MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Liturgia do 16º Domingo do tempo comum - 17 de Julho de 2016

Ano C - Dia 17/07/2016 - Cor: Verde
16o. Domingo do Tempo Comum
S. Lourenço de Bríndisi, presbítero e doutor da Igreja
Primeira Leitura
Meu Senhor, não prossigas viagem, sem parar junto a mim, teu servo
Leitura do Livro do Gênesis                              18,1-10a
Naqueles dias, 1 o Senhor apareceu a Abraão junto ao carvalho de Mambré, quando ele estava sentado à entrada da sua tenda, no maior calor do dia. 2 Levantando os olhos, Abraão viu três homens de pé, perto dele. Assim que os viu, correu ao seu encontro e prostrou-se por terra. 3 E disse: “Meu Senhor, se ganhei tua amizade, peço-te que não prossigas viagem, sem parar junto a mim, teu servo. 4 Mandarei trazer um pouco de água para vos lavar os pés, e descansareis debaixo da árvore. 5 Farei servir um pouco de pão para refazerdes vossas forças, antes de continuar viagem.
Pois foi para isso mesmo que vos aproximastes do vosso servo”. Eles responderam: “Faze como disseste”. 6 Abraão entrou logo na tenda, onde estava Sara e lhe disse: “Toma depressa três medidas da mais fina farinha, amassa alguns pães e assa-os. 7 Depois, Abraão correu até o rebanho, pegou um bezerro dos mais tenros e melhores, e deu-o a um criado, para que o preparasse sem demora. 8 A seguir, foi buscar coalhada, leite e o bezerro assado, e pôs tudo diante deles. Abraão, porém, permaneceu de pé, junto deles, debaixo da árvore, enquanto comiam. 9 E eles lhe perguntaram: “Onde está Sara, tua mulher?” “Está na tenda”, respondeu ele. 10a E um deles disse: “Voltarei, sem falta, no ano que vem, por este tempo, e Sara, tua mulher, já terá um filho”. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Existe alguma coisa impossível para o Senhor?
As pessoas devem estar abertas a situações corriqueiras, pois é através delas que Deus se manifesta para fazer o seu dom. O dom que Deus promete muitas vezes parece impossível e até mesmo sem cabimento para os homens; contudo, é através da impossibilidade dos homens que Deus torna possível a realização do seu projeto. Numerosas narrativas medievais apresentam o tema do pobre viajante que bate a uma porta pedindo alimento e pousada. Na hora da despedida transforma-se e, numa visão de luz, revela-se como Cristo em pessoa. É a parábola cristã da hospitalidade, a forma concreta de caridade. Também Abraão é apresentado à luz da "prova da hospitalidade". Deus, apresentando-se primeiro como desconhecido, manifesta-se depois com extrema familiaridade. Penetra todo o encontro o tom caloroso e simpática da caridade. É a conseqüência da aceitação sincera. A hospitalidade era uma das características mais apuradas das primeiras comunidades cristãs. Dão testemunho disto os Atos e as cartas apostólicas. Talvez tenhamos necessidade de redescobri-la em muitos casos. Enaltece-a o Vaticano II como obra de apostolado familiar: "Cumprirá a família a missão recebida de Deus... se prestar efetiva hospitalidade" e como manifestação prática de unidade dos sacerdotes.
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Salmo Responsorial    -    14(15),2-3ab.3cd-4ab.5    (R. 1a)
R. Senhor, quem morará em vossa casa?
2 Aquele que caminha sem pecado e pratica a justiça fielmente; 3a que pensa a verdade no seu íntimo 3b e não solta em calúnias sua língua. (R)
3c Que em nada prejudica o seu irmão, 3d nem cobre de insultos seu vizinho; 4a que não dá valor algum ao homem ímpio, 4b mas honra os que respeitam o Senhor. (R)
5 Não empresta o seu dinheiro com usura, nem se deixa subornar contra o inocente. Jamais vacilará quem vive assim! (R)
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Comentário
Condições para celebrar a fé
Diálogo litúrgico realizado na porta do Templo. O peregrino pergunta e um sacerdote responde sobre as condições necessárias para participar das celebrações
Este salmo nos mostra que as condições para celebrar a relação com Deus dependem todas da justiça no relacionamento social: integridade e verdade no uso tanto da palavra quanto do dinheiro.
