MISA COM ORAÇÃO POR CURA E LIBERTAÇÃO CLAMANDO POR MILAGRES. 23 DE JULHO

ABRA - TE À RESTAURAÇÃO

domingo, 3 de maio de 2015

Roteiro Homilético – 6º Domingo da Páscoa (Ano B) 10 de Maio 2015

RITOS INICIAIS -

 cf. Is 48, 20 -
ANTÍFONA DE ENTRADA: Anunciai com brados de alegria, proclamai aos confins da terra: O Senhor libertou o seu povo. Aleluia.
 Diz-se o Glória.
 Introdução ao espírito da Celebração
Reunidos no amor de Cristo, mais uma vez, para celebrar a sua Ressurreição, vamos escutar com atenção a sua Palavra, meditar nas suas obras admiráveis e agradecer o seu amor por todos nós, pobres pecadores. Com vozes de alegria, espalhemos a notícia: O Senhor libertou o seu povo. Aleluia.

ORAÇÃO COLECTA: Concedei-nos, Deus omnipotente, a graça de viver dignamente estes dias de alegria em honra de Cristo ressuscitado, de modo que a nossa vida corresponda sempre aos mistérios que celebramos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.

LITURGIA DA PALAVRA


Primeira Leitura


Monição: O chamamento à santidade é universal; Deus quer a salvação de todos os homens; Jesus Cristo deu a sua vida por todos: Deus não faz acepção de pessoas.

Actos dos Apóstolos 10, 25-26.34-35.44-48
Naqueles dias, 25Pedro chegou a casa de Cornélio. Este veio-lhe ao encontro e prostrou-se a seus pés. 26Mas Pedro levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou um simples homem». 34Pedro disse-lhe ainda: «Na verdade, eu reconheço que Deus não faz acepção de pessoas, 35mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável». 44Ainda Pedro falava, quando o Espírito desceu sobre todos os que estavam a ouvir a palavra. 45E todos os fiéis convertidos do judaísmo, que tinham vindo com Pedro, ficaram maravilhados ao verem que o Espírito Santo se difundia também sobre os gentios, 46pois ouviam-nos falar em diversas línguas e glorificar a Deus. 47Pedro então declarou: «Poderá alguém recusar a água do Baptismo aos que receberam o Espírito Santo, como nós?» 48E ordenou que fossem baptizados em nome de Jesus Cristo. Então, pediram-Lhe que ficasse alguns dias com eles.

