MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Liturgia Comentada do 17ª Domingo Comum: 24/Julho/2016

Ano C - Dia 24/07/2016 - Cor: Verde 

Primeira Leitura 

Que o meu Senhor não se irrite, se eu falar 

Leitura do Livro do Profeta Gênesis 18,20-32 

Naqueles dias, 20 O Senhor disse a Abraão: "O clamor contra Sodoma e Gomorra cresceu e agravou-se muito o seu pecado. 21 Vou descer para verificar se as suas obras correspondem ou não ao clamor que chegou até mim". 22 Partindo dali, os homens dirigiram-se a Sodoma, enquanto Abraão ficou na presença do Senhor. 23 Então, aproximando-se, disse Abraão: 'Vais realmente exterminar o justo com o ímpio? 24 Se houvesse cinquenta justos na cidade, acaso iríeis exterminá-los? Não pouparias o lugar por causa dos cinquenta justos que ali vivem? 25 Longe de ti agir assim, fazendo morrer o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio. Longe de ti! O juiz de toda a terra não faria justiça?" 26 O Senhor respondeu: "Se eu encontrasse em Sodoma cinquenta justos, pouparia por causa deles a cidade inteira". 27 Abraão prosseguiu dizendo: "Estou sendo atrevido em falar a meu Senhor, eu que sou pó e cinza. 28 Se dos cinquenta justos faltassem cinco, destruirias por causa dos cinco a cidade inteira?" O Senhor respondeu: "Não destruiria, se achasse ali quarenta e cinco justos". 29 Insistiu ainda Abraão e disse: "E se houvesse quarenta?" Ele respondeu: "Por causa dos quarenta, não o faria". 30 Abraão tornou a insistir: "Não se irrite o meu Senhor, se ainda falo. E se houvesse apenas trinta justos?". Ele respondeu: "Também não o faria, se encontrasse trinta". 31 Tornou Abraão a insistir: "Já que me atrevi a falar a meu Senhor, e se houver vinte justos?" Ele respondeu: "Não a iria destruir por causa dos vinte". 32 Abraão disse: "Que o meu Senhor não se irrite, se eu falar só mais uma vez: e se houvesse apenas dez?" Ele respondeu: "Por causa dos dez, não a destruiria".
Palavra do Senhor! - Graças à Deus! 

Comentário 

Para Deus nada é impossível 

Do povo da aliança Deus espera a prática da justiça e do direito, que realizam o projeto de Deus. Esse projeto provoca a destruição da cidade injusta. A intercessão de Abraão mostra que o justo se compadece do povo da cidade. Mas o texto levanta perguntas: Quantos justos são necessários para que uma cidade não seja destruída pela injustiça? Até aonde Deus está disposto a agir com misericórdia? O texto não responde. O Novo Testamento mostra que Deus, na sua misericórdia, está disposto a salvar não só uma cidade, mas a humanidade toda, e por causa de um só justo: Jesus Cristo. 

Salmo Responsorial - Sl 137(138),1-2a.2bc-3.6-7ab.7c.8 (R. 3a) 

R. Naquele dia em que gritei, vós me escutastes, ó Senhor! 

1 Ó Senhor, de coração eu vos dou graças, porque ouvistes as palavras dos meus lábios! Perante os vossos anjos vou cantar-vos 2a e ante o vosso templo vou prostrar-me. (R) 

2b Eu agradeço vosso amor, vossa verdade, 2c porque fizestes muito mais que prometestes; 3 naquele dia em que gritei, vós me escutastes e aumentastes o vigor da minha alma. (R) 

6 Altíssimo é o Senhor, mas olha os pobres, e de longe reconhece os orgulhosos. 7a Se no meio da desgraça eu caminhar, vós me fazeis tornar à vida novamente; 7b quando os meus perseguidores me atacarem e com ira investirem contra mim, estendereis o vosso braço em meu auxílio 7c e havereis de me salvar com vossa destra. (R) 

8 Completai em mim a obra começada; ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Eu vos peço: não deixeis inacabada esta obra que fizeram vossas mãos! (R) 

Comentário 

Deus olha o humilde 

Oração de agradecimento, celebrando a experiência do atendimento 

Este salmo não mostra claramente qual situação da qual a pessoa foi libertada. O fato de gritar, porém, parece indicar uma situação social. A pessoa convida outras a participar da ação de graças. O convite aos reis tem algo de aviso: também eles devem reconhecer que Deus é transcendente, mas está sempre presente, para distinguir entre justos e injustos. Mostra também que a experiência passada é agora aplicada a novas situações, onde Deus sempre se manifesta como libertador. 

Segunda Leitura 

Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou os pecados 

Carta de São São aos Colossenses 2,12-14 

Irmãos, 12 com Cristo fostes sepultados no batismo; com ele também fostes ressuscitados por meio da fé no poder de Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos. 13 Ora, vós estáveis mortos por causa dos vossos pecados, e vossos corpos não tinham recebido a circuncisão, até que Deus vos trouxe para a vida, junto com Cristo, e a todos nós perdoou os pecados. 14 Existia contra nós uma conta a ser paga, mas ele a cancelou, apesar das obrigações legais, e a eliminou, pregando-a na cruz. Palavra do Senhor! - Graças à Deus! 

