MISSA DO ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

27 DE AGOSTO

terça-feira, 26 de julho de 2016

Liturgia comentada do 18º. Domingo do Tempo Comum - 31/07/2016

Ano C - Cor: Verde

Primeira Leitura
Que resta ao homem de todos os seus trabalhos?
Leitura do Livro do Eclesiastes               1,2;2,21-23

2 ”Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade". 2,21 Por exemplo, um homem que trabalhou com inteligência, competência e sucesso, vê-se obrigado a deixar tudo em herança a outro que em nada colaborou. Também isso é vaidade e grande desgraça. 22 De fato, que resta ao homem de todos os trabalhos e preocupações que o desgastam debaixo do sol? 23 Toda a sua vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa o seu coração. Também isso é vaidade.
Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
A vida é passageira! O Sucesso resolve?
É a síntese de todo o livro: examinando a situação em que o povo vive, a conclusão é que tudo é frágil e passageiro. O povo vive trabalhando.
E que proveito ele tira do seu trabalho? Há quem pense que o muito trabalho poderá assegurar felicidade e realização. Porém, de que vale fatigar-se para acumular coisas que a própria pessoa não conseguirá desfrutar? No fim, tudo fica para os outros que, em geral, não fizeram esforço nenhum.
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Salmo Responsorial - Sl 89(90),3-4.5-6.12-13.14  e 17   (R. 1)
R. Vós fostes ó Senhor, um refúgio para nós.
3 Vós fazeis voltar ao pó todo mortal, quando dizeis: “Voltai ao pó, filhos de Adão!” 4 Pois mil anos para vós são como ontem, qual vigília de uma noite que passou.   (R)

5 Eles passam como o sono da manhã, 6 são iguais à erva verde pelos campos: De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca.    (R)

12 Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! 13 Senhor, voltai-vos! Até quando tardareis? Tende piedade e compaixão de vossos servos!    (R)