A leitura refere a vinda de Pedro a anunciar a salvação a um gentio, «Cornélio». Era centurião romano do destacamento militar de Cesareia, e bem podia ser descendente dalgum daqueles dez mil escravos que libertou Cornélio Sila, cerca do ano 80 a. C., os quais tomaram o apelido deste. Pertenceria à «coorte itálica», de que nos chegaram várias inscrições. Era «justo e temente a Deus» (v. 22), isto é, homem que aceitava o único Deus de Israel e a sua lei moral, mas sem aderir ao judaísmo pela circuncisão e outras práticas rituais. Segundo Act 10, 1-8, tinha recebido uma mensagem angélica para mandar chamar Pedro a Jope (Jafa, hoje Yafo), a fim de lhe vir anunciar a «Boa-Nova da paz» (cf. v. 36). Pedro, dada a visão que teve – «o que foi purificado por Deus não o chames impuro» (v. 15) –, vendo como o Espírito Santo, com manifestações semelhantes às do Pentecostes, nomeadamente a glossolalia (cf. vv. 45-46), descia sobre os ouvintes da sua pregação, não hesitou em fazer entrar os ouvintes directamente na Igreja pelo Baptismo (vv. 47-48). Isto aparece como um passo de extraordinário alcance para a vida da Igreja (por isso se conta mais uma vez no cap. 11); com efeito, a Igreja é católica desde o princípio, isto é, destinada aos homens de todas as raças, e não apenas ao fechado e estreito âmbito de judeus e judaizados. Mas nem todos os cristãos afeitos à Lei de Moisés haviam de compreender isto facilmente, o que motivou o sínodo de Jerusalém (ano 49-50); os cristãos judaizantes, porém, haveriam de continuar na sua e a fazer grande oposição a S. Paulo.
34-35 Estes versículos representam uma pequenina parte do discurso de Pedro em casa de Cornélio, em Cesareia Marítima, quando Pedro recebeu directamente na Igreja os primeiros gentios, sem terem de passar primeiro pelo judaísmo. É surpreendente que um discurso dirigido a não judeus contenha alusões (mas não citações explícitas) ao Antigo Testamento: v. 34 – «Deus não faz acepção de pessoas» (cf. Dt 10, 17); v. 36 – «Ele enviou a sua palavra aos filhos de Israel» (cf. Salm 107, 20), «anunciando a paz» (cf. Is 52, 7); v. 38 – «Deus ungiu com… Espírito Santo» (cf. Is 61, 1). Isto corresponde a que se está num ponto crucial da vida da Igreja, em que ela entra decididamente pelos caminhos da sua universalidade intrínseca, em confronto com o nacionalismo judaico; por isso era importante recorrer àquelas passagens do A. T. que se opõem a qualquer espécie de privilégio de raça ou cultura: «a palavra aos filhos de Israel» (v. 36) deixa ver como Deus é o «Senhor de todos», imparcial, «não faz acepção de pessoas» e que a «paz» – a súmula de todos os bens messiânicos – Deus a destina a toda a humanidade. O discurso tem um carácter kerigmático evidente; e Lucas – o historiador-teólogo – ao redigi-lo, quaisquer que possam ter sido as fontes utilizadas, terá em vista mais ainda do que a situação concreta em que foi pronunciado, o efeito a produzir nos seus leitores. Convém notar que, no entanto, ao redigir os discursos – o grande recurso literário de Actos –, Lucas não os inventa; embora não sejam uma reprodução literal, considera-se que correspondem aos temas da pregação primitiva.

Salmo Responsorial

Sl 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4 (R. cf. 2b)

Monição: O Salmo Responsorial que vamos meditar lembra-nos que deve ser com sentimentos de gratidão que devemos celebrar a Páscoa: Cristo libertou-nos do cativeiro do pecado e da morte.

Refrão:         O SENHOR MANIFESTOU A SALVAÇÃO A TODOS OS POVOS.

Ou:                DIANTE DOS POVOS MANIFESTOU DEUS A SALVAÇÃO.

Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.

O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.

Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.

Segunda Leitura


Monição: O Apóstolo S. João lembra-nos que Deus é Amor: Ele enviou o seu Único Filho para que vivamos por Ele. Quem não ama não conhece a Deus.

São João 4, 7-10
Caríssimos: 7Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. 8Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. 9Assim se manifestou o amor de Deus para connosco: Deus enviou ao mundo o seu Filho Unigénito, para que vivamos por Ele. 10Nisto consiste o amor: não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados.