Comentário 

Vida plena em Cristo 

Se Cristo é a Plenitude de Deus, nele se encontra tudo o que é preciso para nos relacionarmos com Deus. Cristo está acima de qualquer poder visível ou invisível. O batismo, que substituiu a circuncisão, leva o cristão a participar da morte e ressurreição de Cristo, isto é, a passar da morte para a vida em Cristo. Os vv. 13-15 retomam outro hino que celebra a vitória: atravéz da morte de Cristo na cruz, Deus anulou o registro dos pecados e venceu todas as potências que poderiam escravizar os homens. Portanto, os cristãos agora são livres e não devem se submeter a nada ou a ninguém que não seja Cristo. 

Aclamação ao Evangelho Rm 8,15bc 

R. Aleluia, Aleluia, Aleluia. 

V. Recebestes o Espírito de adoção; é por ele que clamamos: Abá, Pai! (R) 

Evangelho 

Pedi e recebereis 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 11,1-13 

1 Jesus estava rezando num certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos pediu-lhe: "Senhor, ensina-nos a rezar, como também João ensinou a seus discípulos". 2 Jesus respondeu: "Quando rezardes, dizei: 'Pai, santificado seja o teu nome. Venha o teu reino. 3 Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos, 4 e perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação"'. 5 E Jesus acrescentou: "Se um de vós tiver um amigo e for procurá-lo à meia-noite e lhe disser: 'Amigo, empresta-me três pães, 6 porque um amigo meu chegou de viagem e nada tenho para lhe oferecer', 7 e se o outro responder lá de dentro: 'Não me incomodes! Já tranquei a porta, e meus filhos e eu já estamos deitados; não me posso levantar para te dar os pães'; 8 eu vos declaro: mesmo que o outro não se levante para dá-los porque é seu amigo, vai levantar-se ao menos por causa da impertinência dele e lhe dará quanto for necessário. 9 Portanto, eu vos digo, pedi e recebereis; procurai e encontrareis; batei e vos será aberto. 10 Pois quem pede, recebe; quem procura, encontra; e, para quem bate, se abrirá. 11 Será que algum de vós que é pai, se o filho pedir um peixe, lhe dará uma cobra? 12 Ou ainda, se pedir um ovo, lhe dará um escorpião? 13 Ora, se vós que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem!" 
Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor! 

Comentário 

A certeza de ser atendido 

Os mestres costumavam ensinar os discípulos a rezar, transmitindo o resumo da própria mensagem. O Pai-Nosso traz o espírito e o conteúdo fundamental de toda oração cristã. Esta oração de faz na intimidade filial com Deus (Pai), apresentando-lhe os pedidos mais importantes: que o Pai seja reconhecido por todos (nome); que sua justiça e amor se manifestem (Reino); que na vida de cada dia, ele nos dê vida plena (pão de amanhã); que ele nos perdoe como nós repartimos o perdão; que ele não nos deixe abandonar o caminho de Jesus (tentação). O Evangelho insiste na oração perseverante e confiante. Se os homens são capazes de atender ao pedido de amigos e filhos, quanto mais o Pai! Ele nada recusará. Pelo contrário, dará o Espírito Santo, isto é, a força de Deus que leva o homem a viver conforme a vida de Jesus Cristo. O discípulo do Reino reza com a absoluta certeza de que será atendido. Entretanto, deverá submeter-se às exigências da oração cristã, que o despoja de si mesmo e de seu egoísmo para abri-lo à comunhão com o Pai e com o próximo. Deus não dá ouvido à oração do egoísta, o qual só busca suas necessidades pessoais e seus interesses. A parábola evangélica mostra ser inconcebível que um amigo não atenda ao companheiro necessitado, mesmo a custa de incômodos. Um tal comportamento estaria em aberto contraste com o espírito de hospitalidade oriental. O amigo recorreu ao outro por ter plena confiança de não ser decepcionado. A parábola refere-se aos obstáculos encontrados: a porta da casa já estava fechada e, para abri-la, seria preciso acordar as crianças que estavam dormindo na sala, conforme o costume da época. O mesmo acontece com a oração cristã: não é atendida de maneira mágica como se ao pedido se seguisse um imediato atendimento. O orante reza e confia, esperando a hora de ser atendido. Se um homem, mesmo devendo acordar no meio da noite, atende o pedido de seu amigo necessitado, quanto mais Deus atenderá a oração de quem reza como convém. Disto nenhum discípulo pode duvidar. Caso contrário, estaria considerando o Pai celeste pior que o pior pai da Terra. Conclusão: o Pai do Céu reserva o que há de melhor para os filhos e filhas que se dirigem a ele com toda confiança. Após ensinar os discípulos a orar, Jesus acrescenta uma pitoresca comparação para ilustrar a importância da oração persistente e contínua. O orante a Deus é comparado a um "amigo" que vai a outro amigo, em uma hora pouco conveniente, pedir ajuda para atender um terceiro. Graças a sua insistência ele é atendido. Ao "pedir", "buscar", "bater à porta", sem desistir, se conquistará as coisas boas que são agradáveis a Deus e que desejamos. Em conclusão temos a comparação, usando contrastes exagerados, com os pais que sabem dar coisas boas a seus filhos e o Pai do céu que, com muito maior razão, não negará a quem lhe pedir, dando-lhe, de modo especial, o bem maior que é o Espírito Santo. 

