MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

terça-feira, 5 de julho de 2016

Liturgia comentada do 15º Domingo do Tempo Comum 10/07/2016

Ano C - Cor: Verde

Primeira Leitura
Esta palavra está bem ao teu alcance, para que a possas cumprir
Leitura do Livro do Deuteronômio                 30,10-14
Moisés falou ao povo, dizendo: 10 "Ouve a voz do Senhor teu Deus, e observa todos os seus mandamentos e preceitos, que estão escritos nesta lei. Converte-te para o Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma. 11 Na verdade, este mandamento que hoje te dou não é difícil demais, nem está fora do teu alcance.
12 Não está no céu, para que possas dizer: 'Quem subirá ao céu por nós para apanhá-lo? Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?' 13 Nem está do outro lado do mar, para que possas alegar: 'Quem atravessará o mar por nós para apanhá-lo? Quem no-lo ensinará para que o possamos cumprir?' 14 Ao contrário, esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir".   Palavra do Senhor! - Graças à Deus!
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Comentário
Não há como se desculpar
O Deuteronômio projeta o caminho de uma sociedade fraterna e igualitária: a justiça. O povo não pode desculpar-se perguntando: "O que devo fazer?" O caminho já está ao seu alcance. Basta meditar nele, mudar a consciência e organizar a prática.
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Salmo Responsorial - Sl 68(69),14 e 17.30-31.33-34.36ab e 37                (R. cf. 33)
R. Humildes, buscai a Deus e alegrai-vos: o vosso coração reviverá!
14 Por isso elevo para vós minha oração, neste tempo favorável, Senhor Deus! Respondei-me pelo vosso imenso amor, pela vossa salvação que nunca falha! 17 Senhor, ouvi-me pois suave é vossa graça, ponde os olhos sobre mim com grande amor!   (R)

30 Pobre de mim, sou infeliz e sofredor! Que vosso auxílio me levante, Senhor Deus! 31 Cantando eu louvarei o vosso nome e agradecido exultarei de alegria!    (R)

33 Humildes, vede isto e alegrai-vos: o vosso coração reviverá, se procurardes o Senhor continuamente! 34 Pois nosso Deus atende à prece dos seus pobres, e não despreza o clamor de seus cativos.  (R)