A Carta de S. João que temos vindo a ler no tempo pascal deste ano B atinge agora o seu ponto mais alto (vv. 1-16). O tema central da Epístola é o amor, um tema a que volta repetidas vezes, desenvolvendo-o em espiral. A chamada espiral joanina consiste em que, cada vez que volta a um tema, avança e aprofunda-o um pouco mais.
7-8 «Amemo-nos uns aos outros» é como que um refrão que S. João não se cansa de repetir (cf. 1 Jo 3, 11.23); mas aqui não se limita a apelar para «o mandamento do Senhor» (1 Jo 3, 23; cf. Jo 15, 12), pois vai até ao ponto de tocar na mais profunda razão de ser deste mandamento. É que «Deus é amor», por isso o cristão, que «nasceu de Deus» e «conhece a Deus», não pode deixar de amar; sendo assim, «quem não ama não conhece a Deus», isto é, não participa da sua vida e do seu ser, não entra na sua intimidade. Notar que em S. João «conhecer» não é «ter notícia ou informação», mas é «ter experiência pessoal, penetrar na intimidade de outro»; é assim que «conhecer a Deus» implica agir na mesma linha do amor de Deus.
9-10 A afirmação de que Deus é amor não é uma afirmação teórica, ou uma definição metafísica de Deus; é uma afirmação sapiencial, é o resultado da contemplação estonteante da sua obra salvadora, a saber, do modo como «se manifestou o amor de Deus para connosco», que chegou ao ponto de que «enviou ao mundo o seu Filho Unigénito» (v. 9), como «vítima de expiação pelos nossos pecados» (v. 10). Este amor de Deus – a entrega do Criador à sua criatura para se dar dando a vida – é tão fascinante e inimaginável, que é expresso no Novo Testamento com um substantivo novo, não usado na literatura grega profana: agápê. Não estamos perante qualquer espécie de amor, mas em face da mais absoluta gratuidade, pois a referência é o próprio amor que Deus nos manifesta: «não fomos nós que amámos a Deus, mas foi Ele que nos amou» (v. 10).

Ou
São João 4, 11-18
Caríssimos: 11Se Deus nos amou tanto, também nós devemos amar-nos uns aos outros. 12A Deus ninguém jamais O viu. Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e em nós o seu amor é perfeito. 13Nisto conhecemos que estamos n’Ele e Ele em nós: porque nos deu o seu Espírito. 14E nós vimos e damos testemunho de que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15Se alguém confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus. 16Nós conhecemos o amor de Deus por nós e acreditamos no seu amor. Deus é amor: quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.

A espiral joanina à volta do amor, a que nos referíamos no comentário aos versículos anteriores (vv. 7-10), progride aprofundando e esclarecendo o fundamento do amor mútuo: «se Deus nos amou assim, também nós nos devemos (o grego, ofeîlomen,  indica obrigação estrita) amar uns aos outros» (v. 11). Com efeito, são os outros que visibilizam (cf. Mt 25, 40) a Deus invisível, «que nunca ninguém viu», como filhos do mesmo Deus. Também se pode ver neste pormenor do v. 12 uma alusão aos gnósticos que se ufanavam de uma intuição directa de Deus, a epopteia das religiões mistéricas. Por outro lado, temos aqui a mais séria justificação da maravilhosa realidade da vida cristã, que ao longo de todos os séculos se tem manifestado na doação e no serviço aos outros, nomeadamente àqueles que, por serem carenciados, nada têm com que retribuir, sendo o apostolado a forma mais sublime do amor cristão.
Também o voltar ao outro tema fulcral da Carta – permanecer – atinge aqui (vv. 13-16) o seu clímax (ver supra o comentário feito a 1 Jo 3, 24, na 2ª leitura do 5º Domingo de Páscoa): «Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chega à perfeição em nós. Damos conta de que permanecemos n’Ele, e Ele em nós, por nos ter feito participar do seu Espírito» (vv. 12-13). O autor, ao mover-se na densidade de expressões de fé tão elevadas, com uma referência explícita ao mistério da Trindade e da Incarnação (vv. 13-15), apela, de uma maneira tipicamente joanina, para o testemunho alicerçado, não apenas numa experiência interior, de comunhão vital e mística (cf. v. 13), mas na própria experiência sensorial – hêmeîs tetheámetha (v. 14), «nós vimos (contemplámos)» –, não se tratando de uma mera experiência individual isolada, mas de um colectivo (pode pensar-se na dita comunidade do Discípulo amado em ligação com as primeiras testemunhas directas).

Aclamação ao Evangelho


Jo 14, 23
Monição: Escutemos com fé o Evangelho de Jesus Cristo. Ele é a Palavra salvadora que o Pai envia a todos os homens.

ALELUIA


Se alguém Me ama, guardará a minha palavra.
Meu Pai o amará e faremos nele a nossa morada.


