ENCONTRO DE CURA E LIBERTAÇÃO

17 DE DEZEMBRO

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Homilia do 18º Domingo Comum (31.07.16)

“Ser rico diante de Deus” Vaidade das vaidades

        
 O livro do Eclesiastes difere dos outros livros da Bíblia porque tem uma filosofia diferente da hebraica. Mostra a fragilidade e a transitoriedade das coisas. Por isso diz: “Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade”. Vê que tudo o que se faz acaba em nada. “Toda a vida é sofrimento, sua ocupação, um tormento. Nem mesmo de noite repousa seu coração” (Ecl 1,23). Esse texto vem como comentário à Palavra de Deus sobre o homem a quem Jesus chama de louco (Lc 12,20). O homem teve grande colheita e queria aumentar os armazéns e aproveitar a vida. Na mesma noite ele se vai. Que adiantou? Jesus conclui: “Assim acontece com quem ajunta tesouros para si mesmo, mas não é rico diante de Deus” (Lc 12,21). Os bens materiais são necessários, úteis e importantes. Mas não devem ser a fonte da vida. Não se deve fazer do dinheiro um deus. Isso é vaidade. O mal não é ter riquezas. Mas não saber usá-las. Há quem pense que, porque é rico, pode colocar Deus a seu serviço, escravizar o irmão e abusar da natureza. Se vivermos a mensagem do Evangelho não criaremos o desequilíbrio por causa dos bens. É absurdo o fato de alguns serem ricos sem se darem conta que são os pobres que trabalham para eles. E continuam pobres e eles mais ricos. Lembramos também que tudo o que temos não foi adquirido sem a participação de Deus. Por que deixar seus filhos de fora. A vida é insegura. Só Deus é o fundamento seguro. Isso é o que significa ser rico diante de Deus. Deus não inibe, mas promove a vida na qual os bens materiais dão suporte aos espirituais e estes orientam a vivência dos bens materiais.
Buscai as coisas do alto
         Ser batizado não é somente um rito, mas uma definição por um modo de vida. Sem isso a fé perde o sentido. Fé e vida estão intimamente unidas.  São Paulo nos estimula a buscar a coisas do alto. Este é o modo normal de viver de quem diz ter fé. Trata-se de revestir-se de Cristo. Não exteriormente, mas interiormente gerando ações coerentes. Pela opção por Cristo é preciso despojar-se do homem velho e de sua maneira de agir fazendo o que pertence ao mundo: imoralidade, impureza, paixão, maus desejos e cobiça que é uma idolatria”. Basta olhar em volta que vamos ver a desespero para ter coisas, o egoísmo , a insensibilidade e até a burrice. Para vencer os vícios é necessária  a prática das virtudes que anulam a vaidade. A parábola de Jesus é uma resposta ao homem que lhe disse: “Mestre, dize ao meu irmão que reparta a herança comigo”. E diz: “Tomai cuidado contra todo o tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens” (Lc 12,13.15). Jesus não entrou na questão do pedido do homem, mas diz que tudo deve ser resolvido na dentro de um novo modo de vida.
Dai ao nosso coração sabedoria
         A oração do salmo nos coloca nos lábios essa súplica: “Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria”(Sl 89). A sabedoria é a ciência de Deus encarnada em Jesus. Ele é a Sabedoria e nos dá a sabedoria do Evangelho para sabermos discernir. Por isso rezamos também: “Saciai-nos de manhã com vosso amor e exultaremos de alegria todo o dia”. Vemos que a sabedoria não é mecânica, como algo material, mas é um relacionamento. Aprendemos “tocando” a origem de todos os bens no diálogo amoroso da abertura para Deus e pela oração, principalmente a Eucaristia que é a oração maior. Os anos “passam como o sonho da manhã, são iguais a erva verde pelos campos. De manhã ela floresce vicejante, mas à tarde é cortada e logo seca”.
Leituras:Eclesiastes 1,2;2,21-23;Salmo 89;Colossenses 3,1-5.9-11; Lucas  12,13-21
Ficha nº 1566 – Homilia do 18º Domingo Comum (31.07.16)
  1. Diante da fragilidade dos bens materiais, o Eclesiastes reflete sobre sua vaidade. Jesus ensina como ser rico para Deus. Os bens são bons, mas para produzir o bem.
  1. Paulo ensina a buscar as coisas do alto e despojar-se do homem velho e seus vícios.
  1. O salmo nos convida a ter a sabedoria de Deus para ter os dias bem contados. 
         Burrice não faz bem. 
         O livro do Eclesiastes analisa a vida humana e mostra a fragilidade que vai a desvarios porque se apóia na vaidade. Tudo é vaidade, diz o autor sagrado. Jesus comprova essa verdade contando a parábola do homem que teve uma colheita abundante. Para isso faz armazéns maiores e diz a si mesmo: “Tu tens uma boa reserva para muitos anos. Descansa, come, bebe, aproveita”. Assim a vaidade humana se junta à estupidez.
         Mas o homem se esquece da dimensão espiritual da vida. Deus lhe dá a resposta: “Louco! Ainda esta noite, pedirão de volta tua vida. E para quem ficará o que tu acumulaste?” E Jesus faz a conclusão do assunto: “Assim acontece com quem ajunta tesouros para si, mas não é rico diante de Deus” (Lc 12,20).
São Paulo apresenta o caminho para vivermos em meio a todas as coisas boas do mundo sem nos perder: Buscar a vida do alto. Esta é a vida de quem ressuscitou com Cristo. O caminho é reconhecer que “nossa vida está escondida em Cristo” e nosso modo de viver é “despojarmo-nos do homem velho e revestirmo-nos do homem novo que se renova segundo a imagem de seu Criador” (Cl 3,1.3.9-10). Vencidos os vícios através da prática das virtudes, podemos sair da vaidade.

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