14 Saciai-nos de manhã com vosso amor, e exultaremos de alegria todo o dia! 17 Que a bondade do Senhor e nosso Deus repouse sobre nós e nos conduza! Tomai fecundo, ó Senhor, nosso trabalho.   (R)
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Comentário
Deus, confirma a nossa vida!
Oração coletiva de súplica, diante da fragilidade e brevidade da vida humana
O que é a vida humana diante da eternidade de Deus? Ele ultrapassa as gerações humanas e toda a criação. Enquanto isso, o homem vive brevemente e acaba morrendo. A vida humana torna-se ainda mais curta por causa do pecado e suas conseqüências: além de breve, ela se transforma em fadiga inútil. O homem é tão frágil que não pode sequer suportar a força e o peso da ira de Deus, que é castigo pelo pecado. O que fazer? O versículo 12 mostra que, diante dessa realidade, só resta pedir que Deus nos dê um coração sábio, para vivermos bem o tempo de que dispomos. Súplica para que Deus preencha esta vida breve com alegria e júbilo, compensando os anos maus e tristes. É contemplando a obra de Deus na história que se aprende a viver, suplicando sempre que Deus abençoe e confirme aquilo que o homem realiza com tanto esforço.
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Segunda Leitura
Esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses       3,1-5.9-11
Irmãos, 1 se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; 2 aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. 3 Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. 4 Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória. 5 Portanto, fazei morrer o que em vós pertence à terra: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e a cobiça, que é idolatria. 9 Não mintais uns aos outros. Já vos despojastes do homem velho e da sua maneira de agir 10 e vos revestistes do homem novo, que se renova segundo a imagem do seu criador, em ordem ao conhecimento. 11 Aí não se faz distinção entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, inculto, selvagem, escravo e livre, mas Cristo é tudo em todos.
Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Morrestes com Cristo; mortificai também vossos membros
Paulo não despreza as realidades terrestres. “Procurar as coisas do alto” significa descobrir a vida nova revelada em Jesus Cristo. O cristão já participa da vida que Jesus vive no mistério de Deus. Essa purificação deve crescer e concretizar-se cada vez mais na história; quando Jesus estiver plenamente manifesto através do testemunho dos cristãos, então essa participação também se tornará completamente manifesta. Estes, conhecendo a vida de Cristo são capazes de discernir e criticar tudo o que não conduz à plena realização humana. Através do batismo, os cristãos passam por uma transformação radical: deixam de pertencer à velha humanidade corrompida (homem velho) e começam a pertencer à nova humanidade (homem novo), que é a criação realizada em Cristo, o novo Adão, imagem de Deus. Na comunidade cristã, semente da nova humanidade, não se admitem distinções de raça, religião, cultura ou classe social: todos são iguais e participam igualmente da vida de Cristo. A transformação é coisa prática: deixar as ações que visam egoisticamente aos próprios interesses, em troca de ações a serviço da reconciliação mútua e do bem comum. Ser “ressuscitado com Cristo” é coisa extraordinária, ao mesmo tempo graça e “morte”. Isto não significa que deva o cristão viver de experiências religiosas extraordinárias. Pelo contrário, a existência cristã é hoje mais do que nunca desprovida de “êxito” aparente. Não tem, sobretudo hoje, as grandes possibilidades de luz e conquista do cristianismo primitivo, mas na sinceridade da fé e na “cotidianidade” assume nova qualidade de transparência, pureza, coragem, abandono. Este estilo é a “salvação” do cristão. Exige que ele saiba passar da vaidade dos sentidos à verdade oculta e profunda do coração. Cumpre ir até o fundo da existência humana, renovar as estruturas interiores até deixar transparecer em si a imagem de Deus (v.10). Isto é ser o fermento escondido na massa e requer coração de pobre. Então, só assim, é possível a celebração viva do Ressuscitado.
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Aclamação ao Evangelho              Mt 5,3
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.  
V. Felizes os humildes de espírito, porque deles é o Reino dos Céus.      (R)
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Evangelho
E para quem ficará o que acumulaste?
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 12,13-21
Naquele tempo, 13 alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: "Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo". 14 Jesus respondeu: "Homem, quem me encarregou de julgar ou de dividir vossos bens?" 15 E disse-lhes: "Atenção! Tomai cuidado contra todo o tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens". 16 E contou-lhes uma parábola: "A terra de um homem rico deu uma grande colheita. 17 Ele pensava consigo mesmo: 'O que vou fazer? Não tenho onde guardar minha colheita'. 18 Então resolveu: 'Já sei o que fazer! Vou derrubar meus celeiros e construir maiores; neles vou guardar todo o meu trigo, junto com os meus bens. 19 Então poderei dizer a mim mesmo: Meu caro, tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita!' 20 Mas Deus lhe disse: 'Louco! Ainda nesta noite, pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?' 21 Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus".   Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
A riqueza vã