Evangelho


São João 15, 9-17
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: 9«Assim como o Pai Me amou, também Eu vos amei. Permanecei no meu amor. 10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor. 11Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja completa. 12É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros, como Eu vos amei. 13Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos. 14Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. 15Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. 16Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim, tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. 17O que vos mando é que vos ameis uns aos outros».

Temos hoje a continuação do chamado discurso do adeus, centrada no tema central do amor e no permanecer, correspondentes à 2ª leitura (1 Jo 4, 11-16).
9-17 Estes versículos constituem um dos cumes mais elevados de todo o Evangelho e uma das chamadas «sínteses do cristianismo»: o anterior apelo permanecei em Mim (v. 3) concretiza-se agora em permanecei no meu amor (vv. 9.10). A referência básica é o amor do Pai, «como o Pai Me amou»: é assim que Jesus nos ama (v. 9); trata-se, pois, de um amor de eleição de Jesus (v. 16), que exige uma correspondência de fidelidade aos seus mandamentos (vv. 10.12.14.17; 13, 34; 14, 15.21). Este amor divino constitui os discípulos numa relação totalmente nova com Jesus: a da amizade (vv. 13-15; 13, 34; 1 Jo 3, 11), a tal ponto que fica esbatida a infinita distância entre Deus e o homem, entre o Senhor e os «servos», facultando liberdade interior. Esta nova situação conduz à alegria, a uma «alegria completa» (v. 11; 16, 24; 17, 13; 1 Jo 1, 4), (v. 15), e à fecundidade, dando um fruto sobrenatural, «que permaneça» (v. 16). Por outro lado, este amor é exigência do amor mútuo, fornecendo-lhe a sua mais sólida base e a sua mais elevada medida: como Eu vos amei (v. 12), até dar a vida (v. 13). E não se pode permanecer no amor de Jesus se não se guardarem os seus mandamentos (cf. v. 10).
15-16 «Já vos não chamo servos». Bela forma de mostrar as especiais relações de amizade que Jesus tem com os seus; um servo enquanto tal, é indigno da amizade do seu senhor e limita-se a receber ordens, mas os discípulos recebem de Jesus as mais íntimas confidências: «porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai». É evidente que se trata de uma amizade que não se baseia em igualdade de natureza; é fruto duma eleição gratuita: «fui Eu que vos escolhi e destinei…». Escolhidos para dar frutos que permaneçam, isto é, frutos espirituais, frutos de vida eterna – de santidade, de apostolado –, só darão esses frutos na dependência e união com Cristo (cf. v. 5); daí o apelo à oração, a qual dá garantia de eficácia: «tudo quanto pedirdes… Ele vo-lo concederá». A oração sempre ouvida pelo Pai é a que é feita «em nome de Jesus», isto é, em plena sintonia com Jesus, numa perfeita união de vontades; esta forma de se dirigir ao Pai tornou-se a pauta para a oração litúrgica: «por Cristo, Nosso Senhor».

Ou:
São João 17, 11b-19
Naquele tempo, Jesus ergueu os olhos ao Céu e orou deste modo: 11b«Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que Me deste, para que sejam um, como Nós. 12Quando Eu estava com eles, guardava-os em teu nome, o nome que Me deste. Guardei-os e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição; e assim se cumpriu a Escritura. 13Mas agora vou para Ti; e digo isto no mundo, para que eles tenham em si mesmos a plenitude da minha alegria. 14Dei-lhes a tua palavra e o mundo odiou-os, por não serem do mundo, como Eu não sou do mundo. 15Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. 16Eles não são do mundo, como Eu não sou do mundo. 17Consagra-os na verdade. A tua palavra é a verdade. Assim como Tu Me enviaste ao mundo, também Eu os enviei ao mundo. 18Eu consagro-Me por eles, para que também eles sejam consagrados na verdade».

