. Ensina que os patriarcas tiveram a fé, viveram na fé, não viram a realização, mas nem por isso desanimaram. Sua fé garantia a certeza da realização das promessas de Deus. Por isso a definição de fé está unida à esperança: “A fé é um modo de possuir já o que ainda se espera e a convicção cerca de realidades que não se vêem” (Hb 11,1). Assim lemos sobre Abraão: “Foi pela fé que Abraão obedeceu à ordem de partir para uma terra que devia receber como herança, e partiu sem saber para onde ia” (id. 2). Vivendo da fé, podemos esperar que o Senhor venha. A fé nos faz viver essa presença através de nossa vida renovada. A celebração da Eucaristia é sempre um anúncio dessa vinda quando dizemos depois da consagração: “Vinde, Senhor Jesus”. Temos que recuperar a noção de esperança que se firma na vigilância.

Leituras: Sabedoria 18,6-9; Salmo 32;Hebreus 11,1-2.8-19; L nucas 12,32-48

Ficha nº – Homilia do 19º Domingo Comum (07.08.16)
Jesus instrui os discípulos sobre a vigilância. Devem despojar-se para acolher o Reino e ter um tesouro no Céu. Devem estar vigilantes ocupados com o Reino.
A Páscoa para os judeus é o momento da libertação e do castigo do inimigo. Tudo isso está presente na noite pascal com outro sentido.
O texto da carta aos Hebreus ensina que os pais do povo viveram da fé na esperança. O fato de não verem, não tirou a força da fé. 

Melhor prevenir que remediar 

Jesus insiste sobre a vigilância, pois Ele pode chegar a qualquer momento. Não se trata de amedrontar-nos, mas estimular-nos a viver bem e a sermos fiéis administradores dos bens e da casa de Deus.

O pequeno rebanho de Jesus é animado a fazer o caminho da boa administração que consiste em aplicar os bens no cuidado dos pobres. Esse é o tesouro que não acaba. Assim nosso coração estará onde estiver nosso tesouro, isto é, no Céu. De nós será pedido bastante, pois o tesouro que nos foi confiado é muito grande. Lemos no final do texto de hoje: “A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido” (Lc 12,48). Diz isso aos discípulos a quem foram confiadas as riquezas de Deus.

Não tenhamos medo de enfrentar, pois nos foi dada a inteligência espiritual.

Tudo brota da fé, como nos narra a Carta aos Hebreus. Abraão e Sara tiveram fé e conseguiram dar vida a uma multidão de povos. Seus descendentes foram capazes de, em segredo, fazerem um sagrado pacto de união no sofrimento e nos momentos bons. A fé dá realmente essa garantia e fortalece na espera.

Somente pela fé podemos entender a força da vigilância, esperando o Senhor chegar. Por isso dizemos que o homem prevenido vale por dois.

Jesus foi família

Nem precisamos lembrar que Jesus, em seu mistério de salvação, o fez na condição de família. Jesus nasceu tendo um homem chamado de pai e uma mãe. Sua vida foi dentro da família em suas condições humanas e espirituais de seu povo. }O Beato Paulo VI, citado, diz que “a aliança de amor e fidelidade, da qual vive a Sagrada Família de Nazaré, ilumina o princípio que dá forma a cada família, tornando-a capaz de enfrentar melhor as vicissitudes da vida e da história”. A família de Nazaré é o modelo. Retomando os ensinamentos da Igreja, o Papa cita o Concílio e os Papas João Paulo II e Bento XVI. A família é considerada em sua dignidade como comunidade de amor, enraizados em Cristo. Edificando o Corpo de Cristo tem uma missão própria na Igreja destinada ao amor conjugal, à procriação e educação dos filhos. Só em Cristo podemos entender essa missão.

1764.Matrimônio é um sacramento

Lemos no parágrafo 71: “A Escritura e a Tradição abrem-nos o acesso a um conhecimento da Trindade que se revela com traços da família A família é imagem de Deus… é comunhão de Pessoas” como na Trindade . Conhecemos Deus a partir da noção de família. Por Jesus, o matrimônio natural foi elevado à condição de Sacramento. Aquilo que Deus pôs em nós na criação, nós o temos como meio de santificação, isto é, realiza em nós a vida de Deus, iniciada em nós pelo Batismo. Não se trata só de um rito, “mas é o próprio Cristo que vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do matrimônio. Permanece com eles, concede-lhes a força de seguí-Lo, de levantar-se depois da queda, perdoar-se mutuamente e carregar o fardo uns dos outros”. Torna-se presente no matrimônio o amor de Cristo pela Igreja (seu povo). “Quando se unem numa só carne, representam o esponsal do Filho de Deus com a natureza humana” (AL 73). Essa união prefigura a felicidade da união de todos em Cristo. Nas fragilidades e temores estão igualmente unidos a Cristo que passou por nossas dores. Pelo que vemos, o matrimônio não pode ser tratado só como um fenômeno social

0 comentários:

Postar um comentário