36a Sim, Deus virá e salvará Jerusalém, 36b reconstruindo as cidades de Judá. 37 A descendência de seus servos há de herdá-las, e os que amam o santo nome do Senhor dentro delas fixarão sua morada!  (R)
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Comentário
Deus é a coragem dos pobres
Súplica de um inocente injustamente acusado
É por causa de sua fidelidade a Deus e ao projeto dele a pessoa acaba se tornando alvo de ataques e intrigas. Quem quer sempre encontra motivos para criticar. Nada podendo fazer, e não tendo ninguém que o defenda, o salmista recorre a Deus numa espécie de desafio: que ele dê provas de seu amor e fidelidade. Quando o pobre e o fraco são libertos, também os outros se alegram e se encorajam, descobrindo que Deus está aliado com eles. Essa é a maior glória para Deus.
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Segunda Leitura
Tudo foi criado por meio dele e para ele
Leitura da Carta de São Paulo aos Colossenses          1,15-20
15 Cristo Jesus é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, 16 pois por causa dele foram criadas todas as coisas no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis, tronos e dominações, soberanias e poderes. Tudo foi criado por meio dele e para ele. 17 Ele existe antes de todas as coisas e todas têm nele a sua consistência. 18 Ele é a cabeça do corpo, isto é, da Igreja. Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos; de sorte que em tudo ele tem a primazia, 19 porque Deus quis habitar nele com toda a sua plenitude 20 e por ele reconciliar consigo todos os seres, os que estão na terra e no céu, realizando a paz pelo sangue da sua cruz.
Palavra do Senhor! - Graças a Deus!
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Comentário
Tudo foi criado por meio dele e para ele
Para animar os colossenses a permanecerem firmes na fé, Paulo cita um hino cristão, provavelmente usado na cerimônia batismal, que canta a grandeza de Cristo. Paulo se serve desse hino para criticar qualquer doutrina que apresente como necessárias outras mediações salvíficas, além da de Cristo. Cristo é o único mediador entre Deus e a criação, e só ele, mediante a cruz, é capaz de reconciliar Deus com as criaturas submetidas ao pecado. Paulo celebra no Ressuscitado a festa do universo. Cristo não só é o chefe de todos os que se aventuram com ele no caminho da libertação, mas é também o Senhor da criação, vindo para acender um fogo na terra. Este senhorio de Cristo não é alienante para o homem, porque Cristo é Senhor de uma criação coordenada e realizada pelo homem. Cada comunidade cristã que vive de Cristo ressuscitado torna-se criadora. Perseverando com o Ressuscitado, passo a passo, em luta ardente pelo homem e pela justiça, participa na caminhada do homem e da humanidade rumo àquele que foi “gerado antes de toda criatura”.
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Aclamação ao Evangelho           Jo 6,63c e 68c
R. Aleluia, Aleluia, Aleluia.
V. Ó Senhor, vossas palavras são espírito e vida; as palavras que dizeis bem que são de eterna vida!    (R)
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                                    Evangelho
E quem é o meu próximo?
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo Segundo Lucas 10,25-37
Naquele tempo, 25 um mestre da lei se levantou e, querendo pôr Jesus em dificuldade, perguntou: "Mestre, que devo fazer para receber em herança a vida eterna?" 26 Jesus lhe disse: "O que está escrito na lei? Como lês?" 27 Ele então respondeu: "Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com toda a tua inteligência; e ao teu próximo como a ti mesmo!" 28 Jesus lhe disse: 'Tu respondeste corretamente. Faze isso e viverás". 29 Ele, porém, querendo justificar-se, disse a Jesus: "E quem é o meu próximo?" 30 Jesus respondeu: "Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Estes arrancaram-lhe tudo, espancaram-no, e foram-se embora deixando-o quase morto. 31 Por acaso, um sacerdote estava descendo por aquele caminho. Quando viu o homem, seguiu adiante, pelo outro lado. 32 O mesmo aconteceu com um levita: chegou ao lugar, viu o homem e seguiu adiante, pelo outro lado. 33 Mas um samaritano que estava viajando, chegou perto dele, viu e sentiu compaixão. 34 Aproximou-se dele e fez curativos, derramando óleo e vinho nas feridas. Depois colocou o homem em seu próprio animal e levou-o a uma pensão, onde cuidou dele. 35 No dia seguinte, pegou duas moedas de prata e entregou-as ao dono da pensão, recomendando: “Toma conta dele! Quando eu voltar, vou pagar o que tiveres gasto a mais". E Jesus perguntou: 36 "Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?" 37 Ele respondeu: "Aquele que usou de misericórdia para com ele". Então Jesus lhe disse: “Vai e faze a mesma coisa".  Palavra da Salvação! - Glória a Vós, Senhor!
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Comentário
A prática da misericórdia
O primeiro a colocar obstáculos no caminho de Jesus é um teólogo. Este sabe que o amor total a Deus e ao próximo é que leva à vida. Mas, não basta saber. É preciso amar concretamente. A parábola do samaritano mostra que o próximo é quem se aproxima do outro para lhe dar uma resposta às necessidades. Nessa tarefa prática, o amor não leva em conta barreiras de raça, religião, nação ou classe social. O próximo é aquele que eu encontro no meu caminho. “Quem é o meu próximo?” Jesus muda a pergunta: “O que você faz para se tornar próximo do outro?” Esta parábola mostra-nos o amor misericordioso como o único meio de obter a vida eterna. Engana-se quem pretende alcançar este objetivo mediante a prática minuciosa dos mandamentos, a busca da pureza ritual, o respeito às tradições, se tudo isto carecer do respaldo da vivência da misericórdia. Seguramente, o primeiro a ser questionado pelo ensinamento de Jesus e ver-se obrigado a mudar de mentalidade foi o mestre da Lei, que pretendia colocá-lo à prova. A parábola apresenta-nos alguns aspectos da misericórdia, como Jesus a entendia. O samaritano põe-se a ajudar um judeu, sem se importar com as rixas que sempre existiram entre os dois