O capítulo 17 de S. João veio a ser chamado «a oração sacerdotal de Jesus», a partir das observações de S. Cirilo de Alexandria (PG 74, 505-508); constitui «a síntese mais completa e elevada da teologia do evangelista» (Segalla). Lê-se no 7º Domingo de Páscoa, distribuída pelos anos A, B e C, mas sempre introduzida pelo v. 1: «Jesus ergueu os olhos ao céu…», uma forma de orar muito ao jeito de Jesus (cf. Jo 11, 41; Mt 14, 19; Mc 6, 41; Lc 9, 16; Mc 7, 34), mas mal documentada no judaísmo. Com este gesto, «Jesus dava uma expressão corporal à dimensão fundamental do ser humano, a saber, a sua relação com a fonte que o ultrapassa, que está acima dele e o envolve…» (D. Mollat). Nos países, como o nosso, onde a Ascensão é celebrada no 7º Domingo, Jo 17 pode ler-se, como alternativa, no 6º Domingo de Páscoa. O trecho lido no ano B corresponde àquela parte da oração em que Jesus intercede pelos seus discípulos.
11b «Pai santo». A circunstância de não estarmos perante uma forma usual de Jesus se dirigir ao Pai, leva a pensar numa influência litúrgica (cf. Didakhê 10, 2) na redacção desta belíssima oração, a oração mais longa que aparece nos lábios de Jesus. «O nome que Tu Me deste» pode entender-se como a própria essência divina, comum ao Pai e ao Filho, que é Jesus; e o pedido «um só, como Nós», sugere já uma primitiva reflexão trinitária. Com efeito, a unidade dos discípulos tem como primeira referência (analogatum princeps) a unidade do ser divino, na distinção de pessoas, visando uma unidade que transcende a meramente moral e sociológica; por outro lado, podemos ver, no semitismo «dar o nome», um sentido aberto, coadunando-se bem com a doutrina teológica da processão, ou geração eterna do Filho pelo Pai. Esta prece pela unidade dos primeiros discípulos, vai ser feita, mais adiante (vv. 20-23), de forma mais desenvolvida, pela unidade de todos os que depois hão-de vir a crer em Jesus.
12-15 Jesus, que, como Bom Pastor, guardou os discípulos, agora, consciente da sua partida, intercede «para que eles tenham sem si a plenitude da alegria», própria de Jesus, uma alegria que deriva da sua união com o Pai. Por outro lado, roga «que os guarde do Maligno», pois eles terão de ficar no mundo, que está «todo sob o poder do Maligno» (cf. 1 Jo 5, 19). «O mundo» é aqui tomado no seu aspecto negativo: são os homens que recusam a graça e, na sua auto-suficiência, se fecham a Deus, a ponto de odiarem a Cristo e os seus seguidores (v. 14). Os discípulos, vivendo no mundo, estão sujeitos às suas seduções, e Jesus não suplica que os tire do mundo, onde se desenrola a sua vida e está o seu campo de acção, mas que os guarde de serem mundanizados, deixando-se influenciar pelo «dominador deste mundo» (cf. Jo 12, 31).
17-19 «Consagra-os na verdade», à letra, santifica-os; santificar é retirar da esfera do profano para destinar a uma missão divina (cf. Hebr 2, 11). Estas palavras não são apenas o centro da oração, mas um dos pontos altos do Evangelho: a consagração e missão dos discípulos. Este envio ao mundo encerra um mistério que se exprime através dum paradoxo: escolhidos mas não retirados do meio do mundo. É que não se trata de um simples envio pragmático, mas insere-se no mistério do envio de Jesus ao mundo (v. 18; cf. 10, 36; 15, 27; 20, 21); os discípulos não se limitam a continuar a sua missão; participam da sua própria vida (15, 1-16), uma vida que não pertence a este mundo e a que se tem acesso apenas pela palavra (v. 17) da revelação, a «verdade». Mas, para além desta misteriosa realidade bipolar – a vocação-missão –, o texto deixa ver um outro aspecto: «Eu consagro-Me por eles» tem uma conotação sacrificial, como se dissesse «ofereço-Me em sacrifício por (em vez de ou a favor de) eles», pois corresponde à linguagem cultual do A. T. (cf. Ex 13, 2.12.15; 28, 41; Dt 15, 19-20) e tem paralelos no N. T. (cf. 1 Cor 11, 24; 15, 3). É por isso que a oração sacerdotal adquire a dimensão de ofertório do sacrifício do Senhor, que vai ser consumado no Calvário e também a de uma declaração de intenção: Jesus entrega a sua vida por todos (cf. 11, 51-52; 15, 13), em sacrifício, a fim de que os seus, uma vez purificados, venham a ser pertença exclusiva de Deus (v. 19: «consagrados», ou santificados). A alusão a Cristo como sumo sacerdote da nova Aliança – sacerdote oferente e vítima oferecida (cf. Hebr 9, 11-14; 10, 10) – pode ver-se na ressonância vétero-testamentária de Ex 28, 36-38. Há quem veja também alusões à Eucaristia, em especial nos vv. 21-24 (cf. Jo 15, 4-7; 6, 56; 1 Cor 10, 17).