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Segunda Leitura
O mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado aos seus santos
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses        1,24-28
Irmãos, 24 alegro-me de tudo o que já sofri por vós e procuro completar na minha própria carne o que falta das tribulações de Cristo, em solidariedade com o seu corpo, isto é, a Igreja. 25 A ela eu sirvo, exercendo o cargo que Deus me confiou de vos transmitir a palavra de Deus em sua plenitude: 26 O mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado aos seus santos. 27 A estes, Deus quis manifestar como é rico e glorioso entre as nações este mistério: a presença de Cristo em vós, a esperança da glória. 28 Nós o anunciamos, admoestando a todos e ensinando a todos, com toda sabedoria, para a todos tornar perfeitos em sua união com Cristo. Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Tornei-me ministro da Igreja para vos transmitir o mistério escondido por séculos e gerações
Paulo se alegra porque o seu sofrimento confirma que ele está anunciando o verdadeiro Evangelho (cf. Mc 13,5-10). O cerne da missão do Apóstolo é o mistério do projeto de Deus: Deus quer que também os pagãos participem da redenção realizada mediante Cristo. A conversão dos colossenses, que antes eram pagãos, manifesta visivelmente esse projeto de Deus. Paulo se esforça para que os cristãos intensifiquem a vivência do amor, e cheguem a conhecer toda a sabedoria e ciência que há em Cristo. Desse modo, eles permanecerão firmes na fé e tornarão capazes de discernir e resistir a qualquer coisa que possa desviá-los do Cristo anunciado pelo Evangelho. Na religião cristã o primado pertence a Deus e à sua ação. Graças a ele, podemos conhecê-lo e anunciá-lo. A graça e o dom de Deus ao mundo precedem o nosso esforço. O cristão nunca pode fazer abstração da ação dramática de Deus na encarnação, cruz e ressurreição de Cristo. Paulo sente-se dominado pela “amorosa doação” de Cristo, a ponto de reconhecer que “se um só morreu por todos, todos, portanto, morreram” (2Cor 5,14). Está consciente desta comunhão com os sofrimentos de Cristo, pois este deu a vida pelos irmãos (1Jo 3, 16). Dí-lo como palavras claras à comunidade de Colossas: “Fui eleito ministro da Igreja para dar pleno cumprimento ao mistério escondido desde a origem dos séculos” (v.25s). Quem evangeliza não procura camuflar a força do Evangelho em fórmulas modernas, mais agradáveis. Procura unicamente vivê-lo de modo mais transparente e transmiti-lo como o recebeu.
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Aclamação ao Evangelho                 Lc 8,15
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração, e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes!    (R)
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Evangelho
Marta recebeu-o em sua casa. Maria escolheu a melhor parte
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 10,38-42
Naquele tempo, 38 Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. 39 Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e escutava a sua palavra. 40 Marta, porém, estava ocupada com muitos afazeres. Ela aproximou-se e disse: "Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha, com todo o serviço? Manda que ela me venha ajudar!" 41 O Senhor, porém, lhe respondeu: "Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada por muitas coisas. 42 Porém, uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada".  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
Quem agiu corretamente?
Mais importante do que fazer as coisas, é fazê-las de modo novo. Para isso, é preciso ouvir a palavra de Jesus, que mostra o que fazer e como fazer. A experiência de acolhida e hospitalidade na casa de uma família amiga é um alívio para Jesus, depois dos tristes episódios de rejeição, na sua longa marcha para Jerusalém. Afinal, a cena evangélica torna-se uma ilustração viva das diferentes maneiras de acolher Jesus. Marta e Maria expressam duas formas de acolhimento: por um lado, o serviço generoso; por outro, a escuta atenta. Qual das duas atitudes apresenta-se como mais conveniente? O texto evangélico recupera o papel da mulher, na comunidade cristã. Marta representa o tipo tradicional de mulher, ocupada nas lides domésticas. A atitude de Maria tem um quê de novidade: ela assume a condição de discípula, que se coloca aos pés do Mestre para escutá-lo e, posteriormente, torna-se apóstola do Evangelho. Evangelicamente, só tem sentido escutar a Palavra, se fôr para colocá-la em prática. Esta é a situação de Maria. Sua escuta não é mero passatempo, nem puro gesto de referência a Jesus. A atitude de Maria corresponde a um avanço em relação àquela de Marta. A mulher cristã pode também tornar-se apóstola, superando o simples âmbito doméstico de sua ação. O único pré-requisito é estar em profunda comunhão com o Mestre, compreender o sentido de suas palavras e esforçar-se para testemunhá-las com a vida. Em Marta temos o serviço generoso, que é característico das novas comunidades. Em Maria temos a escuta atenta da palavra, que ilumina e prepara para a missão. Escutar a palavra é fundamental para que o serviço não se torne uma atividade vazia, mas seja orientado para o cumprimento da vontade do Pai. O serviço doméstico da mulher já era uma prática tradicional nas diversas culturas. Contudo, a mulher aplicada à escuta e ao discernimento da palavra, como um discípulo, é uma novidade, pois tal atividade era exclusiva dos homens nos ambientes religiosos do judaísmo. Percebe-se que Lucas está empenhado em ampliar o envolvimento da mulher nas novas comunidades. Além dos serviços elementares necessários, as mulheres também são chamadas a assumir a condição de discípulas. Aplicadas à escuta da palavra, devem envolver-se nas atividades missionárias, em vista do testemunho de amor a ser dado ao mundo.