povos, mostrando, assim, que a verdadeira misericórdia é dirigida a todas as pessoas, sem exceção. O assistido pelo samaritano é alguém expoliado, vítima da maldade humana, jogado à beira do caminho, como algo sem valor. Isto mostra que a misericórdia deve dirigir-se mormente aos pobres e deserdados deste mundo. O samaritano muda todos os seus planos, ao deparar-se com alguém necessitado de sua assistência. Essa atitude indica que a misericórdia exige que deixemos de lado nossos programas e esquemas, ao nos depararmos com o irmão carente. O samaritano faz todo o possível e ainda se oferece para custear a hospedagem de seu assistido. Isto sugere que a misericórdia desconhece limite, indo além de quanto se possa previamente imaginar. O samaritano, um excluído pelo judaísmo, foi aquele que se fez próximo do sofredor, resgatando-lhe a vida. Em contraste, o doutor da Lei e o escriba passaram indiferentes. O gesto do samaritano é oferecido como modelo exemplar aos chefes religiosos do judaísmo e a todos nós. "Vai e faze tu a mesma coisa." Jesus mostra como o amor deve ser concretizado na solidariedade e ajuda aos mais carentes e necessitados. E este amor é eterno. Tudo passa, mas o amor permanece para sempre.
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Oração
Pai, dá-me um coração cheio de misericórdia, como o de teu Filho Jesus, pois só assim terei certeza de estar em comunhão contigo, a caminho da vida eterna.
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APROFUNDANDO NA PALAVRA
Quem ama os irmãos revela Deus
O homem da religião natural, experimentando "dentro" da existência a fragilidade da vida, pensa encontrar fora de si, em Deus, a segurança. Procura então atingir a Deus, tornar-se como ele, divinizar-se através de ritos e do culto.
O homem procura tornar-se Deus
Para Israel, Deus é o Absolutamente-Outro, inatingível pelo homem. O culto não diviniza. O único caminho da salvação é a fidelidade à aliança; Deus salvará gratuitamente os que tudo esperam dele e que observam fielmente a sua lei (1ª leitura). Mas será possível ao homem uma fidelidade absoluta, uma resposta marcada de absoluto? uma resposta total que o una a Deus e o divinize? Não haverá contradição entre tal aspiração e a condição de criatura, e criatura pecadora? A esperança de ver superada essa contradição orienta Israel para o futuro, na expectativa do Messias. Com a intervenção de Cristo, a esperança de Israel é cumulada além da expectativa. Jesus de Nazaré se apresenta como o perfeito imitador do Pai.
Ele é realmente o Messias, isto é, aquele homem que se esperava pudesse falar com Deus numa linguagem de verdadeiro diálogo. Pedro confessa que ele é a imagem do Pai (2ª leitura). Ao mesmo tempo, Jesus é a imagem do homem; pede a si mesmo e a seus futuros discípulos a renúncia total de si, a obediência até a morte de cruz, que é a condição de um amor fraterno universal, isto é, a fidelidade total à nossa condição terrestre. Jesus é o Homem-Deus, o Verbo encarnado; pode reunir os dois extremos do paradoxo: ser, no verdadeiro sentido da palavra, a imagem do Pai, e ser integralmente fiel à condição terrestre de criatura. Jesus Homem levará à perfeição a imagem do Pai, no sacrifício da cruz; ai revelará a verdadeira face do duplo amor para com Deus e para com os homens, do qual brota a história da salvação.
Agora, para o homem, a imitação do Pai passa a ser através de Cristo. O cristão se configura a ele no batismo e nos outros sacramentos. Mas essa configuração deve ser vivida nos acontecimentos, nos encontros da vida cotidiana. O sacrifício de si e o amor gratuito e universal pelo próximo fazem resplandecer na face do cristão a face de Cristo e de Deus.
No amor de Cristo encontramos a Deus
Cristo se comporta com a humanidade como o samaritano da narrativa evangélica para com o desconhecido; como o bom pastor vem salvar a ovelha despojada, espancada e quase morta (Jo 10,10), como o filho do dono da vinha se apresenta depois dos profetas enviados em vão (Jo 10; Lc 20,9-18), assim o samaritano chega depois dos sacerdotes e levitas que não quiseram e não puderam salvar o homem ferido.
Vê-se aí um reflexo da história da salvação, na qual Jesus vem sob o aspecto de samaritano desprezado, revela aquilo de que os outros "técnicos" da salvação se esqueceram, constrói precisamente onde essas técnicas faliram. Em Cristo, Deus se aproximou do homem com uma fisionomia simples e humana. O Deus que agora conhecemos anão está muito alto nem muito distante" de nós, e a sua lei está muito perto de nós; na nossa boca e no nosso coração, para que a levemos à prática (1ª leitura). Só encontramos verdadeiramente a Deus fazendo o mesmo que Cristo fez. O segredo está no grande mandamento da caridade que, com Cristo, traz exigências novas. Não basta mais amar o próximo como a si mesmo; é preciso perguntar-se como ser próximo para o outro e amá-lo como Deus o ama. Depois da Ceia, Cristo dará um mandamento novo: amar aos outros como fomos amados (Jo 13,34).
É necessário tomar consciência da pertença a esta humanidade ferida, abandonada semimorta a beira da estrada, que Cristo veio salvar.
O amor do Cristão revela Deus
O ateísmo teórico e prático é um fato que se respira no ar. De que modo podem os homens de hoje encontrar a Deus? Qual será o lugar da revelação de Deus para eles? Não são, certamente, com e nas demonstrações teóricas. Em muitos lugares, o homem hoje é torturado, condenado à morte, traído, desprezado, abandonado.
Há uma opção precisa a fazer; optar pelo homem acima de todas as coisas: do dinheiro, da profissão, das estruturas... Optar por sua libertação... Perguntamo-nos como intervir, tanto no nível das situações particulares (dar o peixe ou ensinar a pescar?) como no nível geral das estruturas (para que os que sabem pescar não sejam roubados e obrigados a passar fome). Se Deus é amor, se Cristo é a revelação de Deus porque se entregou à morte pelo homem, o cristão revelará Deus ao mundo com seu amor concreto pelo próximo.

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Fonte: Deus Único

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