Sugestões para a homilia

1. «É este o meu Mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei» (Ev.)
2. «Se guardardes os Meus Mandamentos, permanecereis no Meu amor» (Ev.)
3. «Quem não ama não conheceu a Deus, porque Deus é Amor» (2ª Leitura)
1. É este o Meu Mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei.
No clima festivo do tempo pascal, enquanto celebramos a plenitude do amor de Deus para com a Humanidade, manifestada no Sacrifício de Jesus Cristo morto e ressuscitado, agradeçamos mais uma vez o grande dom que é o Seu Mandamento: amar como Jesus nos amou.
Estamos neste mundo para amar a Deus com todo o nosso coração e toda a nossa alma e para levar esse amor a todas as criaturas. Quando esquecemos isto no meio dos nossos trabalhos, dos nossos triunfos, das nossas misérias e dificuldades, da nossa luta diária, tudo perde sentido.
O Espírito de Jesus Cristo «é a força interior que harmoniza os nossos corações com o coração de Cristo e nos leva a amar os nossos irmãos como Ele os amou, quando se inclinou para lavar os pés dos discípulos (cfr. Jo 13, 1-13) e, sobretudo, quando deu a sua vida por todos (cfr. Jo 13,1; 15,13)» (Enc. Deus é Amor, n.º 19).
2. Se guardardes os Meus Mandamentos, permanecereis no Meu Amor.
Jesus pede-nos que permaneçamos no Seu Amor, em comunhão com Ele, numa relação permanente de amizade e de diálogo, para podermos gozar da sua alegria e termos a força necessária para observar fielmente os Seus Mandamentos.
O amor ao próximo, radicado no amor de Deus, é um dever, antes de mais, para cada um dos fiéis, mas é-o também para a comunidade eclesial inteira: «No seio da comunidade dos crentes não deve haver uma forma de pobreza tal que sejam negados a alguém os bens necessários para uma vida condigna» (Enc.Deus é Amor, nº 20).
«Enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas principalmente para com os irmãos na fé» (Gal 6, 10).
O desprezo do amor é desprezo de Deus e do ser humano, virar costas ao nosso próximo é virar costas a Deus, transgredir os Seus Mandamentos é prescindir de Deus e dos nossos irmãos.
A prática da caridade é um acto da Igreja enquanto tal: «O dever da caridade, tal como o serviço da Palavra e dos Sacramentos, faz parte da essência da sua missão originária» (Enc. Deus é Amor, nº 32).
3. Quem não ama não conheceu a Deus, porque Deus é Amor.
«Deus é Amor» – recordou-nos o Apóstolo S. João. É Amor porque é Comunhão que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo na vida trinitária. «Se vês o amor, vês a Trindade» (S. Agostinho).É Amor, porque é «dom». É Amor derramado no coração de todos aqueles que Ele criou, chamando-os a ser seus filhos e a formar uma só família.
Este nosso pobre coração nasceu para amar. Todos nascemos de Deus (Cfr. Jo 1,13) e Deus é Amor. Somos filhos de Deus e, por natureza e pela graça fomos constituídos no amor, capazes de amar. A filiação divina é a rocha sobre a qual devemos edificar toda a nossa vida.
«O amor ao próximo é um caminho para encontrar a Deus: fechar os olhos diante do próximo torna-nos cegos também diante de Deus» ( Enc. Deus é Amor, nº 17).
Deus ama-nos, faz-nos ver e experimentar o seu amor: incessantemente vem ao nosso encontro, através das pessoas nas quais Ele se revela. Ele amou-nos primeiro e, como consequência, nós sentimos a necessidade de amar os nossos irmãos: amor a Deus e amor ao próximo são inseparáveis, constituem um único mandamento.
«O amor é possível e nós somos capazes de o praticar, porque fomos criados à imagem de Deus. Viver o amor e, deste modo, fazer entrar a luz de Deus no mundo: tal é o convite que vos queria deixar com a presente Encíclica» – diz-nos o Santo Padre Bento XVI (Enc. Deus é Amor, nº 39).