No caminho da vida, o homem depara com o problema das riquezas. Jesus mostra que é idiotice acumular bens para assegurar a própria vida. Só Deus pode dar ao homem a riqueza que é a própria vida. Jesus deve ter percebido a mentalidade de muitas pessoas exageradamente preocupadas em adquirir e acumular bens. Se os discípulos desejassem ser fiéis ao Reino, deveriam precaver-se contra atitudes deste gênero. Daí a preocupação do Mestre em alertá-los. Tudo, na vida do rico, gira em torno do próprio eu: "meus celeiros", "meu trigo", "meus bens". Em sua vida, não existe espaço para Deus e para o próximo. Tudo é pensado em função de sua satisfação pessoal: "Ó minha alma, descansa, come, bebe, regala-te, pois tens bens acumulados para muitos anos". Solidariedade, partilha, misericórdia são palavras banidas de seu vocabulário. Sua avareza impede-o de sensibilizar-se diante das necessidades do próximo. Todavia, como não somos feitos só para esta vida, a morte confronta-nos com outra realidade: a vida eterna. Aqui, só têm valor os gestos de fraternidade, a bondade para com o excluídos e carentes, a capacidade de fazer-se próximo de quem sofre. Este é o verdadeiro tesouro a ser acumulado durante a vida terrena. Os bens materiais, quando partilhados, podem ser instrumentos para adquirir este tesouro eterno. Acumulá-los significa torná-los infrutíferos, ou seja, inúteis. O discípulo do Reino, por ter seu coração centrado em Deus e no próximo, sabe ser generoso com quem necessita de sua ajuda fraterna. Jesus rejeita a função de mediador em uma questão de partilha de herança. Não fica na casuística, mas vai ao fundo da questão: a ambição da riqueza. Dirige-se, não só ao homem que o procurou, mas a todos, prevenindo-os contra a ganância. Toda acumulação de bens, a partir do trabalho de outros, é injusta, e inaceitável. Mesmo que a posse de bens acumulados seja resultado de uma herança, tal posse não pode ser o sentido da vida. Com a parábola do homem rico que armazenou a abundante colheita Jesus mostra a tolice daquele que busca sua segurança na riqueza. É a solidariedade e a partilha com os mais necessitados que nos levam à comunhão de vida eterna com Jesus e com o Pai.
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Oração
Pai, preserva-me do apego exagerado às riquezas, as quais me tornam insensível às necessidades do meu próximo. Que eu descubra na partilha um caminho de salvação.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
O dinheiro, uma falsa segurança
Uma das necessidades fundamentais do homem é a segurança. Ele procura, apaixonada e necessariamente, um fundamento estável onde apoiar sua existência. Ora, um movimento tão antigo quanto o homem é o dos que escolhem, como pedra fundamental da própria vida, as coisas, o dinheiro.
Quando o dinheiro se torna deus
O dinheiro é tudo, dizem eles. O dinheiro é poder, é o poder. Sem dinheiro nada se pode fazer. O dinheiro dá ao homem a segurança, a possibilidade de fazer tudo. Desencadeia-se então o mecanismo da acumulação; o dinheiro nunca é demais, torna-se idolatria. Quando o dinheiro se torna o próprio deus, está-se disposto a tudo para obtê-lo.
À sede do dinheiro opõe o homem ao homem. Se cada um procura ter mais, o outro se torna concorrente a superar ou a eliminar. À repartição da herança sempre foi um momento difícil para as famílias. É quase impossível fazer as partes iguais. E a divisão da herança causa a divisão da família.
O dinheiro é fonte de todas as hierarquias sociais, de todas as discriminações; quem tem mais, está mais elevado; os homens não são mais iguais, distinguem-se conforme o que têm.
O homem do dinheiro se torna homem "sozinho", homem alienado, escravo. O dinheiro se transforma em prisão. O homem do dinheiro é o homem velho.
Cristo não escolheu o caminho do poder para fazer justiça
O problema da divisão da riqueza é um dos mais graves em todos os níveis. Como intervém Cristo nesta situação? Por que Cristo se recusa a ser juiz entre os dois? Porque sua missão não é fazer justiça pelo caminho do poder. O poder se justifica moralmente quando se põe a serviço da justiça. Cristo não o condena enquanto poder. Só que o poder não é o caminho que ele escolheu para "fazer justiça".
Cristo retoma, acima de tudo, o ensinamento da sabedoria humana, já expresso no Antigo Testamento, traduzindo-o na parábola do rico insensato (Lc 12,16-21). As coisas são uma falsa segurança. A posse, é em realidade, ilusória; o rico é possuído pelas coisas, não as possui. A morte revela com evidência esta verdade. A meditação da morte liberta o homem de uma ilusão, uma primeira libertação das coisas.
As coisas se tornam sinais de comunhão
Não é, porém, uma libertação de tipo moralista. Jesus não quer inculcar nos seus ouvintes abastados o temor de uma morte repentina e individual, que desvaneceria suas esperanças. Na verdade, tem-se aqui uma visão escatológica da morte, relacionada com o juízo de Deus.
O único fundamento seguro da existência é Deus. Nele adquire sentido o uso das coisas, boas em si. Não serão mais instrumento de divisão, mas de comunhão. O homem não as guarda egoisticamente para si, mas as transforma em "sinal" de amor.
"Deus destinou a terra, com tudo que ela contém, para o uso de todos os homens e povos, de tal modo que os bens criados devem bastar a todos, com equidade, sob as regras da justiça, inseparável da caridade. Sejam quais forem as formas de propriedade, adaptadas às legítimas instituições dos povos, segundo circunstâncias diversas e mutáveis, deve-se atender sempre a esta destinação universal dos bens" (GS 69).

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Fonte: Deus Único

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