Oração 

Pai, inspira-me a rezar como convém, de forma que a minha oração se expresse em gestos de solidariedade e de reconciliação, sinais inequívocos de minha comunhão contigo. Que ela seja plena de confiança em ti, pois sei que queres dar-me o que tens de melhor, o Espírito Santo. 

APROFUNDANDO NA PALAVRA 

Como reza o discípulo de Jesus 

Em sua definição mais universal e partilhada por todas as religiões, a oração é diálogo com Deus. Mas, pôr-se em diálogo com Deus pode ser um risco para o homem. 

Na oração, o homem pode desfigurar-se a si mesmo e a Deus. Pode reduzir Deus a um bem de consumo, a uma solução fácil para suas próprias insuficiências e sua preguiça. E pode reduzir-se a si mesmo a um ser que lança sobre outro suas responsabilidades. 

Só a fé garante a veracidade da oração 

Em Israel, que vive num regime de fé, não está em perigo a veracidade da relação do homem com Deus, a veracidade da oração. 

Um homem vivo, um homem verdadeiro, encontra o Deus vivo e verdadeiro. Uma liberdade está diante da Liberdade, o pó diante da Rocha. "Eis que ouso falar ao meu Senhor, eu que sou pó e cinza" (1ª leitura). Em Israel, a oração está essencialmente ligada à fé. Uma resposta livre ao Deus que se revela e fala, uma ação de graças pelos grandes acontecimentos que Deus realiza para o seu povo. A oração é, pois, antes resposta do que pedido. 

Os salmos são o maior testemunho da oração de Israel, em que o homem permanece ele mesmo e Deus permanece Deus, em autêntico diálogo de amor, diálogo não sentimental ou subjetivo, mas em que entra a vida, a história. 

Moisés é a figura daquele que reza, o orante por excelência, e éo homem da libertação de um povo, uma figura histórica; a ação, a política são a constante da sua existência. Até a sua oração mais contemplativa, a que faz antes de ver a glória de Deus, é uma oração encarnada, em que a expectativa e a esperança de um povo entram com força. Ele leva perante Deus a situação política de um povo, não como observador, mas como realizador. 

Jesus leva à plenitude a oração de Israel. Reza, utiliza as formas tradicionais do seu povo e cria livremente outras. Mas Jesus não só reza; ele é a oração; na sua pessoa se dão diálogo do homem com Deus, na mais absoluta verdade dos dois termos. 

O ápice desta oração é a morte de Jesus que, vista sob o aspecto meramente interno da história, representa apenas um acontecimento profano, isto é, a execução de um homem condenado como delinquente político; no entanto, é o único ato litúrgico da história. 

Por isso, o culto cristão se concretiza na absoluta doação do amor, que só se podia manifestar naquele em quem o amor mesmo de Deus se fizera amor humano. 

O cristão "participa" da oração de Jesus 

O cristão, inserido em Jesus pelo batismo como membro do corpo, pode dignamente agradecer ao Pai, e com Cristo pode descobrir que o momento-ápice do culto é, como menos se espera, a morte e tudo o que exprime a fragilidade e a limitação do homem. Associado a Cristo para a edificação do reino, a sua oração de ação de graças pode e deve desenvolver-se em oração de súplica que o torna mais disponível à ação de Deus e lhe permite cumprir sua missão de filho adotivo na realização do desígnio divino. 

Na medida que a sua oração de súplica é verdadeiramente a de filho adotivo, o cristão tem a certeza de ser atendido. Mas isso exige um longo aprendizado, um progressivo despojamento de si, a fim de que a oração :1e suplica se purifique e tenda a identificar-se com a ação de graças: "Pai, faça-se a tua vontade, não a minha". 

Oração "verbal" e oração "vivencial" 

dentro da existência que se vive a relação com Deus, na complexa trama das relações com as pessoas. A oração é, pois, um fato vivencial, mais do que verbal. O momento "verbal", porém, é antropologicamente necessário e indispensável. Certamente, as oito horas de trabalho penoso, na fábrica, são, para um operário, amor concreto pela esposa e os filhos; mas e é retirado o momento de diálogo, perde-se uma dimensão essencial da existência humana. O mesmo se dá nas nossas relações com Deus. A oração é "palavra", "conscientização" da relação com Deus, é alimento da relação pessoal com ele; quando não nos falamos mais, lentamente nos ornamos estranhos. 

A oração, enquanto palavra, é verdadeira ou falsa. Verdadeira, quando exprime a realidade, isto é, a vida; falsa, quando dela se dissocia. 
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Postado originalmente no site: Deus Unico

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