LITURGIA EUCARÍSTICA


ORAÇÃO SOBRE AS OBLATAS: Subam à vossa presença, Senhor, as nossas orações e as nossas ofertas, de modo que, purificados pela vossa graça, possamos participar dignamente nos sacramentos da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor.

Prefácio pascal: p. 469 [602-714] ou 470-473

SANTO

Monição da Comunhão

Antes de nos aproximarmos da Santíssima Eucaristia, para recebermos o Corpo do Senhor, se estamos devidamente preparados, vejamos se nos encontramos dispostos a cumprir com fidelidade os Mandamentos da Lei de Deus e se andamos de bem com todos os nossos irmãos. Só assim poderemos comungar, como verdadeiros amigos de Deus.

Jo 14, 15-16
ANTÍFONA DA COMUNHÃO: Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando, diz o Senhor. Eu pedirei ao Pai e Ele vos dará o Espírito Santo, que permanecerá convosco para sempre. Aleluia.

ORAÇÃO DEPOIS DA COMUNHÃO: Senhor Deus todo-poderoso, que em Cristo ressuscitado nos renovais para a vida eterna, multiplicai em nós os frutos do sacramento pascal e infundi em nós a força do alimento que nos salva. Por Nosso Senhor.


RITOS FINAIS


Monição final

A mensagem deste Domingo resume-se com poucas palavras: amemos a Deus sobre todas as coisas e amemos o próximo como a nós mesmos, cumprindo fielmente os Mandamentos da Lei de Deus. Jesus acrescenta a esses Mandamentos o Mandamento Novo: amar-nos como Ele nos amou. Que belo programa para sermos verdadeiramente felizes.



HOMILIAS FERIAIS

6ª SEMANA

2ª Feira, 14-V: O Espírito Santo e o contributo da mulher.
Act 16, 11-15 / Jo 15, 26- 16, 4
Quando vier o Defensor, que eu hei-de enviar lá do alto, o Espírito de verdade.
Jesus anuncia e promete a vinda do Espírito Santo, o ‘Paráclito’, que se traduz por Consolador. Ele vem ajudar-nos nos momentos difíceis, pequenos ou grandes: «Disse-vos estas coisas para não sucumbirdes» (Ev). Recebemo-lo no momento do Baptismo, nos outros sacramentos e nos momentos de oração.
Que o Espírito Santo ilumine a mulher (cf Leit) para que ela possa dar à sociedade o seu contributo de mãe e esposa, com as suas características próprias. Ao receber o Espírito Santo Nossa Senhora ficou preparada para ser Mãe de Deus e Mãe nossa.