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Oração
Pai, que o meu agir não seja movido por um ativismo insensível à palavra de Jesus. Antes, seja toda a minha ação em decorrência da escuta atenta desta palavra.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
A casa do cristão e a hospitalidade
Em todas as civilizações antigas, especialmente entre os povos nômades, a hospitalidade é sagrada, é ato religioso.
O hóspede, uma presença misteriosa
Israel faz não só uma leitura religiosa da hospitalidade, mas uma leitura de fé; o estrangeiro é um memorial vivo, lembra-lhe que outrora foi estrangeiro e escravo no Egito, que foi peregrino no deserto e que está na terra, de passagem.
Na narrativa de Abraão (1ª leitura) o estrangeiro é o "outro", que remete ao "Outro" por excelência, que é Deus. O Deus da fé é o "Forasteiro", o "Absolutamente-Outro", e que no entanto está próximo, visita o homem e revoluciona sua vida.
Quando o evangelho nos houver revelado tudo o que implica o acolhimento do outro, a hospitalidade descobrirá sua verdadeira face. No evangelho, Jesus se mostra como hóspede. Mais de uma vez é convidado à casa dos publicanos e pecadores (Zaqueu, Lc 19,5-10), pelos quais é acolhido com solicitude e desinteressadamente. A sua presença entre eles é o sinal vivo do amor que Deus lhes tem, um convite à conversão. Comer juntos é sinal de comunhão. Para comer com Cristo é preciso, na verdade, converter-se.
Cristo, hóspede
Jesus não se comporta como hóspede comum, também quando é recebido por amigos de longa data, como Marta e Maria (evangelho), ele exige atenção especial à sua mensagem e à sua pessoa. Acolher Cristo hóspede é principalmente “ouvi-lo”, pôr-se em atitude de receptividade, mais do que de dar. É ouvindo-o que se entra em comunhão com ele e se é transformado (Maria). Quem se preocupa mais com as coisas a dar (Marta) do que com a pessoa com quem se comunica, fica distante.
Jesus se manifesta sempre como "o forasteiro", que tira toda segurança e quer a renúncia total, que lança bases sólidas na linha do amor ligado ao reconhecimento dos outros como diferentes de si.
Este forasteiro veio aos seus, e os seus não o receberam (Jo 1,11). Aquele que morre na cruz é o "forasteiro" por excelência, rejeitado por todos; tão forasteiro que, depois da sua ressurreição, os peregrinos de Emaús não reconhecem no caminho, mas só quando lhe oferecem hospitalidade (Lc 24, 28-32)
A hospitalidade cristã, como acolhimento da presença transtornadora "do outro" na própria vida (Mt 25,35-36) e sobretudo como aceitação do "outro por nós" mesmo sendo nosso inimigo, é sinal privilegiado da fidelidade ao mandamento novo, sem fronteiras. Hospedar o outro é hospedar Cristo. Vaticano II lembra que "sobretudo nos nossos tempos, temos a imperiosa obrigação de nos tornarmos próximos de qualquer homem, indistintamente; se ele se nos apresenta, devemos servi-lo ativamente, quer seja um velho abandonado por todos, ou um operário estrangeiro injustamente desprezado, ou um exilado, ou uma criança nascida de união ilegítima sofrendo imerecidamente por uma falta que não cometeu, seja m faminto que interpela a nossa consciência recordando a voz do Senhor: 'Todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim é que o fizestes"' (GS 27). Entre as obras de apostolado familiar indica: "adotar como filhos crianças abandonadas, acolher com bondade os estrangeiros" (AA 11, e).
Vencer a solidão e o anonimato
Uma das características da nossa civilização urbana é o anonimato. Moramos no mesmo edifício e não nos conhecemos.
Assistimos a uma crescente privatização da vida familiar e social, a uma fuga acelerada para o "privado" e nos adaptamos passivamente. As estruturas sociais provocam nos indivíduos solidão, opressão, alienação angústia, e nós não contestamos. O anonimato é uma realidade ambígua; se, por um lado é uma condição alienante, por outro, pode tornar-se condição de liberdade. Nessas condições de vida, qual deve ser o comprimento do cristão? Os atuais movimentos de ideias e os novos modelos que não cessam de nascer, provocam a intervenção ativa dos cristãos para fazer da família ma comunidade aberta ao diálogo com o mundo, superando todo egoísmo, promovendo autêntica educação social, educando os filhos ara o encontro e o colóquio com os outros, partindo das pequenas comunidades de conjuntos residenciais, de bairro, ou de escola, até a mais ampla atividade administrativa e política.
O papel dos cristãos será também o de apoiar os movimentos de jovens, que favorecem a solidariedade, o auxilio aos outros, o engajamento comunitário.
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Postado originalmente no site: Deus Unico
 

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