3ª Feira, 15-V: A verdade sobre a família.
Act 16, 22-34 / Jo 16, 5-11
(O carcereiro) logo recebeu o baptismo, juntamente com todos os seus. E encheu-se de alegria com toda a família.
O carcereiro, depois de baptizado, pediu a S. Paulo que toda a sua família fosse salva (cf Leit). Estas famílias passaram a ser pequenas ilhas de vida cristã num mundo descrente (cf CIC, 1655). E assim hão-de continuar a ser no nosso tempo.
Actualmente assistimos a um ataque a esta instituição. É importante que se continue a proclamar a verdade sobre a família, enquanto comunhão de vida e de amor, aberta à geração dos filhos e enquanto ‘igreja doméstica’ digna. Invoquemos a Sagrada Família para que nos ajude nesta tarefa.

4ª Feira, 16-V: O homem, ser religioso.
Act 17,15. 22- 18, 1 / Jo 16, 12-15
Atenienses, vejo que sois os mais religiosos dos homens. Encontrei um altar com esta inscrição: Ao deus desconhecido.
Desde sempre, o homem procurou traduzir a sua procura de Deus através de sinais sensíveis (neste caso, uma estátua). Na verdade, pode chamar-se ao homem um ser religioso, por natureza, e Deus não está longe dele.
Às vezes esta religiosidade está oculta, devido a uma grande indiferença, a um excesso de preocupação pelos bens materiais, etc. (cf CIC, 29). Temos que procurar que o Deus desconhecido se torne mais conhecido, com a ajuda do Espírito Santo (cf Ev), como fez S. Paulo. Nª Sª é igualmente um caminho mais rápido para chegar a Deus.

5ª Feira, 17-V: Rogações: Uso correcto dos bens da terra.
Act 18, 1-8 / Jo 16, 16-20
Paulo foi procurá-los, ficou em casa deles, e começou a trabalhar. Tinham a profissão de fabricantes de tendas.
Neste dia das Rogações procuremos elevar até Deus as nossas preces para que Ele nos ajude a levar à prática o seu projecto a respeito do mundo e dos homens. Colaboramos no projecto de Deus sobre a criação, de um modo especial através do trabalho.
«O trabalho humano procede imediatamente das pessoas criadas à imagem de Deus e chamadas a prolongar, umas com as outras, a obra da criação, dominando a terra… O trabalho pode ser um meio de santificação e uma animação das realidades terrenas no Espírito de Cristo» (CIC, 2427).

6ª Feira, 18-V: O verdadeiro sentido da vida.
Act 18, 9-18 / Jo 16, 20-23
Haveis de chorar e de lamentar-vos, ao passo que o mundo se há-de alegrar, mas a vossa tristeza tornar-se-á em alegria.
Estas palavras do Senhor são uma boa ajuda para nós. Com efeito, às vezes, parece-nos que aqueles que nada querem com a religião se divertem, gozam a vida, têm bons lucros nos negócios (com alguma corrupção), enquanto nós, que procuramos seguir o Senhor, não temos tanto sucesso.
Mas o Senhor conforta-nos, como a S. Paulo: «Não tenhas receio, que eu estou contigo» (Leit). Mostra-nos como o verdadeiro sentido da vida não está confinado ao horizonte terreno, mas abre-se para a eternidade. É o sentido das bem-aventuranças.

Sábado, 19-V: A importância da oração.
Act 18, 23-28 / Jo 16, 23-28
O que pedirdes ao Pai, Ele vo-lo dará em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.
Jesus anima-nos a pedir ao Pai em seu nome (cf Ev), tendo em conta as nossas necessidades, mas sem esquecer as petições do Pai-nosso. A oração é como a respiração do cristão. Por isso, procuramos transformar tudo o que fazemos em oração.
A oração também nos permite conhecer melhor o Senhor, porque o Espírito Santo nos recorda os ensinamentos de Jesus. Priscila e Áquila procuraram expor com maior exactidão o caminho de Deus a Apolo (cf Leit). Maria, mestra de oração, ajuda-nos a pedir o que é conveniente, como aconteceu em Caná!


Fonte: (Presbíteros)

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